" Caso Dora " Freud

" Caso Dora " Freud

(Parte 1 de 2)

Universidade Mogi das Cruzes

CLAUDETE CRUZ PEREIRA RGM 53891

ELAINE ALVES RGM 66105

LARISSA LAVIANO VILLELA RGM 64052

LUCIANA SILVA RGM 54254

Caso Dora”

PROFª THAIS

Psicanálise

Mogi das Cruzes, SP

2009

O QUADRO CLÍNICO

O presente quadro clinico é a historia de uma jovem histérica, de apenas 18 anos que Freud atendeu por apenas três meses conhecida pelo pseudônimo de Dora entre outubro e dezembro de 1900.

No inicio de 1901 ele escreveu sobre o caso, mais só foi publicado em 1905, com o titulo “Fragmento da analise de um caso de histeria”.

As informações do inicio deste caso foram cedidas pelo pai da moça.

Na realidade, os pacientes são incapazes de fornecer tais relatos a seu próprio respeito, em segundo lugar parte do conhecimento amnésico que o paciente dispõe-me outras ocasiões não lhe o ocorre quando ele narra a sua historia, sem que ele tenha nenhuma intenção de retê-la, e a contribuição da insinceridade inconsciente.

Em terceiro lugar nunca faltam às amnésias verdadeiras – lacunas da memória não caíram apenas lembranças antigas como ate mesmo recordações bem recentes. Quando os fatos em si são guardados na memória o propósito as amnésia podem ser cumpridos com igual segurança, distribuindo a ligação e alterar a ordem cronológica dos acontecimentos, por assim dizer o primeiro estagio é o de recalcamento. Depois de recorrer o tratamento, o paciente fornece os fatos de seu conhecimento.

Compete-nos o dever, em nossos casos clínicos prestar atenção a circunstâncias humanas e sociais dos enfermos, quando os dados somáticos e os sintomas patológicos.

O circulo familiar de Dora incluía seu pai que era uma pessoa dominante deste circulo sua mãe e seu irmão um ano e meio mais velho que ela (Dora).

Na época que Freud aceitou a jovem para o tratamento, seu pai já beirava 50 anos e era um homem de atividade e talento bastante incomum, um grande industrial, de situação econômica muito cômoda. A filha era muito apegada a ele. Essa ternura por ele era aumentada em virtude das muitas graves doenças de que ele padecia, desde que ela contava com seus 6 anos de idade. Nesta época ele ficara tuberculoso e isso ocasionara a mudança da família para uma cidade de clima propicio.Este lugar que Freud chamará de – B, continuou a ser nos 10 anos seguintes a residência principal tanto dos pais quanto dos filhos.Quando o pai estava bem de saúde costumava ausentar-se temporariamente para visitar suas fabricas.

Quando Dora tinha 10 anos o pai deve de submeter-se a um tratamento em um quarto escuro, por causa de um deslocamento de retina, em conseqüência sua visão ficou permanentemente reduzida, a doença mais grave ocorreu cerca de dois anos depois, consistiu em uma crise confusional, seguido de paralisia e ligeiras perturbações psíquicas. Melhorando um pouco, o pai de Dora viaja para Viena com seu médico, para consultar-se com Freud.

Foi sem duvida essa intervenção que quatro anos depois, ele apresentou sua filha, Dora, que nesse meio tempo ficara neurótica.

Freud também conheceu em Viena, a irmã do pai de Dora que tinha uma grave psiconeurose, esta mulher morreu de um marasmo que progrediu rapidamente, cujos sintomas nunca foram esclarecidos, tendo também um tio de Dora que era um solteirão hipocondríaco.

Freud não chegou a conhecer a mãe de Dora, porem sabia de sua doença de Neurose obsessiva – citada por ele como “psicose da dona de casa”. A relação entre mãe e filha era muito inamistosa há vários anos.

Dora já com oito anos começara a apresentar sintomas neuróticos e sofrer de uma dispnéia crônica.

Por volta dos 12 anos começou a sofrer de dores de cabeça, bem com acessos de tosses nervosa.

Quando aos 18 ela entrou em tratamentos com Freud, tossia novamente de maneira característica costumava também ter perda complicada da voz.

O desanimo e uma alteração de caráter tinha tornado os principais traços de sua doença, não estava satisfeita consigo mesma, nem com a família, tinha uma atitude inamistosa com o pai e se dava muito mal com a mãe, que estava determinada a fazê-la participar das atividades domésticas. Dora procurava evitar contatos sociais, quando a fadiga e falta de concentração de que se queixava o permitia. Um dia seus pais ficaram alarmados ao encontrarem dentro de uma escrivaninha,uma carta em que ela se despedia deles por que não suportava a vida .Dora teve um primeiro ataque de perda de consciência – acontecimento posteriormente fora encoberto por uma amnésia.

Contou-me o pai que ele e a família tinham feito amizade intima em B – com um casal ali radicado já há muitos anos – Senhor e Senhora K.

A Sra. K, cuidara dele durante longa enfermidade, e o Sr K sempre fora amável com sua filha, levando a passear com ele quando estava em B, dando-lhe pequenos presentes, mas ninguém via nenhum mal nisso, porem Dora contara a sua mãe um tempo depois que o Sr. K lhe fizera uma proposta amorosa, depois de um passeio no lago. Chamada a prestar contas de seu comportamento ao pai e ao tio, o acusado negou, qualquer atitude de sua parte que pudesse ter dado margem a essa interpretação, levantou então suspeitas sobre Dora, pois a mesma mostrava interesse pelos assuntos sexuais e provavelmente excitada por tais leitura ela teria imaginado toda a cena que descreveu, seu pai disse que há duvidas que o Sr.K esteja certo sobre o incidentes e atitudes de Dora.Ela vive insistindo em que seu pai rompa relações com o Sr.e Sra.K,onde existe um grande laço de amizade.

Superadas as primeiras dificuldades do tratamento Dora, comunicou a Freud, uma experiência anterior que teve com o Sr.K. Estava com 14 anos, o Sr.K combinou com Dora e sua esposa que fossem encontrá-lo em sua loja na praça principal, para assistirem um festival religioso, mas ele acabou induzindo a esposa a ficar em casa, despachou os empregados e estava sozinho,quando Dora chegou à loja.Em seguida voltou e ao invés de sair voltou e estreitou subitamente contra si e deu-lhe um beijo nos lábios, sendo a primeira sensação de excitação sexual, mas Dora sentiu no momento uma violenta repugnância.

Mesmo assim a relação com o Sr. K prosseguiu e nenhum dos dois jamais mencionou esta cena.

É preciso dizer que houve um deslocamento de sensação, ao invés de sensação genital que uma jovem sadia não teria deixado de sentir em tais circunstâncias, Dora foi tomada de uma sensação de desprazer.

A repugnância que Dora sentiu nessa ocasião não se tornou um sintoma permanente. Porem por outro lado a cena lhe deixou outra conseqüência disse continuar sentindo na parte superior do corpo a pressão daquele abraço.

Vale ressaltar três sintomas a repugnância, a sensação de pressão na parte superior do corpo, e evitação dos homens em conversa afetuosa.

Quando retornaram a B- o pai de Dora visitara todos os dias a Sra. K em determinado horário, horário do qual seu marido estava na loja, dando grandes presentes a Sra.K.

Ficou decidido que eles mudariam para Viena.

Dora impunha ter sido entregue ao Sr. K, como premio da tolerância com relação com sua mulher e seu pai, já que o pai tornou a sentir seu estado piorado tendo que voltar para B.

Na paranóia essa projeção da censura em outro sem qualquer alteração do conteúdo, e, portanto, sem nenhum apoio na realidade, torna-se manifesta como processo de formação de delírio.

A outra censura de que as doenças do pai eram criadas como um pretexto e exploradas em proveito próprio, coincide porem como todo um fragmento de sua própria historia secreta.

Um dia Dora se queixou de um sintoma supostamente novo, que consistia em dores de estomago dilacerantes, foi quando Freud lhe perguntou com convicção – “A que você esta copiando nisso?”, descobrindo então que no dia anterior visitara suas primas, filhas da tia que morrera, a mais nova ficara noiva e a mais velha adoecera com umas dores no estomago, Dora diz que suas dores se identificaram com a prima, talvez fosse pela inveja do amor afortunado da moça. Sem contar que Dora aprendera isso observando a Sra.K,pois quando o Sr.K a viaja esta em perfeita saúde, quando seu marido voltava encontrava sua mulher adoentada.

Foi quando Freud começou a observar que Dora em suas próprias alterações entre doença e saúde, levando a sim a suspeitar de que seus próprios estados de saudade dependiam de alguma coisa, tal como os da Sra.K.

Quando o Sr. K estava longe e Dora tinha as suas crises de afonia, ela usava a escrita que é muito bem desenvolvido nesses casos de histeria, segundo a clinica de Charcot.

A afonia de Dora, portanto admitia a seguinte interpretação simbólica, e quando o “amado” estava longe, ela renunciava á fala, esta perdia seu valor, já que não podia falar com ele, por outro lado a escrita ganhava importância, como único meio de manter contato com o ausente.

Os sintomas de histeria são psíquicas ou somáticas, admitindo-se o primeiro caso, se todos têm necessariamente um condicionamento psíquico.

Ate onde se possa ver, todo sintoma histérico requer a participação de ambos os lados. Não pode ocorrer sem a presença de certa complacência somática, fornecida por alguns processos normal ou patológicos no interior de um órgão de corpo com ele relacionado.

Tampouco no caso dos acessos de tosse e afonia de Dora nos contentaremos com uma interpretação psicanalítica, mas indicarmos que o fato orgânico de que partia a “complacência Somática” que lhe possibilitou expressar sua afeição por uma amado temporariamente ausente.

Não havia nenhuma duvida, disse Freud, de que ela visava a um objetivo que esperava alcançar através de sua doença. Este não podia ser outro senão o de fazer seus pai afastar-se da Sra.K,porem se seu pai abrisse mão e fosse persuadido pela saúde da filha,ela nunca iria renunciar a doença,mais sim usaria para conquistar tudo que quisesse.

Freud diz que primeiro de tudo é preciso tentar, pelas vias indiretas da analise, fazer com que a pessoa convença a si mesma da existência dessa intenção de adoecer.

Logo surgiu uma oportunidade de atribuir à tosse nervosa de Dora uma interpretação desse tipo, mediante uma situação sexual fantasiada, quando ela diz que seu pai era um homem de posses,que levaram a outra interpretação, que se ocultava seu oposto, ou seja, que seu pai era um homem sem recursos, recursos sexuais, ou seja, como homem era impotente, Dora confirmou essa interpretação.

Seguindo a linha de raciocínio de Freud, ele chega então ao seguinte raciocínio de que a sua tosse espasmódica, que tinha por estimulo coceira na garganta, ela representava a cena de satisfação sexual entre duas pessoas cuja ligação amorosa a ocupava tão incessantemente, ou seja, a imaginação da sucção do penes. Curiosamente pouco tempo depois de aceitar em silencio essa explicação a tosse desapareceu.

A recém mencionada interpretação de sintoma da garganta de Dora também pode ar margem a outra observação, de como esse aparecimento e desaparecimento das manifestações patológicas refletia a presença e ausência do homem amado, e, portanto, no tocante á conduta da Sra. K, expressava o seguinte pensamento: “se eu fosse mulher dele, eu o amaria de maneira muito diferente, adoeceria (de saudade, digamos) quando ele estivesse fora e ficaria curada (de alegria) quando voltasse pra casa.”

Na incessante repetição dos mesmos pensamentos sobre as relações entre seu pai e a Sr. K, possibilitou extrair da analise outro material ainda mais importante, uma seqüência de pensamentos hipervalente, hiperinteso, Dora achava, com toda razão, que seus pensamentos sobre o pai reclamavam um julgamento especial, pois ele não conseguia entender como ela não conseguia esquecer esse assunto, se ate mesmo seu irmão tinha dito que era parar de criticar, julgar e perdoar ele, mais Dora não conseguia perdoá-lo.

Freud começa neste trecho pela primeira hipótese, ou seja, a raiz de sua preocupação obsessiva com as relações entre seu pai e a Sra. K lhe era desconhecida por situar-se no inconsciente. Não é difícil adivinhar a natureza desta raiz a partir da situação e das manifestações de Dora. Seu comportamento obviamente ia muito alem da esfera de interesse de uma filha, ela se sentia mais como uma esposa ciumenta, como se consideraria compreensível em sua mãe. Por sua exigência ao pai “ou ela ou eu”,pelas cenas que costumava criar e pela ameaça de suicídio que deixou entrever,é evidente que ela se estava colocando no lugar da mãe.E se adivinhamos com acerto a fantasia de situação sexual subjacente a sua tosse,nessa fantasia ela deveria estar-se colocando no lugar da Sra.K.Portanto,identificava-se com as duas mulheres a que seu pai amara.É obvia a conclusão que sua inclinação pelo pai era muito alem do que ela sabia ou estava disposta a admitir,ou seja estava apaixonada por ele,tendo neste caso o complexo de Édipo.

Quando Freud comunica a Dora que só me era possível supor que sua inclinação pelo pai, já em época precoce, deveria ter tido o caráter de um completo enamora mento, e é obvio que ela não admtio.

Por anos a fio Dora não externalizou essa paixão pelo pai, ao contrario, manteve-se por muito tempo na mais cordial harmonia com a mulher que a suplantara junto a ele, e como sabemos através de suas autocensuras, ainda facilitou as relações dessa mulher com seu pai. Não há duvidas que ela se ligue amorosamente ao pai e ao Sr. K, seu substituto psíquico. Mas o que põe em marcha a ação de Dora, exigindo o fim do relacionamento do pai com a Sr.K, é a ligação que tem com ela: “Dora continuava ternamente ligada a Sr. K, e não queria saber de nenhum motivo que fizesse as relações do pai com ela parecerem indecentes”, explica Freud. Elas tinham uma relação de intimidade: Dora ouvia as confidencias da Sra. K. Sabia o estado das relações dela com o marido. Dora se identificava também com a Sra. K. No amor por seu pai.

Quando Dora falava sobre a Sra. K, costumava elogiar seu “adorável corpo alvo” num tom mais apropriado a um amante do que a uma rival derrotada... Na verdade, Freud não cita nenhuma vez uma a só palavra áspera ou irada sobre essa mulher, embora, do ponto de vista de seus pensamentos hipervalentes,devesse ver nela a principal causadora de seus desventuras.

A moção de ciúme feminino estava ligada, no incosciente, ao ciúme que um homem sentiria essas correntes de sentimentos masculinos, ou melhor, dizendo, ginecofilicos, devem ser consideradas típicas da vida amorosa inconsciente das moças histéricas.

O PRIMEIRO SONHO

Dora informará um sonho periodicamente repetido, resolvi, portanto preceder uma investigação particularmente cuidadosa.

Eis o sonho tal como Dora relatou: “uma casa estava em chamas, papai estava ao lado da minha cama e me acordou. Vesti-me rapidamente. Mamãe ainda queria salvar sua caixa de jóias, mais papai disse:” não quero que eu e meus dois filhos nos queimemos por causa da sua caixa de jóias. “Descemos a escada ás pressas e, logo que me vi do lado de fora acordei.”

Dora recordava ter tido este mesmo três noites sucessivas em L – (lugar no lago onde acorrera à cena com o Sr. K, proposta amorosa).

Nestes últimos dias pai de Dora e sua mãe tiveram uma discussão, por que a mãe tranca a sala de jantar a noite. Éque o quarto do irmão de Dora não tem entrada independente, e só se pode chegar a ele pela sala de jantar. Seu pai não quer que seu irmão fique trancado assim á noite. Diz ele que isso não é bom, pode acontecer alguma coisa durante a noite que torne necessário sair.

Foi quando Freud chegou então a perguntou se a fez imaginar um risco incêndio? E ela disse que sim.

Freud afirma que todo o sonho é um desejo que se representa como realizado, que a representação é encobridora quando se trata de um desejo recalcado, que pertence ao inconsciente.

Seguindo o sonho de Dora, ela conta que há quatro anos, sua mãe discutiu com seu pai que gostaria de ter, algo especial, umas gostas de pérola para usar como pingente na orelha, mais como o pai não gostava disso em vez e gostas trouxe-lhe uma pulseira a mãe por sua vez ficou furiosa e disse, já que ele tinha tanto dinheiro para gastar num presente que ela não gostava melhor seria se desse a outra pessoa.

Freud pergunta a Dora, ate agora você só falou das jóias e nada sobre a caixinha, então Dora respondeu que antes deste fato o Sr. K a presenteou com uma caixinha de jóias. Freud complementa dizendo que a caixa de jóias é uma expressão muito apreciada para a mesma coisa que Dora aludiu, não faz muito tempo, com a bolsinha que estava usando,os genitais femininos.

Então Dora disse que sabia do que Freud dizia, ou seja, agora o sentido do sonho esta ficando mais claro. Dora disse a si mesma:esse homem esta me perseguindo,quer forçar a entrada no meu quarto, a minha caixa de jóias esta em perigo, e se acontecer alguma desgraça aqui a culpa é do pai.

Freud pede a Dora que olhasse em volta para ver se notava sobre a mesma algo especial que não costumasse estar ali. Não viu nada.

Então Freud a perguntou se ela sabia por que as crianças são proibidas de brincar com fósforo, e ela responde que pelo perigo de incêndio.Pois bem, tem-se que elas molhem a cama,a antítese entre água e fogo por certo se encontra na base disse.Talvez elas sonhem com fogo e tentem apagar com água.Não sei dizer com exatidão mais a oposição entra água e o fogo prestam a você extraordinário serviço.Sua mãe queria salvar a caixa de jóias para que ela não fosse queimada,sendo assim relacionando aos pensamentos do sonho o fogo representa a ardente paixão.

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