Projeto de pesquisa

Projeto de pesquisa

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FACULDADES DA ESCADA – FAESC

CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO

METODOLOGIA DA PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO

COM O CRESCENTE ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO, QUE ESPAÇO AS PESSOAS APOSENTADAS TÊM CONQUISTADO NAS EMPRESAS?

Escada, Dezembro de 2008.

FACULDADES DA ESCADA – FAESC

CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO

METODOLOGIA DA PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO

COM O CRESCENTE ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO, QUE ESPAÇO AS PESSOAS APOSENTADAS TÊM CONQUISTADO NAS EMPRESAS?

Projeto de Pesquisa apresentada pela aluna Ana Patrícia de Lacerda para a disciplina de Metodologia da Pesquisa em Administração, ministrada pelo Professor MSC Tarcísio Augusto Alves da Silva.

Escada, Dezembro de 2008.

1. PROBLEMÁTICA

O Brasil é atualmente o sexto país do mundo em quantidade (números absolutos) de idosos: cerca de 18 milhões (9% da população). As projeções da Organização Mundial de Saúde indicam que em 2019 o país terá 14% de idosos (cerca de 32 milhões acima de 60 anos), o dobro dos 7% de 2000, o que provocará mudanças em todos os segmentos sociais. (ANDIPI, 2007).

O rápido crescimento da população idosa em países como o Brasil, nas próximas décadas, indica que a queda na taxa de mortalidade reduziu nessa fase de vida. Diversos motivos contribuíram para esse crescimento, dentre eles podemos destacar a auto-estima, exercícios físicos, uma vida saudável e de boa qualidade e os avanços científicos na área da saúde. Do ponto de vista demográfico, envelhecer significa aumentar o número de anos vividos, já nas sociedades ocidentais, é comum associar o envelhecimento com a saída da vida produtiva pela vida da aposentadoria.

Com o crescimento da população idosa, aumentaram a preocupação no aspecto econômico, pois as pessoas de terceira idade passam a ser vistas como improdutivas, no entanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dados referidos no Jornal O Globo (2005) menciona que em 20 anos a expectativa de vida aumentou de 63,9 anos para 71,3 anos. Hoje são 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos que movimentam 7 bilhões no mês de rentabilidade. Muitas empresas estão em busca destes profissionais, são as agências de viagem, universidades, cursos de idioma, de informática, dentre outros.

Wajnman (2004) afirma que é inevitável o aumento de pessoas com mais de 60 anos na População Economicamente Ativa (PEA) brasileira. Em 1977, esta pesquisadora identificou que os trabalhadores idosos respondiam por 4,5% da PEA. Em 1998, 9% do grupo eram formados por idosos. A expectativa é de que em 2020, pelo menos 13% da PEA seja formada por pessoas que estão na terceira idade. Hoje as pessoas chegam aos 60 anos com toda a disposição e saúde para trabalhar.

Frente a essas informações chegamos a associar várias questões interligadas ao projeto e percebemos que um dos motivos do alto índice do desemprego e falta de oportunidades para jovens, e foi através desta investigação que formulamos a nossa questão de pesquisa chegando a fazermos o projeto de trabalho voltado para os problemas que trazem aposentados na ativa. Quais os motivos que levam as organizações e empregarem funcionários aposentados. Visando todos esses fatos, indaguei a seguinte questão? Por que o índice de aposentados voltando à ativa tem aumentado no mercado de trabalho?

 

2. HIPÓTESES

A partir da experiência vivencial da autora, podem-se estabelecer como hipóteses as seguintes afirmações que estão articuladas ao projeto:

  • Os funcionários jovens não têm atendido as necessidades da empresa por não estarem qualificados profissionalmente.

  • Os baixos valores do salário mínimos nacionais pagos pelo benefício do Instituto Nacional de Seguridade Social.

3. OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

Investigar o segmento de empresas que selecionam e implantam no processo de admissão, funcionários aposentados.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Identificar os motivos que levam as empresas a optarem pela admissão de pessoas aposentadas.

  • Avaliar os problemas ocasionados pela inserção dos aposentados no mercado de trabalho.

4. JUSTIFICATIVAS

Com o envelhecimento da população brasileira é esperado um número cada vez maior de aposentadorias. E de fato as participações de aposentados na população têm crescido rapidamente em resposta ao processo conjunto de envelhecimento populacional. Percebe-se que as taxas de atividades tanto de homem como mulheres aposentadas aumentaram cerca de 10 pontos percentuais, o equivalente a 33% dos homens e entre mulheres o correspondente é de 16% que estão economicamente ativos.

E foi analisando esses dados e muitos outros que veio à questão do nosso projeto. Um tema crítico e interrogativo que vem assolando cabeças de muitas pessoas. Com o crescente envelhecimento da população, que espaço as pessoas aposentadas têm conquistado nas empresas?

Partindo dos índices citados percebermos uma serie de indicadores possíveis que ocasionam o retorno desses aposentados ao mercado de trabalho. Um dos motivos deste elevado índice é porque os anos do trabalho permitem a acumulação de uma experiência profissional que facilita muitas vezes, a execução das tarefas por falta de profissionais qualificados no mercado de trabalho. Outro fator importante é que cerca de 68% dos 25 milhões de aposentados são obrigados a viver com apenas R$ 415,00 reais , valor do salário mínimo nacional pago pelo benefício do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

No entanto, os números podem explicar também a retomada do mercado de trabalho porque voltam a contribuir, aqueles que requereram a aposentadoria proporcional, podendo renunciar ao benefício e solicitar a aposentadoria integral.

Essa pesquisa se justifica por estar realizando estudos que possa investigar a atuação das empresas que admissionam aposentados, tendo em vista também fatores positivos que trazem para o mercado com os aposentados na ativa, pois é de importância fundamental para esta pesquisa saber como se deu todo o processo de admissão dentro das empresas: Quais são os mecanismos e por que a escolha de um aposentado.

De outro modo, com as informações produzidas por esse projeto trazem ao conhecimento de como anda a sociedade no âmbito do mercado de trabalho, uma vez que, conhecendo todo o funcionamento das empresas, seus critérios profissionais, servirão de base para novas pesquisas neste campo e para um profissional saber o que a empresa precisa para admitir um funcionário.

5. REFERENCIAL TEÓRICO

5.1. A PARTICIPAÇÃO DO INATIVO AO MERCADO DE TRABALHO

5.1.1. MOTIVOS DO CRESCENTE NÚMERO DE APOSENTADOS NA ATIVA

O avanço da ciência vem propiciando o aumento progressivo da longevidade e da expectativa de vida nas últimas décadas, proporcionando ao ser humano uma longevidade nunca antes atingida. É cada vez mais o número de pessoas que ultrapassam a idade de sessenta anos e, mais que isso atinge essa idade em boas condições físicas e mentais. E com o aumento da expectativa de vida, muitos pesquisadores têm se interessado pelo envelhecimento humano, ocasionando uma multiplicidade de opiniões e avaliações objetivas e subjetivas.

Com a questão do aumento da expectativa de vida no Brasil, tem-se por conseqüência um aumento significativo de pessoas idosas, e a sociedade começa a repensar sobre aposentadoria e o que fazer após a mesma. Sobre essa idéia comenta Sá (2005), pessoas tendo uma maior expectativa de vida começam a questionar-se a respeito de alguns sonhos esquecidos como, um retornar a faculdade, ou ainda uma segunda profissão.

Ficando melhor de realizar seus sonhos, a partir de 24 de Julho de 1991, com a entrada em vigor da lei 8.213, que trata dos planos de Benefícios da Providência Social, dando direito ao segurados continuar ativo mesmo estando aposentado por tempo de contribuição, por idade ou especial. A única aposentadoria que exige que o empregado se afaste do emprego é a por invalidez, uma vez que a incapacidade é fator determinante para concessão desse benefício.

Outro fator que tem condicionado o aposentado a continuar no mercado de trabalho é o valor dos benefícios concedidos pelo INSS com o piso de 1 salário mínimo, causando diminuição do poder de compra, parte dos aposentados precisa continuar na ativa para complementar sua renda.

Como se vê todos esses fatores contribuiu para o crescente número de aposentados na ativa inclusive a saúde que é o primordial da permanência na vida ativa dos aposentados.

5.1.2.A ESCOLARIDADE DOS APOSENTADOS

A população do país, em geral, apresentou nas últimas décadas crescimento significativo no nível de escolaridade e isso não foi diferente no grupo de idade mais avançada. Aparentemente, no final dos anos noventa mais do que no início dos anos oitenta, a escolaridade parece crescer em importância na explicação da continuidade dos aposentados no mercado de trabalho, haja vista o crescimento na participação dos grupos de maior escolaridade entre ativos em contrapartida ao decréscimo dos menos escolarizados. Traçar um perfil desses indivíduos foi o objetivo da dissertação de mestrado em demografia defendida na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais pó r uma economista através do seguinte trecho:

Tentei construir um modelo para a oferta de trabalho pós-aposentadoria, que explicasse em que medida escolaridade, idade e valor de benefício determinam à oferta de trabalho dessa população. Constatou-se que os aposentados com maiores chances de permanecerem ativos são os mais jovens, os mais escolarizados e os que recebem os menores valores de benefício do INSS (LIBERATO, 2003, p. 2).

O estudo abrangeu homens residentes em regiões urbanas e se valeu de dados de Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) realizada entre 1981 e 2001. A análise mostra que, quanto mais jovem for o aposentado, maior a chance de ele ofertar seu trabalho, sobretudo no caso do trabalhador braçal, já que, ao envelhecer o indivíduo tende a perder força física e ficar impedido de desenvolver suas atividades.

Assim, se o aposentado está em idade mais avançada, a escolaridade torna-se crucial para ele continuar no mercado de trabalho, uma vez que as ocupações que requerem mais alta escolaridade não demandam tanto vigor físico. Cerca de 50% dos aposentados com ensino médio completo ou mais continua no mercado trabalho.

Ao analisar os níveis de escolaridade dos aposentados em ativa no município da cidade de Escada, pude comprovar na Companhia Industrial Pirapama que os funcionários aposentados nesta fábrica possuem grau superior ou cursos técnicos o que prova as qualificações profissionais dessas pessoas, seus estudos completando ainda mais com as vantagens de suas experiências.

Além disso, as profissões intelectuais costumam ser mais bem remuneradas à medida que aumenta a experiência, e os altos salários acabam por tornar mais caro o preço do lazer. Por isso, muitos deles optam por trocar lazer pelo trabalho após se aposentar.

5.1.3. MOTIVOS QUE LEVAM AS EMPRESAS A OPTAREM PELA ADMISSÃO DE APOSENTADOS

Com a baixa qualificação dos jovens, as empresas estão demonstrando grande interesse na contratação de aposentados, além de trazer inúmeras vantagens para o empregador. Começaram a valorizar a capacidade de relacionamento e anos de trabalho em uma mesma função, levando em consideração o acúmulo de experiência em diversas situações rotineiras. Mas outros fatores colaboram para tais contratações: incentivos fiscais (Projeto de lei nº. 688 do deputado Freire Júnior), salários mais baixos que os pagos aos jovens, não terem gastos com transporte, entre outros. Muitos empresários afirmam que os jovens são menos flexíveis que os aposentados e não aceitam discutir remuneração, pois estão entrando no mercado recentemente e exigem um salário bom, ocasionando desemprego.

Algumas empresas como o Grupo Pão de Açúcar, Banco Real e até mesmo a Companhia Industrial Pirapama apóiam e utilizam a contratação das pessoas mais velhas e aposentadas no mercado de trabalho, apostando na facilidade de comunicação e experiência adquirida com a idade. Em geral são profissionais que tiveram um investimento pesado das instituições em termos de qualificações, pois iniciaram muitas vezes sua carreira profissional na empresa, ali se aposentou e continua contribuindo para o crescimento da mesma.

5.2.CONCORRÊNCIA ENTRE JOVENS E APOSENTADOS

Segundo o IBGE (2002) nos últimos anos os idosos têm retornado ao mercado de trabalho por opção ou necessidades. O fato é que há muitas pessoas no mercado, para poucas vagas. Como as empresas buscam profissionais qualificados, muitas vezes preferem empregar pessoas mais experientes. A falta de jovens qualificados está dando lugar aos aposentados experientes.

Por isso que o governo está investindo em cursos profissionalizantes para os jovens ingressarem no mercado de trabalho, já é um meio de contribuir tanto para a diminuição do desemprego, como a dificuldade na busca do primeiro emprego, como para o profissionalismo, pois a concorrência entre jovens e aposentados por oportunidades de emprego é desleal, já que em profissões intelectuais os mais experientes são os mais preferidos, enquanto que nos braçais são os jovens que levam vantagens.

E já estamos vendo resultados com o projeto do governo como empresas que buscam estagiários nas escolas profissionalizantes e até mesmo qualificando os que já estão na empresa fazendo crescer a concorrência. Se os jovens têm problema ao conseguir o emprego, os aposentados sofrem com o medo da rejeição e da demissão para dar lugar a um profissional mais jovem. Com isso percebemos a verdade dita pelo Senador Gilberto Mestrinho, durante um seminário sobre Empreendedorismo na terceira idade, que os jovens e os idosos não precisam se preocupar com a concorrência no mercado: “O idoso não vai tirar emprego do jovem, não vai dar o que não seja sua condição. Exatamente porque o jovem não vai dar o que o idoso tem: a sabedoria, a luz da experiência, do conhecimento. Aos jovens a exuberância”. (MESTRINHO, 2007).

6. METODOLOGIA

Almejando atingir o objetivo proposto, este trabalho será realizado em duas fases. Primeiramente, efetuará uma pesquisa teórica em revistas, internet, jornais e livros sobre o tema em estudo para a construção do referencial teórico. Teremos como exemplos no projeto empresas como, Pão de Açúcar, Banco Real, porém não fugindo do foco real que será a empresa Companhia Industrial Pirapama localizada no Município da Escada.

Em seguida, realizará uma pesquisa de campo, cujos instrumentos de coleta de dados baseando em questionários e em entrevistas o que garantirá tanto instrumentos quantitativos, como qualitativos além de proporcionar ao entrevistado e ao entrevistador contato direto deixando-os mais a vontade. O sujeito da pesquisa estará direcionado entre jovens, aposentado funcionários da CIPA, responsáveis pela gestão de pessoas. Posteriormente, procederá à análise dos coletados, evidenciando-se as conclusões deste estudo.

SUMÁRIO

  1. PROBLEMÁTICA E PROBLEMA..................................................................04

  2. HÍPOTESE.........................................................................................................0 5

  3. OBJETIVOS.......................................................................................................06

3.1OBJETIVO GERAL......................................................................................06

3.2OBJETIVO ESPECÍFICO.............................................................................06

4- JUSTIFICATIVAS..............................................................................................07

5- REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................08

5.1.A PARTICIPAÇÃO DO INATIVO AO TRABALHO DE MERCADO....08

5.1.2. A ESCOLARIDADE DOS APOSENTADOS.........................................09

5.1.3. MOTIVOS QUE LEVAM A EMPRESA A OPTAREM PELA ADMISSÃO DE APOSENTADOS........................................................................ 10

5.2. CONCORRÊNCIA ENTRE JOVENS E APOSENTADOS...................10,11

6- METODOLOGIA................................................................................................12

7- CRONOGRAMA.................................................................................................13

8- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................14

7. CRONOGRAMA 2009

Meses

Eventos

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

Revisão bibliográfica

Aprofundamento do Referencial

Teórico

Elaboração de questões para entrevista e questionário

Trabalho de Campo

Coleta dos Dados

Análise dos Resultados

Elaboração do Relatório Final

Conclusão da Pesquisa

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Atualidades sobre o idoso no mercado de trabalho, 2006; O Portal dos Psicólogos – Disponível em http://www.psicologia.com.pt acessado em 25 de Outubro de 2008.

BELTRÃO K I, PINHEIRO S S. Uma avaliação dos dados da PNAD com respeito à “Previdência Social” – população ativa e inativa Texto para Discussão nº. 871 Ipea, Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: http://www.ipea.gov.br acessado em: 28 de Outubro de 2008.

CHIAVENATO, Idalberto. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. 4ª ed. São Paulo, Atlas, 1999.

O Idoso brasileiro no mercado de trabalho, 2001; In: Instituto de Pesquisa. Econômica Aplicada – IPEA. Disponível em http://www.ipea.gov.br acessado em 17 de Outubro de 2008.

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