Manejo de pastagens

Manejo de pastagens

(Parte 1 de 7)

Prof. CECILIO VIEGA SOARES FILHO, Eng. Agr. MESTRE EM NUTRIÇÃO ANIMAL E PASTAGENS

SETEMBRO - 1997 ARAÇATUBA - SP

1. INTRODUÇÃO:

Nas regiões tropicais, a produção animal é, praticamente, dependente de pastagens. No trópico brasileiro, a evolução do tempo tem mostrado uma crescente mudança das pastagens naturais para as cultivadas, como se verifica no Estado de São Paulo, o qual apresenta cerca de 80% de sua área de pastagens ocupada pelas cultivadas.

Tradicionalmente, nas regiões do Brasil a exploração das pastagens naturais é feita de forma extrativismo, proporcionando dessa maneira, a degradação progressiva da pastagem. Em decorrência disso, observa-se uma busca contínua de “novas” e até “milagrosas” gramíneas forrageiras para substituir aquelas que foram utilizadas, sem no entanto, preocupar-se em corrigir os problemas que levaram à queda da produtividade da pastagem. Provavelmente, os problemas estão na fertilidade dos solos e no manejo das pastagens.

No Brasil, os solos sob pastagens são predominantemente os Ultissolos e os Oxissolos, os quais apresentam sérias limitações de fertilidade. Os teores das bases trocáveis, Ca, Mg e K, e os de P são baixos e os de Al trocável e de Mn disponível são elevados. Dessa forma, a adubação apresenta efeito marcante sobre a pastagem, melhorando o ganho/ha e, principalmente, a sua persistência, mesmo para as espécies adaptadas à baixa fertilidade do solo.

A importância dos elementos essenciais para o estabelecimento das plantas forrageiras em ecossistemas de pastagens e para a sua produtividade tem sido amplamente demonstrada. Em particular, nas condições tropicais, cuidados especiais com a correção da acidez do solo, com o fornecimento de cálcio e de magnésio e com a carência de fósforo constituem-se recomendações usuais na fase de implantação das pastagens, enquanto que um suprimento adequado de nitrogênio, potássio e enxofre é necessário para a manutenção da produtividade das forrageiras.

Esta apostila tem por objetivos descrever os seguintes temas: principais espécies forrageiras para pastagens, correção e adubação do solo, recuperação/e ou renovação de pastagens, estabelecimento de pastagens e manejo de pastagens.

2 - ESPÉCIES FORRAGEIRAS PARA PASTAGENS:

Brachiaria decumbens

1 - NOME COMUM - capim-braquiária decumbens. 2 - ORIGEM - África tropical. Primeira introdução no Brasil feita através do antigo IPEAN, hoje CPTU/EMBRAPA, em 1952. A partir de 1965 disseminou-se rapidamente nos serrados brasileiros. 3 - EXIGÊNCIAS - baixa exigência em fertilidade do solo e precipitação anual acima de 800 m 4 - UTILIZAÇÃO - Pastejo e Fenação.

5 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - pode atingir de 50-70 cm. é perene, herbácea, prostrada. Pode emitir raízes adventícias (estolonífera), é bastante agressiva. É bastante empregada com a finalidade de impedir a erosão. 6 - MANEJO - para pastejo controlado, a entrada dos animais deve ser com a gramínea em torno de 30 a 40 cm de saída quando este porte for reduzido a 10-15 cm, com período de descanso de 30-35 dias. Para pastejo continuo procurar manter a vegetação com porte de cerca de 20 cm. 7 - CAPACIDADE DE SUPORTE - Estação da águas - 1.5 UA/ha. Estação da seca - 0.7 UA/ha. 8 - RENDIMENTO - 15 a 18 ton MS/ha/ano. 9 - RESISTÊNCIA - não tolera solos argilosos, secas prolongadas, ataque de cigarrinhas e percevejos. Rebrota após o fogo, tem regular resistência ao frio e pisoteio. A fotossensibilização hepatógena sempre esteve associada com esta gramínea. 10 - MULTIPLICAÇÃO - Pode ser feita por sementes ou por mudas. Por sementes gasta-se em torno de 5 a 10 kg/ha para plantio a lanço ou 3 kg/ha S.P.V. As sementes tem dormência de 6 meses e para plantio anterior a este período pode-se empregar a quebra de dormência com ácido sulfúrico comercial concentrado por 15 minutos e posterior lavagem, prática que aumenta a porcentagem de germinação. 1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 4 a 7,5% PB e 50 a 5% DIVMS. 12 - CONSORCIAÇÃO - Dificil em função do vigor vegetativo desta gramínea. 13 - CONTROLE DA CIGARRINHA - O problema do ataque de cigarrinha nestas pastagens preocupa os pecuaristas. Existe o combate biológico com o inimigo natural desta cigarrinha que é o fungo metarrhizium anizopliae. O controle quimico é perigoso e , em caso de ser empregado, evitar o uso de “clorados” que dão problemas na carne e leite. Os fosforados podem ser aplicados com critério, observando de 7 a 10 dias de intervalo de aplicação. Outra alternativa é a diversificação de forrageiras na propriedade.

Brachiaria radicans

1 - NOME COMUM - “TANNER GRASS” , Brachiaria do brejo. 2 - ORIGEM - África. 3 - EXIGÊNCIAS - Pouca quanto a fertilidade do solo. Adaptação excelente em solos úmidos, ou seja, mal drenadas. 4 - RENDIMENTO - 9 t MS/ha/ano. 5 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - Rizomatosa, estolonifera, hastes finas e flexiveis prostadas, folhas lisas e verde-brilhantes. Panícula com 6-12 racemos. 6 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 7.0% de PB na MS 7 - MULTIPLICAÇÃO - Via vegetativa, ou seja, através de mudas. 8 - PROBLEMAS: Foi observado intoxicação de animais mantidos em regime de pastejo exclusivo nesta espécie de gramínea. Os sintomas apresentados pelos animais são perda de peso, hematúria (sangue na urina) e morte de animais. A intoxicação observada foi causada por “nitratos” e “nitritos”. Esta gramínea constitui-se no hospedeiro predileto do Blissus leucopterus (chinch bug), percevejo que causa sérios danos em gramíneas. Em função destes problemas foram tomadas medidas governamentais para impedir o uso de áreas com este brachiaria, transito e multiplicação. Os infratores estavam sujeitos a punição determinada pelo regulamento da defesa sanitária vegetasl (portaria do MA de no. 822, de 1/10/76).

Brachiaria humidicula

1 - NOME COMUM - capim-quicuio da Amazônia, capim-agulha. 2 - ORIGEM - África. A partir de 1973 tornou-se muito importante na Amazônia Brasileira. 3 - EXIGÊNCIAS - Pouco exigente em fertilidade do solo. 4 - UTILIZAÇÃO - pastejo. 5 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - Perene, ereta, rizomatosa e estolonífera. 6 - MANEJO - Entrada dos animais com 25 cm de altura e saída com 10 cm. Período de descanso de 30 dias. 7 - CAPACIDADE DE SUPORTE - Estação das águas - 1.2 UA/ha. Estação das seca - 0.6 UA/ha. 8 - RENDIMENTO - 12 a 15 t MS/ha/ano. 9 - RESISTÊNCIA - Boa resistência a seca, pisoteio e cigarrinha. 10 - MULTIPLICAÇÃO - Sementes e mudas. 3 kg/ha S.P.V. Sementes apresentam dormência de 1 ano. 1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 5 a 7% PB e 45 a 50% DIVMS. 12 - CONSORCIAÇÃO - amendoim forrageiro. 13 - VANTAGENS SOBRE A DECUMBENS - os eqüinos não rejeitam esta braquiária e esta apresenta maior resistência a cigarrinha do que a decumbens.

Brachiaria dictyoneura

1 - NOME COMUM - Capim-dictioneura 2 - ORIGEM - África 3 - EXIGÊNCIAS - Baixa exigência em fertilidade do solo 4 - UTILIZAÇÃO - Pastejo e Fenação 5 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - Perene, ereta, estolonifera e rizomatoza, difere da brachiaria humídicula por ser cespitosa, enquanto esta é fortemente estolonifera. 6 - MANEJO - Entrada dos animais com 25-30 cm de altura e saída com 10-15 cm de altura. 7 - CAPACIDADE DE SUPORTE - Estação das águas - 1.2 UA/ha. Estação das seca - 0.6 UA/ha. 8 - RENDIMENTO - 10 a 12 ton MS/ha/ano. 9 - RESISTÊNCIA - Boa a seca, pisoteio e cigarrinha. 10 - MULTIPLICAÇÃO - Através de mudas e sementes. 2.5 kg/ha S.P.V. 1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 5 a 9% de PB e 45 a 50% de DIVMS. 12 - CONSORCIAÇÃO - centrosema, calopogônio, amendoim forrageiro. 13 - CULTIVARES - lLANERO CIAT, IAPAR 56.

Brachiaria ruzizieneis

1 - NOME COMUM - Ruziziensis, capim congo 2 - ORIGEM - Congo 3 - EXIGÊNCIAS - Pouco exigente em fertilidade do solo 4 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - Esta brachiaria é muito semelhante a decumbens; atinge até 1.0-1.5 m, é perene, estolonifera e apresenta grande perfilhamento. As plantas são verde-amareladas. 5 - RESISTÊNCIA - baixa resistência a geadas e secas. Suporta bem pastejo. Tem menor rendimento por área que a decumbens. É sensível ao ataque da cigarrinha. 6 - MULTIPLICAÇÃO - pode ser feito por mudas e por sementes. Por sementes deve-se observar o período de dormência, que ocorre após colheita que é de 12 meses ( em condições ambientais). Floresce uma vez por ano (abril). 7 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 6.% de PB na MS.

8 - RENDIMENTO - até 12 t/ha/ano de massa seca. e 10 a 20% menos produtiva do que a brachiaria decumbens.

Brachiaria Brizantha

1 - NOME COMUM - capim brizantão, branquirão 2 - ORIGEM - África 3 - EXIGÊNCIAS - Média exigência em fertilidade do solo. 4 - UTILIZAÇÃO - Pastejo e Fenação 5 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - é mais ereta que a decunbens e pode atingir 1.0 a 1.2 m (touceiras), é menos vigorosa para gramar que as anteriores, pois não é estolonifera, sendo Rizomatosa e perene. 6 - MANEJO - Entrada dos animais com 50-60 cm de altura e saída dos animais com 25-30 cm. Período de descanso de 35 dias. 7 - CAPACIDADE DE SUPORTE - Estação das águas - 1.8 UA/ha. Estação da seca - 0.9 UA/ha. 8 - RENDIMENTO - 16 a 18 t MS/ha/ano 9 - RESISTÊNCIA - Boa a seca, corte, cigarrinha 10 - MULTIPLICAÇÃO - sementes, 3 kg/ha S.P.V. 1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 9 a 10% de PB e 50 a 60% de DIVMS 12 - CONSORCIAÇÃO - calopogônio, amendoim forrageiro e estilosantes mineirão. 13 - CULTIVARES - Marandu.

Panicum maximum, cv. TOBIATÃ

CICLO VEGETATIVO - Perene, semi-ereto ALTURA - 2.5 m UTILIZAÇÃO- Pastoreio direto DIGESTIBILIDADE - Boa CAPACIDADE SUPORTE/LOTAÇÃO - 2.0 UA/ha nas águas e 1,2 UA/ha na seca. PRODUÇÃO DE MASSA SECA - 28 t/ha/ano. ACEITAÇÃO POR EQUINOS - média RESISTÊNCIA A SECA - Boa PROTEÍNA BRUTA NA MS - 10% RESISTÊNCIA A CIGARRINHA - Boa

RECOMENDAÇÕES: Tipo de Solo - Fertilidade média a alta

QUANTIDADE DE SEMENTES: Para plantio - 2 kg de SPV/ha.

Panicum maximum, cv. IAC - CENTAURO

CICLO VEGETATIVO - perene, cespitoso, precoce ALTURA - 1.0 m UTILIZAÇÃO - Pastoreio direto, Fenação DIGESTIBILIDADE - Excelente CAPACIDADE SUPORTE/LOTAÇÃO - 1.2 cabeças/ha/ano PRODUÇÃO DE MASSA SECA - 20 t/ha/ano ACEITAÇÃO POR EQUINOS - Excelente RESISTÊNCIA A SECA - Boa

PROTEÍNA NA MS - 15% RESISTÊNCIA A CIGARRINHA - Boa

RECOMENDAÇÕES: Tipos de solo - Fertilidade média a alta

QUANTIDADE DE SEMENTES: 2 kg/ha de SPV.

Panicum maximum, cv. IAC - CENTENÁRIO

CICLO VEGETATIVO - perene, cespitoso ALTURA - 2.20 m UTILIZAÇÃO - Pastoreio direto, Fenação DIGESTIBILIDADE - Excelente CAPACIDADE SUPORTE/LOTAÇÃO - 1.2 cabeças/ha/ano PRODUÇÃO DE MASSA SECA - 15 t/ha/ano ACEITAÇÃO POR EQUINOS - Boa RESISTÊNCIA A SECA - Boa PROTEÍNA NA MS - 9 A 10% RESISTÊNCIA A CIGARRINHA - Boa

RECOMENDAÇÕES: Tipo de solo - Fertilidade média, tolerante ao Al

QUANTIDADE DE SEMENTES: 2 kg/ha de SPV.

Panicum maximum, cv. TANZÂNIA - 1

CICLO VEGETATIVO - Perene, cespitoso ALTURA - 1.30 m UTILIZAÇÃO - Pastoreio direto, Fenação DIGESTIBILIDADE - Excelente CAPACIDADE SUPORTE/LOTAÇÃO - 2,0 cabeças/ha/ano PRODUÇÃO DE MASSA SECA FOLIAR - 26 ton/ha/ano ACEITAÇÃO POR EQUINOS - Boa RESISTÊNCIA A SECA - Boa PROTEÍNA NA MS - 13% RESISTÊNCIA A CIGARRINHA - Boa

RECOMENDAÇÕES: Tipos de Solo - Fertilidade média a alta, cerrado.

QUANTIDADE DE SEMENTES: 1,6 kg/ha de SPV. DESEMPENHO ANIMAL: Em trabalho conduzido pelo CNPGC durante três anos de pastejo, a cv. Tanzânia foi superior às cvs. Tobiatã e Colonião, tanto em ganho por animal quanto em ganho por área. O ganho diário por cabeça foi, em média, 720 g nas águas e 240 g na seca. Para as taxas de lotação 2,3 (novilhos de 250 kg de peso vivo) no Tanzânia, 2,5 no Tobiatã e 2,1 no Colonião, as médias anuais de ganhos em peso foram, respectivamente, 520, 450 e 420 g/cab/dia. Os ganhos/ha/ano foram de 446 kg (Tanzânia), 414 kg (Tobiatã) e 324 kg (Colonião, em solo LVE-distrófico, fase cerradão e textura argilosa, com uma adubação mínima de estabelecimento. Em área corrigida e adubada, esta nova cultivar tem mostrado boa aceitabilidade pelos bezerros, com ganhos de peso superiores aos obtidos na braquiária brizantha cv Marandu. PRODUÇÃO E QUALIDADE: O Tanzânia produziu 60% mais que o Colonião e 15% menos que o Tobiatã em parcelas sob cortes manuais. Na seca, produziu 10,5% do total anual, apresentou 80% de folhas durante o ano, e produziu 26 t/ha/ano de matéria seca foliar, resultados esses semelhantes ao Tobiatã mas muito superiores ao Colonião. Os teores de proteína bruta nas folhas e colmos foram 16,2 e 9,8% respectivamente, semelhantes so Colonião e Tobiatã e sem grandes variações ao longo do ano. As touceiras da cultivar Tanzânia são pastejadas por igual, devido ao porte médio e pequena lenhosidade dos colmos, o que não ocorre com o Colonião ou Tobiatã, que apresentam rejeição de consumo após o florescimento.

Panicum maximum, cv. VENCEDOR

CICLO VEGETATIVO - Perene, cespitoso ALTURA - 1.60m UTILIZAÇÃO - Pastoreio direto, Fenação DIGESTIBILIDADE - Excelente PRODUÇÃO DE MASSA SECA - 24 t/ha/ano CAPACIDADE SUPORTE/LOTAÇÃO - 1.8 cabeças/ha/ano ACEITAÇÃO POR EQUINOS - Excelente RESISTÊNCIA NA SECA - Boa PROTEÍNA NA MS - 1 a 14% RESISTÊNCIA A CIGARRINHA - Boa

RECOMENDAÇÕES: Tipos de solo - Fertilidade média, tolera alumínio tóxico em solos de cerrado.

QUANTIDADE DE SEMENTES: 2 kg/ha de SPV. MANEJO E UTILIZAÇÃO: Em função do desenvolvimento inicial, o primeiro pastejo do capim Vencedor poderá ser realizado 90 a 100 dias após o plantio. Em pastagem consorciada, o manejo de formação deverá ser com pastejo leve, em torno de 100 dias após plantio. É resistente ao pastejo, suportando lotações médias de 2,5 unidades animal/hectare (UA/ha) e 1,5 UA/ha na seca. O ganho de peso diário por cabeça nas águas é de 700 g e de 300 g na seca. Recomenda-se retirar os animais da pastagem quando a mesma atingir 20 cm de altura. O capim Vencedor não seca totalmente durante a estação seca, e não se recomenda deixá-lo atingir altura superior a 1 metro no início desta estação.

Panicum maximum, cv. MOMBAÇA

CICLO VEGETATIVO - Perene, cespitoso ALTURA - 1.65 m UTILIZAÇÃO - Pastoreio direto DIGESTIBILIDADE - Boa CAPACIDADE SUPORTE/LOTAÇÃO - 2,3 UA/ha/ano PRODUÇÃO DE MASSA SECA FOLIAR - 3 ton/ha/ano RESISTÊNCIA A SECA - Boa PROTEÍNA NA MS - 13% RESISTÊNCIA A CIGARRINHA - Boa

RECOMENDAÇÕES: Tipos de Solo - Fertilidade média a alta, cerrado QUANTIDADE DE SEMENTES: 2 kg/ha de SPV. AVALIAÇÃO SOB PASTEJO: Em experimento conduzido no CNPGC durante três anos sob um sistema flexível, as cultivares Mombaça e Tobiatã permitiram ambas, 14 dias de pastejo e 60 dias de descanso, durante o período seco. Durante as águas, no entanto, a cv. Tobiatã possibilitou 12 dias de pastejo e 37 dias de descanso, enquanto a cv. Mombaça, 14 dias de pastejo e 35 dias de descanso. Estes resultados propiciaram estimativas da capacidade de suporte destas cultivares, que foram: Tobiatã 2 UA/ha e Mombaça 2,3 UA/ha. Esta diferença deve-se à maior porcentagem de folhas apresentadas pela cv. Mombaça, que foi, em média, durante o ano, 47%, e para a cv. Tobiatã, 38%. No IAPAR, Etação Experimental de Paranavaí, PR, as cultivares Mombaça, Tanzânia e Tobia’tã apresentaram, respectivamente, taxas anuais de lotação (médias de três anos) de 2.39, 2.14 e 2.20 UA/ha, com ganhos em peso de 736, 554 e 558 kg de peso vivo/ha/ano, respectivamente (IAPAR, 1996).

Pennisetum purpureum

1 - NOME COMUM - capim-elefante, capim-cana. 2 - ORIGEM - África (Rodésia). 3 - EXIGÊNCIAS - Bastante exigente em fertilidade e não adapta-se em solos úmidos. 4 - UTILIZAÇÃO - Pode ser empregado para pastejo, forragem p/ corte e ensilagem. Apresenta boa aceitabilidade. Para ensilar este material é conveniente que se adicione juntamente em material rico em carboidratos como cana-de-açúcar,melaço, sorgo, milho, etc. Esta adição é necessário em função do baixo teor de carboidratos que apresenta o capim elefante. 5 - PORTE E HÁBITO DE CRESCIMENTO - Esta gramínea cespitosa, perene, pode atingir até 6 m de altura, sendo muito comum 3 - 4 m; porém a maioria de suas variedades deve ser cortada com 1.3 a 1.8 m(60 dias), ocasião em que são mais tenras. 6 - MANEJO - Para o pastejo controlado recomenda-se a entrada dos animais com 1.50 m e saída com 40-50 cm, o que pode ser conseguido com períodos de ocupação de 1-3 dias e descando de 35-45 dias. Para bovinos de leite utilizar 70 m2/vaca/dia. O manejo alto impede o desenvolvimento de invasoras e favorece a rebrota. 7 - CAPACIDADE DE SUPORTE - 5 a 6 UA/ha no período da águas e 1.5 UA/ha na seca. 8 - RENDIMENTO - é comum conseguir 20-25 t/ha em 1 corte, o que deve ser feito a mais ou menos 20 cm do solo, quando a forrageira apresenta 1.30-1.50m de altura. O rendimento anual pode ultrapassar a 180 t/ha/ano em 5 cortes. Para fins de planejamento, toma-se por base a produção de 20 t/ha/corte. O que seria suficiente para manter 10 vacas, ministrando-se 20 kg/vaca/dia. 9 - RESISTÊNCIA - é uma gramínea bastante rústica, suportando bem o pisoteio, com relativa resistência ao frio, fogo e queima com geadas. É sensível ao ataque de cigarrinha. 10 - MULTIPLICAÇÃO - em função de baixa produção de sementes viáveis, a multiplicação por frações de colmo ou colmos inteiros é mais empregada. Se o colmo for segmentado, cada parte deve conter de 3 a 5 gemas (olhos). As mudas devem ser retiradas de culturas com mais de 100 dias, plantadas em sulcos de 15 a 20 cm de profundidade, espaçados de 0.5 a 1.0m, com pouca cobertura de terra. O gasto de mudas está em torno de 2 a 4 t/ha, sendo empregada a proporção de 1.10, ou seja, 1 ha de cultura fornece muda para 10 ha. As mudas, uma vez colhidas, se forem mantidas à sombra, suportam até 20 dias de transporte. 1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA - 13-15% de PB e 65-70% DIVMS 12 - CULTIVARES - Mineiro, cameroon, Porto Rico, Vrukwonea, Napier, Taiwan A-148, Roxo.

Digitaria decumbens

(Parte 1 de 7)

Comentários