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FATECBA – FACULDADE TEOLÓGICA CULTURAL DA BAHIA

Curso: Bacharelado em Teologia

Aluno: Carlos Henrique da Conceição Seabra

Matéria: Cristologia

Data: 28/12/2007

Fl 4.8

Ap 1.3

Introdução

Para levar a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o

evangelho foi escrito (cf. Jo 20,30-31). Mesmo com essa finalidade

explicitada na voz do narrador, o livro foi escrito, não como

um tratado de teologia, mas como “evangelho”. Trata-se de um

gênero literário específico: relata o que aconteceu desde os dias

de João Batista até ao dia em que o Senhor Jesus passou para a

glória do Pai (cf. At 1,21-22). A obra se apresenta como um testemunho,

e é certo que o evanghelista quis compor um verdadeiro

evangelho narrativo

1

.

A obra segue um plano narrativo que o autor criou em

vista de melhor comunicar a fé em Jesus. Para isso utilizou livremente

as fontes de que dispunha, estruturando-as de maneira

própria e enriquecendo-as com sua reflexão teológica.

1. Citar os sete nomes de Cristo que respondem à pergunta: “Quem é o Cristo?”

Muitas nomenclaturas são verbalizadas no meio eclesiástico e, na maioria dos casos as pessoas ficam perdidas ou num bom linguajar popular: “boiando” por não saber o significado de tais palavras. Somos uma nação que, com dificuldade, conhece a língua portuguesa, agora, imagine, grego e hebraico. Então temos que ter sabedoria para que seja estabelecido feedback entre emissor(pregador) e receptor(igreja), a fim de que não ocorra ruídos na mensagem pela dificuldade de compreensão.

Segundo o Novo Aurélio, a palavra redenção [Do lat. redemptione] significa: 1.Ato ou efeito de remir ou redimir; 2.Ajuda ou recurso capaz de livrar ou salvar alguém de situação aflitiva ou perigosa; 3.A salvação oferecida por Jesus Cristo, com ênfase no aspecto de libertação da escravidão do pecado.

Nas Escrituras Sagradas redenção possui triplo significado:

a) Pagar o preço do resgate por alguma coisa ou por alguém. (Hb 9:12);b) Remover de um mercado de escravos. (Gl 3:13);c) Efetivar um completo livramento de um escravo ou prisioneiro, dando liberdade perfeita e definitiva (Rom 8:22-23).

E Deus se revela a nós através de sete nomes redentores, demonstrando assim Sua natureza Sétupla (sete é o número perfeito e completo nas Sagradas Escrituras). Os sete nomes de Jeová são:

1) Jeová-Tsidkenu – “O Senhor é a nossa Justiça” (Jr 23:6) – Este nome aparece em uma profecia referente à futura restauração e conversão de Israel: Então Israel o clamará como Jeová-Tsidkenu, o Senhor Nossa Justiça.

2) Jeová-Shalom – “O Senhor nossa paz” ou “O Senhor envia paz” (Jz 6:23-24). Se nós estamos em guerra e carecemos de paz, Jeová envia paz e faz cessar a peleja.

3) Jeová-Raah – “Deus é nosso Guia” ou Pastor (Sl 23:1) - O Senhor é o nosso pastor, nosso guia, a direção correta a ser seguida.

4) Jeová-Rapha – “Deus é nosso médico ou Aquele que cura” (Ex 15:26). O Contexto mostra que se refere à cura física, mas está implícita a cura mais profunda da enfermidade da alma.

5) Jeová-Jireh – “Deus é nosso provedor” ou fonte (Gn 22:14) - O Senhor proverá, isto é, proverá para si o holocausto ou o sacrifício, Abraão viu o dia do Senhor. E Proverá para os seus filhos aquilo que necessitam.

6) Jeová-Shamma – “Deus está sempre presente” (Ez 48:35) - O Senhor está sempre presente, este nome significa a presença permanente do Senhor Jeová no meio do Seu povo.

7) Jeová-Nissi – “Deus é nossa vitória” (Ex 17:15) - O Senhor é a nossa bandeira; representamos a nação celestial cuja bandeira é o Senhor.

2. Que significa o título: “Filho de Deus”?

Título messiânico (Dn 7.13); refere-se à humanidade de Cristo

De todos os seus títulos, “Filho do Homem” é o que Jesus preferia usar a respeito de si mesmo. E os escritores dos evangelhos sinóticos usam a expressão 69 vezes. O termo “filho do homem” tem dois possíveis significados principais. O primeiro indica simplesmente um membro da humanidade. E, neste sentido, cada um é um filho do homem. Tal significado era conhecido nos dias de Jesus e remonta (pelo menos) aos tempo do livro de Ezequiel, onde é empregada a fraseologia hebraica ben 'adam, com significado quase idêntico. Essa expressão, na realidade, pode até mesmo funcionar como pronome da primeira pessoa do singular, “eu” (cf. Mt 1.13).

por outro lado, expressão é usada também a respeito da personagem profetizada em Daniel e na literatura apocalíptica judaica posterior. Essa personagem surge no fim dos tempos com uma intervenção dramática, a fim de trazer a este mundo a justiça de Deus, o seu Reino e o seu julgamento. Daniel 7.13, 14 é o texto fundamental para esse conceito apocalíptico:

Embora o título “Filho do Homem” apresente duas definições principais, são três aplicações contextuais, no Novo Testamento. A primeira é o Filho do Homem no seu ministério terrestre. A segunda refere-se o seu sofrimento futuro (como por exemplo Mc 8.31). Assim, atribui-se novo significado a uma terminologia existente dentro do Judaísmo. A terceira aplicação diz respeito o Filho do Homem na sua glória futura (ver Mc 13.24, que aproveita diretamente toda a corrente profética que brotou do livro de Daniel). 

No A.T. esta qualificação aparece em Gn 6.2, tendo sido essa expressão interpretada de diversos modos; 1-jovens preeminentes; 2-anjos; 3-os descendentes de sete; 4-os descendentes de Cain. Em Jô usa-se a respeito de anjos; em Oséias 1.10 a respeito de Israel espiritual. Visto que Deus se revelou a Si mesmo como Pai do povo de Israel Is 63.16; 64.8; Jr31.9. são chamados filho de Deus os israelitas Ex 4.22; Dt 14.1.

As palavras do Sl 2.7,”tu es meu filho; eu hoje te gerei”, são aplicadas a Jesus Cristo em At 13.33 e Hb 1.5. 5.5.

No A.T. as qualificações são aplicadas a Jesus como título distintos nos evangelhos sinótipos, antes do nascimento de Cristo Lc 1.35; e pela voz divina do batismo e na transfiguração. Mt 3.17, 17.5; Mc 1.11, 9.7; Lc 3.22, 9.35.

3. Que sabia Jesus de si mesmo, quando era menino?

Lucas, o único escritor que relata um

incidente da infância de Jesus, diz-nos que com a idade de doze anos (pelo menos)

Jesus estava cônscio de duas coisas: primeira, uma revelação especial para com

Deus a quem ele descreve como seu Pai; Segunda, uma missão especial na terra –

“nos negócios de meu Pai”.

4. Em que ocasião ele afirmou que era Filho de Deus? Que expressão usou?

Os relatos do Evangelho não fornecem biografias completas da vida de Jesus. Eles, contudo, dão eventos relevantes, atos, declarações ensinamentos de Jesus enquanto ele vivia nesta terra. Portanto, é apropriado considerar o testemunho destes registros. Ensinam eles que Jesus é divindade? Nem todos os registros dão o mesmo destaque aos atos e ensinamentos que outros. Cada evangelho foi escrito por propósito pretendido e para uma audiência especial. Diferentes ângulos são considerados nos ensinamentos de Jesus, e diferentes fatos são enfatizados.

As declarações de Jesus.Conquanto Jesus não tenha feito nenhuma declaração explícita de que era Deus, ele de fato fez declarações que definitivamente o identificavam como Deus. Tomadas em conjunto, elas apóiam uma questão para o entendimento de Jesus, que ele é Deus.

a. Ele declarou ter uma relação inigualável com o Pai. Ele não declarou apenas crer ou amar a Deus; ele declarou que ele e o Pai eram um (João 10:30). Ele não se referiu a si mesmo como um filho de Deus, mas oFilho de Deus. João 5:17-18 registra uma ocasião quando Jesus tinha feito um milagre justamente no sábado. Ele disse aos judeus: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”. Isto enfureceu os judeus, por isso “ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”. Eles entenderam que Jesus estava alegando ter uma relação com o Pai num sentido incomparável, e creram que isto era blasfêmia, pois ele estava “fazendo-se igual a Deus”.

b. Ele declarava ter autoridade para perdoar pecados. Marcos 2 registra quando Jesus, confrontado com um homem paralítico, simplesmente disse: “Filho, teus pecados são perdoados”. Os judeus pensaram que isto era errado, pois ninguém “pode perdoar pecados a não ser Deus somente”. De modo a provar que ele tinha autoridade para perdoar, Jesus curou o homem. O direito a perdoar pecados é um direito divino.

c. Ele se declarou sem pecado (João 8:29,46; 18:23). Outras passagens bíblicas apóiam esta declaração (Hebreus 4:15), que põe Jesus em nítido contraste com todos os outros, pois pecaram (Romanos 3:23).

d. Ele declarou ter autoridade para julgar o mundo (João 5:25-27). Ele disse que suas palavras haveriam de julgar no último dia (João 12:48). Ou ele se entendia como Deus, ou era o homem mais convencido e arrogante que jamais viveu.

e. Ele declarou falar as próprias palavras de Deus. Ele disse: “Minhas palavras não passarão” (Mateus 24:35). Ele colocou suas próprias palavras em igualdade com as palavras de Deus.

f. Ele declarou ser o único caminho para a salvação. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6). Não se pode ficar neutro diante de uma declaração como esta. Ela é estreita e exclusiva. Mais tarde, os apóstolos testemunharam que não há outro nome dado pelo qual podemos ser salvos (Atos 4:12). Se não, a Bíblia está afirmando salvação através de alguém que não tem direito a declarar ser o único caminho até Deus.

g. Ele declarou ser o Autor e Doador da vida. “O Filho do homem dá vida a quem ele quer”(João 5:21). Ele se chamou o “pão da vida” (João 6:48), e a “ressurreição e a vida”(João 11:25).

h. Jesus exigiu a mais alta lealdade da humanidade. Ele disse que seus seguidores têm que negar a si mesmos e segui-lo (Lucas 9:23). Ele disse a seus seguidores que eles têm que amá-lo acima de tudo o mais, incluindo membros da família (Lucas 14:26; Mateus 10:34-39). Se Jesus não pensasse que ele era Deus, o que mais poderia ele estar pensando?

i. Ele declarou cumprir todas as profecias do Velho Testamento a respeito do Messias. (Lucas 24:44). Considerando quantas profecias há sobre o Messias, esta é uma admirável declaração. Uma vez que, conforme já foi demonstrado, o Velho Testamento liga o Messias a Yahweh, então a declaração de Jesus de ser o Messias é também uma declaração de divindade.

j. Jesus declarou ser Deus. Ao falar aos judeus sobre Abraão, Jesus disse: “Antes que Abraão fosse, eu sou”(João 8:58). Isto levaria os judeus de volta ao tempo quando Yahweh falou a Moisés no arbusto ardente, declarando ser “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3:14). Por causa desta declaração os judeus pegaram pedras para atirar em Jesus, pois eles sabiam as suas implicações. Nesta afirmação, Jesus estava declarando existência eterna e auto-suficiência. Se ele não fosse Deus, então isto realmente seria blasfêmia.

Estas declarações demonstram o ensinamento bíblico que Jesus tinha uma consciência messiânica e divina. Rejeitar todas elas como sendo sobrepostas a Jesus por discípulos ulteriores não é consistente com a evidência, e retrata os discípulos ulteriores como sendo tão espertos e fraudulentos que se torna difícil imaginar. Estas declarações são sutis, ainda que fortes. Tomadas em conjunto, elas argumentam que Jesus declarou ser Deus.

5. Que confirmação teve Jesus acerca de sua divindade?

No rio Jordão Jesus ouviu a voz do Pai falando e confirmando o seu conhecimento íntimo (Mt 3.17), e no deserto resistiu com êxito à tentativa de Satanás de fazê-lo duvidar de sua filiação (“Se tu és o Filho de Deus...” Mt 4.3). Mais tarde em seu ministério louvou a Pedro pelo testemunho divinamente inspirado concernente à sua deidade e ao seu caráter messiânico. (Mt 16.15-17). Quando diante do concílio judaico, Jesus poderia ter escapado à morte, negando sua filiação ímpar e simplesmente afirmando que ele era um dos filhos de Deus no mesmo sentido em que o são todos os homens; porém, sendo-lhe exigido juramento pelo sumo sacerdote, ele declarou sua consci6encia de Divindade, apesar de saber que isso significaria a sentença de morte. (Mt 26.63-65).

6. Quais as reivindicações de Jesus quanto à sua divindade?

Ele colocou lado a lado com a atividade divina. “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” “Saí do Pai” (Jo 16.28).

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