Exames contratados

Exames contratados

(Parte 1 de 4)

Prof. Itamar 1

Exames Radiológicos Contrastados

Nos exames simples de RX, algumas estruturas anatômicas são facilmente visualizadas devido à opacidade dos tecidos. Exemplo: tecidos ósseos. Outros órgãos apresentam densidade semelhante em toda estrutura anatômica, impedindo sua perfeita visualização. Exemplo: rins, estômago, intestinos, cápsulas articulares, etc. Para esses exames é necessário o uso de contrastes radiológicos, que são substâncias químicas que servem para opacificar o interior de órgãos, que não são visíveis no RX simples.

Classificação:

- Os meios de contraste são classificados quanto à capacidade de absorção dos RX, composição química, capacidade de dissolução e vias de administração.

Capacidade de absorver radiação:

- Positivos ou radiopacos: quando presentes em um órgão absorvem mais radiação que as estruturas vizinhas. - Negativos ou radiotransparentes: é o caso de ar e dos gases que permitem a passagem dos RX mais facilmente servindo assim como contraste negativo. (ex: radiografias de duplo contraste, ar e bário).

Composição:

- Iodados: são os que contem iodo (I) como elemento radiopaco em sua formula.

- Não iodados: não contem iodo, mas utiliza substâncias como bário (Ba SO4) ou gadolínio em sua fórmula.

Podem ser:

- Hidrossolúveis: dissolve-se em água. - Lipossolúveis: dissolve-se em lipídios (gordura).

- Insolúveis: não se dissolvem. Ex: sulfato de bário.

Vias de administração:

- Oral: quando o meio de contraste é ingerido pela boca. - Parenteral: quando o meio de contraste é ministrado por vias endovenosas ou artérias.

- Endocavitário: quando o meio de contraste é ministrado por orifícios naturais que se comunicam com o meio externo. (ex: uretra, reto, útero, etc).

- Intracavitário: quando o meio de contraste é ministrado via parede da cavidade em questão. (ex: fístula).

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 2

Precauções, contra-indicações e efeitos colaterais no uso de contraste iodado.

Pacientes com maior potencial para apresentar alergias ou reações aos meios de contrastes são chamados de hipersensíveis ao iodo. Por isso os médicos radiologistas prescrevem um tratamento prévio com anti- histamínicos e corticóides, para aumentar o grau de aceitação do organismo à droga. Em todo exame contrastado que é necessário usar meio de contraste iodado, é imprescindível que o paciente responda um questionário previamente preparado, que é encontrado em todos os departamentos radiológicos, onde são feitas perguntas para analisar históricos alérgicos do mesmo.

As principais contra indicações para o uso desse meio de contraste são o hipertireoidismo manifesto e a insuficiência renal.

Os efeitos colaterais mais freqüentes no uso dos iodados podem ser: - Leves: sensação de calor e dor, eritema, náuseas e vômitos. Sendo que os dois últimos não são considerados reações alérgicas.

- Moderados: urticária com ou sem prurido, tosse tipo irritativa, espirros, dispnéia leve, calafrios, sudorese, lipotímia e cefaléia.

- Grave: edema periorbitário, dor torácica, dispnéia grave, taquicardia, hipotensão, cianose, agitação, contusão e perda da consciência, podendo levar ao óbito.

Contra indicação no uso do Sulfato de Bário

Por ser um composto insolúvel, o sulfato de bário é contra indicado se houver qualquer chance de que possa escapar para a cavidade peritoneal. Isso pode ocorrer através de vísceras perfuradas, ou no ato cirúrgico se este suceder o procedimento radiológico. Em qualquer dos dois casos, deve ser usado então contraste iodado ou hidrossolúvel, que podem ser facilmente removidos por aspiração antes da cirurgia ou durante esta; por outro lado, se essas substâncias passarem para a cavidade peritoneal, o organismo pode absorve-la facilmente. Quanto ao sulfato de bário não será absorvido e deverá ser removido pelo cirurgião, de qualquer lugar em que seja encontrado fora do canal alimentar. Embora seja raro, já foi descrito pacientes hipersensíveis ao sulfato de bário, por isso todo paciente deve ser observado quanto a quaisquer sinais de reação alérgica.

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 3

Estudo Radiológico do Trato Gastro-Intestinal

Vamos estudar o aparelho gastro-intestinal numa seqüência em que se instalam no organismo, ou seja: cavidade oral, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, que termina com o ânus. Todos os exames contrastados do TGI exigem acompanhamento do medico radiologista e uso do seriógrafo com intensificador de imagens. A exceção é o exame de trânsito intestinal, que estudaremos mais à frente.

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 4

Nos exames comuns de RX, observamos os contornos, alinhamentos, paralelismo e composição da imagem numa harmonia que complete uma analise satisfatória sobre o exame. Também no caso dos exames contrastados temos alguns itens que são de extrema importância para que o mesmo seja alvo de um laudo e diagnostico preciso. São eles:

- Dados fornecidos pelo enchimento:

· Motilidade: se refere a relação entre o contraste e a parede do órgão ou seja, a própria capacidade de movimento do órgão em questão. Ex: peristaltismo.

• Mobilidade: se refere as palpações radiológicas, mudanças de decúbito e manobras de respiração.

• Elasticidade: refere-se ao aumento e diminuição do calibre do órgão em questão. Exs: estenose, megacolon, etc.

- Dados fornecidos pelo relevo: • Dobras da mucosa: enchimento das entrâncias e saliências.

• Curvaturas: maior e menor no estomago, colon no intestino e anéis esofágicos.

• Relações com órgãos visinhos: aderências e ectasia de tecidos.

• Saliências tumorais: presença de nichos ou depressões, caracterizando tumores ou ulcerações, divertículos e poliposes.

Também devemos estar atentos para o biótipo do paciente para a realização dos exames contrastados do T.G.I., pois este possui efeito sobre a localização dos órgãos GI dentro da cavidade abdominal, portanto as classes de biotipo devem ser conhecidas e compreendidas:

- Hiperestênico: o tipo hiperestênico designa +ou- 5% da população, que são aqueles com a constituição corporal grande, com tórax e o abdome muito largos e profundos de frente para trás. Os pulmões são curtos e o diafragma é alto. O cólon transverso é muito alto, e todo o intestino grosso estende-se até a periferia da cavidade abdominal. A vesícula biliar (VB) tende a associar-se em localização ao bulbo duodenal e a região pilórica do estômago. No hiperestênico, a vesícula biliar é alta e quase transversal, e situa-se bem à direita da linha média. O estômago também encontra-se muito alto e assume uma posição transversal. Seu nível estende-se desde aproximadamente de T9 até T13, com o centro do estômago cerca de 2,5 cm distal ao processo xifóide. O bulbo duodenal está aproximadamente ao nível de T11 ou T12, à direita da linha média.

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 5

- Hipoestênico / astênico: estes representam os biotipos opostos, que são mais magros e possuem pulmões estreitos e mais longos com o diafragma baixo. Isso faz com que o intestino grosso situe-se em posição muito baixa no abdome, que tem sua maior dimensão na região pélvica. O estômago tem a forma de J e situa-se baixo no abdome, estendendo-se desde aproximadamente T11 abaixo do nível das cristas ilíacas até aproximadamente L5 ou ainda mais baixo. A sua porção vertical está à esquerda da linha média do nível de L3 ou L4. A vesícula biliar está próxima da linha média ou ligeiramente à direita e logo acima, ou ao nível da crista ilíaca, ou aproximadamente em L3-L4.

- Estênico: a constituição corporal média e o tipo estênico,uma versão mais magra da classificação hiperestênico. O estômago também tem um formato parecido com um J e está localizado mais baixo que o biotipo grande e geralmente estende-se desde o nível de T10 ou T11 até cerca de L2. O bulbo duodenal está ao nível aproximado de L1-L2, à direita da linha média. A vesícula biliar é menos transversal e situa-se a meio caminho entre a parede abdominal e a linha média. A flexura cólica esquerda (esplênica) do intestino grosso freqüentemente é muito alta e apóia-se sob o diafragma esquerdo.

Alem do biotipo, outros fatores que afetam o posicionamento do estômago incluem conteúdo gástrico, respiração, posição do corpo (ortostática ou decúbito) e idade. A localização correta do estômago e de outros órgãos para diferentes biótipos em várias posições virá com a prática de posicionamento.

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 6

Esofagografia:

- É o nome dado ao exame radiológico especifico da faringe e do esôfago. - Este exame objetiva a obtenção de imagens desde a faringe até a porção abdominal do esôfago, estudando a forma e a função da deglutição.

- Indicações: anomalias congênitas, câncer, corpos estranhos, varizes esofágicas, refluxo e prolapso de ostiocardia. - Com o paciente em ortostática pedimos que segure o copo de bário com a mão esquerda.

Através do seriógrafo localizamos a região a ser estudada. - Posicionamento: AP, oblíqua anterior esquerda 20º á 45°.

- Solicita-se que o paciente tome um gole de bário e segure na boca, observa-se pelo seriógrafo a região e peça que o paciente engula o bário, realizando a imagem ao ver a coluna de bário.

- Radiografa-se a porção cervical do esôfago, região onde também se localiza a faringe;a porção torácica do esôfago, área compreendida abaixo da faringe até próximo da ostiocardia, sendo esta a maior porção do esôfago; e por fim a porção abdominal do esôfago, onde se estuda a passagem do contraste pela ostiocardia ou hiato esofágico, para o corpo do estômago.

- Filme usado: 35 x 35 divido em três para adultos. 18 x 24 divido em dois para crianças.

ANATOMIADOESÔFAGOEESTOMAGO Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 7

E.E.D. ou Seriografia GI Alta:

O objetivo deste exame é estudar radiograficamente a forma e a função do esôfago distal, estômago e duodeno, determinar condições anatômicas e funcionais anormais.

Preparo do paciente:

- O paciente deve ser orientado a permanecer em dieta zero a partir das 23:0 hs do dia anterior ao exame, sendo esse exame realizado habitualmente pela manhã. Sólidos e líquidos devem ser suspensos durante, no mínimo, 8 hs antes do exame. O paciente também é instruído a não fumar ou mascar chicletes durante o período da dieta zero. Ao receber o paciente, o técnico em radiologia, deve explicar cuidadosamente todos os procedimentos a serem realizados, bem como fazer uma prévia anamnese, anotando os dados na ficha do mesmo.

Indicações clínicas:

Algumas indicações clínicas para EED incluem: - Úlceras pépticas - Hérnia de hiato - Gastrite crônica

- Tumores benignos ou malignos - Divertículos - Bezoar

Metodologia:

É dado ao paciente um gole de bário, acompanhado de ½ “Sonrisal”, este é administrado para formar gases, apresentado o estômago em duplo contraste. É realizada então uma radiografia panorâmica do estômago, com o paciente em D.D. A seguir levanta-se a mesa basculante, deixando o paciente em ortostática, segue-se o mesmo procedimento para esofagografia, radiografando todo o esôfago. Em seguida deve-se encher o estômago com bário afim de estudar as curvaturas maior, menor, antro esofágico e bulbo gástrico. Realiza-se outra radiografia panorâmica do estômago cheio de bário, após realiza-se uma série de 6 esposições devidamente divididas no seriógrafo, do antro-pilórico cheio e vazio e do arcoduodenal.

Visão radiográfica:

- Porções cervical, torácica e abdominal do esôfago. - Ostiocárdia, curvaturas, dobras mucosas, tubo gástrico, ostiopiloro duodeno, arco e bulbo duodenal e flexura duodeno-jejunal.

Filmes usados: - 1 filme 35 x 35 dividido em três.

- 2 filmes 24 x 30 para panorâmica.

- 1 filme 24 x 30 dividido em seis.

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 8

Trânsito intestinal:

Neste exame como foi dito antes, raramente é necessário a presença do radiologista. O objetivo deste exame é visualizar o fluxo de contraste pelo intestino delgado, daí o nome de transito intestinal.

O preparo do paciente é o mesmo prescrito para E.E.D.

Metodologia:

O paciente inicia tomando 200 ml de bário, sendo a primeira radiografia realizada 10 minutos após a ingestão. A seguir é ministrado mais 200 ml de bário, sendo as radiografias posteriores realizadas de 30 em 30 minutos, sempre com o paciente e decúbito ventral, até que se visualize a válvula ileoceal, quando então o exame é dado por encerrado.

Este é o protocolo, porém algumas vezes o radiologista pode assumir posições obliquas e até ortostáticas para definir o diagnóstico.

Visão radiográfica:

- Corpo do estômago.

- Passagem pela ostiopiloro. - Enchimento do duodeno.

- Flexura duodeno-jejunal. - Toda porção jejunal.

- Porção do íleo, até a visualização do início do colo ascendente do intestino grosso.

Indicações clínicas:

- Enterites; estenose; megacolon; tumores; pólipos; divertículos; etc. - Filmes usados: 35 x 43 para panorâmica.

18 x 24 para válvula íleo-cecal.

Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

Prof. Itamar 9

É o estudo radiológico do intestino grosso. Requer o uso de contraste para demonstrar o intestino groso e seus componentes.

Objetivo:

O objetivo do enema opaco é estudar radiologicamente a forma e a função do intestino grosso, bem como detectar quaisquer condições anormais. Tanto o enema baritado com contraste simples quanto com duplo contraste incluem um estudo de todo o intestino grosso.

Indicações clínicas:

As indicações clínicas do enema opaco incluem:

· Colite • Diverticulose/Diverticulite

• Neoplasias

• Volvo

• Intussuspção

• Apendicite

É importante rever o prontuário ou histórico do paciente para determinar se o mesmo foi submetido a uma sigmoidoscopia ou colonoscopia antes de realizar o exame. Se foi realizada uma biopsia do cólon durantes estes procedimentos, a porção envolvida da parede do cólon pode estar enfraquecida, o que pode levar a perfuração durante o exame. O médico radiologista deve ser informado desta situação antes do início do exame.

Preparo do paciente:

O preparo do paciente para um enema opaco é mais complicado que o preparo para o estômago e intestino delgado. Entretanto o objetivo final é o mesmo. A porção do canal alimentar a ser examinada deve estar vazia, a limpeza completa de todo o intestino grosso é de extrema importância para o estudo contrastado satisfatório do intestino grosso.

Para obter melhores resultados, os procedimentos de limpeza intestinal são especificados em folhetos com instruções aos pacientes, quando acontece o agendamento para a realização do exame. Deve ser enfatizada ao paciente a importância do intestino limpo para realizar o enema opaco, pois o material fecal retido pode encobrir a anatomia normal ou fornecer falsa informação diagnóstica, devendo o exame ser remarcado após preparo adequado.

(Parte 1 de 4)

Comentários