gestão do uso da água nas pequenas e médias indústrias do estado do maranhão

gestão do uso da água nas pequenas e médias indústrias do estado do maranhão

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RELATÓRIO SEMESTRAL Pesquisa de Iniciação Científica

Bolsista: Carlos Vandré Mota Silva Orientador: Rossane Cardoso Carvalho, Dra.

SÃO LUÍS, MA MAIO, 2009

Gestão do Uso da Água na Pequena e Média Indústria do Estado do Maranhão

Bolsista: Carlos Vandré Mota Silva Orientadora: Rossane Cardoso Carvalho, Dra.

Relatório de pesquisa apresentado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UEMA – PPG – para informação do andamento da pesquisa nos seus seis primeiros meses de realização.

SÃO LUÍS, MA MAIO, 2009

Gestão do Uso da Água na Pequena e Média Indústria do Estado do Maranhão

São Luís, 30 de abril de 2009.

_ Carlos Vandré Mota Silva (aluno-bolsista)

_ Rossane Cardoso Carvalho, Dra. (Orientadora)

INTRODUÇÃO5
1. USO DA ÁGUA NA INDÚSTRIA6
1.1 ABORDAGEM GERAL6
1.2 USOS DA ÁGUA NA ATUALIDADE10
1.3 USO DA ÁGUA NO SETOR INDUSTRIAL12
2. USO RACIONAL DA ÁGUA EM AMBIENTES INDUSTRIAIS13
2.1 REUSO DA ÁGUA13
2.2 REUSO DA ÁGUA NA INDÚSTRIA15
2.3 TIPOS DE TRATAMENTO DE ÁGUA PARA REÚSO17
2.4 CASOS DE EMPRESAS BRASILEIRAS18
2.4.1 AMBEV- FILIAL JAGUARIÚNA18
2.4.2 VOTORANTIM CELULOSE E PAPEL19
3. NORMAS, DIRETRIZES E LEIS SOBRE O REÚSO DA ÁGUA20

SUMÁRIO P 3.1 LEGISLAÇÃO SOBRE REÚSO DE ÁGUA NOS ESTADOS UNIDOS E

FRANÇA
3.2 LEGISLAÇÃO SOBRE REÚSO DE ÁGUA NO BRASIL21
3.3 LEGISLAÇÃO SOBRE REÚSO DE ÁGUA NO MARANHÃO2
4. STATUS DO CRONOGRAMA23
5. RESULTADOS PARCIAIS24
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS26

Dentre os diversos recursos naturais existentes, a água é um dos mais importantes para o homem. A vida no Planeta Terra se desenvolveu devido a presença de água. As células do corpo humano são compostas por água. Além de ser fundamental para o desenvolvimento de diversas funções orgânicas dos seres vivos, nos dias atuais, é muito importante para o desenvolvimento das atividades humanas. Sem a utilização da água na agricultura e nas indústrias, a humanidade não atingiria o atual estágio de desenvolvimento.

Durante muito tempo, a água não recebeu os cuidados que merece e, como conseqüência, tornou-se escassa. Muitas atitudes para conservação da água foram tomadas, no entanto, percebese que este recurso ainda é utilizado com negligência.

As indústrias são as grandes responsáveis pela produção de resíduos sólidos e efluentes líquidos, compostos por muitas substâncias tóxicas. A pressão da sociedade, juntamente com leis ambientais, fez algumas grandes indústrias implantarem programas de gestão de uso da água. Entretanto, são poucas as informações de como as pequenas e médias indústrias administram a água em suas instalações.

etapa do projeto, que será o estudo de caso de pequenas e médias indústrias maranhenses

Este relatório apresenta a pesquisa bibliográfica desenvolvida,a qual é utilizada como base teórica sobre a gestão do uso da água na indústria.. Este trabalho servirá de base para a próxima

O relatório está composto, além da própria pesquisa bibliográfica, de informações sobre o andamento das etapas posteriores da pesquisa, informações estas que deverão acompanhar o relatório final do trabalho.

1- USO DA ÁGUA NA INDÚSTRIA 1.1- ABORDAGEM GERAL

É de amplo conhecimento e divulgação a extrema importância que a água possui para o desenvolvimento e sobrevivência da humanidade. Este recurso natural é bastante utilizado nas atividades humanas, como a irrigação das plantações na agricultura. Na indústria, principalmente após a Revolução Industrial, a água tornou-se um dos insumos básicos em quase todos os processos de produção. A utilização da água, como um recurso que parecia não ter fim, acarretou sérios problemas. A poluição sistemática das bacias hídricas impede que este recurso seja utilizado novamente para consumo humano.

O planeta Terra possui 97,5% de água nos oceanos, sendo o restante o total de água doce no mundo. Como esquematizado na Figura 1, do restante, 68,9% estão localizados nas calotas polares e geleiras, outra parte (29,9%) estão localizados no subsolo e apenas 1,2% das águas estão disponível em rios, lagos e reservatórios (COSTA, 2007).

Figura 1 – Distribuição de Água Doce no Planeta Fonte: COSTA, 2007

No mundo, existem regiões e países os quais enfrentam situação de completa falta de água.

Outros não possuem este problema, possuindo em seu território boas reservas e uma boa distribuição. Considerando estas duas variáveis, população e disponibilidade hídrica, há situações onde o volume por habitante é alto, devido a uma grande disponibilidade de água com população pequena, e a situação contrária, com população elevada e baixa disponibilidade hídrica (Quadro 1).

Países com maior disponibilidade de água Quantidade (m³/habitante) 1º Guiana Francesa 812,121 2º Islândia 609,319 3º Suriname 292,566 4º Congo 275,679 5º Brasil 48,314

Países com menor disponibilidade de água Quantidade (m³/habitante) 1º Kuwait 10 2º Faixa de Gaza (território palestino) 52 3º Emirados Árabes Unidos 58

4º Ilhas Bahamas 6

Quadro 1- Comparação de disponibilidades hídricas por países Fonte: COSTA, 2007

O Brasil possui uma posição privilegiada quanto à reserva de água doce, possuindo em seu território 12% do total de água doce disponível no mundo. A Agência Nacional de Recursos Hídricos divide o Brasil em doze regiões hidrográficas, conforme a figura abaixo, sendo que seus limites não coincidem com os limites geopolíticos dos estados (BRAGA ET AL,2008).

Figura 2 – Regiões hidrográficas e os estados brasileiros Fonte: BRAGA ET AL,2008

O Quadro 2 que segue mostra as vazões médias por habitante nas doze regiões hidrográficas. Percebe-se que o Brasil pode ser considerado rico em disponibilidade hídrica por habitante em grandes regiões, com uma disponibilidade de 30 m³/hab/ano, distribuídas nas doze regiões hidrográficas. Percebe-se ainda que existe uma grande diferença entre disponibilidade per capita ao longo do território Brasileiro.

O estado do maranhão é cortado por três grandes regiões hidrográficas. A região hidrográfica do Tocantins Araguaia, que está localizado basicamente no oeste do estado, a região hidrográfica do Parnaíba, localizado ao leste do estado e finalmente, a região Atlântico Nordeste Ocidental, que corta o norte do estado. Este último é a região que cobre grande parte do território maranhense.

Região Hidrográfica

População (1000 de habitantes) Vazão Média

(m³/s) (m³/hab/ano)

Amazônica 7806 131947 533062 Tocantins Araguaia 7178 13624 59856

Atlântico Nordeste Ocidental 5302 2683 15958

Parnaíba 3729 763 6453

Atlântico Nordeste Oriental 21465 779 14

São Francisco 12796 2850 7024 Atlântico Leste 13996 1492 3362 Atlântico Sudeste 25245 3179 3971 Atlântico Sul 11634 4174 11314 Uruguai 3834 4121 33897 Paraná 54670 11453 6607 Paraguai 1887 2368 39575

Brasil 169542 179433 33376

Quadro 2 – Vazão Média de água por habitante no Brasil Fonte: ANA, 2007 e BRAGA ET AL,2008

Apesar de o Brasil possuir a maior reserva de água doce no mundo, não significa dizer que está isento de problemas referentes à escassez de água. A natural má distribuição regional deste recurso causa situações de escassez em algumas regiões do país. Contribui ainda para esta situação, a má distribuição da densidade populacional dominante, que cresce exageradamente e concentra-se em áreas de pouca disponibilidade (COSTA, 2007).

Outro problema que culmina em escassez é a falta de tratamento de esgoto, tanto doméstico como industrial. O ideal seria que todo o volume de esgoto coletado passasse por tratamento para voltar as suas origens com propriedades semelhantes às águas das fontes. Isso não ocorre, e como conseqüência do despejo deste esgoto sem tratamento nos corpos d’água, ocorre a poluição das fontes hídricas.

Não podemos deixar de citar os desmatamentos das matas ciliares, construção de hidrelétricas as quais alteram percursos originais dos rios (CETESB-SP), além da falta de consciência da população, que muitas vezes não possui idéia da água que desperdiça diariamente. Sem poder utilizar a água poluída, realizam-se cada vez mais obras para ter acesso a fontes de captação a longas distâncias.

A escassez é, então, resultado do consumo cada vez maior, do mau uso dos recursos naturais, do desperdício, da falta de políticas públicas as quais estimulem o uso sustentável, a participação da sociedade e a educação ambiental (MARON JÚNIOR, 2006).

A lei nº 9433, de 8 de janeiro de 1997, reconhece que a água é um bem finito e vulnerável.

Todos sabem da importância da água para a vida e mantê-la conservada é um grande desafio moderno para a sociedade.

O principal caminho para a conservação da água é a sua utilização de maneira regular, reduzir a sua captação e aumentar o seu reúso. No meio doméstico, por exemplo, os órgãos públicos deveriam realizar maiores investimentos para o tratamento de esgoto. Com isso, água poderia ser devolvida ao meio ambiente em boas condições, além de poder ser utilizada novamente. A população também deveria mudar seus maus hábitos, como deixar torneiras abertas ou lavar sem necessidade as calçadas, entre outros.

Nas indústrias, o estímulo para a conservação da água é maior, até por que a minimização do uso da água pode trazer economia, aumentar a sua produtividade, além da boa imagem da empresa. As possibilidades de reúso da água dentro de uma indústria são grandes. Reutilizar um efluente que não está completamente contaminado, em outro setor, ou implantar sistemas de circulação de água de resfriamento com reuso da mesma água, são alguns exemplos factíveis e reais.

1.2- USOS DA ÁGUA NA ATUALIDADE

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