Hormonios da Tireoide

Hormonios da Tireoide

Universidade da Região da Campanha – URCAMP

Disciplina de Exames Laboratoriais.

Hormônios da Tireóide.

*Introdução:

A tireoide é uma importante glândula endócrina,localizada sob a laringe, em frente a traquéia.Esta glândula secreta a tiroxina(T4),a triiodotironina(T3) e quantidades menores de outros hôrmonios iodados, que exercem efeito na taxa metabólica do organismo. Também secreta calcitonina,hôrminio importante para o metabolismo de cálcio.A secreção tireoidiana é controlada principalmente pelo hôrmonio estimulante da tireoide(TSH) produzido na adeno-hipófise.

*Tsh:

Se não há hormônios tireoidianos suficientes no sangue, a hipófise libera Tiretropina(TSH), que estimula a glândula tireóide para aumentar a produção e liberação de hormônios para o sangue até atingir a normalidade, quando isso acontece à hipófise diminui a produção de TSH. A diminuição na produção também se dá quando a tireóide esta hiper funcional.

*Células foliculares Tireoidianas:

Secretam uma proteina na qual se formam e armazenam os hormônios tireoideanos, denominada tireoglobulina,é necessario também uma captação de íon iodeto.O primeiro estágio para a formação dos hormônios tireoideanos é a transferencia de iodetos do liquido extracelular para as células glandulares da tireoide e dai para o foliculo.

*O iodo e a tireoide:

Para que a tireoide funcione adequadamente, existe uma dosagem minima de iodo que deve ser consumida diariamente(cerca de 200microgramas). Quando as taxas suficientes nao são fornecidas ocorrem varias anormalidades funcionais, entre as mais comuns esta a ligada a tireoide onde existe queda do T4 sérico e elevação do TSH.

*T3 e T4:

As funções destes hôrmonios são qualitativamente as mesmas,porém se diferem pela rapidez e intensidade de ação.A T3 é cerca de quatro vezes mais potente do que a T4, mas sua presença no sangue, em quantidades muito menores, persiste por muito menos tempo que a tiroxina.Esses hormônios agem em praticamente todos os sistemas do organismo.

*Avaliação do funcionamento da tireoide:

1)In Vitro:

a)Dosagem sérica de T3 e T4 (realizado por radio imuno ensaio,o princípio do método é uma reação imunológica in vitro entre antígeno e anticorpo. Com a introdução do hormônio marcado com isótopo radioativo, este irá competir pelo mesmo anticorpo, em igualdade de condições com o hormônio natural)

b)Indice de ligação do hormonio tireoideo(captação de T3 em resina)

c)Dosagem de Tsh plasmatico;

2)In Vivo:

a)Capatação de radio nuclideos pela tireoide(preferencia em se fazer dosagem sérica de t3 eT4 porque o paciente nao se espõe a substancias radioativas)

b)Mapeamento tireoidiano(pode ser obtido por administração de radio nuclideos,indicado para avaliação anatomica e funcional do bocio,pesquisa de metastases tireoidianas...)

c)Mapeamento do corpo todo(usado para a localização de metastases funcionantes do carcinoma)

*Doenças relacionadas a Tireoide:

-Sindrome do Doente Eutireoideu:

Os resultados dos exames da tireóide são anormais, embora a glândula apresente uma função normal. A síndrome do doente eutireóideo geralmente ocorre em indivíduos que apresentam uma doença grave que não seja a doença da tireóide. Nos indivíduos doentes, desnutridos ou que foram submetidos a uma cirurgia, a forma de T4 do hormônio tireoidiano não é normalmente convertida na forma de T3. Ocorre um acúmulo de grandes quantidades de T3 reversa, uma forma inativa do hormônio tireoidiano. Apesar dessa conversão anormal, a tireóide continua a funcionar e a controlar normalmente a taxa metabólica do organismo. Como a tireóide não apresenta problema, nenhum tratamento é necessário. Uma vez curada a doença subjacente, os exames laboratoriais revelam resultados normais.

- Doença de Graves:

Acredita-se que a doença de Graves (bócio difuso tóxico) seja causada por um anticorpo que estimula a tireóide a produzir quantidades excessivas de hormônios tireoidianos. Os indivíduos com doença de Graves apresentam os sinais típicos do hipertireoidismo e três sintomas adicionais característicos. Como toda a glândula é estimulada, ela pode apresentar um aumento de volume acentuado, acarretando uma protuberância no pescoço (bócio). Os indivíduos com doença de Graves também podem apresentar exoftalmia (olhos proeminentes) e, menos comumente, elevação da pele da porção inferior da face anterior das pernas. A protuberância dos olhos ocorre devido ao acúmulo de uma substância que se acumula na órbita. Essa protuberância associa-se ao olhar fixo e outras alterações oculares do hipertireoidismo.Essas alterações oculares podem iniciar anos antes de qualquer outro sintoma de hipertireoidismo, fornecendo um indício precoce para a doença de Graves; ou elas podem não ocorrer até que sejam percebidos outros sintomas. Os sintomas oculares podem mesmo surgir ou piorar após a secreção excessiva de hormônios tireoidianos tiver sido tratada e controlada.Deve ser tratada com diuréticos,colírios e pode ser necessária a administração de corticosteróides por via oral.

- Hipertireoidismo:

O hipertireoidismo acontece quando a glândula tireóide produz muito hormônio tireoidiano.

A causa mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves, uma patologia auto-imune que pode acometer todo o corpo,porém geralmente acomete os olhos, a tireóide e as pernas.

O aumento da produção deste hormônio causa os seguintes sintomas:

- Ansiedade, cansaço ou insônia.- Tremores.- Aumento da sudação.- Falta de fôlego (falta de ar).- Dificuldade em enxergar com nitidez.- Diminuição do peso.- Inchação da glândula tireóide (bócio).

Para o diagnóstico usa-se dosagem sérica de T4 total e a captação de T3 em resina podendo-se calcular o Índice de tiroxina livre.

Quando há hipertireoidismo os seguintes exames apresentam alterações:

a)Colesterol sérico, esta diminuído;

b) Captação de Radionuclideos pela tireóide, esta aumentada;

c)Mapeamento Cintilografico da tireóide, na forma difusa a glândula se mostra aumentada com hipercaptação

d)Exame de Urina, revela aumento da creatininuria e calciuria pode haver glicosuria pós prandial.

e)Hemograma,freqüentemente revela linfocitose;

f)ECG,pode mostrar taquicardia,fibrilação auricular e alterações das ondas P e T.

g)Exame Radiológico,a radiologia contrastada do esôfago pode mostrar a presença de bócio de localização baixa.

Geralmente, o tratamento do hipertireoidismo pode ser medicamentoso, mas as outras opções incluem a remoção cirúrgica da tireóide ou o tratamento com iodo radioativo.

- Bócio simples:

Mais comum na puberdade,gravidez ou menopausa. Deve-se a uma produção diminuída de hormônio tireoidiano que é equilibrado pelo aumento compensatório de TSH. Pode- se dar pela ingesta de alimentos bocigenos (ex;nabos),medicamentos (ex:lítio) ou defeitos enzimáticos.

Têm-se os seguintes resultados:

a)Colesterol sérico, esta aumentado;

b)Captação do Radio iodo,normal ou elevada;

c)Ultra sonografia, há aumento de todo o tecido tireoidiano sem grandes alterações de textura.

d) Mapeamento Cintilografico, os nódulos ,são de menor densidade cintilografica do que o restante do parênquima distinguindo-os dos existentes no bócio nodular tóxico.

- Hipertireoidismo:

No hipotiroidismo ocorre a deficiência dos hormônios da tireóide, que pode potencialmente afetar o funcionamento de todo o corpo. A taxa de funcionamento normal do corpo diminui causando lentidão mental e física. Os principais fatores de risco são idade superior a 50 anos, sexo feminino, obesidade, cirurgia de retirada da tireóide e exposição prolongada à radiação. Pode ser dividido em primário,secundário, congênito(cretinismo) e adquirida(jovens e adultos)

Os principais sintomas são :

fraqueza e cansaço, • intolerância ao frio, • intestino preso, • ganho de peso, • depressão, • dor muscular e nas articulações, • unhas finas e quebradiças, • enfraquecimento do cabelo, • palidez.

Nessa patologia temos:

a)Função Tireoidiana, apresentando nível sérico de T4 total com a captação de T3 em resina diminuídos ;

b)Dosagem do TSH Plasmático, serve para distinguir o hipotireoidismo primário(TSH elevado) do secundário (TSH diminuído).

c)colesterol Sérico, elevado no hipotireoidismo primário, podendo estar baixo no secundário, ligado a insuficiência hipofisária.

d)Enzimas séricas, podem se mostrar elevadas especialmente a lactose desidrogenase.

e)EEG, acentuada diminuição de voltagem,com ondas T achatadas ou invertidas.

f)Estudo radiológico, no cretinismo e no hipotireoidismo juvenil, as radiografias do esqueleto mostram retardo da maturação óssea entre outros.

O tratamento se dá através da reposição hormonal ,e deve ser seguido por toda a vida.

-Tireoidites:

È inflamação da tireóide,que produz um hipertireoidismo temporário que é freqüentemente seguido por um hipotireoidismo temporário ou por nenhuma alteração da função tireoidiana. Os três tipos de tireoidite são a tireoidite de Hashimoto, a tireoidite granulomatosa subaguda e a tireoidite linfocítica silenciosa.

-Tireoidite de Hashimoto:

Nesta patologia o corpo volta-se contra si ,em uma reação auto-imune e produz anticorpos que atacam à tireóide. O distúrbio ocorre oito vezes mais freqüentemente em mulheres que em homens e pode ocorrer em indivíduos com determinadas anormalidades cromossômicas, como as síndromes de Turner, de Down e de Klinefelter. Freqüentemente, a tireoidite de Hashimoto começa com um aumento indolor da tireóide ou com uma sensação de plenitude no pescoço. Quando o médico palpa a glândula, ele comumente percebe um aumento de volume da mesma, com uma textura de borracha, mas não dolorosa à palpação.

a)Função Tireoidiana,inicialmente T4 total e T3 estão normais mas o PBI(iodo ligado as proteínas) esta aumentado,posteriormente surge hipotireoidismo com diminuição de T4 e da captação de radio iodo.

b)Reações Sorológicas: elevados títulos de anticorpos antitiroidianos na fase inicial da doença,que após desaparecem.

-Valores de referencia:

ANTI - TIROGLOBULINA

Material

soro

Método

Quimioluminescência

Coleta

Jejum de 8 horas

Interpretação

diagnóstico da tireoidite de Hashimoto. A medida dos níveis de anticorpos anti - tireoglobulina no soro pode também ser usada para outras doenças da tireóide. Mais de 90% dos pacientes com tireoidite de Hashimoto apresentam títulos elevados de anticorpos anti - tireoglobulina.

Referência

Até 40,0 IU/mL

ANTI - TIREÓIDE

Material

soro

Método

Quimioluminescência

Coleta

Jejum não obrigatório

Interpretação

Ver Anticorpos AntiTireoglobulina, Anti Microssomal.

Referência

Anti-Microssomal,Anti-Tireoglobulina,Normal <60,0 UI/mL

T3 - TRIIODOTIRONINA LIVRE

Material

soro

Método

Quimioluminescência

Coleta

Jejum não obrigatório

Interpretação

diagnóstico do hipotireoidismo e hipertireoidismo

Referência

1,45 a 3,48 pg/mL

T4 - TIROXINA LIVRE - Curva

Material

soro

Método

Quimioluminescência

Coleta

Jejum não necessário.

Interpretação

diagnóstico do hipertireoidismo e hipotireoidismo

Referência

0,70 a 1,80 ng/dL

TSH - HORMÔNIO TIREOESTIMULANTE

Material

soro

Método

Quimioluminescência

Coleta

Jejum não necessário.

Interpretação

diagnóstico do hipotireoidismo primário

Referência

0,5 a 5,0 uUI/mL

TRAB - ANTICORPO ANTI RECEPTOR DE TSH

Material

soro

Método

Eletroquimioluminescência

Coleta

Jejum de 8 horas.

Interpretação

avaliação, diagnóstico e acompanhamento de doença de

Graves

Referência

    • Positivo : Acima de 1,75 UI/L

    • Normal : Inferior a 1,75 UI/L

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