Relatório de Estágio I

Relatório de Estágio I

(Parte 1 de 4)

FORTALEZA 10 – de Julho – 2009

FORTALEZA 10 – de Julho – 2009

Relatório de Estágio I. Apresentado ao curso de Licenciatura em Física como parte da exigência da disciplina de Estágio I.

“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática."

Paulo Freire

Introdução04
Relatório05
Conclusão07
Bibliografia10
Anexos1
Diários de campos12
Levantamento Situacional21
Fotos28

O Estágio de Licenciatura é uma exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação

Nacional (nº 9394/96). Oferece assim por esse meio ao estagiário não só à formação profissional, mas adéqua esta formação às expectativas de mercado de trabalho onde o licenciado irá atuar. Assim o estágio dá oportunidade de aliar a teoria à prática.

O presente trabalho tem por objetivo relatar as atividades desenvolvidas durante o semestre letivo 2009.1, do curso de Licenciatura em Física – IFCE, da disciplina Estágio I, ministrada pela professora Idalina Bezerra. O estágio foi realizado na Escola de Ensino Médio e Fundamental Professor Mário Schenberg, uma escola do estado, localizada na periferia de Fortaleza no Bairro: Vila Manoel Sátiro, no período de 17 de abril a 2 de junho de 2009.

Visando fortalecer a relação teoria e prática baseado no princípio metodológico de que o desenvolvimento de competências profissionais implica em utilizar conhecimentos adquiridos, quer na vida acadêmica quer na vida profissional e pessoal. O estágio constitui-se em importante instrumento de conhecimento e de integração do aluno na realidade social, econômica e do trabalho em sua área profissional.

Os dados relativos ao estágio serão apresentados seguindo a seguinte estrutura de tópicos determinada pelo sumário, onde se encontra a estrutura organizacional do mesmo.

O desafio para nós estudantes de licenciatura em física é mudar a forma de pensar e de ensinar física. E o estágio I possibilitou-me um repensar da educação no ensino de física no ensino médio.

A Observação constitui a primeira fase do Estágio I. Realizada no período de 17 de abril a 2 de junho de 2009, na EEFM Prof.ª Mário Schenberg, localizada na periferia de Fortaleza, no Bairro: Vila Manuel Sátiro – Rua: Américo Rocha Lima, 835, em duas turmas do 9ª Ano do Ensino Fundamental, no turno matutino, sob a regência do Prof.ª Jonas Rodrigues.

A escola que funciona nos períodos matutinos, vespertino e noturno oferece à comunidade o Ensino Fundamental, o Ensino Médio e o EJA. Com cerca de vinte professores efetivos e cinco temporários, atende em média 800 alunos da rede pública de ensino. Apesar de está localizada em um bairro que conta com ruas pavimentadas e uma linha de ônibus que passa ao lado da mesma, proporcionando assim um acesso rápido a escola, a maior parte dos alunos caracteriza-se por serem de famílias predominantemente pertencentes à classe média baixa.

O espaço físico da escola é precário, dividido em 1 salas de aulas, uma biblioteca, uma sala informática, secretaria, diretoria, cantina, sala dos professores, dois banheiros e dois pátios. Não temos ambiente para pratica de esportes, os banheiros são imundos, mas vale ressaltar que em todas as mudanças de turnos o ambiente da escola passa por uma limpeza. A questão do banheiro dos alunos revela a falta de princípios dos alunos.

A sala dos professores é coletiva com armários individuais para cada professor (efetivo e temporário) e é uma das poucas salas climatizadas. Dos materiais observados na diretoria, secretaria sala dos professores, temos ao todo: 4 computadores, 1 máquina de Xerox, diversos mapas, uma geladeira que seria propriedade da cantina e 5 armários.

As salas de aulas são pequenas quentes e não oferecem nenhuma estrutura, muitas delas tem apenas as grades, porta ou janelas de madeiras são vistas apenas na sala sete. Os pátios não são cobertos, e em dias de chuva as maiorias dos alunos continuam em sala, na hora do intervalo, já que a escola não oferece nenhum espaço para o lazer. Uma coisa que vale mencionar, durante os intervalos temos músicas, é colocado uma caixa de som no pátio com estilos variados, um dia é forró, noutro funk, rock e assim por diante, e desta maneira os alunos tentam se divertir como podem.

Em minha primeira visita a escola fui muito bem recebido pela diretora Valéria

Vasconcelos, que me apresentou a nova gestão diretora e ao professor Jonas Rodrigues. Conversamos sobre os horários de aulas, foi notável a preocupação com que a diretora e o professor tiveram, para comigo. Chegaram até sugerir uma mudança no cronograma da disciplina de ciências, onde em uma das turmas seria apresentado primeiramente o conteúdo de física e na outra seria oferecido o conteúdo de química, para que eu pudesse analisar melhoras as aulas de Física. Acertados os horários de aula ficando combinado de iniciarmos na próxima segunda dia 20 de abril, de 07h: 10min às 10h: 50min.

Meu primeiro contato com a turma aconteceu na sexta-feira, dia 17 de abril a convite do professor Jonas, onde assisti a duas aulas no 9ª ano A. Nessa aula o professor apresentoume a turma, composta de aproximadamente 30 alunos. Sentei-me no fundo da sala a fim de ter uma visão privilegiada da turma. Alguns alunos ficaram encabulados com a minha presença, porém não hesitaram em conversar, com os colegas.

Em minhas observações pude analisar que toda vez que um professor se atrasava os alunos já tinham por hábito, ficarem dispersos pelo pátio interrompendo as outras turmas. Em todas as turmas se fazia necessário dá um sermão ou perder de cinco a dez minutos pedindo silêncio, para que fosse possível iniciar a aula. Apesar da grande insistência do Prof. Jonas em manter os alunos concentrados e calmos assim que tocava a sirene anunciando o fim da aula, todos os alunos saiam desesperados sem se que respeitar o que o professor estava fazendo.

A experiência de estágio me fez ver que o professor não pode ser apenas um transmissor de conteúdo como também deve participar ativamente na vida dos alunos, deve ser um mentor, um regente, um guia e um influenciador. Deve estimulá-los a expressar suas idéias sem reprimi-las. Sabemos das pressões da escola e do desgaste em sala de aula que o professor tem, mas estar à frente de uma classe é uma enorme responsabilidade, pois há vidas humanas a serem trabalhadas. Os alunos têm sentimentos, têm atitudes e percebem tudo. Seus potenciais têm que ser descobertos pelo professor e este não deve jamais subestimá-los. Mediante a isso pode observar o profundo interesse em uma aula de campo, feita pelo professor, no próprio colégio no turno da tarde, onde o mesmo buscava aguçar a criatividade dos seus alunos mediante a uma aula de Química, sobre propriedades da matéria. Repassando alguns materiais e dividindo em grupos de papel, plásticos, vidro, pedras, ferros, imãs, dentre outros, cada aluno tinha um matéria em sua mão e responsável em fazer uma frase com ele. Em seguida, pediu para que os alunos tocassem-nos matérias dos outros e explicassem com suas palavras o que estava acontecendo e assim deu continuação em sua aula. Ou seja, para que eu seja um professor bom, ele tem que além de dominar o conteúdo tem que saber trabalhar com as várias inteligências múltiplas, que se apresentam em sala de aula.

O Estágio I foi um período em que busquei vincular aspectos teóricos com aspectos práticos. Foi um momento em que a teoria e a prática se mesclaram para que fosse possível apresentar um bom resultado. E, sobretudo perceber a necessidade em assumir uma postura não só crítica, mas também reflexiva da nossa prática educativa diante da realidade e a partir dela, para que possamos buscar uma educação de qualidade, que é garantido em lei (LDB - Lei nº 9394/96).

Realmente não foi fácil esse estágio, encontramos diversas dificuldades, principalmente quanto à estrutura física da escola analisada, pois as salas eram pequenas, muito quentes, tinha uma acústica horrível, as cadeiras (mesa e cadeira juntas) não contribuíram para a realização de muitas das atividades alem de grande parte das mesmas encontrarem-se quebradas e ainda nessas condições tínhamos uma sala constituída de cerca de 30 alunos. Os banheiros eram imundos, faltava espaço pra lazer no horário do intervalo dentre outra coisas.

Sempre ao chegar à sala dos professores, todos reclamavam, a maioria tinha aversão à turma do 9ª ano B. O que me chamou a atenção foi à postura efetiva de um profissional, um professor de história, que se preocupa verdadeiramente com o aprendizado. Devemos exercer o papel de um mediador entre a sociedade e a particularidade do educando. Devemos despertar no educando a consciência de que ele não está pronto, aguçando nele o desejo de se complementar, capacitá-lo ao exercício de uma consciência crítica de si mesmo, do outro e do mundo, como dizia Paulo Freire. Mas como fazer isso é o grande desafio que o educador encontra, no estágio não foi diferente e busquei a cada momento ser mais que professor ser um educador. Mas sem dúvida alguma o meu aprendizado foi imenso, mesmo terminando a aula sem dar uma palavra. Pelos pontos positivos e também pelos negativos esta foi uma experiência inesquecível.

A cada dia um momento diferente, acontecimentos que envolviam os alunos e que chamavam a atenção para as aulas, um fator de extrema importância que fora notado ao longo deste período é que o professor tinha certa dificuldade em determinados momentos de controlar alguns alunos em conversas paralelas que atrapalhavam o desenvolvimento das aulas.

Dessa forma, sugere-se um trabalho com os professores para que tais fatos não aconteçam e que tenham mais firmeza na hora de passar conteúdos e de chamar atenção dos alunos para que não fiquem dispersos a fim de atrapalharem o bom andamento das aulas.

Recomenda-se a cobertura de uma parte do pátio e iluminação mais adequada, e organização da biblioteca com a presença de uma pessoa responsável pela organização e manutenção do acervo, que é significativo para a instituição.

Um fato que me chamou a atenção foi uma aula na qual eu observava, onde o professor já cansado da indisciplina dos seus alunos dá um grito e diz: “Olha seus filhos da mãe! Até para vocês venderem drogas vocês tem que saber isso daqui!”. Isso mostra uma completa falta de valores. Como posso exigir respeito e silêncio se não faço o mesmo.

“A autoridade docente mandonista, rígida, não conta com nenhuma criatividade do educando. Não faz parte de sua forma de ser, esperar, sequer, que o educando revele o gosto de aventurar-se.” Freire, P. Pedagogia da Autonomia.

Ora como posso exercer autonomia, perante a minha turma se não respeito nenhum deles, se o trato com racismo. A prova foi tamanha que, na segunda-feira próxima na qual fiz uma aula de observação nesta turma os alunos não deixaram o professor dá a sua aula, ele teve que recolher-se e considerar a matéria como dada, pois todos estavam conversando.

Enfim, tenho a sensação de que sou vitorioso, por alcançar os objetivos traçados para este estágio, por transpor as dificuldades encontradas em sala de aula e no dia a dia de uma escola pública da periferia de Fortaleza.

ANTUNES, Celso. Como desenvolver conteúdos desenvolvendo as inteligencias múltiplas.

AZEREDO, Terezinha. As dimensões das competências.

FERNANDES, Estrela. Pedagogia da essência x Pedagogia da existência (para além de ambas).

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários a prática educativa .

HÜHNE, L. M. [org.]. Metodologia Científica. KESTRING, S.; BRANCHER, A.; SCHWAB, A. B. Metodologia do Trabalho

Acadêmico: orientações para sua elaboração.

LIMA, Maria Socorro Lucena. Conversando sobre a práxis docente. MARTINS, Vicente. Decálogo do Bom Professor. PADILHA, Heloísa. Tempos de Aula. PADILHA, Heloísa. Momentos de Aula. PADILHA, Heloísa. Mestre Maestro: a sala de aula como orquestra. PERRENOUD, Philippe. Competências e habilidades do professor. TEIXEIRA, Lúcia Maria. Nada disso! Abandonar as evidencias sobre autoridade. TEIXEIRA, Lúcia Maria. Por que privilegiar a autoridade baseada na competência?. TEIXEIRA, Lúcia Maria. Papéis que integram a competência do professor.

1 ANEXOS

Diários de Campo:

Aluno: MMS Professor: Jonas Rodrigues

Matéria: Introdução a Física e medidas 9ª B

Foi meu primeiro contato com a escola escolhida. Em um primeiro momento optei por conhecer o espaço físico e a metodologia proposta pela escola. Conversei com os professores para ficar mais à vontade. Notei em uma conversa com o professor de português que a relação professor-aluno não era das melhores. Não quis opinar no momento, pois ainda não conhecia a relação dentro da sala de aula, então voltei a minha visita a escola como um todo. Um ambiente que muito chamou minha atenção foi o pátio, onde nenhum aluno exercia uma atividade durante o intervalo, devido à falta de estrutura.

Após o intervalo acompanhei o professor até o 9ª B, uma sala localizada no 1ª andar.

Este foi o meu primeiro contato com a turma. Após a apresentação sentei-me no final da sala a fim de ter uma visão privilegiada da turma. Apesar da minha presença os alunos não hesitarão em conversar. Observei com atenção a maneira como o professor administrava os conteúdos. Apesar de um domínio razoável, sua organização no quadro era horrível, tinha hora que ele escrevia uma coisa num lugar e em seguida parava de escreve e ditava o que deveria ser copiado.

Só no final da aula o professor fez a chamada e passou exercícios para casa.

2ª Visita - 20/04/2009 Matéria: Introdução a Química e Matéria.

9ª A

Este é o meu segundo dia dentro da sala de aula como observador. Foi para uma turma do 9ª ano A, localizada no térreo, sala 03 ao lado da biblioteca. Acompanhado pelo professor Jonas, fui apresentado à turma. Permaneci na sala do primeiro tempo até o segundo tempo, de 07h e 10min até 08h e 50min onde se inicia o intervalo. Comecei observando a organização da sala, na qual se encontrava com as cadeiras disposta em filas, porém percebi uma divisão de grupos entre estas filas, das quais as duas ultimas eram compostas apenas de meninos, que não mostravam nenhum interesse ou respeito pelo professor e pela matéria. No final da sala encontrava-se outro grupo apelidado pelo professor de “sonecas”, pois estavam sempre de cabeça baixa ou dormindo e por fim o grupo que se esforçava para entender o conteúdo localizado principalmente na frente e a esquerda do professor.

A primeira atividade feita foi à chamada, com 27 alunos presentes o professor dá início a sua aula, pedindo que os alunos abram os seus cadernos para vistoria da tarefa de casa. Apesar do tumulto, e da conversa, a maior parte apresenta o exercício feito ou incompleto, apenas cinco alunos não apresentam.

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