O mecanismo de contra corrente

O mecanismo de contra corrente

O mecanismo de contra-corrente é fundamental para sermos capazes de concentrar muito a urina. Como já vimos, nós reabsorvemos uma grande quantidade de líquido. Isto só é possível porque, na parte interior da medula, existe, a rodear o sistema tubular, uma osmolaridade (pressão osmótica) muito grande, da ordem dos 1200 mili-osmóis por litro, sendo que a osmolaridade do sangue ronda os 300 miliosmóis. Por esta razão, o líquido tem muita facilidade em passar dos túbulos para o interstício renal.

Se, rodeando os túbulos renais, houvesse uma osmolaridade de, por exemplo, 100 miliosmóis, o líquido teria tendência a deslocar-se no sentido contrário.

Há aqui um aspecto anatómico que eu gostava de realçar. Vemos aqui o nefrónio e o tubo colector. Reparem que, ao lado, temos uns vasos muito especiais que acompanham perfeitamente o tubo colector e o nefrónio – vasa recta –, que são fundamentais para que os já referidos 99% de líquido sejam rapidamente reabsorvidos e posteriormente conduzido para a veia renal. Lembrem-se que cerca de 178,5 litros são reabsorvidos, por dia, por dois orgãozinhos deste tamanho (os nossos rins).

Como é que é possível termos uma concentração de 1200 miliosmóis na parte interior da medula renal? Isto deve-se fundamentalmente às características da ansa de Henle. Esta é constituída por uma porção descendente, muito permeável à água e pouco permeável aos sais (cloreto de sódio), e por um ramo ascendente que, na porção grossa, é impermeável à água mas permeável aos iões.

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