Gerenciamento na Construção Civil

Gerenciamento na Construção Civil

(Parte 1 de 7)

Escola Politécnica da USP

Departamento de Engenharia de Construção Civil

BT - 27/90

Gerenciamento na Construção Civil

Uma Abordagem Sistêmica Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr.

EDITOR RESPONSÁVEL Prof. Sílvio Burrattino Melhado

Prof. Dr. Eduardo Ioshimoto Prof. Dr. Fernando E. Sabbatini Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr. Prof. Dr. Orestes M. Gonçalves Prof. Dr. Alex Kenya Abiko Prof. Dr. Paulo R. L. Helene

Escola Politécnica da USP

Departamento de Engenharia de Construção Civil

BT – 27/90

Gerenciamento na Construção Civil

Uma Abordagem Sistêmica Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr.

Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr (*) junho 1990

Este texto foi exposto em 1988 no 1º Simpósio Nacional de Gerenciamento na Construção Civil, patrocinado pela Escola Politécnica da USP e, agora, republico com algumas atualizações para que seja complemento do trabalho "SISTEMAS DE INFORMAÇÃO PAPA O PLANEJAMENTO DA CONSTRUÇÃO CIVIL - GÊNESE E INFORMATIZAÇÃO", na medida que tratam de temas complementares.

A preocupação em percorrer a problemática do Gerenciamento na Construção Civil com um tratamento sistêmico somente ao nível da sua hierarquia mais alta resulta da constatação de que a evolução do conhecimento na área tem sofrido descontinuidade. O trabalho nas áreas de ensino e o desenvolvido no campo, estão baseados em propósitos divergentes, não havendo sinergia entre as ações dos professores e pesquisadores e os profissionais envolvidos na prestação de serviços. Muitas das pesquisas desenvolvidas academicamente estão voltadas papa a busca de encontrar parâmetros teóricos para o comportamento dos sistemas de produção do setor para, daí, encontrar suas "verdades". No sentido oposto está o desenvolvimento no âmbito das empresas onde se vê florescer, também, um grade número de verdades, com o objetivo de se criar núcleos fechados de um pseudo conhecimento na área do gerenciamento no setor para, através da linguagem só disponível papa os "iniciados", transformar a experiência vivida em teoria e em honorários fartos.

Isto origina a minha preocupação constante com a síntese, para desmistificar, porque os processos gerenciais, nem são capazes de fazer os profissionais descobrirem verdades que não estão disponíveis para todos nem são do conhecimento restrito de empresas.

A base vital para o tratamento dos problemas de gerenciamento é o entendimento da sua simplicidade. Isto é o que está neste texto.

(*) Doutor em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP a professor RESPONSÁVEL pela área de Gerenciamento na CONSTRUÇÃO Civil da mesma EPUSP.

Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr maio 19881

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1. INTRODUÇÃO

O gerenciamento vem experimentando um percurso errático que, devido a essa natureza, provoca certamente a perda de eficiência na sua evolução.

Sedimentadas as áreas de ensino e pesquisa, com destaque pare a Escola Politécnica da USP e o NORIE da UFRGS, encontram-se as escolas ainda envolvidas numa atitude que reflete uma certa ingenuidade acadêmica nas suas linhas de trabalho, desvinculadas, muitas vezes, dos aspectos mais abrangentes do gerenciamento, preocupando-se em desvendar os "mistérios" da produção no setor.

As empresas que, com grande desenvoltura, vem expandindo seu campo de prestação de serviços no setor e os profissionais da área, vem "aprendendo" as técnicas de gerenciamento a partir das

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Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr suas necessidades na ação profissional e, com criatividade, vem expandindo sua atuação, sem procurar, todavia, a necessária consolidação conceitual.

A ansiedade na busca dos serviços, associada à facilidade, num campo novo de, a partir da criação de um vocabulário hermético, só acessível aos iniciados, "criar", a partir da crônica da história vivida, a confortável generalização, que engrandece os currículos profissionais, são agentes indutores desse processo errático, já citado.

O que se encontra hoje na área do gerenciamento é, por excelência, uma discussão de aspectos particulares, de caráter francamente analítico, que, a partir da aplicação em casos objeto, transformam-se em trabalhos técnicos, com a tentativa de consolidar o geral a partir do particular.

Ou, então, se vê o aspecto inverso, quando, não escolas, os trabalhos pretendem entender as formas de organizar o processo produtivo, induzindo conceitos matemáticos no comportamento dos indivíduos ou da sociedade, na tentativa de regrar o comportamento da natureza e outras fantasias.

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Porém, é natural que seja assim - afinal, trata-se do início de um processo. Todavia, a crítica aguda também é necessária, pois não cabe que sejam criados falsos valores para que se venda mais serviço desnecessário, como, também, não cabe que se pretenda fazer gerenciamento tentando desvendar a essência do processo produtivo, como se ai estivesse o centro do problema e como se fosse, em algum instante da evolução, possível fazê-lo.

O setor da Construção Civil deve limitar-se à sua realidade estrutural e, a partir do consciente entendimento doe agentes limitadores do processo, partir em busca de mecanismos que suportem uma melhoria no comportamento global.

A continuar na análise de casos isolados, generalizando suas particularidades, o que se encontra é a possibilidade de vender "sistemas gerenciais", o que representa uma falsa-evolução do setor - quando muito, representará evolução para algumas empresas prestadoras de serviço no setor.

As linhas de trabalho nas escolas, mais perto das necessidades e preocupações reais do setor, podem potencializar o seu

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Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr crescimento, sempre que professores e pesquisadores tenham como, fundamento o conhecimento da estrutura setorial e dos seus limites e não se percam em trabalhar com a utopia.

Preocupa-me, neste momento, a síntese - a visão sistêmica do gerenciamento.

O melhor conhecimento da hierarquia dos sistemas gerenciais e a própria descrição dos sistemas pode induzir uma transição do tratamento analítico errático para em trabalho mais sistemático, capaz de suportar a evolução esperada.

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2.0PROBLEMA DA INFORMAÇÃO

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Confunde-se, com muita freqüência gerenciamento com "prestação de serviços de gerenciamento". Natural que essa confusão favoreça determinados segmentos e seja responsável por estimular uma pseudo cultura no setor.

A preocupação com a síntese tem muito o sentido de colocar o tema dentro da sua maior abrangência chegando à caracterização doe sistemas envolvidos no processo do gerenciamento, para entender o sistema de hierarquia superior.

O processo de tomada de decisões na empresa dá suporte ao processo de produção. As decisões não são tomadas por qualquer sistema, mas pelos indivíduos que cumprem funções dentro do sistema organizacional. Não se deve pretender um sistema que, autonomamente, seja capaz de decidir.

Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr maio 19886

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De outro lado, a decisão não pode ser motivada por anseios ou desejos, mas a partir de escolha, dentro de um espectro de alternativas, cada uma, contida num determinado patamar de riscos.

A indicação destas alternativas, com o balizamento dos riscos, para dar suporte as decisões, está no sistema de informações, que faz a base estrutural para o processamento da decisão.

Assim, o funcionamento da organização pode ser associado ao seu sistema de decisões, sobre o qual se sobrepõe o sistema de informações.

Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr maio 19887

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