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Embora o girassol esteja entre as principais oleaginosas produtoras de óleo vegetal comestível do mundo, sua produção atual, no Brasil, é inexpressiva (71 toneladas em 2002). Recentemente, a cultura foi re-introduzida nos Cerrados. No ano de 2003, o girassol foi cultivado como safrinha em cerca de 62 mil hectares, concentrados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O Gráfico 5 mostra o potencial do girassol para o Cerrado brasileiro. Se for cultivado em apenas 20% da área de soja, como segunda cultura, o Brasil poderá se tornar o maior produtor mundial de girassol.

Algodão

A importância da cultura do algodão para a agricultura familiar nordestina é reconhecida historicamente, constituindo-se a mais importante fonte de geração de emprego e renda da região. Nos anos 80, o Brasil chegou a cultivar mais de 3 milhões de hectares de algodão arbóreo no semi-árido nordestino. Com a chegada do bicudo na região, aliada aos impactos negativos das políticas públicas da década de 90 – o que permitiu a abertura de mercado –, o preço do algodão desabou e a cotonicultura brasileira teve sua área reduzida, sendo substituída pela pecuária extensiva e por culturas de subsistência. O êxodo rural aumentou, sendo excluídas do campo mais de 350 mil famílias. Agora, com o Programa Nacional de Biodiesel, o algodão poderá ressurgir no semi-árido, com ampla vantagem e renda para os produtores, desde que utilizem, devidamente, as tecnologias geradas e / ou adaptadas pela EMBRAPA e outras instituições de pesquisa e desenvolvimento do nosso país.

A cultura do algodoeiro, tanto do herbáceo, como do arbóreo, é uma das mais importantes no Brasil. É uma planta singular, pois é fibrosa (hoje, sua fibra, depois de processada, veste mais de 40 % da humanidade), oleaginosa, com teor de óleo variando entre 13 a 32 %, dependendo da cultivar e do ambiente de cultivo.

Para a sub-região do Semi-árido , que é mais de 70 % do Nordeste, que por sua vez equivale a 18 % do da área do país, o algodão, junto com a mamona, constituem numa excelente opção para os pequenos produtores ligados a agricultura familiar, tanto para a produção de fibra, torta (concentrado de proteínas) e óleo, no caso do algodão e de óleo e de torta no caso da euforbiácea, que devido a proteína ricina não pode ser utilizada diretamente na alimentação animal devido a sua elevada toxidade.

O algodão apresenta um óleo quase todo constituído por ácidos graxos insaturados, casos do oléico e do linoléico e um pouco de saturados, caso do palmítico, o que lhe confere ser um excelente opção para a produção do biodiesel, sendo seu custo relativamente baixo, pois as suas sementes possuem entre 13 a 32 % de óleo, como foi dito anteriormente e pode-se obter via melhoramento genético, cultivares com bom teor de óleo, em torno de 24% e com fibra de boa qualidade intrínseca, pois existe uma correlação negativa entre a percentagem e a qualidade de fibra e o teor de óleo.

Estima-se que no semi-árido haja pelo menos cinco milhões de hectares de pequenos produtores, para produzir algodão, não somente para produção de fibras. torta para a alimentação animal mas , também para a produção de óleo barato, para a fabricação do biodiesel. É uma cultura com domínio tecnológico, com dezenas de cultivares recomendadas , que podem compor sistemas de produção para áreas de sequeiro e irrigadas também para outras regiões da federação, com ênfase nos Cerrados.

Babaçu

O babaçu é uma oleaginosa com exploração extrativista. Sua pesquisa não avançou, apesar do seu grande potencial. Segundo dados da Embrapa (1983), estima-se que o potencial produtivo do babaçu situa-se acima de 10 milhões de toneladas de coco/ano, o que poderá produzir cerca de 1 bilhão de litros de álcool, quase 2 milhões de toneladas de carvão, meio milhão de toneladas de óleo.

O babaçu ocorre nativo nos Estados do Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. O coco do babaçu possui, aproveita­mento integral, uma tonelada de coco com um aproveitamento industrial integrado produz 40 Kg de óleo, 80 litros e de aloca, 120 Kg de combustíveis primários, 145 Kg de carvão.

Acréscimo de 15% de óleo de dendê ao óleo diesel.

Pinhão-Manso

O pinhão-manso (Jatropha curcas Linn) é outra oleaginosa com grande potencial porém ainda sem domínio tecnológico. Segundo o Centro Tecnológico de Minas Gerais - CETEC (1983), o pinhão-manso procede da América do Sul, possivelmente do Brasil, atualmente ocorre em todas as regiões brasileiras de forma dispersa e em quase todas as regiões intertropicais.

Composição do fruto de pinhão-manso

Macaúba

O potencial da macaúba (Acrocrocamia sclerocarpa Mart.) para os Cerrados é comparável ao do dendê para Amazônia. Ela ocorre formando extensos adensamentos naturais. A pesquisa com macaúba também não avançou, porém tem sido priorizada nas instituições de pesquisa sobretudo após da criação em 2004 do Programa Nacional de Biodiesel .

A produtividade agrícola da macaúba pode chegar a mais de 4000Kg/ ha de óleo

Produtividade agrícola da macaúba.

Por essas razões, o Governo considera que cabe as empresas produtoras a seleção das melhores alternativas, devidamente apoiadas pelas pesquisas, experimentos e testes realizados com cada tipo de planta e suas respectivas adaptações ao tipo do solo onde serão cultivados e produzido o óleo.

Nas grandes cidades, já é comum encontrar em condomínios pontos de coleta para óleo residencial, utilizado em frituras, este óleo é armazenado em garrafas e depois recolhido para reciclagem, onde boa parte será transformada em biodiesel. Em algumas indústrias de grande porte também é comum pontos onde os funcionários podem trazer seus resíduos de óleo, isso faz parte do plano de conservação de meio ambiente destas empresas e instala uma cultura natural de reciclagem em seus colaboradores. Esta ação não só gera energia a apartir de novas fontes com reaproveitamento de descartes residenciais, mas também contribui efetivamente com a não poluição do solo por parte destes óleos que seriam tratados de maneira irregular nos pontos de coleta de lixo comum.

Assim, o PNPB não é excludente em termos de categorias de agentes econômicos, matérias-primas ou rotas tecnológicas, mas ele se apóia num balizador rígido: o biodiesel deve atender especificações físico-químicas estabelecidas pelo Governo Federal por meio da ANP, que tem a responsabilidade de autorizar o funcionamento de indústrias de biodiesel e de fiscalizar sua produção e comercialização. Sem atender esse padrão de qualidade, monitorado e fiscalizado pela ANP com sistemas modernos, como o marcador molecular, o biodiesel não pode ser comercializado e misturado ao diesel mineral.

Para produzir e comercializar biodiesel no Brasil é necessário, inicialmente, obter autorização da ANP, cujos requisitos estão expressos em sua Resolução nº 41/2004.

Em seguida, é preciso obter o registro junto à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, as empresas que desejam usufruir benefícios tributários direcionados à inclusão social e ao desenvolvimento regional (geração de emprego e renda para agricultores familiares, especialmente das regiões mais carentes do País), devem obter, adicionalmente, o Selo Combustível Social.

Cada vez mais competitivo com o diesel mineral, ocupando espaço crescente nos mercados interno e externo. No Brasil, o B2 já é comercializado em mais de 2.000 postos revendedores.

2.Alguns exemplos de Biodiesel no Mundo

Não só o Brasil busca o desenvolvimento de fontes renováveis de combustíveis, no mundo são crescentes os investimentos em matrizes energéticas que libertem das fontes derivadas do petróleo. Os estudam partem das mais diversas fontes de geração de óleos ao reaproveitamento de azeites domésticos.

A Europa já vem fazendo uso de B5 há mais de cinco anos, em destaque a Alemanha e a França, que têm parte da sua frota de veículos circulando com biodiesel puro (B100). A Comunidade Européia produziu em 2002, cerca de 1,06 milhões de toneladas de biodiesel, por meio de uma meta de substituição de diesel semelhante à nossa, especialmente a Alemanha, a Áustria, a Itália, o Reino Unido e a Dinamarca.

O mercado alemão experimentou o ingresso do biodiesel, utilizando as frotas de táxis nas principais cidades. Os próprios veículos promoveram o combustível com o uso de folhetos, ressaltando vantagens e características operacionais. Bombas de abastecimento de combustíveis foram instaladas nos postos, de maneira que o usuário tinha ao dispor, duas saídas: uma para o diesel de petróleo e outra para o biodiesel. As misturas poderiam ser realizadas em diversas proporções, segundo a melhor escolha do comprador. Na Alemanha, a produção de biodiesel aumenta anualmente cerca de 45%, feito com óleo de colza.

A França pretende triplicar sua produção de álcool e de biodiesel. O Canadá iniciou ações para construir uma usina de álcool combustível a partir da palha do trigo. Os motivos que impulsionam esses países em direção aos biocombustíveis dizem respeito a precauções contra eventuais declínios na oferta de petróleo. São muito fortes os indícios de que todos os grandes lençóis petrolíferos já passaram de seu pico produtivo ou estão próximos dele. A Agência Internacional de Energia, com sede na França, defende uma posição de que será difícil para as economias desenvolvidas se manterem, caso não possuam uma alternativa consistente aos derivados de petróleo.

Na Malásia, foi implementado um programa para a produção de biodiesel a partir de óleo de palma (dendê). A primeira fábrica foi prevista para entrar em operação com capacidade de produção de 500 mil toneladas ao ano.

O biodiesel na Argentina recebeu estímulo por meio do Decreto 1.396, de novembro de 2001, propiciando a desoneração tributária do biodiesel por dez anos, com o Plan de Competitividade para el Combustible Biodiesel .

Nos Estados Unidos, o biodiesel está sendo usado em frotas de ônibus urbanos, serviços postais e órgãos do governo, com um consumo de cerca de 126.000 toneladas por ano. Já existem cerca de 4 milhões de veículos operando com uma mistura de gasolina e álcool de milho, com a produção desse biocombustível crescendo 30% ao ano.

A figura abaixo mostra como estava proposta a matriz de biodiesel dos Estados Unidos no ano de 2005.

O mundo tem consumido cada vez mais petróleo. Associado a esse fato,

o preço internacional do barril aumentou bruscamente, com a crise econômica mundial atual, os preços despencaram, porém o consumo caiu junto, assim que o cenário internacional estabilizar-se novamente, o consumo de derivados de petróleo tornara a subir. Para tal cenário, impõe-­se reflexão e reavaliação de posturas, pelo impacto negativo que terá no ritmo de crescimento global das nações. A disparada dos preços e a concretização que cada vez mais as reservas de o petroleo tornam-se insuficientes, abre espaço para as recorrentes previsões ruins que empreguinam e espalham-se em momentos de instabilidade. O cenário fica ainda mais preocupante quando se considera que as maiores reservas de petróleo estão dispostas em países potencialmente conturbados por problemas políticos e sociais, levantando hipóteses de instabilidade de produção e como conseqüência, muita instabilidade financeira.

3.Conclusão

É sabido sobre o efeito causado pelo aumento na concentração dos gases causadores do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), e isto, tem promovido profundas mudanças climáticas no planeta. O aumento da temperatura média global, as alterações das temporadas de chuva e a elevação do nível dos oceanos são efeitos que poderão ser desastrosos diante do contínuo aumento da população mundial. Dessa forma, o desenvolvimento e inserção de combustíveis renováveis, como o biodiesel, na matriz energética do pais, necessita muito ser incentivada, para estancar a dependência e reduzir as emissões provocadas pelo uso dos combustíveis fósseis.

No Brasil, a produtividade alcançada na produção do biodiesel a partir das diversas oleaginosas disponíveis ainda está muito abaixo das possibilidades que temos, e do conhecimento tecnológico nos centros de pesquisas nacionais. É necessário, portanto, ampliar a disseminação da informação e o incremento das ações do Estado, nos diversos níveis, visando promover o plantio segundo as melhores práticas alcançadas, repercutindo de maneira favorável no aumento da oferta do óleo, enquanto matéria-prima, bem como na redução de custos e na melhoria nas margens de contribuição para a formação de preços do combustível, bem como a reciclagem de óleo vegetal utilizado nos centros urbanos em uma cadeia cooperativa como um todo. Toda a cadeia produtiva que será desenvol­vida para o biodiesel vai exigir assistência técnica, para que os produtores tenham qualidade na produção, competitividade e custos compatíveis com o mercado. A qualificação do pessoal, para o processo de difusão tecnológica junto aos agricultores familiares, requer um conheci­mento adequado da realidade local e do seu dia-a-dia.

O biodiesel se tende a uma demanda de mercado exponencial, tanto nacional como para exportação. O produtor tem à sua disposição diversas opções de acesso ao crédito, por meio de linhas de financiamento oferecidas pela rede bancária oficial do País e uma vasta gama de plantas que podem produzir nos mais diversos climas. A legislação criada para amparar o programa de produção do biodiesel brasileiro destaca o envolvimento da agricultura familiar.

O preço do biodiesel ainda parece alto frente ao do óleo diesel mineral. No entanto, isso não pode sevir como barreira ao seu desenvolvimento, uma vez que os produtos agropecuários tendem a apresentar preços declinantes e, no outro sentido, a cotação do petróleo mantém sua tendência de elevação, mesmo depois da crise, principalmente em função da expansão da demanda sobre suas reservas mundiais. Há que se considerar as externalidades positivas, como melhoria da proteção ao clima e ao meio ambiente, geração de emprego e renda, inclusão e bem-estar social. São necessários estudos sobre o desenvolvimento de novas rotas e técnicas de obtenção do biodiesel que propiciem uma redução dos custos de produção, que são imprescindíveis para a sustentabilidade e aumento do ciclo de vida desse produto.

O mercado internacional para o biodiesel brasileiro aparenta como promissor, bastando para isso considerar que apenas os Estados Unidos consomem 35% de todo o petróleo produzido no mundo e importam 60% de suas necessidades de petróleo e gás natural. Da mesma forma, a União Européia e o Japão importam praticamente todas as suas necessidades de petróleo e. ainda, possuem um movimento ambientalista cada vez mais forte no sentido de buscar energias limpas, fortalecendo muito o mercado para o biocombustível.

A produção do biodiesel no Nordeste brasileiro se reveste de uma esperança de vida melhor para incontáveis agricultores do semi-árido nordestino. Um dos maiores problemas da região do semi-árido no Nordeste brasileiro é que o homem não se fixa no campo, pela falta de geração de renda por meio de oportunidades de trabalho. A dimensão maior do problema é a migração para as regiões metropolitanas das capitais e das maiores cidades dos Estados. Segundo estudos, para se produzir 800 milhões de litros de biodiesel por ano no Brasil, será necessário o envolvimento de cerca de 400 mil famílias, o que representa aproximadamente 2 milhões de brasileiros, com oportunidade de emprego e renda. A implementação da produção de biodiesel a partir das oleaginosas é uma excelente oportunidade de integração social para as famílias excluídas do processo econômico, justamente por ser o meio rural o setor de maior concentração de baixa renda e desempregados. Dessa forma, ao mesmo tempo em que se tem a possibilidade de produzir um combustível de valor econômico e ambiental, tem-se a chance de se promover um grande programa de inclusão social no País.

Bibliografia

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www.mme.gov.br

www.anp.gov.br

www.mda.gov.br

www.petrobras.com.br

www.google.com.br

Revista Biodieselbr – Abril / Maio 2008 – Capa - Óleo de Cozinha

Revista Biodieselbr – Dezembro /Janeiro 2009 – Capa - Produção de Biodiesel

Biodiesel – A solução do Agonegócio – Wilson Luiz Bonalume - 1º Edição

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