Cultivo do Maracujá

Cultivo do Maracujá

Cultura do Maracujazeiro

O maracujá é uma trepadeira originária da América Tropical, que pode atingir de 5 a 10 m de comprimento, e que, portanto, exige sistemas de condução, que são suportes que se assemelham a "cercas" ou caramanchão.O maracujazeiro pertence a ordem Passiflorales, família Passifloraceae, gênero Passiflora. Dentro desse gênero existem cerca de 300 a 580 espécies, No Brasil já foram encontradas aproximadamente 150 espécies, a maioria para fins ornamentais e cerca de 60 produzindo frutos comestíveis.

Essa planta, considerada extraordinária pela conformação de suas rubras flores, foi mandada de presente ao Papa Paulo V (1605-1621), que mandou cultivá-la com grande carinho em Roma e divulgar que ela representava uma revelação divina. Devido à beleza e à característica física de suas flores, a planta foi relacionada com a "Paixão de Cristo", devido à sua forma: coroa de espinhos, cinco chagas, três pregos com que Jesus Cristo foi crucificado. Desse detalhe surgiu o nome do seu gênero botânico, sendo "passio" o equivalente a paixão e "flos oris" o equivalente a flor.

Cultivada também pela sua flor ornamental, a Passiflora edulis é cultivada com fins comerciais, O maracujá de uso comercial é redondo ou ovóide, amarelo ou púrpura-escuro quando está maduro, e tem uma grande quantidade de sementes no seu interior. Devido as suas propriedades terapêuticas, tem valor medicinal: as folhas e o suco contêm passiflorina, um sedativo natural e o chá preparado com as folhas têm efeito diurético.O fruto é utilizado na alimentação humana, na forma de sucos, doces, geléias, sorvetes e licores. E é rico em vitamina C, cálcio e fósforo.

As espécies mais cultivadas no Brasil e no mundo são o maracujá-amarelo

(Passiflora edulis f. flavicarpa), maracujá-roxo (Passiflora edulis) e o maracujá-doce (Passiflora alata). O maracujá-amarelo é o mais cultivado no mundo, responsável por mais de 95% da produção do Brasil e utilizado principalmente no preparo de sucos. O maracujádoce é destinado para o mercado de fruta fresca, devido a sua baixa acidez.

O Brasil é o maior produtor mundial com produção de 330 mil toneladas e área de aproximadamente 3 mil hectares. A Bahia é o principal produtor, com cerca de 7 mil toneladas, em 7,8 mil hectares, seguido por São Paulo com cerca de 58 mil toneladas em 3,7 mil hectares; Sergipe, com 3 mil toneladas, em 3,9 mil hectares e Minas Gerais, com 25 mil toneladas, em 2,8 mil hectares (IBGE, 2002).

Nome científico: Passiflora edulis Sims Família: Passifloraceae Nomes populares: Maracujá, maracujá-mirim, maracujá suspiro, maracujá-peroba, maracujá-pequeno, flor-da-paixão Nome em inglês: Passion fruit Origem: Provavelmente Brasil

Maracujá-amarelo ou maracujá-azedo (Passiflora edulis Sims f. flavicarpa Deg)

Esta é a espécie mais cultivada e comercializada no Brasil, tanto para a indústria quanto para consumo in natura, por ser mais vigorosa, mais adaptada aos dias quentes, apresentar frutos de maior tamanho, com peso entre 43 e 250g, maior produção por hectare, maior acidez total e maior rendimento de suco. A produtividade média é em torno de 12 a 15 t/ ha, havendo potencial para produção de 30 a 35 t/ha. Seu cultivo é indicado para regiões tropicais e subtropicais. é a variedade que possui maior importância econômica, pois sua polpa, de coloração amarelo - alaranjado, proporciona bom rendimento de suco, que é de boa aceitação no mercado. É um fruto rico em minerais e vitaminas, principalmente A e C. Possui ainda princípios ativos nas folhas que são usados como sedativo e antiespasmódico. Maracujá-roxo (Passiflora edulis Sims)

É assim chamado, pois a casca dos frutos é verde antes da maturação, tornando-se púrpura à medida que este processo ocorre. É o mais indicado para locais de maior altitude e climas mais frios. Seus frutos apresentam peso entre 50 e 130g, maior porcentagem de açúcares e maior teor de sólidos solúveis (brix) quando comparado com o maracujáamarelo. Apresenta rendimento e qualidade de suco semelhante ao do maracujá-amarelo, com diferenças relativas ao teor de vitamina C que é maior, à acidez cítrica que é menor, o que representa suco mais doce. Tem potencial de produção de até 30-40 t/ha, e pode ser destinadas para indústria, consumo in natura e exportação. É muito apreciado na Austrália e África do Sul. Maracujá doce (Passiflora alata AIT)

Tem a sua produção e comercialização limitada pela falta de hábito de consumo.

Seu caule é quadrangular, os frutos são ovais ou periformes, de casca alaranjada, que lembra o mamão papaia, e pesam de 80 a 190 g. É o menos rico em suco, que é adocicado e de aroma agradável. É quase exclusivamente consumida como fruta fresca. Pode ser destinado para exportação, pois os frutos por suas características agradam os consumidores, principalmente aos europeus, mercado ainda pouco conquistado. OUTRAS ESPÉCIES Embora o gênero agrupe muitas espécies, poucas são de importância, que é dada pela qualidade dos seus frutos, pelo aspecto ornamental ou pelas suas qualidades farmacológicas. Assim, temos as espécies P. edulis Sims. (maracujá roxo); P. edulis Sims. f. flavicarpa Deg. (maracujá amarelo); P. alata Dryander (maracujá doce); P. macrocarpa (maracujá melão); P. quadrangularis L. (maracujá açú); P. ligularis Juss (maracujá urucu); P. laurifolia L. (maracujá laranja); P. maliformis L. (maracujá maçã); P. caerulea L. (maracujá azul), como produtores de frutos comestíveis.

Com propriedades medicinais citam-se a P. foetida L. (maracujá de cheiro) cuja raízes são anti-espasmódicas e P. quandrangularis L. (maracujá açú) que possui raízes com efeitos anti-helmínticos. As sementes de algumas espécies, tais como, a P. laurifolia L. (maracujá laranja), P. alata Dryander (maracujá doce), P. edulis Sims. (maracujá roxo), P. quadrangularis L. (maracujá açú), P. mucronata Lam. (maracujá pintado) e P. incarnata L. quando trituradas também apresentam propriedades anti-helmínticas. Com propriedades sedativas, citam-se a P. caerulea L. (maracujá azul) e a P. incarnata L.

Clima O maracujazeiro prefere regiões tropicais e subtropicais, com temperatura média mensal de 20 a 32ºC. Não deve ocorrer um longo período de temperaturas médias abaixo de 16ºC. O maracujazeiro não tolera geadas e ventos frios. Para florescimento e frutificação, há necessidade de calor, umidade no solo e dias longos. a exigência de um mínimo de 1 horas de luz por dia associada a alta temperatura, determina a entressafra. As baixas temperaturas e os dias curtos de inverno interrompem a produção, definindo uma safra de 7 a 10 meses por ano, conforme a região o a duração do período frio. A precipitação anual deve ser de 800 a 1.700 m, bem distribuídos. Locais com chuvas intensas a freqüentes não são recomendados, pois elas causam redução na polinização. Secas prolongadas provocam a queda de frutos. Devem-se evitar também áreas com alta incidência de ventos, por sua ação favorecer a ocorrência de doenças do sistema radicular. Solo:

São preferíveis os profundos com textura média e bem drenada, evitando-se os que estão sujeitos ao encharcamento, ou pedregosos, por favorecerem a ocorrência de doenças do sistema radicular. De um modo geral, se desenvolvem bem em diferentes tipos de solo, sendo os mais indicados os arenosos ou levemente argilosos, profundos e bem drenados. Os solos arenosos, quando bem adubados com matéria orgânica são plenamente satisfatórios para a produção de maracujá. Para o cultivo do maracujá o solo deve ter pH de 5 a 6.

O método mais utilizado é a propagação através de sementes, que devem ser colhidas de frutos de plantas previamente selecionadas (plantas matrizes).

Em pomares sadios e bem conduzidos, as plantas são selecionadas considerando-se o seu vigor, produtividade, precocidade, resistência a pragas e doenças; destas plantas são colhidos os maiores frutos maduros, de boa qualidade e com boa quantidade de suco. Selecionados os frutos, as sementes podem secar em seu interior ou serem colhidas e colocadas em um recipiente de louça ou vidro para a fermentação, sem adição de água, por 2 a 6 dias, cuja finalidade é separá-las da mucilagem que as envolve. Em seguida são lavadas e colocadas sobre um papel para secarem na sombra. Um outro modo de retirar a mucilagem é utilizar um despolpador, uma peça adaptável ao liquidificador que não danifica as sementes, encontrada no comércio. As sementes devem ser usadas logo após a secagem, pois ao longo do tempo vão perdendo sua capacidade de germinação. O maracujá, por ser uma planta que apresenta auto-incompatibilidade, ou seja, ao se realizar a autopolinização na mesma flor, ou em flores diferentes na mesma planta, ou em flores diferentes, mas pertencentes a um mesmo clone, não se obtém os frutos. Assim, o fruticultor deve retirar e plantar sementes de vários frutos colhidos em diferentes plantas, e não de muitos frutos colhidos de uma mesma ou de poucas plantas.

O maracujá amarelo, Passiflora edulis Sims f. flavicarpa Deg. é o mais cultivado dentre as diversas espécies existentes, devido ao seu sabor e aroma característico. Os pomares, em sua totalidade, são estabelecidos por mudas obtidas de sementes. A elevada heterozigose (cruzamento produzindo indivíduos diferentes) existente nesta espécie determina uma alta variabilidade, decorrendo deste fato a desuniformidade entre plantas nos pomares. Deste modo, a propagação vegetativa realizada por meio da enxertia apresenta vantagens na manutenção de boas características agronômicas, favorecendo a multiplicação de plantas produtivas, tolerantes a pragas e doenças, mais resistentes à seca e com aumento na longevidade.

A enxertia consiste no processo de unir duas plantas: cavalo ou porta-enxerto, que contribui com o sistema radicular, e o cavaleiro ou enxerto, que contribui com a copa e frutifica. É uma operação que exige cuidado e muita habilidade do enxertador.

Para que uma espécie de maracujazeiro seja recomendada como porta-enxerto, é necessário que exista facilidade de propagação, haja compatibilidade com o enxerto, seja resistente a patógenos de solo e proporcione rápido crescimento e alta produtividade.

Não estão definidos experimentalmente os melhores porta-enxertos para o maracujazeiro. De modo geral, dentre as diversas espécies existentes destacam-se Passiflora alata (maracujá doce), P. caerulea (maracujá de rato) e P. cincinnata (maracujá-do-mato) devido à tolerância às doenças do sistema radicular.

O tipo de enxertia mais usado, com pegamento de até 90%, é o de garfagem do topo em fenda cheia , que consiste em se transferir da planta-mãe (cavaleiro) um ramo para outra planta que é o porta - enxerto.

A espécie utilizada como porta-enxerto deve ser semeada em sacos plásticos contendo substrato esterilizado composto pela mistura de terriço e esterco de curral bem curtido na proporção de 3:1. Quando a muda alcançar de 0,25 cm a 0,35 cm de diâmetro deve ser podada à altura de 20 cm da base. A seguir, efetua-se um corte vertical até a profundidade de 1cm a 2 cm no centro da superfície podada.

Os garfos de maracujá amarelo que serão utilizados como enxerto devem possuir de duas a três gemas e, na medida do possível, com o mesmo diâmetro do porta - enxerto. Para se diminuir o problema de incompatibilidade na lavoura deve-se retirar vários garfos de diferentes plantas (previamente selecionadas, vigorosas, produtivas, precoces, com bons hábitos de crescimento, resistentes a pragas e doenças, originárias de frutos grande maduros e com grande percentagem de suco e boa qualidade) e não muitos garfos de poucas plantas, e, por ocasião da enxertia, misturá-los. Nestes garfos são feitos duas incisões em forma de cunha de aproximadamente 1 cm a 2 cm . Em seguida, introduz-se a cunha do garfo na fenda efetuada no porta-enxerto, de modo a assegurar que os tecidos da casca permaneçam em íntimo contato em pelo menos um dos lados.

Na região da enxertia deve-se utilizar fita plástica ou fita crepe de 2 cm de largura, a fim de possibilitar uma boa união entre o enxerto e o porta - enxerto. Após a operação de enxertia os enxertos devem ser protegidos com sacos plásticos transparentes com o objetivo de proporcionar os mesmos efeitos da câmara úmida

O plantio das mudas para o local definitivo deve ser efetuado 5 a 6 meses após a semeadura. A época mais adequada é o início do período chuvoso, ou então, a época tradicional para cada região.

Adubação: na cova: encher a cova com a melhor terra da superfície misturada com 3 a 4 litros de esterco de galinha bem curtido ou torta de mamona; 500 a 1.000g. De calcário dolomítico quando necessário; no terço final, acrescentar 2.00g de superfosfato simples e 80g de cloreto de potássio; na formação: 30 dias após o plantio, aplicar 60g de sulfato de amônio; repetindo-se duas ou três vezes espaçadas de 30 a 40 dias; de frutificação: em fevereiro: 100g de sulfato de amônio; 250g de superfosfato simples e 150g de cloreto de potássio, repetindo-se as mesmas dosagens em agosto.

Local do viveiro: deve ser distante de pomares comerciais ou plantas adultas de maracujazeiro; ter disponibilidade de água de boa qualidade; o solo deve ser livre de plantas daninhas e de boa drenagem; ser de fácil acesso.

Época de plantio: julho - agosto, em laminados ou recipientes plásticos ou ainda, semeadura direta no campo colocando-se 5 sementes por cova. Deve-se efetuar o plantio no período das chuvas; caso disponha de irrigação, poderá ser em qualquer época do ano.

Preparo das mudas: a semeadura normalmente é efetuada em sacos de polietileno de 10 x 25 cm ou 18 x 30 cm, contendo uma mistura de 3 partes de terra para uma de esterco, sendo a mistura previamente tratada, a fim de se obter mudas sadias. Em cada saco plástico colocam-se de 4 a 6 sementes, a 1 cm de profundidade, cobrindo-as com leve camada de terra. Quando as mudas estiverem com 3 a 5 m de altura, efetua-se o seu desbaste deixando apenas a mais vigorosa. O transplante das mudas para o local definitivo deve ser efetuado quando as plantas tiverem de 15 a 25 cm de altura (ou até 30 cm), quando também se inicia a emissão das gavinhas, filamentos que se enrolam nos suportes e servem para firmar as ramas do maracujazeiro, o que ocorre em torno de 45 a 70 dias após a semeadura. A época mais adequada para o plantio definitivo é no início do período chuvoso.

Plantio: sempre que possível é feito em sulcos com 50 cm de profundidade. Quando não for possível o uso de sulcador, o plantio deverá ser feito em covas de aproximadamente 40 cm de largura, 1 m de comprimento e 50 cm de profundidade, momento em que se aproveita para realizar a adubação orgânica, cujas quantidades a serem empregadas nas covas de plantio, principalmente em solos arenosos e de baixa fertilidade, variam de acordo com o tipo de adubo empregado: esterco de curral - 20 a 30 litros, esterco de galinha e ou torta de mamona: 5 a 10 litros, podendo-se utilizar outros compostos disponíveis na região ou propriedade. Irrigar as plantas após o plantio, que deverá se repetir sempre que necessário.

Distribuição do adubo: nos pomares em formação são distribuídos em uma faixa de 20 cm ao redor e distante aproximadamente 10 cm do tronco, aumentando gradativamente essa distância com a idade do pomar. Em pomares adultos, aplicá-los em faixa de 1 m de largura de ambos os lados das plantas, ao longo das espaldeiras, longe o suficiente dos troncos, onde as raízes pequenas e absorventes são poucas. O sucesso da adubação depende tanto da quantidade adequada, quanto da época e dos fertilizantes aplicados. Aplicar os adubos sempre em períodos de boa umidade do solo e realizar análise de solo anualmente.

Manejo pós-plantio: logo após o plantio no campo, as plantas devem ser tutoradas com varas ou barbantes para a condução até o arame do sistema de condução.

Calagem: pH igual ou superior a 5,5. Sistema de condução: O maracujá por ser uma trepadeira, necessita de suporte para proporcionar uma boa distribuição dos ramos e garantir assim, maior produção de frutos. Os sistemas mais utilizados são o de espaldadeira vertical composta de 1 a 3 fios e o sistema de latada ou caramanchão ou em forma de "T". Um único broto deverá ser conduzido através de um tutoramento até o arame situado no topo dos mourões para a formação natural da ramagem. O arame utilizado será liso de nº 8 ou 10 o de aço n. º 16, sustentado por mourões de 2,60m deverá ser enterrado ao solo.

Latada ou caramanchão - geralmente apresenta maior produtividade, frutos com coloração uniforme, mas, no entanto, o custo é elevado, além de ter como inconveniente o favorecimento da ocorrência de doenças devido à formação de massa vegetal muito densa.

Caramanchão ou Latada

Espaldeira vertical: um dos sistemas utilizados no estado de SP é o "espaldeira vertical com um único fio", no entanto pode ter de 1 a 3 fios de arame liso; é uma cerca formada por mourões de madeira, espaçados de 4 a 6 m, normalmente 5 m, colocando-se um fio de arame liso n 0 12 no ápice dos postes e os demais, se existirem, dispostos a 40 e 80 cm respectivamente abaixo dele. De um modo geral, o sistema de condução por espaldeiras verticais é muito utilizado nos pomares brasileiros. Recomenda-se que a cerca tenha altura livre de 2,0 m e no máximo 120 m de comprimento, constituída de postes de 10 cm de diâmetro nas extremidades e a cada 40 m utiliza-se postes com diâmetro superior a 20 cm, chamados de esticadores, os quais devem ser enterrado a pelo menos a 1 m de profundidade. Os esticadores das extremidades devem ser fincados com uma inclinação de

15 a 45 0. Para facilitar os tratos culturais recomendam-se espaldeiras com o comprimento máximo de 100 m, utilizando-se mourões reforçados com sistema de travamento (ancoragem) nas extremidades e pelo menos mais dois mourões intermediários. Nos espaçamentos entre plantas deve-se colocar, conforme a necessidade, repiques de madeira ou bambu, ao qual são amarrados, por exemplo, com fita plástica.

qEspaldeira vertical com 1fio de arameEspaldeira vertical com 2 fios de arame

as Espaldeira vertical com 3 fios de arame

Existem também outros tipos de suporte, como espaldeira em "T", que consiste em utilizar na extremidade superior dos postes, travessões de madeira que sustentarão os fio de arame liso n0 12, utilizando-se 2 fios de arame um em cada extremidade do travessão, ou 3 fios, sendo que o terceiro passará no centro. Há também o espaldeira em cruz, que difere da espaldeira em T, pela posição do travessão que é colocado a 30 cm abaixo da extremidade do poste, no qual, obrigatoriamente passa 1 fio de arame n0 12. A planta é conduzida até o fio de arame superior e posteriormente irá se apoiar nos fios laterais. Estes dois sistemas necessitam de madeira de boa qualidade para a construção.

Condução das plantas: as plantas novas deverão ser tutoradas, de preferência com auxílio de bambu, ao qual são amarradas, por exemplo, com fita plástica. Durante a fase de formação da guia principal, deverão ser feitas desbrotas periódicas, de modo a assegurar o crescimento de apenas uma haste até a altura do fio. Quando a planta ultrapassar em aproximadamente 20 cm a altura do fio, é feita a eliminação da gema apical, para estimular a brotação lateral. Dos brotos que surgirem serão escolhidos dois, que serão conduzidos sobre o arame, um para cada lado. Durante esta fase vistoriar periodicamente a cultura para verificar se a planta que está sendo formada, não está sendo "enforcada" pelas gavinhas ou pelo material usado para amarrar a haste no suporte. A lavoura pode ser conduzida de forma "penteada", que consiste em permitir o crescimento vertical dos ramos secundários e produtivos; para tanto, os ramos que emergem a partir dos 2 cordões que crescem fixados ao arame são conduzidos para um crescimento de forma pendente e livre de gavinhas.

Espaçamento: é definido em função do grau de mecanização da cultura. Para culturas mecanizadas o espaçamento entre linhas deverá ser de 4 m e para cultivo manual deverá ser de 2,5 metros. O espaçamento entre plantas na linha deverá ter no mínimo 5 m, no entanto é preferível o espaçamento de 6 m.

Com esses espaçamentos x 2m ou 3 x 2 m. poderemos ter em média de 900 a 1.500 plantas por hectare. As covas devem ser de 30 x 30 x 30cm.

São necessários para um bom desenvolvimento da cultura: - adubação de formação, realizando-se um programa de adubação, que consiste em aplicar pequenas doses de adubo, de acordo com orientação técnica, aos 30, 60, 90 e 120 dias após o plantio; - adubação de produção, que consta de adubação mineral, adubação orgânica e adubação com micronutrientes; -controle de plantas daninhas, deixando o mato baixo, com o emprego de roçadeiras nas ruas. As linhas são mantidas no limpo fazendo o seu trilhamento a 1 m de cada lado do fio. Não utilizar grade ou enxada rotativa no interior do pomar, para evitar danos ao sistema radicular do maracujazeiro.

Polinização: através da abelha conhecida por mamangava, ocorre a polinização natural. Alguns fruticultores, para manter a população de mamangavas colocam próximos do pomar mourões em putrefação, pelo fato destas abelhas construírem seus ninhos em madeira neste estado; cultivam também próximo ao pomar, flores que são polinizadas somente pelas abelhas Apis, que não são polinizadoras eficientes para as flores do maracujá, para diminuir a concorrência pelo pólen das flores do maracujá entre elas e as mamangavas.

No entanto, em algumas regiões onde a incidência desses insetos é muito baixa adota-se a polinização manual, que é normalmente feita com o auxílio dos dedos, providos ou não de dedeiras de flanela, que tem por objetivo transportar os grãos de pólen das flores de uma planta para outras. Antes de se iniciar esta tarefa em uma linha, o polinizador deve impregnar as dedeiras de flanela com o pólen de várias flores de diversos maracujazeiros. São necessárias 2 ou 3 pessoas para polinizar manualmente 1 ha de pomar.

A polinização do maracujá-amarelo deve ser realizada diariamente, pois as flores permanecem abertas somente por 1 dia, ocorrendo a partir das 12:30 horas, o pico de maior abertura das flores, que decresce rapidamente até em torno das 18 horas, quando as flores se fecham. Os tratos culturais do maracujá devem ser realizados de manhã ou nos horários de pouca atividade dos agentes polinizadores para não interferir na ação dos mesmos.

No caso de cultivo do maracujá, as flores permanecem abertas durante todo o dia, com abertura entre 4 e 5 horas e fechamento entre 18 e 19 horas. Para outras espécies de maracujá deve-se observar os picos de abertura das flores, para decidir o período de realização dos tratos culturais e momento da polinização manual, se necessária no pomar.

Poda: a frutificação do maracujazeiro ocorre em ramos novos, e por esta razão a poda se faz necessária, de modo a possibilitar produções satisfatórias. Também é exigida pelo intenso desenvolvimento da planta, que origina uma densa massa vegetal, favorável muitas vezes ao desenvolvimento de pragas e doenças.

A primeira poda é a chamada poda de formação, descrita no item condução das plantas. No período da entressafra deve ser feita a poda de limpeza, retirando-se todos os ramos secos e doentes, proporcionando melhor arejamento da folhagem do maracujazeiro e diminuindo o risco de contaminação das novas brotações. A poda não recupera pomares debilitados, pois normalmente o maracujazeiro não se recupera adequadamente. Para que esta operação seja realizada a cultura deve ser adequadamente preparada, realizando-se uma adubação mineral completa, e 1 semana antes, realizar adubação foliar. Controle De Plantas Daninhas

Para o controle de plantas daninhas na cultura do maracujazeiro existem poucos estudos a respeito, apesar de sua grande importância.

A capina através de implementos mecânicos, próximos à planta (menos de 1 m de distância), não é recomendável em função dos danos que traz às raízes, uma vez que estas se concentram na sua maioria de 15 a 45 cm de distância do caule. O uso de herbicidas é bastante válido para o controle.

A melhor prática tem sido a eliminação das plantas daninhas nas linhas de plantio com o uso de capinas com enxada e roçadeira. Insetos-Pragas Do Maracujazeiro E Controle

Lagartas desfolhadoras - Dione juno Juno - tem coloração escura, corpo recoberto por "espinhos". Na fase adulta, são borboletas alaranjadas com as margens das asas pretas.

Agraulis vanillae vanillae - na fase adulta é uma borboleta que apresenta coloração alaranjada com diversas manchas negras espalhadas nas asas, as quais apresentam faixas negras nos bordos, especialmente nas asas posteriores.

Os ovos de ambas as pragas, inicialmente amarelos, mudam de coloração com o passar do tempo. Tornam-se avermelhados e, próximo da eclosão das lagartas, assumem uma tonalidade castanha.Controle - em áreas pequenas recomenda-se a catação e destruição dos ovos e lagartas. Em áreas extensas, recomenda-se a utilização de um inseticida biológico à base de Bacillus thuringiensis na dosagem de 100g/100 1 (300 a 600 1/ha de calda), em aplicações semanais. Outros inseticidas como fenthion, trichlorfon, carbaryl, malation, diazinon e acefato também têm sido indicados.

alumínio (pasta)

Broca da haste ou broca do maracujazeiro - O adulto é um besouro com manchas amareladas no dorso. As larvas são brancas, sem pernas e medem aproximadamente 5mm de comprimento. Quando atinge a fase adulta, o inseto sai do ramo através de um pequeno orifício circular. Quando o ataque se dá na haste principal, os danos são mais severos, podendo causar a morte da planta. Controle - através de vistorias periódicas. Recomenda-se a poda e queima dos ramos afetados. Na haste principal, pode ser utilizado fosfeto de

Percevejos - os percevejos sugam a seiva de todas as partes da planta, ocasionando a queda de botões florais e frutos novos e o murchamento de frutos mais desenvolvidos. Controle - os produtos indicados para o controle de lagartas, com exceção do inseticida biológico, podem ser utilizados contra os percevejos.

Lagarta de teia - apresenta um comportamento de dobrar a folha da planta, ficando protegido. Apesar de ser um inseto desfolhador, os prejuízos acarretados por essa praga são principalmente devido a um líquido esverdeado expelido pelas lagartas, que parece ter efeito tóxico sobre as folhas e ramos novos. A estação chuvosa (abril a junho) é a época de maior ataque.Controle - inspeção periódica na plantação. Evitar aplicações freqüentes de produtos químicos não seletivos, que eliminam seus inimigos naturais.

Moscas-das-frutas - os adultos apresentam colorido predominantemente amarelo com duas manchas da mesma cor nas asas. Os principais danos causados são decorrentes da ovipozição em frutos ainda verdes, provocando o seu murchamento antes de atingir a maturação. As larvas podem destruir a polpa dos frutos. Controle - a catação e enterrio de frutos atacados, plantio em área distante de cafezal são medidas auxiliares para a redução da população das moscas-das-frutas. Recomenda-se a utilização de iscas envenenadas, compostas por 5 kg de melaço ou açúcar mascavo ou 500 ml de proteína hidrolizada, inseticida e 100 1 de água. Devem ser aplicadas de 15 em 15 dias, apenas de um lado das plantas (1m). Os inseticidas que podem ser utilizados são trichlorfon, malathion, fenthion e diazinon.

Pulgões - são insetos de aparência delicada, medindo aproximadamente 2 m. A importância do seu ataque está relacionada à transmissão de uma doença - vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro.Controles - devem ser erradicados tão logo seja constatada sua presença. Deve-se também evitar o plantio de plantas hospedeiras dos pulgões (pepino, melancia, abóbora, melão, ervilha e tomate) nas imediações do pomar.

Abelhas arapuá e melífera - a arapuá é uma abelha de coloração preta, que ataca as flores novas podendo provocar queda das mesmas. Controle - destruição dos ninhos ou a utilização de iscas envenenadas, já referidas para moscas-das-frutas, no controle dessa praga.

Besouro das flores - mede cerca de 1 m de comprimento e 6 m de largura, cabeça escura, asas brilhantes claras e de coloração palha. Ataca folhas novas e flores, prejudicando a produção. Controle - inseticidas relacionadas para as lagartas, excetuando-se o Bacillus thuringiensis.Além dos insetos, os ácaros podem também causar sérios prejuízos à cultura do maracujá: ácaro branco, ácaro plano e ácaros vermelhos. Para o controle racional desses ácaros o produtor deve inspecionar periodicamente o pomar, vistoriar as culturas vizinhas bem como as ervas daninhas. Realizar o tratamento com o uso de acaricida específico e escolher um produto que apresente maior seletividade e curta duração residual, evitando os resíduos tóxicos nos frutos.

Doenças Do Maracujazeiro

O maracujazeiro pode ser atacado por fungos, vírus e bactérias. Doenças: Tombamento, mela ou "damping off", Antracnose, Verrugose ou

Cladesporiose, Bacteriose, Definhamento precoce, Podridão do colo e Murcha ou Fusariose.

Tombamento mela ou "damping off" - caracteriza-se por uma lesão no colo da plantinha, provocando seu tombamento e morte. Controle - manejo adequado da sementeira ou usando pentacloro nitrobenzeno para Rhizoctonia, benomil para Fusarium e fosetyl-Al para Phytophthora.Antracnose - ataca as folhas causando manchas pequenas, a princípio claras, circulares, rodeadas por bordos verde-escuros que mais tarde podem coalescer tornando-se pardo-avermelhadas. Os ramos apresentam manchas alongadas que se transformam em cancros. Controle - pode ser feito pela aplicação de produtos à base de oxicloreto de cobre + mancozeb, chlorotalonil ou benomil.

Verrugose ou Cladesporiose - Caracteriza-se por manchas circulares, inicialmente de aspecto translúcido, cobrindo-se posteriormente por um tecido corticoso, áspero, saliente, de cor parda. Dão ao fruto um aspecto deformado e nas folhas o limbo foliar tornase completamente enrugado. Os sintomas aparecem também em ramos, gavinhas e pecíolos.Controle - cobertura com caldas fungicidas destacando-se os produtos à base de cobre, com periodicidade semanal sob chuvas e quinzenalmente em períodos de umidade e chuvas esparsas. Não se recomenda o controle dos frutos quando o destino dos mesmos é para a industrialização do suco pois a doença não atinge a polpa. Bacteriose - doença de estação chuvosa e quente, às vezes semelhante à antracnose, diferenciando-se por apresentar inicialmente pequenas manchas aquosas nas superfícies dos tecidos das folhas e frutos em qualquer fase do seu desenvolvimento. Controle - o mesmo esquema de controle recomendado para a verrugose.

Definhamento precoce - caracteriza-se pela desfolha da parte aérea, resultante da presença nas hastes principais de áreas com pequenas manchas de coloração amarelada que coalescem, secam, formando grandes áreas descoloridas ou de cor parda-avermelhada que com a continuação destroem o tecido cortical externo, provocando o secamento das hastes e a morte das plantas. Controle - produtos a base de ditiocarbamatos. Entretanto, devem ser observados as condições de cultivo da plantação e corrigir os tratos culturais que possam estar contribuindo para o desenvolvimento do mal.

Podridão do colo - manchas escurecidas e úmidas que depois apodrecem lesionando inclusive o cilindro central do caule. A lesão pode se desenvolver para cima ou para as raízes. As folhas tornam-se murchas, amareladas e quando a lesão envolve totalmente o diâmetro do caule a planta morre. Controle - não plantar em solos compactados, não usar grade, evitar ferimentos nas operações da capina, retirar as lesões iniciais, raspar a área afetada e aplicar pasta bordaleza, no momento do plantio, mergulhar as raízes até 20 cm acima do colo, em uma solução de metalaxil (200 g/100 1 água); no caso de aparecimento de plantas doentes, principalmente nos períodos de altas temperaturas e umidade quando ocorre maior disseminação da doença, proceder a erradicação das plantas e sua imediata destruição pelo fogo.

Murcha ou Fusariose - ataca os vasos lenhosos a partir das raízes causando murcha generalizada e morte rápida das plantas. A murcha se inicia pelas extremidades do ramo e neste momento, antes da generalização da murcha, as raízes já se encontram apodrecidas. Medidas preventivas - escolha de terrenos bem drenados em locais altos e que não contenham restos de mata ou capoeira, evitar freqüentes gradagens em áreas com focos descobertos, eliminação de plantas atacadas e destruição das mesmas na cova (não retirar do local). Localizado o foco, erradicar até três plantas sadias em volta das plantas afetadas, etc.

O maracujazeiro começa a produzir frutos no primeiro ano de plantio, mas o período de vida econômico é relativamente curto, devendo ser substituído a partir do 4º ou 5º ano, sendo que o seu maior rendimento é obtido no segundo ou terceiro ano de plantio, decaindo nos anos seguintes . O maracujazeiro inicia sua produção de frutos 7 a 10 meses após o plantio das mudas no campo . O período até o início da colheita do maracujá, varia de 6 a 9 meses após o plantio definitivo no primeiro ano, dependendo da região e suas condições climáticas. Plantios efetuados nos meses mais próximos do verão, permitem o início de colheita mais precoce (6 meses) enquanto que, nos meses mais frios a colheita é mais tardia .

A época de colheita tem início a partir de fins de dezembro e se estende até junho-julho do ano seguinte, podendo, eventualmente, ir até agosto (Carvalho, 1974). A maior safra ocorre de fevereiro a abril. Mão-De-Obra

Através de informações obtidas sobre a época onde se concentra a produção e o rendimento esperado, é possível programar a mão-de-obra necessária para a colheita, treinando-a de acordo com os parâmetros técnicos utilizados, obedecendo às normas para a colheita.

Por meio do levantamento do coeficiente técnico de plantios realizados em áreas de sequeiro e irrigadas, e do número de plantas existentes na área, é possível definir e quantificar a importância da colheita, quando comparada à mão de obra total utilizada em todas as etapas de condução da cultura. De acordo com os dados obtidos, em 1ha da cultura do maracujá em sequeiro, plantado no espaçamento de 3,0m x 5,0m, (666plantas), a mão de obra para a colheita representou 31,64% do total de mão de obra utilizada pela cultura no primeiro ano, de implantação, 45,0% no segundo ano, e 34,0% no terceiro ano, representando 50, 5 e 35 dias/homem (d/h), respectivamente cultivando maracujá irrigado, no espaçamento de 3m x 2m (1660 plantas), relatou que esta atividade representou 3,24% do total de mão de obra utilizada pela cultura no primeiro ano, de implantação, 40,96% no segundo ano, 52,360% no terceiro ano e 53,0% no quarto ano. No total geral, representou 0,7%, 2,7%, 3,61%, 32,83% do custo total de serviços e insumos, nos anos respectivos, sendo 6 d/h, produção de 83 caixas de 16 a 20kg, 68 d/h, produção de 832 caixas de 16 a 20kg, 122 d/h, produção de 1388 caixas de 16 a 20kg e 122 d/h, produção de 1388 caixas de 16 a 20kg, respectivamente. Determinação Do Ponto De Colheita

O conhecimento da morfologia e características dos frutos e suco é fundamental para auxiliar na tomada de decisão com relação ao momento exato de colheita, bem como para padronizar os frutos que serão colhidos. Na prática, os princípios que se usam para a colheita dos frutos baseiam-se no número de dias decorridos desde a floração até o tamanho normal do fruto, na coloração e na resistência do pedúnculo.Outros métodos para confirmação objetiva do grau de maturação dos frutos que podem ser aplicados são os físicos e químicos.

Morfologia e Características dos Frutos e Suco

O maracujá é um fruto carnoso, do tipo baga, com epicarpo (casca) às vezes lignificado, mesocarpo com espessura que varia de 0,5 a 4,0 cm, endocarpo (polpa) e apresenta sementes com arilo carnoso. O tamanho e o formato dos frutos são diferenciados conforme a espécie

O maracujá amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg.), possui o diâmetro de 4,9 a 7,8 cm, o comprimento de 5,4 a 10,4cm, com peso do fruto entre 52,5 e 153,4g, enquanto o maracujá roxo (Passiflora edulis Sims.) apresenta diâmetro de 3,9 a 5,1cm, comprimento de 4,3 a 7,2cm e peso de 23,6 a 61,0g. A espécie Passiflora alata Dryander, conhecida popularmente por maracujá-doce, apresenta frutos com peso médio de 128,3g, diâmetro de 6,6 e comprimento de 8,9 cm. As espécies cultivadas de maracujá apresentam de 200 a 300 sementes no interior do fruto.

O rendimento em suco está relacionado com o número de óvulos fecundados, os quais serão transformados em sementes envolvidas por um arilo ou sarcotesta e que, por sua vez, encerram o suco propriamente dito.Este rendimento em suco varia de 30 a 40% em relação ao peso do fruto nas espécies P. edulis e P. edulis f. flavicarpa .Na espécie P. alata,),

O teor de ácido ascórbico no suco da fruta, um dos principais indicadores do seu valor nutritivo, é muito variável, segundo o local de produção, estádio de desenvolvimento, amadurecimento, temperatura de armazenamento e fotoperiodismo . A variedade roxa, com 29,80mg de ácido ascórbico. 100ml–1 de suco, em média, apresenta maior teor de vitamina C do que a variedade amarela, que possui, em média, 20,00mg de ácido ascórbico. 100g–1 de suco (Santos, 1978). Para o maracujá-doce, Silva et al. (1998) encontraram teores médios de vitamina C de 18,20mg.100g –1 de suco. Já foram identificados 73 compostos voláteis no suco de maracujá-amarelo. Os principais ésteres, 95% do total, que atuam na formação do aroma são o butirato de etila, o hexanoato de etila, sendo que o hexanoato de etila é o principal e o butirato de etila o responsável pelo aroma adocicado do fruto e indica frescor.

O maracujá apresenta níveis relativamente altos de ácido cianídrico (HCN) na sua composição, que pode chegar a 59,4mg.100g–1 do peso fresco no maracujá amarelo, quando colhido verde, decrescendo para 14,17mg.100g–1 com o amadurecimento e para

6,5mg. 100g–1 com a abscisão. No maracujá-roxo tem-se encontrado valores entre 10,0 e 13,3mg.100g –1 em frutos imaturos e maduros

As características físico-químicas dos frutos parcial ou totalmente maduros varia pouco, com exceção de que os totalmente maduros possuem melhor aroma. Quando estes frutos amadurecem, os teores de carotenóides e antocianinas aumentam, enquanto que o de ácido ascórbico da polpa decresce e os do suco aumenta. Número de Dias da Floração a Ponto de Colheita

A colheita, diretamente da planta, é realizada em função do tempo entre a polinização e o amadurecimento do fruto. São necessários, em média de 60 a 70 dias da polinização da flor à maturação do fruto para o maracujá-amarelo . Assim, duas ou mais safras por ano são possíveis, dependendo das condições climáticas tratos culturais, situação geográfica entre outros fatores. O ponto de maturação para a colheita depende da utilização que vai ser dada à fruta. o maracujá atinge o seu ponto de colheita em 50-60 dias após a antese, ou seja, 30 a 20 dias antes de se desprender da planta mãe Neste ponto, ele atingiu seu máximo peso (50- 130g), seu máximo rendimento de suco (até 36%) e o maior conteúdo de sólidos solúveis totais (13-18º Brix) e pode ser caracterizado, para os frutos de cultivares amarelos, pela coloração verde-amarelada, mas ainda estão presas à planta mães. No caso dos cultivares roxos, este ponto é o inicio da formação da cor roxa. Coloração da Casca

A coloração da casca, que é utilizada por grande parte dos produtores, como índice de referência para indicar a maturação dos frutos, muitas vezes não é indicativa da constituição química da polpa, quando se pretende saber, qual é o teor de açúcar ou de acidez que o fruto contém. Esta coloração pode dar uma falsa indicação quando se compara fruto em posições diferenciado na planta, sendo que, os que recebem mais raio solares durante boa parte do dia adquirem uma coloração muito mais intensa.

Durante o amadurecimento, o fruto do maracujá-amarelo apresenta importantes mudanças nas características dos frutos e do suco. Inicialmente, o fruto mostra predomínio da cor verde, misturada com áreas brancas, e, no final, sua cor é a amarelo-intensa, cuja distribuição é uniforme.

a transição da cor da casca do fruto do maracujá, de verde para amarelo poderia ser utilizada como parâmetro externo de amadurecimento do fruto, já que reflete a fisiologia endógena do fruto. Frutos colhidos aos 50, 60, ou 70 dias após a antese mostraram um padrão de liberação de etileno similar ao da produção de gás carbônico, e o início da liberação do etileno foi coincidente com o da ascensão climatérica. Com os resultados obtidos, tem-se recomendado que se colha o maracujá com mais de 30% de coloração amarela na superfície da casca

Com o avanço do estádio de maturação, a espessura de sua casca diminui gradualmente e a coloração do suco muda de amarela para amarelo-escura e finalmente para amarelo-alaranjado O início das mudanças na cor externa desta fruta acontece antes do começo da ascensão climatérica, quando há rápida transição da cor verde-amarela para a amarelada e este incremento na degradação da clorofila foi associado com a evolução do etileno autocatalítico

Frutos colhidos 40 dias após a antese não apresentaram aumento respiratório, nem liberação de etileno após a colheita. Neste mesmo período foram observadas poucas variações na cor externa e ligeira murcha do fruto. Isto reflete um estádio de desenvolvimento imaturo, caracterizado pela incapacidade de produzir etileno e de amadurecer. Resistência do Pedúnculo

A resistência do pedúnculo pode ser considerada, em parte como um índice de maturação da fruta, principalmente nas espécies de frutas que apresentam o pedúnculo no pedicelo. A antracnose é uma doença que pode atacar os frutos, e provocar a perda de resistência do pedúnculo, e o desprendimento dos frutos da planta, dando uma falsa impressão que os frutos estão no ponto exato de colheita. Métodos Físicos

Dentre os diferentes métodos físicos têm-se os medidores de resistência da polpa, como o tenderômetro, texturômetro, maturômetro e penetrômetro, as medições espectrofotométricas e o da análise de respiração das frutas, já mencionado anteriormente. COLHEITA

Os frutos de maracujá amarelo, ao atingirem a maturação, se desprendem das plantas e caem naturalmente ao chão, particularmente após chuvas pesadas. Diante disso, o processo da colheita consiste na catação dos frutos caídos, operação esta que deve ser feita pelo menos duas vezes por semana, para evitar a possibilidade de apodrecimento ou perdas de peso por murchamento .

Antes da colheita recomenda-se efetuar uma passagem entre as filas e derrubar os frutos maduros que não caíram ou que estejam presos entre os ramos das plantas. Ao se soltarem da planta alguns frutos ficam presos entre os ramos, especialmente na condução em latada, e a catação precisa ser feita com certo cuidado, para encontrá-los e recolhê-los. Em períodos chuvosos e épocas mais quentes do ano recomenda-se colheita, se possível, diariamente.

Após caírem da planta mãe, os frutos já estão no início da senescência e, portanto, além de murcharem rapidamente, têm vida útil curta e redução nos seus conteúdos de acidez e açúcares. Assim, se não são consumidos em até cinco dias, são levados para a indústria extratora de suco. este procedimento é ressalta ser o suco da fruta completamente madura bastante superior ao de frutas não totalmente maduras, ainda que estas venham a amadurecer fora da planta-mãe.

O atraso no período de colheita compromete a comercialização, pois os frutos geralmente são comercializados por peso, e os que possuem peso médio de 90g perdem peso rapidamente à medida que permanecem no chão, ficando murchos, e podendo ser rejeitados pelos consumidores de fruta fresca Este comportamento tem dificultado a exportação da fruta fresca.

Quando os frutos são destinados ao mercado de frutas frescas a colheita pode ser feita no chão ou quando ainda estiverem na planta. Estes, não devem estar totalmente maduros, deste modo, sua durabilidade e aparência serão maior para comercialização. Os frutos colhidos na planta, mesmo quando deixados amadurecer antes de serem consumidos, apresentam sabor agreste e pouco agradável, razão pela qual só devem ser apanhados os frutos que já se desprenderam da planta.

A colheita antecipada dos frutos, no ponto pré-climatérico, permite um período maior para seu manuseio pós-colheita Quando os frutos serão transportados a longas distâncias, recomenda-se proceder à colheita de frutos parcialmente maduros, de modo a chegarem no destino em condições próprias para consumo, recomenda a colheita dos frutos na planta, quando estiverem amarelados, mas não totalmente maduros, pois sua durabilidade é maior. Os frutos que caírem ao chão devem ser colhidos junto com o pedúnculo, para evitar o apodrecimento precoce da fruta.

Frutos colhidos com idade acima de 80 dias e quando já caiu no solo, está senescente e tende a murchar rapidamente, devido à perda de peso e redução nos seus conteúdos de acidez e de açucares totais e solúveis. Frutos catados no chão são os indicados para a industrialização, quando não são consumidos em até 5 dias, e também devem ser colhidos 2 a 3 vezes por semana, Frutos sujos ou com muito tempo de contato com o solo são muito propensos ao apodrecimento rápido, dada a elevada contaminação em estádio de grande susceptibilidade (senescência)

Recomenda-se, portanto que os frutos devam ser colhidos da planta-mãe e, posteriormente, depositados em caixas ou sacolas, antes do transporte até a casa de embalagem. Deve-se deixar de um cm a dois cm de pedúnculo, para reduzir o murchamento e a incubação de podridões. Tratamento pós-colheita:

Basicamente deve consistir em: - seleção dos frutos segundo a classificação adequada ao mercado;

- eliminação dos frutos murchos, lesionados, verdes ou com sintomas de ataques de mosca-da-fruta ou doenças; - eliminação de restos florais e aparação de pedúnculos para 0,5 cm;

- lavação cuidadosa, realizada somente quando necessário;

- tratamento contra podridões e murchamento com produtos permitidos e dentro de concentrações recomendadas; - armazenamento em temperatura de 100C e 80-85% de umidade relativa;

- capinas, poda dos ramos a uma altura de 60cm do solo, após cada produção; pincelar o local do ferimento com oxicloreto de cobre.

Estes cuidados pós-colheita permitem que os frutos se conservem por cerca de 40 dias. Os frutos após serem devidamente tratados e protegidos, devem ser embalados e identificados (selo de garantia, peso, tipo, etc), para serem comercializados dentro de um nível de qualidade desejável.

A comercialização do maracujá apresenta peculiaridades definida em função da destinação dada à fruta para consumo in natura ou agroindustrial, estimando-se que a produção brasileira esteja orientada na proporção de 50% para cada segmento, caracterizando mercados de comportamentos complementares. Estes mercados apresentam interdependência em função do comportamento dos preços internos ou das cotações internacionais do suco concentrado. Quando ocorre um desequilíbrio nesta relação, com a diminuição dos preços pagos pela indústria aos produtores brasileiros, pela diminuição das cotações internacionais, parcela significativa da produção que deveria ser destinada a este canal de comercialização é orientada ao mercado interno, afetando suas cotações.Este comportamento dos preços do maracujá, tanto em nível interno, quanto externo, pode ser creditado às características da cultura. Seu ciclo econômico de cultivo, de até dois anos, permite respostas mais ágeis da produção a estímulos de preços, com acréscimo de área, no caso de preços altos e diminuição ou mesmo erradicação de plantios, em situação inversa.

Para efetivar o comercio do maracujá durante o período de preparo da produção para a colheita, entrar em contato, com antecedência de trinta dias, com possíveis compradores em diversos locais para se informar sobre a evolução dos preços e intenção de compra. Neste período, pode-se,inclusive, fechar negócio. Comercialização Do Produto In Natura

O fruto in natura tem sido vendido para as CEASAS, feiras livres e supermercados.

Este segmento de mercado é o mais atrativo para os produtores, uma vez que os preços alcançados têm sido compensadores, mesmo ocorrendo variações durante o ano. Para mercado mais exigente, os frutos são classificados e embalados de acordo com os padrões estabelecidos pelo programa brasileiro para a melhoria dos padrões comerciais e embalagens de hortigranjeiros. A classificação deve ser feita para separar o fruto por cor, tamanho, formato e qualidade. O maracujá amarelo classifica-se de acordo com: - Grupo: relacionado à característica varietal de coloração da casca.

- Subgrupo: relacionado ao estádio de maturação, identificado pela cor da casca

- Classe: relacionada ao diâmetro equatorial dos frutos medido em m.

- Tipo ou categoria: relacionado à quantidade de defeitos presentes no lote

Quanto à embalagem esta deve ser paletizável e pode ser descartável ou retornável.

A embalagem descartável deve ser reciclável ou de incinerabilidade limpa. A embalagem retornável deve permitir a higienização. Comercialização Da Fruta Para Processamento

A comercialização da fruta processada é realizada a granel ou embalada em sacos de náilon, tipo rede. Como a cotação pouco depende do aspecto da fruta ou da qualidade do suco, geralmente os produtores comercializam no mercado frutos de baixa qualidade. Por outro lado, poderia-se obter uma melhoria do produto processado com algumas medidas, tais como a seleção de frutos de melhor padrão, qualidade do suco, fixando a cotação pelo teor de sólidos solúveis totais (oBrix) que apresenta. Comercilização Do Produto Industrializado

O maracujá processado é comercializado na forma de suco natural a 14 oBrix ou concentrado a 50 oBrix. Pode ainda ser processado, como polpa, geléia e néctar, porém, esse mercado é muito pouco significativo quando comparado ao de suco. A comercialização interna está baseada na venda do suco envasado a 14 oBrix.

A sazonalidade da produção cria períodos de falta de matéria-prima. Deste modo, pequenas indústrias podem absorver parte dos excedentes regionais de produção, repassando as polpas à empresas maiores que possuem marca comercial já que os custos são altos para armazenagem do produto processado. Sugestões Para Melhoria Da Comercialização Os cultivos de maracujá no Brasil são conduzidos, na sua maioria, com baixo nível tecnológico. Desta forma, algumas medidas devem ser adotadas para o aperfeiçoamento desse processo, destacando-se: - Melhoria da qualidade das frutas, ou seja, emprego de tecnologias adequadas de manejo da cultura que dizem respeito a correção do solo, adubações equilibradas, espaldeiramento, podas, polinização artificial e controle fitossanitário adequado. - Classificação da fruta seguindo os padrões estabelecidos pelo programa brasileiro para a melhoria dos padrões comerciais e embalagens de hortigranjeiros. - Busca de novos mercados visando aumentar a concorrência no lado da procura, intensificando-se a venda para sacolões, supermercados, frutarias e casa de suco etc.

- Organização dos produtores, um dos fatores mais importantes, uma vez que devido o pequeno volume ofertado individualmente pelo produtor para o mercado a cada colheita, a comercialização desta fruta só é viável, economicamente, quando feita em conjunto visando com isso a obtenção de maiores ganhos principalmente nos custos de fretes, maior capacidade de negociação nos preços de venda e maior eficiência na procura de novos mercados. Ressalta-se, todavia, que a implementação da comercialização em conjunto requer perfeita harmonia entre os padrões de qualidade do produto ofertado pelos produtores que participam do processo.

Para os produtores de maracujá é muito importante não só produzir com eficiência, mas estarem ligados a um esquema de comercialização capaz de garantir o escoamento do produto, assim como para os intermediários comerciais é muito importante salientar o uso adequado das diversas técnicas de processamento pós-colheita, garantindo menores perdas com uma maior lucratividade em seus negócios.

O mercado interno do maracujá para mesa sofre limitações importantes, decorrente do fato de ser uma fruta de conservação difícil. Isso faz com que sua vida de prateleira seja reduzida e a qualidade bastante prejudicada, dada a ausência de técnicas de pós-colheita capazes de contornar tais problemas.

desenvolvimento para diferentes regiões brasileirasO Brasil é, atualmente, o maior

É uma cultura típica de pequena escala; e pelo fato de ser grande absorvedora de mão-de-obra e potencial geradora de divisas com a exportação de seu suco, a cultura, nestes tempos de crise econômica e desemprego, pode vir a constituir-se em alternativa de produtor seguido do Peru, Venezuela, África do Sul, SriLanka e Austrália.O mercado mundial, principalmente o europeu, dá preferência ao produto na forma de suco concentrado, uma vez que a fruta “in natura” tem “curta vida de prateleira”.

A cultura do Maracujá / Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro

Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura Tropical - Brasília: EMBRAPA - SPI, 1994, 76 p. Coleção Plantar (13).

Bleironth, E. W. Determinação do ponto de colheita das frutas. In: Bleinroth, E. W.

(Coord.). Tecnologia de Pós-colheita de Frutos Tropicais. Campinas: ITAL, 1992.

Cunha, G. A P. Instruções práticas para a cultura do maracujá. M. A D. N. P. A,

Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Leste, Cruz das Almas, BA, Circular nº 25, 1972.

Lima, A. de A. Instruções práticas para o cultivo do maracujazeiro. Circular técnica.

Circular Técnica nº 20. EMBRAPA/CNPMF, Cruz das Almas, Bahia, 1996.

Lima, A. de A. O cultivo do maracujá. Cruz das Almas, BA: Embrapa Mandioca e Fruticultura, Circular Técnica nº 35, 1999.

Comentários