Resumo Livro A Meta

Resumo Livro A Meta

Resumo do livro: A Meta http://helio-mmn.blogspot.com/2008/09/meta-resumo-do-livro.html

Hugo Leonardo de Oliveira
Resumo do livro: A Meta

A Meta
Autor: Goldrattt, Eliyahu M., 1984

Essa teoria propõe um modelo de mensuração de resultado que opõe-se ao modelo tradicional da contabilidade de custos,o qual se apóia no rateio de custos fixos e conseqüentes alocação aos produtos.
O presente trabalho compara, através de um exemplo numérico de mensuração contábil, o modelo da Teoria das Restrições e o modelo da contabilidade tradicional, avaliando a utilidade de um ou outro modelo para a tomada de decisão.

MENSURAÇÃO DO RESULTADO ATENDENDO
A Teoria das restrições

Introdução

Na Década de 70, Goldratt, enquanto estudante de física em Israel, elaborou uma formulação matemática para o planejamento de produção denominada "OPT" tecnologia da produção otimizada. Na Segunda metade da década de 80, Goldratt ampliou essa formulação e desenvolveu a Teoria das Restrições.
O enfoque principal da Teoria as Restrições é a maximização do resultado da empresa, criando mecanismos para avaliar como as decisões de produção afetam o lucro. Nem sempre o lucro é diretamente proporcional à eficiência.
"A produtividade é o ato de fazer uma empresa ficar mais próxima de sua meta. Todas as ações que fazem com que a empresa fique mais próxima de sua meta são produtivas." (Goldratt, 1997,p.37)
A teoria das restrições condena a utilização de medidas físicas para a avaliação de desempenho, apoiando-se em medidas "financeiras" e fazem críticas "à filosofia JIT, por ignorar esse assunto, e a TQM por incentivar a utilização de medidas não financeiras"

A meta da empresa:

Segundo Goldratt, a meta da empresa com fins lucrativos devem ser a de "ganhar dinheiro" tanto no presente como no futuro. Essa abordagem não conflita com a missão da empresa, que deve ser definida pelos seus proprietários, já que a lucratividade é condição necessária à sobrevivência de qualquer negócio, o que garante sua continuidade.

"A garantia de continuidade da empresa é obtida quando o valor dos bens econômicos dos bens e serviços que a empresa produz que oferece ao mercado e torna-se superior ao valor econômico dos recursos (bens e serviços) que a empresa obtém do mercado e consome no processo produtivo de agregação de valor."

Shank reafirma a questão dos bottle-necks, a teoria das restrições. "Só pode atravessar o sistema uma quantidade de produtos ou serviços que o gargalo possa suportar. Todos os custos, todos os estágios da cadeia de valor devem ser atribuídos proporcionalmente ao gargalo."

"Você tem de satisfazer as exigências do cliente com um produto de qualidade, ou em pouco tempo não terá mais uma empresa." (Goldratt, 1997,p.44)

Medidas para o alcance da meta

"A meta é reduzir a despesa operacional e o inventário, aumentando simultaneamente o ganho." (Goldratt, 1997)

"São medidas que expressam a meta de ganhar dinheiro muito bem, mas também permitem que vocês desenvolvam regras operacionais para dirigir sua fábrica. Elas são três: ganho, inventário e despesa operacional." (Goldratt, 1997)

As medidas operacionais globais definidas pela TOC são:

Ganho - "Ganho é o índice pelo qual o sistema gera dinheiro através das vendas "
Inventário - "O inventário é todo o dinheiro que o sistema investiu na compra de coisas que ele pretende vender."

Despesas Operacionais - "Despesa operacional é todo o dinheiro que o sistema gasta a fim de transformar o inventário em ganho."

"É melhor não levar o valor agregado em consideração. Isso elimina a confusão de decidir se um dólar gasto é um investimento ou uma despesa." (Goldratt, 1997:70)
Ganho (ou Throughput)

É o índice pelo qual uma organização gera dinheiro através das vendas. Produção não é necessariamente ganho, segundo a TOC, enquanto o produto não é vendido.
O ganho corresponde ao preço de venda menos o montante de valores pagos aos fornecedores pelas matérias primas diretas, incluindo comissões, taxas alfandegárias, etc., não importando quando foram comprados.

Pode-se observar que esse conceito equivale ao custeio variável, já que nenhuma parcela de custo fixo é alocada ao produto.

Inventário

Inventário, neste contexto, compreende todo dinheiro que o sistema (organização) investe na compra de coisas que ele pretende vender.
Esse conceito inclui o estoque de matérias-primas, produtos em processo, produtos acabados, e ainda outros ativos como máquinas e construções, que são registrados pelo valor pago aos respectivos fornecedores.

Quanto aos estoques de produtos em processo e produtos acabados, nenhum valor deve ser agregado, como energia elétrica ou mão de obra, sendo avaliados exclusivamente pelas matérias primas diretas e portanto identificadas ao produto.

Despesas Operacionais

Despesas operacionais incluem todo o dinheiro que o sistema (organização) gasta para transformar inventário em ganho.
Do ponto de vista prático, segundo Guerreiro, (1996) o modelo considera que todo o dinheiro gasto com algo que não possa ser guardado para um futuro faz parte da Despesa Operacional.

Além desses gastos, incorporam-se a essa despesa os valores de bens que faziam parte do inventário e foram utilizados e desgastados no período (como a Depreciação de Máquinas).
Dessa forma, todo dinheiro envolvido no negócio - vendas, custos e investimentos - pode ser classificado em uma das três categorias anteriormente citadas.

Parâmetros auxiliares

Como parâmetros auxiliares para a avaliação de desempenho, ou o grau com que a meta está sendo atingida, a Teoria das Restrições estabelece:

Lucro Líquido : Medido como a diferença entre ganho (throughput) , definido como venda menos o montante de valores pagos aos fornecedores pelas matérias primas diretas, e as despesas operacionais, conforme definida acima, incluem todo o dinheiro que o sistema (organização) gasta para transformar inventário em ganho. Esse indicador reflete quanto dinheiro a empresa está gerando em um determinado período.

Retorno sobre investimento dimensiona o esforço necessário para o alcance de um determinado nível de lucro e é obtido dividindo o lucro líquido pelo inventário, lembrando que este último inclui todo dinheiro que o sistema (organização) investe na compra de coisas que ele pretende vender.

Fluxo de caixa é considerado uma situação necessária para a sobrevivência da empresa, ao invés de propriamente um indicador.

A excursão - A teoria das filas

"Existe uma prova matemática que mostra claramente que, quando a capacidade é diminuida exatamente até a demanda do mercado, o ganho cai e o inventário aumenta até o teto." (Goldratt, 1997:99)

"A grande jogada ocorre quando os eventos dependentes estão combinados com outro fenômeno chamado flutuações estatísticas." (Goldratt, 1997:100)
Ron estava determinando o ritmo. Toda vez que alguém andava mais devagar do que Ron, a fila ficava maior. Se um dos garotos desse um passo com um centímetro a menos que o Ron, o comprimento da fila inteira poderia ser afetado. (Goldratt, 1997:116)

Mas, o que aconteceria quando alguém andava mais rápido do que Ron? Os passos mais longos ou mais rápidos não deveriam compensar os outros? As diferenças não fazem as médias?

NÃO. A capacidade de ir mais rápido do que a média era restrita. Ela dependia de todos os outros que estavam na frente.

Extensão da trilha - inventário
Despesa operacional - energia dos garotos para andar (qualquer coisa que transformasse o inventário em ganho)
À distância do primeiro garoto ao último aumentava = inventário estava aumentando, o ganho era influenciado pelos índices flutuantes e o que significava que, em relação ao crescimento do inventário, o ganho do sistema inteiro caía". (Goldratt, 1997:117)
O que se deduz da excursão "é que não devemos olhar para cada área e tentar ajustá-la. Devemos tentar otimizar o sistema inteiro." (Goldratt, 1997:158)

Há dois tipos de recursos:
Gargalos - é aquele recurso cuja capacidade é igual ou menor do que a demanda colocada nele.

Não gargalos - qualquer outro recurso cuja capacidade é maior do que a demanda colocada nele.

"Não se deve equilibrar a capacidade com a demanda, mas sim, equilibrar o fluxo do produto através da fábrica com a demanda do mercado". (Goldratt, 1997:158)

Sincronização da produção ( logística tambor- pulmão- corda)

O planejamento do fluxo de produção deve ser desenvolvido tendo como foco as restrições físicas existentes no processo produtivo, o que permite a redução do inventário sem perda do ganho ou aumento de despesas operacionais.
Goldratt apresenta no livro "The race" a técnica da sincronização da produção denominada tambor-pulmão-corda, que consiste na imposição de uma cadência a toda linha de produção.

O tambor - principal recurso restritivo, dita o ritmo da produção.

O pulmão - os estoques temporários colocados estrategicamente para o abastecimento ser contínuo.

A corda - obriga os demais componentes do sistema a manter o ritmo determinado pelo tambor.

Na TOC a palavra-chave deixa de ser gargalo e passa a ser restrição, a qual é definida pro Goldratt como qualquer coisa que limite o sistema na busca do atingimento de sua meta. (Teoria das Restrições e programação linear)

MODELO DE DECISÃO DA TEORIA DAS RESTRIÇÕES

O modelo de decisão subjacente a Teoria das restrições apoia-se na otimização do ganho e na minimização das despesas operacionais e do nível de inventário.
Entretanto, todas as empresas têm, pelo menos, um fator que limite seu ganho (throughput); do contrário, seu desempenho poderia ser melhorado indefinidamente.
Remover a restrição e melhorar a performance da organização deveria ser o objetivo da administração.

Goldratt propõe cinco passos para auxiliar os administradores a identificarem e superarem as restrições:
A teoria das restrições é mostrada por Goldratt; "a capacidade da fábrica é igual à capacidade de seus gargalos. O que quer dizer que os gargalos produzam em uma hora, é o equivalente ao que a fábrica produz em uma hora. Por isso... uma hora perdida em um gargalo é uma hora perdida no sistema inteiro."

1 - Identificar as restrições do sistema

Nesta primeira etapa devem ser identificadas as restrições existentes no sistema. Todo o sistema deve ter pelo menos uma restrição, mas normalmente terá um número muito pequeno de restrições.
Goldratt sugere que políticas dentro das organizações também podem estar incluídas entre as restrições, as quais, entretanto, não são facilmente identificadas já que estão incorporadas à cultura organizacional (por exemplo, nunca produzir um lote em quantidades inferiores ao lote standard).

2 - Decidir como explorar as restrições do sistema

Explorar as restrições do sistema significa tirar o máximo proveito delas, ou seja, obter o melhor resultado possível dentro dessa condição.
Por exemplo, se a restrição for o mercado, isto é, a capacidade de produção está acima da demanda do mercado, uma forma de explorar esta restrição é entregando 100% dos pedidos pontualmente.
Em outro exemplo, vamos supor que a restrição seja o tempo disponível de uma máquina. Explorar esta restrição significa fabricar os produtos que geram melhor resultado em cada hora trabalhada, ou aumentar o número de turnos de operação da mesma.

3 - Subordinar qualquer outra coisa à decisão anterior

Recursos restritivos ou gargalos determinam o ganho das organizações. Se um recurso não-restrição estiver trabalhando numa taxa maior que a restrição, então estará havendo um aumento dos estoques.
Portanto, todos os recursos não-restrição devem ser utilizados na medida exata demandada pela forma empregada de exploração das restrições.

4 - Elevar as restrições do sistema

As restrições limitam a capacidade da empresa continuar melhorando seu desempenho, e portanto deve ser minimizada ou eliminada.
As etapas dois e três objetivam o funcionamento do sistema com melhor eficiência, utilizando da melhor forma possível os recursos escassos disponíveis.
Se após a terceira etapa permanecer alguma restrição, deve-se elevar ou superar a restrição, acrescentando uma maior quantidade do recurso escasso do sistema.
A restrição estará quebrada e o desempenho da empresa subirá até um determinado limite, quando passará a ser limitado por algum outro fator. A restrição foi mudada.

5 - Se, nos passos anteriores, uma restrição for quebrada, volte ao passo 1, mas não deixe que a inércia se torne uma restrição do sistema

Tendo em vista que sempre surgirá uma nova restrição após a Quarta etapa, o ciclo deve ser reiniciado novamente a partir da primeira etapa. Uma recomendação importante é no sentido de que a inércia não se torne uma restrição do sistema.
A inércia dentro das organizações gera restrições políticas, ou seja, em muitas situações pode não existir restrições físicas de capacidade de produção, de volume de materiais, de demanda do mercado, porém o sistema opera de forma ineficiente em função de políticas internas de produção e logística.

Otimização da produção na teoria das restrições

Para otimização da produção Goldratt desenvolveu o software OPT _ Optimized Production Technology. O software trabalha primeiramente com a identificação dos gargalos, os quais representam as restrições no âmbito da produção.
No sentido da otimização da produção, Goldratt propõe a máxima "a soma dos ótimos locais não é igual ao ótimo total", ou seja, a maximização da eficiência e eficácia de todos os recursos do processo produtivo.

E estabelece nove princípios caracterizados de acordo com o pressuposto que toda linha de produção possui gargalos e sempre haverá, num dado momento, aquele de maior poder restritivo.

Balancear o fluxo e não a capacidade.

A teoria das restrições advoga contra o balanceamento da capacidade e a favor de um balanceamento do fluxo de produção na fábrica.
Assim, e ênfase recai sobre o fluxo de materiais e não sobre a capacidade instalada dos recursos. Isto só é possível através da identificação dos gargalos (restrições) do sistema, ou seja, dos recursos que vão limitar o fluxo do sistema como um todo.
A abordagem tradicional preconiza o balanceamento da capacidade dos recursos e, a partir daí, tenta estabelecer um fluxo suave, se possível contínuo.

O nível de utilização de um recurso não restrição não é determinado pelo seu próprio potencial e sim por uma outra restrição do sistema.

Esse princípio determina que a utilização de um recurso não-restrição seja parametrizada em função das restrições existentes no sistema, ou seja, pelos recursos internos com capacidades limitadas ou pela limitação de demanda do mercado.

A utilização e ativação de um recurso não são sinônimos

Esse princípio é estabelecido a partir do emprego de dois conceitos distintos: utilização e ativação. A utilização corresponde ao uso de um recurso não-restrição de acordo com a capacidade do recurso restrição.

A ativação corresponde ao uso de um recurso não restrição em volume superior à requerida pelo recurso restrição. A ativação de um recurso mais do que suficiente para alimentar um recurso gargalo limitante , segundo o enfoque da teoria das restrições , não contribui com os objetivos da otimização da produção, pelo contrário prejudica.

O fluxo se mantém constante, limitado pelo recurso gargalo, gerando estoque que aumenta as despesas operacionais. Esse princípio não é aplicado nas formas convencionais de programação de produção.

Qualquer tempo perdido no gargalo, seja através da preparação de máquinas, da produção de unidades defeituosas, ou da fabricação de produtos não demandados pelo mercado, diminui o tempo total restrito, disponível para atender o volume máximo possível do sistema, determinado justamente pelo recurso restritivo.

Neste contexto a Teoria das restrições advoga que só existe benefício na melhoria da eficiência do processo produtivo, isto é, redução dos tempos de máquinas ou processos, se estes forem os fatores restritivos, diferentemente do que usualmente acontece nas fábricas onde a preocupação em melhorar a eficiência não é sempre seletiva.

Uma hora economizada onde não é gargalo é apenas uma ilusão.

Conforme já mencionado no item anterior, é importante toda a economia de tempo nos recursos gargalos.

Assim, como os recursos restritivos determinam o ritmo de produção dos não restritivos, não existe nenhum benefício na economia de tempo nestes últimos, já que tal economia de tempo redunda na a ociosidade deste recurso

Conclusão

Goldratt critica a abordagem da contabilidade de custos que preconiza o rateio de custos fixos com conseqüente alocação aos produtos acabados ou em processo, por criar ganhos irreais e incentivar formação de estoques. Como pode-se comprovar através do estudo do caso apresentado, as interpretações dos valores calculados pelo método de absorção podem levar a decisões equivocadas.

Na teoria das restrições, o custo do produto deixa de existir em dessa forma, o processo decisório é fundamentado nas medidas operacionais globais. Esse enfoque tem reflexos na forma como os valores relativos a custo são mensurados e organizados no sistema de informações da empresa, como pode ser observado no estudo do caso apresentado.

Cabe salientar que nenhum método ou sistema de mensuração por si só é capaz mudar a realidade física e operacional, que é alterada tão somente pela ação dos gestores sobre os meios de produção. Existem várias formas dessa realidade ser retratada, e a Teoria das restrições é uma delas, coerente com a necessidade de informações para tomada de decisões, sobretudo as de curto prazo.

Contudo, a teoria supra citada não atende às necessidades empresariais no que diz respeito à avaliação de desempenho econômico e ao processo de mensuração econômica do patrimônio da empresa, tendo no GECON - sistema de Informação para Gestão Econômica um complemento importante e conceitualmente convergente.

Bibliografia:
Goldrattt, Eliyahu M., 1984
A meta: um processo de melhoria continua/ Goldrattt, Eliyahu M., Jeff Cox;
Tradução de Thomas Cobertt Neto - São Paulo: Nobrl, 2002.

Título original: The goal: a process of ongoing improvrment
ISBN 85-213-1236-9

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