A utilidade da Filosofia

A utilidade da Filosofia

A UTILIDADE DA FILOSOFIA

ANÁLISE TEXTUAL

O texto em questão aborda a questão: “para quê serve a filosofia?”. O autor busca demonstrar que uma pretensa utilidade da filosofia não pode ser buscada além dos próprios limites da mesma. Tratar-se-ia, portanto, a Filosofia de um saber autônomo, dado que haure sua validade de sua própria essência, a saber: por se tratar de um saber formativo da humanidade.

O estilo (como não poderia deixar de ser em se tratando de um texto filosófico) é o de um texto dissertativo e demonstrativo que procede por meio de premissas em busca de uma conclusão válida. Apesar do supra mencionado, percebe-se uma tentativa de leveza justificada, outrossim, por uma tentativa de fazer o texto acessível a leitores comuns (não habituados aos intrincados e complexos conceitos filosóficos).

Não se percebeu nenhuma expressão ou palavra que se apresentassem como dificuldades para uma boa compreensão do texto. Embora possua termos propriamente filosóficos, nada foi detectado como empecilho a uma leitura fluída e proveitosa.

O presente texto poderia ser esquematizado como segue:

  • Tema: a utilidade da filosofia;

  • Problema: para que serve a filosofia?;

  • 1ª tentativa de resposta: a filosofia ensina a pensar;

  • Dificuldades decorrentes: os sofistas demonstraram que essa idéia de filosofia serve tanto ao bem quanto ao mal;

  • Refutação: “fazer filosofia significa ser capaz de se elevar acima das paixões e dos interesses individuais, para alcançar uma verdade objetiva e universal” (isso não seria alcançado por uma filosofia encarada como lógica ou preparação retórica);

  • 2ª tentativa de resposta: a filosofia é um “saber cujo fim é conhecimento desinteressado do cosmo e do homem como microcosmo” (Max Scheler);

  • A filosofia é útil por ajudar os homens a se tornarem humanos;

  • Conclusão: a utilidade da filosofia é intrínseca à própria filosofia.

ANÁLISE TEMÁTICA

O tema principal do texto aparece já em seu título: a utilidade da filosofia. O problema levantado se resume na questão “para quê serve a filosofia?”. A tese que o autor apresenta é a de que a utilidade da filosofia não pode ser buscada fora dos limites da própria filosofia e com critérios não-filosóficos. O autor segue uma linha de raciocínio demonstrando que alguns conceitos mais técnicos e pragmáticos da filosofia conduziram a práticas discutíveis moralmente (basta pensar nos sofistas e o seu comércio de um saber filosófico reduzido à mera capacidade de persuasão). É delicado falar de idéias secundárias no texto; o que se apresenta são elementos que se concatenam para a sustentação de uma tese. Quiçá, por isso, seja delicado falar em idéias secundárias; o mais próprio seria, talvez, encará-las como premissas que conduzem a determinada conclusão.

ANÁLISE INTERPRETATIVA

Faltam elementos para situar o autor do texto naquilo que se refere a influências e situação filosófica. Pode-se, todavia, conjecturar que o autor se fia numa tradição que remonta às origens do pensamento filosófico para sustentar sua tese de que a filosofia não possua utilidade extrínseca, mas que sirva fundamentalmente à formação do ser humano e a uma sua liberdade de pensamento e investigação.

Uma critica que deve ser feita diz respeito à – controversa – tentativa de facilitar o acesso à filosofia. A compreensão da filosofia – especialmente de seus escritos – esteve sempre conjugada a um tenaz esforço e formação. Buscar simplificar a filosofia seja talvez vulgarizá-la e esvaziá-la de sua força intrínseca, manifestada sempre através de uma (necessária) linguagem específica e robusta. Quando o assunto é filosofia, simplificar pode significar esvaziar e perder.

PROBLEMATIZAÇÃO

Algumas questões que demandam uma ulterior reflexão seriam:

  • A filosofia deve sempre ser apresentada como algo não-prático?

  • Uma filosofia com fins práticos seria necessariamente uma negação da mesma?

  • A filosofia cumpre hoje ainda seu papel formativo no que se refere ao homem?

  • Como o ensino da filosofia pode cumprir seu papel formativo do ser humano?

  • A filosofia no mundo pós-moderno se confunde com a ideologia?

SÍNTESE PESSOAL

A tentativa de tornar a filosofia acessível a todos é sempre louvável. O texto possui seus méritos ao tentar sanar diversos preconceitos acerca da filosofia (entenda-se: a filosofia não serve para nada, é coisa de desocupados etc.). A filosofia conserva sua premência frente a outros saberes: enquanto tudo é tão específico, a filosofia se propõe formar o sujeito de todos esses saberes, libertando o seu pensamento de todas as amarras sociais. A filosofia deve encontrar em si mesma a justificativa de sua utilidade. Qualquer tentativa de justificação que extrapole os limites da filosofia torna-se uma possível corrupção da filosofia; torna-a ideologia, razão instrumentalizada. Como já fazia dizer um filósofo antigo: “uma vida não questionada não vale ser vivida”

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