manual de vacinas

manual de vacinas

(Parte 3 de 8)

• 1977 – O Brasil define as vacinas obrigatórias para os menores de um ano de idade: contra tuberculose, poliomielite, sarampo, difteria, tétano e coqueluche (Portaria Ministerial nº 452, de 06/12);

• 1979 – Publicação do 1º Manual Técnico de Rede de Frio: ”O refrigerador na conservação de vacinas”, Fundação Serviços de Saúde Pública (FSESP);

• 1980 – Extinta a obrigatoriedade da vacinação contra varíola (Portaria nº. 5, de 29/01/1980); início dos Dias Nacionais de Vacinação contra a Poliomielite em duas etapas anuais;

• 1981 – Ocorre o 1º Encontro de Gerentes do PAI/OPAS e o 1º Curso sobre

Rede de Frio das Américas, no Equador; inicia-se a adoção de estratégias de campanha de vacinação contra o sarampo;

• 1982 – Altera o esquema de vacinação contra o sarampo (9 meses);

• 1984 – Realizado o 1º Curso Nacional de Procedimentos e Manutenção de Rede de Frio;

• 1985 – A vacina BCG passa a ser responsabilidade do PNI;

• 1986 - Criação da marca-símbolo da Campanha contra a Poliomielite – o Zé

Gotinha; publicada a 1ª Edição do Manual de Procedimentos em Sala de Vacina;

• 1988 – Publicação do Manual de Noções Básicas de Refrigeração e Procedimentos para Conservação de Imunobiológicos;

• 1989 - Implantação da vacinação contra hepatite B na Amazônia Legal;

• 1990 – Adotada a estratégia de multivacinação nos Dias Nacionais de Vacinação contra a Poliomielite;

• 1991 – Criado o Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI), Portaria

MS nº 389, de 06/05; a vacina contra Febre Amarela é introduzida no calendário dos Estados da região endêmica;

• 1992 – Implantação da Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos

Pós–Vacinais (EAPV); realização da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, para a população de 9 meses a 14 anos de idade (vacinação indiscriminada) e introdução da 2ª. Dose da vacina contra o sarampo aos 15 meses de idade; a vacina contra hepatite B produzida por engenharia genética passa ser adquirida no País, implantada nos estados do Paraná, Espírito Santo e Santa Catarina e Distrito Federal, para menores de 5 anos de idade e na Amazônia Legal;

• 1993 – Inícios da implantação dos Centros de Referências para

Imunobiológicos Especiais (CRIE). O PNI adquire e implanta a vacina Tríplice Viral, no Distrito Federal, para a população de 12 meses de idade;

• 1994 – Ampliação da oferta da vacina contra hepatite B aos profissionais de saúde, militares e estudantes da área de saúde; o PNI assume a responsabilidade da vacinação contra a Febre Amarela;

• 1995 – Início da reestruturação da Rede de Frio do País; introduzida a vacina Tríplice Viral no calendário de alguns Estados; realização da Vacinação de Seguimento contra o sarampo para crianças de 1 a 3 anos de idade;

• 1997 – Realizada Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo, para crianças de 6 meses a 4 anos de idade devido ao ressurgimento da doença no País; promovidos cursos de capacitação em Vigilância de EAPV;

• 1998 – Ampliação da oferta da vacina contra hepatite B para toda a população menor de 1 ano de idade; dos produtos adquiridos pelo PNI, 69% são de origem nacional;

• 1999 – Realizada a 1ª. Campanha de Vacinação contra Influenza para a população de 65 anos e mais; implantação gradativa da vacinação contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) para menores de 2 anos de idade; as vacinas contra raiva a humana, a raiva animal e o soro anti-rábico passam a ser adquiridas, armazenadas e distribuídas pelo PNI; substituição da vacina contra o tétano (T) pela vacina dupla adulto (dT) a partir de 7 anos de idade;

• 2000 – Garantida a auto-suficiência para as vacinas BCG, contra o sarampo, febre amarela, DTP, DT, dT, raiva humana, raiva animal e soros heterólogos; adotado calendário básico de vacinação para os povos indígenas; organização do 1º Curso de Instalações de Câmaras Frigoríficas para engenheiros de saúde pública da FUNASA e SES; ampliada a vacinação contra influenza para a população de 60 anos e mais; iniciada a vacinação contra sarampo e rubéola para mulheres em idade fértil; realizada a 3ª Campanha de Seguimento Contra o Sarampo para a população de 1 a 1 anos de idade;

• 2001 – Concluída no País a vacinação contra sarampo e rubéola para mulheres em idade fértil; ampliação da oferta da vacina contra hepatite B para menores de 20 anos de idade; início das capacitações técnicas em Rede de Frio por macrorregiões;

• 2002 – Introduzida a vacina combinada DTP+Hib (vacina tetra) para os menores de 1 ano de idade; substituição gradativa da vacina contra raiva humana Fuenzalida & Palácios pela vacina de cultivo celular; elaboração do Projeto “Sol Nascente” em parceria com a OPAS e o Ministério da Minas e Energia, para proporcionar o funcionamento de equipamentos em áreas de irregularidade no fornecimento de energia elétrica; realizado o 2º Curso sobre Câmaras Frigoríficas para engenheiros;

• 2003 – alteração do calendário de vacinação: exclusão da dose da vacina contra sarampo aos 9 meses e adoção da vacina tríplice viral aos 12 meses e uma 2ª Dose entre 4 a 6 anos; inclusão do 2º Reforço da vacina DTP entre 4 e 6 anos de idade; aquisição de veículos refrigerados para o transporte de imunobiológicos nas diversas instâncias; desenvolvimento do Projeto “Operação Gota”, apoio aéreo às ações de vacinação em áreas de difícil acesso (Amazônia Legal e Pantaneira);

• 2004 – Instituído no País, por Portaria Ministerial nº 597 de 08/04, os

Calendários Básicos de Vacinação para Crianças, Adolescentes, Adultos e Idosos; intensificação das ações de vacinação para populações de maior vulnerabilidade como: presidiários, profissionais do sexo, usuários de drogas, quilombolas entre outras.

• 2005 – Em parceria com outros ministérios é elaborada a 1ª versão do Plano Brasileiro de Preparação para uma Pandemia de Influenza.

• 2006 – É introduzida a vacina oral de rotavírus humano (VORH) no calendário básico de vacinação das crianças a partir de 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias de idade (14 a 24 semanas de vida), sendo o intervalo mínimo preconizado entre a primeira e segunda dose de 4 semanas, por meio da Portaria nº 1.602, de 17 de julho de 2006.

• 2006 – É instituído o Programa Nacional de Competitividade em Vacinas

(INOVACINA) pela Portaria nº 972, de 3 de maio de 2006, e tem por finalidade criar condições para alcançar a auto-suficiência nacional na produção das vacinas incluídas no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

1. REDE DE FRIO

A Rede de Frio ou Cadeia de Frio é o processo de recebimento, armazenamento, conservação, manipulação, distribuição e transporte dos imunobiológicos do Programa Nacional de Imunizações e devem ser mantidos em condições adequadas de refrigeração, desde o laboratório produtor até o momento de sua utilização.

O objetivo da Rede de Frio é assegurar que todos os imunobiológicos mantenham suas características iniciais, para conferir imunidade.

Imunobiológicos são produtos termolábeis, isto é, se deterioram depois de determinado tempo quando expostos a temperaturas inadequadas (inativação dos componentes imunogênicos). O manuseio inadequado, equipamentos com defeito ou falta de energia elétrica podem interromper o processo de refrigeração, comprometendo a potência e eficácia dos imunobiológicos.

São componentes da Rede de Frio: equipe qualificada e equipamentos adequados (Figura 1).

Figura 1. Fluxograma da Rede de Frio de Imunobiológicos 2

2. SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO

2.1. Conceito e história

O Sistema de refrigeração é composto por um conjunto de componentes unidos entre si, cuja finalidade é transferir calor de um espaço, ou corpo, para outro.

Esse espaço pode ser o interior de uma câmara frigorífica de um refrigerador, ou qualquer outro espaço fechado onde haja a necessidade de se manter uma temperatura mais baixa que a do ambiente que o cerca.

O primeiro povo a utilizar a refrigeração foi o chinês, muitos anos antes de Cristo.

Os chineses colhiam o gelo nos rios e lagos durante a estação fria e o conservavam em poços cobertos de palha durante as estações quentes.

Este primitivo sistema de refrigeração foi também utilizado de forma semelhante por outros povos da antiguidade. Servia basicamente para deixar as bebidas mais saborosas. Até pelo menos o fim do século XVII, esta seria a única aplicação do gelo para a humanidade.

Em 1683, Anton Van Leeuwenhoek, um comerciante de tecidos e cientista de Delft, nos Países Baixos, que muito contribuiu para o melhoramento do microscópio e para o progresso da biologia celular, detectou microorganismos em cristais de gelo e a partir dessa observação constatou-se que, em temperaturas abaixo de +10ºC, estes microorganismos não se multiplicavam, ou o faziam mais vagarosamente, ocorrendo o contrário acima dessa temperatura.

A observação de Leeuwenhoek continuou sendo alvo de pesquisa no meio científico e no século 18, descobertas científicas relacionaram o frio à inibição do processo dos alimentos. Além da neve e do gelo, os recursos eram a salmoura e o ato de curar os alimentos. Também havia as loucas de barro que mantinham a frescura dos alimentos e da água, fato este já observado pelos egípcios antes de Cristo. Mas as dificuldades para obtenção de gelo na natureza criava a necessidade do desenvolvimento de técnicas capazes de produzi-lo artificialmente.

Apenas em 1824, o físico e químico Michael Faraday descobriu a indução eletromagnética – o princípio da refrigeração. Esse princípio seria utilizado dez anos depois, nos Estados Unidos, para fabricar gelo artificialmente e, na Alemanha em 1855.

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