Regras de cotagem

Regras de cotagem

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Universidade de Caxias do Sul Centro de Ciências Exatas e Tecnologia

Apostila Teórica de Desenho Técnico I

Revisão 2 2009-02

Autor: Professor Deives Roberto Bareta Co-autor: Acadêmica Jaíne Webber

Professores da disciplina DES0201:

Alexandre Fassini Michels Deives Roberto Bareta

Gilmar Tonietto

José Luis Ferrarini Marco Aurélio Garcia Bandeira Tânia Bertholdo

Apostila Teórica de Desenho Técnico I

Exclusivo para uso nas Disciplinas de Desenho Técnico I Universidade de Caxias do Sul – 2009-02 81

Capítulo 4

Cotagem

Nos capítulos anteriores, foram discutidos os métodos adequados à representação de um objeto por meio de suas projeções ortogonais. No entanto, nenhuma estrutura ou peça pode ser fabricada, a menos que o desenho indique todas as dimensões e dados auxiliares, tais como, tipo do material a ser utilizado, tratamento térmico ou acabamento superficial.

Ao colocar no desenho as cotas5 relativas às dimensões da peça, o engenheiro deve ter sempre em mente que é impossível para o operário medir e reproduzir as dimensões com exatidão. Devem-se permitir certas variações de tamanho, conhecidas como tolerância, quando da confecção das peças mecânicas. No caso de peças que devem ser associadas a outras dentro de especificações muito rígidas, as tolerâncias são indicadas no próprio desenho.

Tipologia dos elementos usados em cotagem

Nesse capítulo, o aluno de engenharia terá uma noção, através de vários exemplos práticos, de como é a colocação de dimensões no desenho técnico mecânico. O que aqui será apresentado é baseado na norma NBR 10126. Essa norma apresenta em alguns tópicos interpretações dúbias, para não deixar o aluno confuso procurou-se aqui demonstrar situações comuns na indústria mecânica e suas soluções mais adequadas no que tange a cotagem do desenho técnico mecânico.

A Figura 83 ilustra os componentes básicos da representação da cotagem em um desenho técnico mecânico. Ao longo desse Capítulo, várias normas e dicas serão passadas ao aluno de engenharia, por isso pede-se que uma leitura atenta seja realizada.

5 Cota: Valor numérico de uma dimensão.

Figura 83 - Exemplo básico de cotagem.

Particularidades na construção dos elementos de cotagem básica

A técnica de representação das cotas inclui a mecânica do traçado das linhas de cotas, de chamada, as setas e as letras. Para facilitar a interpretação do desenho, torna-se necessário que o desenhista padronize a representação desses elementos. Os detalhes da Figura 84 ilustram o cuidado que o desenhista deve ter na hora de traçar o início das linhas de chamada e o posicionamento da linha de cota.

Figura 84 - Detalhes da cotagem.

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Linhas de cota

As linhas das cotas, para elementos retos, são retas6, com setas em cada uma das extremidades que indicam o tamanho da dimensão. Para fazêlas devem-se respeitar as seguintes instruções:

1) Traçar as linhas de cotas e de chamada mais finas do que as correspondentes às arestas de contorno visível ou invisível da peça, com a finalidade de obter um bom contraste, como ilustrado na Figura 85.

Figura 85 - Espessura das linhas de cota.

2) Traçar as linhas de cota paralelas à linha ou ao comprimento cotado.

3) Fazer uma seta em cada uma das extremidades.

4) Não permitir que a linha de cota coincida com a linha de centro ou com o prolongamento de uma linha de centro.

5) Interromper a linha de cota, somente para fornecer o espaço necessário para a colocação do número correspondente ao valor da dimensão da peça mecânica, isso caso o padrão usado na cotagem for o adotado na Figura 86, a seguir. Procura-se evitar

6 Linhas de cota nem sempre são retas. Quando se cota desenvolvimento de arcos ou abertura de ângulos. A linha de cota é representada como um arco.

esse estilo de cotagem, pois ele é mais trabalhoso de ser feito e, se for usado, tomar o cuidado de somente usar esse estilo, não misturando padrões.

Figura 86 - Linha de cota interrompida.

Linhas de chamada

As linhas de chamada, também conhecidas pelo nome de demarcação, são as que se prolongam a partir do objeto, mostrando os limites de uma dimensão. As seguintes regras, relativas às linhas de chamada, são citadas a seguir.

1) Traçar as linhas de chamada com a mesma espessura que as linhas de cotas.

2) Traçar as linhas de chamada perpendicularmente à linha de cota que está sendo colocada na peça.

3) Deixar um pequeno intervalo de 1 a 2 m entre a linha correspondente à aresta da peça e a linha de chamada, como mostrado no detalhe da Figura 87, a seguir.

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Figura 87 - Espaçamento entre aresta e linha de chamada.

4) Prolongar a linha de chamada de 1 a 2 m além da linha de cota, conforme exemplo mostrado na Figura 8.

Figura 8 - Comprimento da linha de chamada.

5) Não cruzar as linhas de chamada, a menos que seja estritamente indispensável. Caso seja preciso, o cruzamento deve ocorrer sem qualquer interrupção, como pode ser visualizado no exemplo da Figura 89, a seguir.

Figura 89 - Cruzamento entre linhas de chamada.

6) Não interromper uma linha de chamada quando ela cruza com uma linha do objeto (Figura 90).

Figura 90 - Cruzamento de linha de chamada com aresta.

7) Em casos especiais, tais como em curvas planas, onde não existe espaço suficiente para linhas de chamada perpendiculares, estas são ocasionalmente colocadas em ângulo (Figura 91). As linhas de cota são também paralelas à aresta que está sendo dimensionada.

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