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Capítulo 7

Vistas Auxiliares

Devido à utilização de projeções ortogonais, em nenhuma das vistas principais as superfícies inclinadas aparecem representadas em suas verdadeiras grandezas. A Figura 7.1 mostra três vistas de um objeto com superfície inclinada, observe que em nenhuma das três vistas aparece, em verdadeira grandeza, a forma da parte inclinada do objeto.

Dimensão em verdadeira grandeza

Dimensão reduzida

Di mensão reduzida

Figura 7.1

A representação da forma e da verdadeira grandeza de uma superfície inclinada só será possível fazendo a sua projeção ortogonal em um plano paralelo à parte inclinada. Ou seja, faz-se o tombamento da peça perpendicularmente à superfície inclinada, como mostra a Figura 7.2.

Figura 7.2

Antonio Clélio Ribeiro, Mauro Pedro Peres, Nacir Izidoro

O rebatimento mostrado na Figura 7.2 é resultante da projeção ortogonal em um plano auxiliar paralelo à face inclinada do objeto e perpendicular ao plano que recebeu a projeção da vista de frente. A projeção feita no plano auxiliar é chamada de vista auxiliar.

As vistas auxiliares são empregadas para mostrar as formas verdadeiras das superfícies inclinadas contidas nos objetos representados.

Como o desenho técnico tem como objetivo representar com clareza as formas espaciais dos objetos, não tem sentido prático desenhar as partes das vistas que aparecem com dimensões fora das suas verdadeiras grandezas. Desta forma, a

ABNT recomenda a utilização de vistas parciais, limitadas por linhas de rupturas, que representam somente as partes que aparecem as formas verdadeiras dos objetos, conforme mostra a Figura 7.3.

Vista de A Figura 7.3

As vistas auxiliares, como são localizadas em posições diferentes das posições resultantes das vistas principais, devem ter o sentido de observação indicado por uma seta designada por uma letra, que será usada para identificar a vista resultante daquela direção.

A Figura 7.4 mostra que as vistas auxiliares, além de representar a forma do objeto com maior clareza, permite que as cotas sejam referenciadas às verdadeiras grandezas das dimensões cotadas.

Vista de A

Figura 7.4

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO TÉCNICO 95 Exercícios Resolvidos com Vistas Auxiliares

B Vista de A

Vista de B R20

F ur

Vista de A

A Vista de A

Antonio Clélio Ribeiro, Mauro Pedro Peres, Nacir Izidoro

Vistas Auxiliares Duplas

Quando o objeto contiver superfícies inclinadas em relação aos três planos de projeções, serão necessárias duas projeções auxiliares para determinar a verdadeira grandeza da superfície, conforme mostra a Figura 7.5. O primeiro rebatimento, no caso a “Vista de A”, sempre é feito de modo a representar por uma linha a superfície que se quer obter em verdadeira grandeza. Ou seja, a primeira projeção deverá ser feita em um primeiro plano auxiliar perpendicular à superfície inclinada e a um dos planos ortográficos.

O segundo rebatimento, no caso a “Vista de B”, é feito no sentido perpendicular à superfície que se deseja representar em verdadeira grandeza. Ou seja, a segunda vista auxiliar é obtida pela projeção do objeto em um segundo plano auxiliar paralelo à superfície inclinada e perpendicular ao primeiro plano auxiliar.

O segundo plano auxiliar não é perpendicular a nenhum dos planos ortográficos.

A Vista de A

B Vista de B

Figura 7.5

Outras Representações (Representações em Uma Única Vista)

Existem objetos que pela simplicidade de suas formas são plenamente caracterizados por somente duas vistas, conforme está exemplificado na Figura 7.6

(a). Fazendo a cotagem com a utilização dos símbolos que facilitam a identificação das formas cotadas, a representação pode ser com uma única vista, conforme mostra a Figura 7.6 (b).

(b) Figura 7.6

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO TÉCNICO 97

Para facilitar a interpretação dos objetos representados com uma só vista, as superfícies planas são caracterizadas pelo traçado das diagonais dos polígonos que as representam, conforme mostra a Figura 7.7

Figura 7.7

As diagonais que identificam a superfície plana são traçadas com linhas finas e contínuas. Alguns objetos planos, tais como juntas de vedação, placas etc., desde que não contenham detalhes que necessitem de mais de uma vista, podem ser representados em uma única vista, fazendo-se a identificação das suas espessuras com notas escritas, conforme está exemplificado na Figura 7.8.

Esp. 5

Esp. 3

(b) Figura 7.8

Quando houver espaço e não comprometer a interpretação do desenho, a anotação da espessura deverá ser localizada dentro do desenho, como mostra a

Figura 7.8 (a). Não sendo conveniente localizar a anotação dentro do próprio desenho, deve-se localizá-la logo abaixo, conforme mostra a Figura 7.8 (b)

Exemplos de Objetos Representados por Uma Única Vista

Antonio Clélio Ribeiro, Mauro Pedro Peres, Nacir Izidoro

Outras Representações (Vistas de Objetos Encurtados)

Para evitar a utilização de escalas muito reduzidas ou a utilização de folhas de papel com grandes dimensões, a representação de objetos longos é feita com aplicação de rupturas, desenhando-se somente as partes da peça que contêm detalhes. As rupturas são aplicadas nas partes que têm formas constantes ao longo de seu comprimento, fazendo-se a remoção da parte localizada entre as rupturas e a aproximação das extremidades, conforme mostra a Figura 7.9.

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