Aspectos Positivos e Negativos da Teoria da Depência

Aspectos Positivos e Negativos da Teoria da Depência

UNIVERSIDADE FEDERAL DECAMPINA GRANDE

DEPARTEMENDO DE ECONOMIA E FINANÇAS

CURSO: CIÊNCIAS ECONÔMICAS

DISCIPLINA: ECONOMIA B. CONTEPORANEA I

PORFESSORA: Dr(a). ALUNILDA JANUNCIO DE OLIVEIRA

ALUNO: WILLYAN D’ANGELLIS AIRES COSTA

ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA

TEORIA DE DEPENDÊNCIA

Introdução

O desenvolvimentismo foi à ideologia que mais diretamente influenciou a economia política brasileira e também, de um modo geral, todo o pensamento econômico latino-americano. Herdeiro direto da corrente Keynesiana que se opunha ao liberalismo neoclássico, esse ideário empolgou boa parte da intelectualidade latino-americana nos anos 40 e 50, e se constituiu na bandeira de luta de um conjunto heterogêneo de forças sociais favoráveis à industrialização e à consolidação do desenvolvimento capitalista nos países de ponta desse continente. Para transformar os países periféricos, em grande medida ainda agroexportadores, em nações desenvolvidas e com maior autonomia, dizia essa doutrina, era preciso incrementar a participação do Estado na economia por meio do planejamento global, de modo a facilitar o advento da industrialização nacional.

No campo teórico a CAPAL inaugurou uma interpretação original das relações entre os países capitalistas avançados e os da chamada periferia latino-americana. No campo da política econômica e do planejamento inspirou a atuação de vários governos periféricos, fornecendo, dessa maneira, os principais ingredientes da ideologia desenvolvimentista dos anos 50.

O Pensamento da CEPAL

Qualquer trabalho de investigação sobre a gênese da economia política latino-americana ou brasileira deve, forçosamente, passar pelo pensamento da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). Afinal, esta se constituiu no marco teórico decisivo para a gestação das principais teses sobre o desenvolvimento ou subdesenvolvimento periférico que animaram a discussão teórica latino-americana do após guerra.

A preocupação básica da CEPAL era a de explicar o atraso da América Latina em Relação aos chamados centros desenvolvidos e encontrar as formas de superá-lo. Nesse sentido, a analise enfocava, de um lado, as peculiaridades da estrutura sócio-econômica dos países da ‘’periferia’’, ressaltando os entraves ao ‘’desenvolvimento econômico’’, em contraste com o dinamismo das estruturas dos centros avançados, e de outro lado, centrava-se nas transações comerciais entre os parceiros ricos e pobres do sistema capitalista mundial que, ao invés de auxiliarem o desenvolvimento da periferia, agiam no sentido de acentuar as disparidades. Com isso a CEPAL questionava não apenas a divisão internacional do trabalho vigente no mundo capitalista, como também criticava o destino atribuído aos países subdesenvolvidos pela Teoria Clássica ou Neoclássica do Comércio Internacional que sustentava essa divisão.

Pra a CEPAL os países periféricos da América Latina estavam amarrados pela falta de dinamismo de suas estruturas produtivas, baseadas num punhado de produtos primários, com pouco desenvolvimento industrial e tecnológico, e teleguiadas pelos mercados consumidores dos centros. A falta de integração interna das economias periféricas, com intensa descontinuidade entre regiões mais avançadas e as regiões mais atrasadas, tolhia-lhes a possibilidade de capitalizar e difundir os efeitos propulsores das já modestas melhorias de produtividade, enquanto os centros desenvolvidos, formados por estruturas produtivas mais homogêneas e mais industrializadas, produzindo uma gama diversificada de produtos principalmente para o mercado interno, desfrutavam de todo seu avanço e difusão tecnológica. E fosso que separava os parceiros ricos e pobres tendia a se acentuar pois, na transações comerciais entre ambos, o centro tirava vantagem de sua supremacia sobre a periferia, impondo preços cada vez mais altos aos produtos industrializados que lhes exportava, enquanto importava produtos primários a bom marche. Isso significava que, na relação de intercâmbio entre produtos primários e industrializados, os preços se inclinavam sempre em favor destes últimos, provocando a famosa deterioração dos termos de intercâmbio da periferia. Nas palavras da CEPAL.

Em resumo, observa-se que o subdesenvolvimento depende, para a CEPAL, em primeiro lugar, da estrutura interna dos países periféricos, que se caracteriza pela produção agrícola primário-exportadora, com baixa integração entre os diversos setores produtivos e com desemprego estrutural (uma vez que o lento crescimento da produção agroexportadora não consegue absolver a rápida expansão demográfica) combinados com o baixo nível de organização e sindicalização da força de trabalho: e, em segundo ligar, o subdesenvolvimento depende das relações comerciais com o centro, porque se verifica uma queda constante do poder de compra de bens industriais por parte dos bens primários, ou seja, cada unidade de bem primário compra quantidade cada vez menor de produtos industriais, exportando-se, assim, para o centro já desenvolvido, a fonte primeira do desenvolvimento, qual seja, os aumentos de produtividade. Essa produção agroexportadora estaria assentada numa estrutura agrária fortemente monopolizada e nas mãos de grupos sociais privilegiados pela atual atuação, que impediria a melhor ocupação e aproveitamento da terra, exigindo, assim, uma reforma agrária para permitir saldos de produtividade na agricultura periférica.

Diante desse quadro, a CEPAL conclui que as economias ditas periféricas, se deixadas ao sabor das livres forças de mercado, nunca sairão do atoleiro de subdesenvolvimento, permanecendo essencialmente agrárias, voltadas para o mercado esterno, com baixo nível de integração e de expansão industrial, com altas margens de desemprego, com problemas crescentes de balanço de pagamentos (uma vez que o grosso da demanda de bens industriais precisa ser atendida com importações cada vez mais caras) e, finalmente, com a transferência para exterior dos incrementos de produtividade.

A Doutrina da CEPAL

A doutrina da CEPAL adquire uma coloração nacionalista, orientada para promover a acumulação capitalista em bases locais e com natural hostilidade em relação ao imperialismo comercial e financeiro, baseado na exportação agroexportadora. Porém, esse nacionalismo deve ser melhor caracterizado, para não dar margem aos equívocos usualmente cometidos pelos intérpretes do desenvolvimentismo. Trata-se de um nacionalismo que não hostiliza por completo o capital estrangeiro, mais que se limita a criticar o imperialismo especificamente ocupado nas atividades agroexportadoras.

O caráter nacionalista do desenvolvimento cepalino fica mais claro quando se examina o papel atribuído ao capital estrangeiro no processo de industrialização e desenvolvimento nacional. Para levar a cabo a industrialização que, diga-se de passagem, deveria trilhar o caminho da substituição das onerosas importações de produtos industriais, era preciso aumentar a massa de capital investido em cada país, o que esbarrava, segundo a CAPAL, na escassez de capital verificada em praticamente todas as economias latino-americanas. Diante da já aviltada capacidade de consumo da população periférica, tornava-se inviável promover um aumento de poupança comprimindo o consumo local.

Dentre as formas possíveis de participação do capital estrangeiro na economia latino-americana, a CEPAL recomenda sobretudo os empréstimos de governo a governo e a capacitação de recursos via colocação de bônus do tesouro brasileiro no mercado internacional, porque ambas incorriam em juros menores do que encargos financeiros das inversões diretas de capital privado estrangeiro.

Para não dizer que a CEPAL era totalmente liberal com o capital estrangeiro, deve-se enunciar as restrições que ela postulava, concernentes à participação de empresas estrangeiras em transporte ferroviário, energia e demais setores de serviços públicos ou de segurança nacional. E aqui está mais um indício de que a CEPAL investia apenas contra uma das manifestações específicas de imperialismo, qual seja, aquele voltado para as transações comerciais; aquele justamente interessado em financiar a infra-estrutura de transporte escoamento dos produtos primários de exportação.

As Desilusões da Política Cepalina

Conforme já foi salientado, a teoria cepalina arquitetou um plano de transformações econômicas para América Latina na base da intervenção estatal em prol da industrialização e da valorização das atividades voltadas para o mercado interno. Mas, será que a plena implementação das relações de produção capitalista conduziria, automaticamente, aos benéficos sociais postuladas pela CEPAL? Na prática, a resposta revelou-se negativa à medida que aumentavam a concentração de renda e as desigualdades sociais dessas populações ao longo do tempo, apesar da industrialização em curso, levando a CEPAL a repensar suas teses e a se preocupar mais diretamente com os problemas sociais e políticos.

Ao postular o desenvolvimento capitalista, a CEPAL pressupunha que essa forma de organização econômica traria benefícios sociais gerais, não apenas para a burguesia industrial, que era uma parcela reduzida da população, como também para as demais classes e grupos sociais (trabalhadores, classe média, etc.), que se constituíam no grosso da nação.

Para a CEPAL, se havia responsáveis pela miséria e pelo atraso das populações periféricas, deveriam ser localizados nos latifúndios feudais ou arcaicos, ou em quaisquer outras atividades pré-capitalistas associadas com o imperialismo comercial. O subdesenvolvimento nada mais é, portanto, do que a ausência de capitalismo e não o seu resultado. Persiste, no entanto, silêncio a respeito da luta de classes ou das possíveis contradições entre a burguesia industrial e o proletariado, as duas classes fundamentais do novo modo de produção que se prepõe consolidar.

A CEPAL já abriria brecha para a penetração do capital estrangeiro que estivesse interessado em formar o ‘’desenvolvimento nacional’’. Assim, ficou provado que o desenvolvimento capitalista nacional não era contraditório com a participação de capital e empresas estrangeiras (e os empresários e governantes brasileiros não tardariam a descobrir isso), até pelo contrário, uma vez que estes permitiam aumentar a ‘’poupança interna’’ o ritmo de acumulação. Desde que, é claro, se esteja preocupado apenas com as taxas de acumulação, sem se importar com o tipo de desenvolvimento, com as taxas de acumulação, sem se importar com o tipo de desenvolvimento, com a dependência financeira do exterior e, lãs but not least, com suas consequências sociais e políticas.

Blibiografia

Mantega.Guido.A economia Política Brasileira. Polis/Vozes,1984

FURTADO, Celso. Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico. São Paulo, Paz e Terra, 2000.

Goldenstein, Lídia. Repensando a Dependência. Paz e Terra,1994

Colistete, Renato Perin. O Desenvolvimentismo cepalino: problemas teóricos, estudos teóricos, 2001.

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