Produção de tomate

Produção de tomate

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Original Article Biosci. J., Uberlândia, v. 23, n. 2, p. 7-15, Apr./June 2007

José Magno Queiroz LUZ1; André Vinícius SHINZATO2; Monalisa Alves Diniz da SILVA3

1. Professor, Doutor em Fitotecnia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia. jmagno@umuarama.ufu.br; 2. Engenheiro Agrônomo. 3. Doutora em Produção e Tecnologia de Sementes, Pesquisadora Bolsista Recém-Doutor CNPq.

RESUMO: O objetivo deste trabalho foi comparar os aspectos agronômicos e econômicos da produção convencional e orgânica do tomateiro. Realizou-se um levantamento geral dos sistemas de produção convencional e orgânico do tomateiro, abordando os aspectos agronômicos (manejo, preparo do solo, métodos de controle de pragas, doenças e plantas nativas, produtividade, entre outros) e econômicos (custo de produção e lucratividade). O sistema orgânico apresentou-se agronomicamente viável, com um custo de produção 17,1% mais baixo que o convencional e lucratividade até 113,6% maior.

PALAVRAS-CHAVE: Lycopersicon esculentum. Sistemas de cultivo. Tratos culturais. Economia.

É inegável a preocupação crescente com o meio ambiente. Observa-se a retomada do crescimento da agricultura orgânica, que visa diminuir os efeitos adversos do uso de produtos químicos no ecossistema, por meio de métodos alternativos de controle de pragas e doenças, preservação das propriedades do solo, manejo de plantas daninhas, cobertura morta, adubação verde e rotação de cultura, entre outros. A perspectiva da produção orgânica de hortaliças é trabalhar com níveis de produtividade e apresentação do produto compatíveis com as necessidades da população atual e o nível de exigência do consumidor (SOUZA; SAMPAIO; COUTINHO, 1995).

No Brasil, a participação da área com certificação é de 49% da área total com agricultura orgânica, sendo por ordem de importância: pastagens, frutas, cana-de-açúcar, palmito, café, soja e hortaliças (CAMARGO FILHO et al., 2004).

O fato de ser o tomate uma hortaliça muito consumida “in natura”, principalmente em saladas, e a preocupação com a saúde dos consumidores devido à possibilidade de resíduos de defensivos, vem causando um aumento na procura pelo tomate orgânico, produzido sem agrotóxicos e geralmente certificado pelos órgãos como o IBD (Instituto Biodinâmico). Os consumidores de tomates orgânicos aceitam frutos com formatos e cores, não reconhecidos no mercado convencional, e estão dispostos a pagar mais por eles. A criação da legislação nacional sobre a produção orgânica de alimentos (BRASIL, 1999; PRESIDÊNCIA DA

REPÚBLICA, 2003) possibilitou a oficialização deste sistema de produção no país.

O tomate é a segunda hortaliça mais importante do Brasil, perdendo apenas para a batata. Contudo sua condução é difícil, por ser muito susceptível a pragas e doenças e exigir vários tratos culturais, causando assim um risco econômico elevado. O uso de produtos químicos torna-se massivo.

Na agricultura orgânica a redução do ataque de organismos prejudiciais ao desenvolvimento da planta é realizada através do uso de receitas caseiras, preparadas a base de extratos naturais pouco ou nada agressivos ao meio ambiente (SOUZA, 1998).

Souza (1998), comparando o custo de produção de um hectare de tomate nos dois sistemas de produção, concluiu que o sistema convencional teve um custo relativo 19% mais alto que o orgânico, o correspondente a 1.268 dólares por hectare, enquanto as demais hortaliças, no mesmo estudo, obtiveram um diferencial de 14% em média.

Como os preços dos produtos orgânicos são bons e costumam ter pouca variação, além do custo de produção ser menor, muitas propriedades de cultivo convencional estão se convertendo em orgânicas, apesar de se tornarem menos produtivas.

De acordo com Penteado (2001) a venda direta para consumidores, feirantes, supermercados, etc., evita os intermediários, permitindo uma maior margem de lucro para o produtor.

O objetivo deste estudo foi comparar os aspectos agronômicos e econômicos da produção convencional e orgânica do tomateiro.

Comparação dos sistemas… LUZ, J. M. Q. Biosci. J., Uberlândia, v. 23, n. 2, p. 7-15, Apr./June 2007

Foi realizado um levantamento geral dos aspectos da produção convencional e orgânica do tomateiro. Os dados do sistema orgânico foram coletados na Chácara Oyafuso, de propriedade de Marcelo Oyafuso, localizada em Araraquara-SP, que produz hortaliças orgânicas a cerca de dez anos. Já os dados do sistema convencional foram elaborados com a colaboração do Engenheiro Agrônomo Carlos Eduardo Tucci, ex-produtor e proprietário da Hortiflora, localizada em Uberlândia- MG, que é uma revenda de insumos para hortaliças e que presta assistência na cultura do tomate.

Foram levantados os seguintes aspectos agronômicos: rotação de culturas, manejo e preparação do solo, tempo de preparação de um plantio para outro, cultivares utilizadas, sementes utilizadas, obtenção das mudas, época de plantio, tempo para transplantio, tratamento na muda, substrato utilizado, métodos de controle de pragas, doenças e plantas daninhas, tratos culturais, épocas de maiores problemas, mão-de-obra utilizada, sistema de condução, adubação, início da colheita, freqüência da colheita, produtividade, preço alcançado, mercado, pós-colheita.

Quanto aos aspectos econômicos verificouse: custo de produção, ou seja, insumos, sementes, mudas, calcário, composto orgânico, adubação plantio, adubação cobertura, defensivos, serviços (aração, gradagem, canteiros, plantio, adubação plantio, adubação de cobertura, tutoramento, desbrota, amontoa, capinas, pulverizações, aplicação de caldos, colheita, classificação e embalagem); custo do selo em caso de orgânico. Ressalva-se que no custo de produção não foram considerados os gastos com a instalação das estufas, energia elétrica, água e sistema de irrigação, já que foram aplicados em ambos os sistemas. A lucratividade, está de acordo com Antunes e Reis (1998).

Aspectos agronômicos Para sanar ou amenizar as dificuldades tecnológicas no cultivo orgânico, são necessários ajustes no manejo, adaptado a esse sistema de produção, visando aumentar a produtividade de frutos (SOUZA, 1999).

Os dados referentes aos aspectos agronômicos estão na Tabela 1 e as principais diferenças encontradas entre os sistemas orgânico e convencional foram:

Rotação de culturas A rotação não é feita constantemente no sistema orgânico devido ao solo do local se encontrar em equilíbrio, com uma boa ciclagem de nutrientes e baixa incidência de pragas e doenças.

Manejo e preparo do solo

No sistema convencional, o manejo e preparo do solo consistem na calagem, aração, gradagem, sulcagem, aplicação de composto orgânico comercial e adubação mineral. No orgânico é feita uma subsolagem a cada dois ciclos, incorporação superficial de restos culturais e plantas daninhas com enxada rotativa, uso de cobertura morta (capim do próprio local), irrigação por aproximadamente duas horas e transplantio da muda no dia seguinte.

Cultivares utilizadas

Os materiais genéticos variam nos dois sistemas de cultivo.

Tabela 1. Aspectos agronômicos dos sistemas de produção convencional e orgânico do tomateiro, Maio de 2002.

Sistemas de Cultivo Aspectos agronômicos Convencional Orgânico Rotação de culturas Sim Eventualmente

Manejo e preparação do solo - Aração

- Gradagem

- Sulcagem

- Subsolagem a cada 2 ciclos - Incorporação superficial

- Cobertura morta

Tempo de preparo de um plantio para outro Imediato Idem

Cultivares utilizadas

Colorado, Sta Clara, Carmen, Olimpus, Séculus, Débora, Letícia

Jane, Letícia, Raíssa, Débora, Delta, Kada Grupo Sta Cruz, Cerejinha Grupo Cereja

Sementes utilizadas Peliculada Idem Obtenção das mudas Própria Idem

Continua...

Comparação dos sistemas… LUZ, J. M. Q. Biosci. J., Uberlândia, v. 23, n. 2, p. 7-15, Apr./June 2007

Época de plantio Ano todo Idem Tempo para transplantio 20 – 35 dias Idem

Tratamento na muda - Inseticidas

- Fungicidas Calda bordalesa

Substrato utilizado Comercial

- Comercial, próprio para orgânico - 20% húmus de minhoca

Controle de plantas infestantes Herbicidas Capina manual

Controle de doenças

- Fungicida mancozeb - Fungicida estrubirulinas

- Fungicida dimetomorfe

- Bactericida kasugamicina

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