Cartilha para tratadores de ovinos e caprinos

Cartilha para tratadores de ovinos e caprinos

(Parte 1 de 3)

Primeiro curso de Capacitação de Tratadores de Ovinos e Caprinos, da Faz.Sertania.

Riachao das Neves - Bahia Julho de 2006

Cartilha Para Tratadores de Ovinos e Caprinos da Faz. Sertania.

1. Cartilha do Caprino-ovinocultor08
1. Introdução09
2. Identificação de animais10
3. Escrituração zootécnica1
Fichas12
4. Controle Sanitário16
5. Higiene das Instalações17
6. Controle Parasitário17
7. Vermifugação18
8. Prevenção de Doenças19
9. Manejo Alimentar23
10. Manejo Reprodutivo30
1. Instalações32
12. Recomendações Gerais37
13. Bibliografia38

Página 14. Fichas em Anexo

Quem são os Funcionários, Qual sua importância hoje, na caprino-ovinocultura?

São o conjunto de profissionais com uma necessidade especifica, a capacitação. Como podemos ser competitivos, mais habilitados se não acreditamos em mudanças. como: capacitação por meio de cursos, que nos habilitem a sermos profissionais diferenciados? Há perspectiva de mercado, fatores estes considerados no mundo de hoje receita de sucesso para um empreendimento, ter Funcionário Treinados. Continuamos a perpetuar uma antiga prática que não leva a lugar algum: culpar os outros pelo insucesso de nossa atividade, baixa remuneração da nossa Profissao. Como é fácil afirmar que não temos incentivos por parte dos patrões, que não temos mercado para absorver nossa mão de obra, quando na realidade não temos nível de organização e capacidade de trabalho e perseverança para vencer obstáculos que na sua grande maioria desaparecem frente a um fator chamado eficiência. Não é necessário ajuda de instituições públicas ou privadas para que seja dado o pontapé inicial para sermos profissionai capazes e organizados. As instituições públicas e privadas têm o seu papel fundamental no decorrer do processo de habilitação de mão de obra, mas só se tornarão participativas no momento em que forem solicitadas por trabalhadores comprometidos, que tem prazer em fazer um bom trabalho e ver seus serviços reconhecidos, não so pelo patrão, mas também para os de fora que vêem os resultados, como um todo por toda a equipe da Fazenda trabalhar junta e unida, isso vai mostrar uma fazenda forte e organizada . É preciso ter convicção que isto é real e se não for implementado será apenas mais uma grande idéia que não deu certo. Ficará a impressão de uma enorme falta de capacidade por parte de todos os setores da Fazenda envolvidos ( Patrão, Técnicos, Funcionários) e, como sempre, o maior prejudicado será o Trabalhador rural, que não sera procurado por outros para exercer sua profissão Tratador de Ovinos e Caprinos. Hoje com o crescimento da atividade em todo o Brasil o bom Tratodor e uma mão de Obra valorizada e procurada.

1. INTRODUÇÃO Baseado na afirmação “Caprino-ovinocultura uma das alternativas economicamente viáveis para as diferentes regiões do Brasil, principalmente as semi-áridas”, através de seus funcionários e técnicos, desenvolveu-se a cociencia da nescessidade de preencher algumas lacunas hoje existentes dentro da criação de caprinos e ovinos. Existem no mercado de informações, excelentes publicações sobre criação de caprinos e ovinos, mas, muitas destas não trazem de maneira suscinta e clara para o “Trabalhador do campo” requisitos básicos para o sucesso de sua Profissao. Esta cartilha objetiva demonstrar ao profissional que o sucesso da atividade depende muitas vezes de fatores de fácil aplicação. Na Fazenda, em decorrência de prolongadas estiagens, manejo errado e ausência de normas racionais de criação, vem diminuindo os índices de produção do rebanho, ficando fora do contexto de pecuária de pequenos ruminantes competitiva, viável economicamente. Sabemos que a seca interfere bastante no desenvolvimento de atividades pecuárias. Em vez de nos entregarmos, devemos buscar informações e alternativas com a finalidade de melhorar a convivência com as adversidades e nos tornarmos cada vez mais competitivos.

2. IDENTIFICAÇÃO DE ANIMAIS Identificação, fator essencial ao controle do rebanho, hoje não adotada na grande maioria dos criatórios, é necessária para que o criador tenha informações individuais e seguras sobre cada animal. Pode ser realizada através de numeração em: Brinco metálicos ou plásticos, Marras com placas de identificação, Tatuagens.

3. ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA Só através de anotações cuidadosamente efetuadas, é que se torna possível conhecer com precisão qual a atual situação produtiva, reprodutiva e sanitária do rebanho. O porquê da adoção destas medidas é explicado pelas seguintes perguntas: - Quantas cabras ou ovelhas pariram neste ano ?

- Quantos cabritos ou borregos nasceram ?

- Quantos sobreviveram ?

- Quantos partos duplos e quantos simples ?

- Qual o peso ao nascer ?

- Qual a idade e peso médio ao abate ?

- Quantos animais adoeceram ?

- Quais as doenças responsáveis ?

- Qual o tratamento realizado ?

- Quantos animais morreram durante o ano ?

- Quais as causas ?

Estas são perguntas possíveis apenas de serem respondidas com a adoção da Escrituração Zootécnica (anotação de todas as ocorrencias na Faz.). Medida que, se adotada, demonstra quais as principais deficiências a serem trabalhadas, corrigidas no rebanho, e assim melhorar os resultados.Como um produtor rural pode saber se a mortalidade das crias do seu rebanho está alta e que medidas deve tomar, se ele não tem informação seguras sobre o rebanho?

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CONTROLE SANITÁRIO DE CAPRINOS E OVINOS 2

4. CONTROLE SANITÁRIO É uma ação de fundamental importância para a sustentação da atividade, pois, animais doentes têm queda na produção de carne e leite, assim como diminuição da fertilidade. É necessário entender que as medidas preventivas devem ser implantadas para um melhor ganho na produtividade. Principais medidas preventivas em função deste controle:

1. Introdução de novos animais ao rebanho Na aquisição de animais devemos exigir atestados de vacinas e certificados de ausência de algumas doenças. Nunca devemos misturar estes ao rebanho sem uma prévia observação (quarentena) em local separado. Desta maneira estará evitando a introdução de novas doenças.

2. Desinfecção do Umbigo Após o nascimento, o umbigo do cabrito deve ser cortado a uma altura de dois dedos (3cm) e imerso em solução de iodo a 10%. Este procedimento evitará que o umbigo sirva de porta de entrada para doenças oportunistas.

3. Ingestão do Colostro Nas primeiras horas de vida, o cabrito deve ingerir o colostro. Este procedimento o tornará mais resistente às doenças. Caso este procedimento não seja possível, o Tratador poderá seguir os seguintes caminhos: utilizar colostro retirado de outras cabras ou usar colostro artificial.

4. Isolamento de Doentes Animais suspeitos de doenças e em tratamento devem ser isolados e medicados. Só devem retornar ao rebanho quando sua saúde estiver recuperada.

5. Higiene das instalações .Os caprinos e os ovinos são animais sensíveis ao frio e à umidade. Portanto, estes devem ser alojados em locais secos e limpos. O acúmulo de fezes em apriscos favorece a contaminação dos animais. Estas devem ser retiradas com freqüência e colocadas em esterqueiras para um aproveitamento posterior na readubação das pastagens. Deve-se evitar o acúmulo de restos de alimentos em comedouros, os bebedouros devem ter sempre água de boa qualidade e esta deve ser substituída com freqüência evitando desta forma o surgimento de possíveis doenças.

6. Controle Parasitário Entre as enfermidades que acometem caprinos e ovinos, as parasitoses ocupam lugar de destaque. Devemos, pois, procurar alternativas que favoreçam a quebra do ciclo parasitário. Com relação aos pastos podemos realizar rotações de pastagens e não permitir aglomeração de animais em fontes d’água.

Fonte: Epidemiologia e Controle das Principais Parasitores de Caprinos - EMBRAPA - Caprinos - Sobral/CE

7.Vermifugação Para realizarmos uma vermifugação eficiente devemos aplicar o medicamento em quantidades recomendadas pelo fabricante. O primeiro passo é dividir o rebanho em lotes de acordo com o tamanho. O maior de cada lote deve ser pesado e calculada a dose em função do seu peso,que servirá para o restante do lote. Adotando esta prática, você estará evitando a aplicação de sub-doses e uma consequente sobrevivência de parasitos. Periodicamente devem ser realizados exames parasitológicos de fezes de uma amostragem equivalente a 10% do rebanho, a fim de avaliar a eficiência do medicamento e do controle parasitário.

7.1. Etapas Primeira Vermifugação - Início das chuvas; Segunda Vermifugação - 60 dias após a primeira; Terceira vermifugação - Final da seca; Quarta Vermifugação - Meados das chuvas; Esquema de vermifugação estratégica preconizado pelo CNPCaprinos/EMBRAPA, para controle da verminose caprina no semi-árido nordestino.

Fonte: Epidemiologia e Controle das Principais Parasitores de Caprinos - EMBRAPA - Caprinos - Sobral/CE M

C 8. Prevenção de Doenças

Diarréias, etc

Clostridioses - Os clostrídios acometem os rebanhos, trazendo distúrbios de ordem nervosa e ou gastro-entérica, às vezes de formas irreversíveis comprometendo o desenvolvimento e a vida dos animais. São responsáveis por doenças conhecidas como: Manqueira, Tétano, As fêmeas prenhes devem ser vacinadas no terço final da gestação com vacinas polivalentes conferindo desta forma a imunidade às crias. Os demais devem ser vacinados a partir dos 2 meses de idade e anualmente. Mas o melhor e vacinar todo o rebanho

Raiva - Doença de ordem nervosa que pode acometer o homem e os animais levando-os à morte. O correto é vacinar o rebanho anualmente e combater morcegos que se alimentam de sangue (hemátofagos), em regiões aonde exista relato de casos. Deve ser evitado o acesso de cães estranhos (não vacinados) à propriedade.

Febre Aftosa - Doença que acomete também os caprinos e ovinos, provocando aftas na boca, feridas nas tetas e nos cascos, impedindo que os animais se alimentem e se locomovam, trazendo desta forma danos irreparáveis ao rebanho. Animais acometidos nunca terão o mesmo desenvolvimento e poderão transmitir a doença por longo tempo. O rebanho só deve ser vacinado de acordo com uma recomendação da Secretaria da Agricultura do Estado, pois os pequenos ruminantes são sentinelas. Qualquer caso ou foco da doença deve ser comunicado a este órgão para serem tomadas as medidas cabíveis.

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Artrite Encefalite Caprina (CAE) - É uma doença que se instala através de vírus e vem acometendo o rebanho caprino trazendo enormes prejuízos à atividade. Pode se apresentar de várias formas: causando inflamações nas articulações, distúrbios respiratórios, agravamento dos sintomas, leva a perda de peso, debilidade do animal e morte. Até o momento não existe vacina nem tratamento eficaz. Exigir atestado negativo da doença no ato da aquisição do animal é uma forma de prevenção.

Mastite (Mamite) - Manter a higiene do local de ordenha, o ordenhador deve cortar sempre as unhas, lavar as mãos e o úbere das cabras de maneira correta. Quando já instalada a doença é recomendado o uso de antibióticos respeitando o período de carência para consumo do leite. As vezes os sintomas não são percebidos e o diagnóstico só é preciso através de testes. Ex.: CMT (Califórnia Mastit Test).

Linfadenite Caseosa - Mais conhecida como “Mal do Caroço”, possui alta incidência nos rebanhos. Animais com nódulos (suspeitos) não devem ser adquiridos. A abertura destes deve ser realizada conforme ensinado por um Médico Veterinário, pois, no interior dos caroços contém material altamente infectante. Atualmente, já existem no comércio vacinas para prevenção em ovinos e está sendo testada em caprinos.

Eimeriose - Doença muito comum em animais jovens. Leva à perda do apetite, diarréia e uma consequente diminuição do peso. A higiene das instalações é uma das formas de prevenção. Deve-se evitar colocar animais jovens junto aos adultos bem como excesso de umidade em apriscos. O tratamento pode ser realizado à base de antibióticos quimioterápicos. Aumento de articulação causado pela (CAE) Fonte: Livro Enfermidades em Caprinos - EMBRAPA - Sobral/CE - 1996 20

Cartilha do Caprinocultor Ectima Contagioso - conhecido como “boqueira” e às vezes confundido com lesões de febre aftosa, acomete os caprinos causando lesões na seguintes regiões: lábios, boca, úbere e cascos. As lesões evoluem para pápulas, feridas e crostas. Em regiões endêmicas o rebanho deve ser vacinado. O tratamento pode ser à base de iodo com glicerina e antibióticos, evitando desta forma infecções secundárias.

Pododermatite- Acomete geralmente animais que estão na maioria do tempo em contato com solos úmidos. Esta permanência favorece o surgimento de inflamação entre as unhas, com posterior infecção bacteriana, comprometendo a região com um possível apodrecimento do casco. O tratamento baseia-se na retirada dos animais das áreas úmidas, e aplicação nos cascos acometidos solução de sulfato de zinco ou de formol a 10%. A antibioticoterapia é também recomendada.

Ceratocunjuntivite – Doença infecciosa que acomete os olhos. O animal apresenta lacrimejamento e inflamação da conjuntiva com possibilidade de esbranquiçamento do olho. Não existe vacina para esta doença. O tratamento é realizado através de antibióticos (colírios ou spray) e aplicação de vitamina A. Obs.: Para um melhor controle destas doenças, procure um Médico Veterinário. Fonte: Livro Enfermidade em Caprinos - EMBRAPA - Sobral/CE – 1996

Toxemia da gestação ou cetose

Acomete animais no final da gestação devido ao crescimento acentuado do(s) feto(s). Fêmeas com crescimento comprometido, magras, as mais jovens e as excessivamente gordas são mais susceptíveis. No final da gestação, o aumento do volume uterino causa compressão do aparelho digestivo e o consumo de alimentos fica diminuído. A necessidade de energia da matriz aumenta consideravelmente devido ao aumento na velocidade de crescimento do feto e um aporte inadequado de alimentos pode levar à deficiência de glicose para atender o crescimento fetal. Nessa situação o organismo animal queima gordura corporal para atender esta demanda energética, liberando excesso de corpos cetônicos, que devem ser metabolizado pelo fígado, pois é tóxico ao organismo. Se a quantidade de corpos cetônicos liberados superar a capacidade hepática de metaboliza-los, advém um quadro de cetose: o animal tem dificuldade de locomoção, se afasta do rebanho, deita e tem dificuldade para levantar, apresenta sintomas nervosos e dificuldades visuais. O procedimento adequado para a prevenção seria a separação das fêmeas jovens ou magras e em gestação e o fornecimento de suplementação com ração rica em amido (milho ou outro cereal). Quando os sintomas são observados deve se aplicar solução à base de gluconato de cálcio, por via endovenosa, além da adequação da alimentação.

Calculo urinário ou urolitíase obstrutiva

É uma doença relativamente comum em reprodutores de maior valor econômico e potencial zootécnico, já que acomete, com maior freqüência, animais que ficam confinados em baias, recebendo grande quantidade de concentrado. A doença é causada pela ingestão excessiva de fósforo; ingestão de dietas com baixa relação cálcio:fósforo e/ou baixa ingestão de alimentos volumosos e água. O excesso de fósforo é eliminado pela urina, que por ser alcalina, favorece a formação de cálculos ricos em fósforo, que se acumulam e bloqueiam o fluxo de urina pela uretra, ocasionando dificuldade de urinar e cólicas, sendo que, muitas vezes a obstrução é total. Freqüentemente o problema leva o animal à morte.

O tratamento é preventivo, devendo-se evitar alta ingestão de ração concentrada e sal mineral conjuntamente, pois os dois são ricos em fósforo. O problema pode ser agravado pela pequena ingestão de alimento volumoso, pois o consumo de alimento volumoso estimula a salivação, que está ligada ao processo de excreção de fósforo. A restrição na ingestão de água, por aumentar a concentração de sais na urina, também é fator predisponente da urolitíase.

A ingestão de concentrado, por carneiros adultos, não deve ultrapassar 500- 700g/dia (dependo do peso e idade do animal) por longos períodos e sempre com fornecimento de volumosos. Muitas vezes, o cálculo fica retido no apêndice vermiforme (prolongamento da uretra após a glande), e sua retirada não atrapalha a ejaculação do animal, podendo-se salvar o carneiro, sem prejuízo acentuado de sua capacidade reprodutiva.

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