Adubação Orgânica

Adubação Orgânica

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1INTRODUÇÃO
“Na natureza nada se cria , nada se perde, tudo se transforma “, já disse Lavoisier. O adubo

ADUBAÇÃO ORGÂNICA orgânico é constituidode resíduos de origem animal e vegetal: folhas secas, gramas, restos vegetais, restos de alimentos, esterco animal e tudo mais que se decompõem, virando húmus. O húmus é o fruto da ação de diversos microorganismos sobre os restos animais e vegetais, este apresenta em média 58% de carbono e 5% de nitrogênio. De maneira geral, dosando o teor de C e de N pode-se avaliar a % de matéria orgânica humificada, multiplicando-se, respectivamente pelos fatores 1,724 pelo teor de carbono e 20 pelo teor de nitrogênio.

2. RELAÇÃO C/N

A proporção C/N na matéria orgânica do solo é fator importante sobre vários aspectos, dos quais os mais significativos são os seguintes: - Uma adição ao solo de resíduos com relação C/N elevada, motiva a competição pelo N disponível entre os microrganismos e as plantas. - Resíduos com relação C/N baixa (leguminosas), podem favorecer o desenvolvimento microbiológicos no processo de decomposição, implicando em maior quantidade de N mineralizado.

O húmus se apresenta em forma coloidal e pode influir em diversas propriedades fisicas e quimicas do solo:

- melhora a estrutura do solo; - reduz a plasticidade e coesão;

O adubo orgânico de origem animal mais conhecido é o esterco que é formado por excrementos sólidos e líquidos dos animais e pode estar misturado com restos vegetais. Sua composição é muito variada. São bons fornecedores de nutrientes, tendo o fósforo e o potássio rápidamente disponível e o N fica na depndencia da facilidade de degradação dos compostos.

É grande a quantidade de restos vegetais remanescentes que sobra após as safras. O arroz e o trigo deixam de 30 a 35%, e o algodão, cana, milho cerca de 50 a 80% da massa original em forma de resíduo orgânico. Qualquer material orgânico no solo pode ser eventualmente reduzido em tamanho por pequenos animais e ser putrefeito por organismosjá nele presentes, ou que vem do solo. Sua função defornecedor de nutrientes, como de quase todos os outros resíduos, depende basicamente do material empregado em seu preparo. Deve-se destacar que o efeito do composto como agente acondicionador do solo melhorando suas características físicas, como retenção de água, plasticidade, porosidade , etc., talvez seja mais importante que seu efeito fertilizante.

VINHAÇA: resíduo produzido em grande quantidade nas destilarias de álcool. A vinhaça de cana é rica em K e possui teores relativamente elevados de outros elementos. A composição desse resíduo é muito variável, dependendo das condições em que a usina vem operando. Se for considerado apenas o efeito do K, pode-se dizer que praticamente 100% deste elemento está disponível para as plantas. A vinhaça contém ainda N, S, Mat..Org. e alguns microelementos. Sua aplicação mais racional deve ser feita com base no teor de K. A maioria das aplicações vem sendo feita in natura, em quantidades que variam de 50 a 200 m3/ha.

TORTA DE FILTRO: Resíduo da indústria açucareira oriundo da filtração a vácuo do lodo retido nos clarificadores. É composto de resíduos solúveis e insolúveis da fase de calagem. Cada tonelada

de cana moída rende em torno de 40kgA torta é rica em P, Ca, Cu, Zn, Fe e possui relação C/N

muito elevada, podendo diminuir a disponibilidade de N no solo. É deficiente em potássio, o que sugere a combinação deste resíduo com a vinhaça.

3.2.2 - RESÍDUOS DE BIODIGESTORES

Constituidos pelos efluentes de biodigestores , são considerados excelentes adubos orgânicos. Possui composição muito variável, uma vez que o efluente consiste de material que por concentração perdeu carbono. Se o material biodigerido contiver alta concentração de metais pesados, esses aparecerão em concentração ainda maior no efluente e poderão estar disponiveis para absorção pelas plandas.

3.3. RESÍDUOS URBANOS

LODO DE ESGOTO: material sólido orgânico, ou inorgânico, removido das águas residuais provenientes das residências e estabelecimentos comerciais, etc, nas estações de tratamento de esgoto. A concentração de N, P e K no lodo depende das contribuições recebidas pelas águas residuais, do tipo de tratamento a que foi submetido e do manejo entre a sua produção e a sua aplicação no solo. Há volatilização da amônia durante a digestão aerõbica e durante a secagem. A disponibilidade do N do lodo para as plantas diminui a medida que as formas inorgânicas (nitrato e amônia) diminui e que as formas orgânicas se tornem mais estáveis durante a digestão, nas estações de tratamento. O P e K desde que presentes, estão na forma disponível. O Lodo de Esgoto possui o inconveniente de ser contaminado com agentes patogênicos e metais pesados.

LIXO URBANO: o aproveitamento é feito por diversos processos em função das quantidades, recursos e intenções , desde a decomposição ao ar livre até a fermentação em digestores fechados. Possui de 10 a 60% de umidade 20 a 30% de matéria orgânica.

3.4. OUTROS RESÍDUOS

Resíduos das industrias de café solúvel, que são utilizados após devida fermentação, diretamente na hortifruticultura. Palha de café e casca de arroz aproveitados após decomposição como adubos orgânicos.

4. VANTAGENS NO USO DA ADUBAÇÃO ORGÂNICA 4.1. EFEITOS CONDICIONADORES

- Aumenta a CTC: A matéria orgânica acha-se em estado amorfo e exibe uma superfície muito maior do que a argila, consequentemente, uma capacidade de troca muito superior a das argilas. - Melhora a agregação do solo: atua como agente cimentante de partículas do solo, formando agregados bastante estáveis. A matéria orgânica pode reter de 4 a 6 vezes mais água do que seu próprio peso, diminuindo a erosão. - Diminui a plasticidade e coesão: a matéria orgânica diminui o efeito negativo da consistência plástica e pegajosidade dos solos argilosos molhados. - Temperatura: devido a propriedade de armazenar água, a matéria orgânica é ma condutora de calor, diminuindo as oscilações de temperatura durante o dia.

4.2. EFEITOS SOBRE OS NUTRIENTES

- Disponibilidade: A matéria orgânica é fonte de nutrientes, pois, durante o processo de decomposição, vários elementos vão sendo liberados, principalmente o N, S, e P. Contudo esta liberação, geralmente, não supre a necessidade das plantas a menos que seja aplicada em grande quantidade. A matéria orgânica também aumenta a retenção de água nos solos e é responsável, em grande parte, pelo aumento da CTC do solo. - Fixação do P: Diminui a fixação. Os colóides orgânicos são predominantemente eletronegativos. Os ânios orgânicos formam Fe(OH)2 com o ferro e Al(OH)2 com o Alumínio, complexos imóveis , com o Fe e Al imobilizados pela M.O. aumenta a disponibilidade do P.

4.3. EFEITOS SOBRE MICRORGANISMOS

A maioria dos microrganismos associados à M.O. é benéfica às plantas, exercendo importantes funções, mantendo o solo em estado de constante dinamismo.

5. COMPOSIÇÃO DOS ADUBOS ORGÂNICOS Quantidade de nutrientes em estercos animais (kg/15t)

NUTRIENTE EQUINO BOVINO OVINO SUINO AVES(1) N 8 48 105 97 276

A quantidade de adubo orgânico recomendado varia de cultura para cultura.

6. ADUBAÇÃO VERDE 6.1. LEGUMINOSAS

As plantas desta família apresentam em suas raízes nódulos, em consequencia da penetração de

4 bactérias do gênero Rizóbium, que vão até as células corticais da raiz provocando a formação destes nódulos. A planta fornece hidratos de carbono às bactérias e recebem em troca compostos nitrogenados. São consideradas ótimas para adubação verde por apresentarem:

- Família numerosa e encontrada em grandes diversidades de clima e solo.

6.2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DE ALGUNS ADUBOS VERDES

% NA MATÉRIA SECA N P K Ca Mg

O valor fertilizante do esterco, das margas (materiais calcários), e plantas leguminosas foi conhecido dos primeiros gregos e passou aos romanos à medida que o império grego se extinguiu e o império romano começou a florescer.

Xenofonte, (355 A.C.) observou que o estado grego arruinou-se porque o valor do uso dos estercos na terra não foi levado a sério. Teofrastus (372 A.C.) já recomendava o uso abundante de estercos em solos pouco profundos e chegou até a classificar os estercos, de acordo com a sua "riqueza". Ele listou a seguinte ordem de valor decrescentes para os estercos: homens, suínos, cabras, ovelhas, bovinos e equinos.

Liebig também desenvolveu a famosa "Lei do Mínimo" que pode ser resumida no seguinte: "O crescimento das plantas é limitado pelo nutriente presente em menor quantidade, mesmo todos os outros estando presentes em quantidades adequadas".

Liebig, entretanto, não compreendeu bem o papel dos compostos nitrogenados nos estercos. Pensava-se, naquela época, que a atmosfera continha quantidades apreciáveis de amônia e que as chuvas levariam para a terra 30 a 40 quilos de nitrogênio por hectare, anualmente. Liebig pensava que o esterco contendo nitrogênio estimulava o crescimento das plantas porque ele fermentava e enriquecia a amônia do ar ao redor das plantas. Ele concluiu que o nitrogênio do esterco não era necessário para o crescimento das plantas se os minerais contidos na cinza das plantas fossem devolvidos anualmente ao solo.

fosfato foram descobertas primeiro na Carolina do Sul em 1837, mas a mineração não começou até 1867.

Cinzas de madeira foram as principais fontes de potássio na Europa, até o descobrimento de jazimentos de sais potássios na Alemanha em 1839. Os primeiros sais potássios utilizados na fabricação de fertilizantes eram de baixa concentração: kainita que continha cloreto de potássio, cloreto de sódio e outras impurezas. O teor de potássio nesse produto era de aproximadamente 15% na forma de K2O.

Resumo histórico do uso de fertilizantes e corretivos agrícolas. (Adaptado de IMC, s.d. e Lopes et alii, 1990).

Ao contrário do que algumas pessoas chegam a acreditar, a matéria orgânica não é indispensável para as culturas. As plantas podem ser cultivadas usando-se apenas produtos químicos, como é feito, em escala comercial, em cultivos hidropônicos de hortaliças, muito importantes em países de clima temperado.

A planta, na realidade, é uma fábrica de matéria orgânica, que ela sintetiza a partir da água, e nutrientes minerais, e fixando a energia solar através da fotossíntese. A matéria orgânica decomposta (húmus), contudo, torna-se essencial para os solos cultivados devido a um ou mais dos efeitos listados a seguir:

A matéria orgânica do solo consiste em resíduos de plantas e de animais em diferentes fases de decomposição. Os níveis adequados são benéficos ao solo de várias formas: (1) melhoram as condições físicas; (2) aumentam a retenção de água; (3) melhoram o solo para o preparo; (4) diminuem as perdas por erosão; (5) fornecem nutrientes para as plantas. A maioria dos benefícios ocorre em função dos produtos liberados à medida que os resíduos orgânicos são decompostos no solo.

A matéria orgânica contém cerca de 5% de nitrogênio total; assim, ela serve como uma reserva de nitrogênio. Mas o nitrogênio na matéria orgânica está na forma de compostos orgânicos, não imediatamente disponíveis para o uso pelas plantas, uma vez que a decomposição normalmente ocorre de forma lenta. Apesar de um solo poder conter muita matéria orgânica, os adubos nitrogenados são necessários para assegurar às culturas não leguminosas uma fonte adequada de nitrogênio prontamente disponível, especialmente àquelas culturas que necessitam de altos níveis deste nutriente. Outros elementos essenciais para as plantas também estão contidos na matéria orgânica do solo. Os resíduos de plantas e de animais contêm quantidades variáveis de elementos minerais, como o fósforo, o magnésio, o cálcio, o enxofre e micronutrientes. À medida que a matéria orgânica se decompõe, estes elementos tornam-se disponíveis para as plantas em crescimento.

A decomposição da matéria orgânica tende a liberar nutrientes, mas o nitrogênio e o enxofre podem ser temporariamente imobilizados durante o processo. Os microrganismos que decompõem a matéria orgânica necessitam de nitrogênio para formar proteínas em seus corpos. Se a matéria orgânica que está sendo decomposta possuir uma alta relação carbono/nitrogênio (C/N) - o que significa pouco nitrogênio - estes organismos usarão o nitrogênio disponível, proveniente do solo e dos fertilizantes. Um resumo das fases de decomposição de resíduos orgânicos, com relações C/N variáveis, é mostrado (Kiehl, 1985). Por esta figura verifica-se que resíduos com relação C/N igual a 60/1 dispenderão de 30 a 60 dias para serem bioestabilizados; resíduos com relações C/N entre 60/1 e 3/1 irão imobilizar nitrogênio, isto é, transformarão nitrogênio mineral, nas formas nítrica e amoniacal solúveis, em nitrogênio orgânico não solúvel.

Com uma relação de 3/1 o prazo para o resíduo atingir a bioestabilização será de 15 a 30 dias. Entre as relações 3/1 e 17/1 não haverá imobilização do nitrogênio mineral do solo, mas, também, não estará ocorrendo o processo de mineralização (devolução do nitrogênio "emprestado"), o qual se dará, efetivamente, a partir da relação C/N inferior a 17/1, (Kiehl, 1985). Assim, quando os resíduos de palha de café e os colmos de milho, ou a palha de aveia e de trigo são incorporados ao solo, deve-se aplicar nitrogênio adicional, se uma cultura vai ser plantada logo a seguir. Do contrário, esta cultura pode sofrer deficiência temporária de nitrogênio.

Eventualmente, o nitrogênio imobilizado nos corpos dos organismos do solo torna-se disponível à medida que estes organismos morrem e se decompõem.

Para uma mesma quantidade de nutrientes requerida pelas plantas, necessita-se aplicar maior volume de esterco em relação ao adubo mineral, devido à baixa concentração em nutrientes do adubo orgânico. Além disso, grande parte dos nutrientes do esterco está na forma orgânica e necessitam ser mineralizados para se tornarem disponíveis às plantas. Os índices de conversão que se representam o percentual médio de transformação da quantidade total dos nutrientes contidos nos adubos orgânicos que passa para a forma mineral nos sucessivos cultivos. Considera-se, a partir daí, que a fração mineralizada se comporta semelhantemente aos nutrientes oriundos de fertilizantes minerais. Portanto, eles passam a integrar as mesmas reações químicas dos íons já presentes no solo bem como dos provindos dos fertilizantes minerais, tais como insolubilização de fósforo, lixiviação de nitrogênio, etc.

Verifica-se que todo o potássio aplicado na forma orgânica comporta-se como mineral desde a aplicação, uma vez que ele não faz parte de nenhum composto orgânico estável; portanto, não precisa sofrer a ação dos microrganismos. Verifica-se, ainda, que 60% do P205 aplicado mineraliza no primeiro cultivo e, 20%, no segundo; o mesmo ocorre com o nitrogênio, nas taxas de 50% e 20% para os dois primeiros cultivos, respectivamente. No segundo cultivo, além do efeito residual do P e do K mineralizados no primeiro cultivo, estará disponível, aproximadamente, 20% dos totais tanto do N como do P2O5 aplicados por ocasião do primeiro cultivo. A partir do terceiro cultivo, a totalidade do N, P2O5 e K2O aplicados na forma orgânica já se encontra mineralizada e a quantidade disponível nesse cultivo dependerá das doses aplicadas anteriormente e dos fatores que afetam o efeito residual de cada nutriente, avaliado na sua forma tradicional.

COLÓIDES e IONS DO SOLO

A medida que os solos são formados, durante os processos de intemperização, alguns minerais e a matéria orgânica são reduzidos a partículas extremamente pequenas. As mudanças químicas diminuem ainda mais estas partículas, até o ponto em que elas não podem ser vistas a olho nu. Estas partículas de menor tamanho são chamadas de "colóides".

Os cientistas aprenderam que os colóides minerais argilosos possuem estrutura semelhante a placas e são de natureza cristalina. Na maioria dos solos, os colóides argilosos excedem em quantidade os colóides orgânicos. Os colóides são os principais responsáveis pela atividade química dos solos.

O tipo de material de origem e o grau de intemperização determinam os tipos de argila presentes no solo. Uma vez que os colóides do solo são derivados destas argilas, sua atividade também é influenciada pelo material de origem e pela intemperização.

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