Int. Eng. de transportes

Int. Eng. de transportes

(Parte 1 de 2)

UNIOESTE – Curso de Engenharia Civil

Área de Estradas e Transportes

Disciplina de Transportes Introdução à Engenharia de Transportes

Prof. Carlos Prado Júnior

Universidade Estadual do Oeste do Paraná Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas Curso de Engenharia Civil

UNIOESTE – Curso de Engenharia Civil

Área de Estradas e Transportes

Disciplina de Transportes Prof. Carlos Prado Júnior Notas de Aula – Introdução à Engenharia de Transportes

1. O Sistema de transporte e a sociedade: O papel dos sistemas de transporte no desenvolvimento da humanidade é de extrema importância. Ele é parte indispensável da infra-estrutura de qualquer região e o grau de desenvolvimento de uma sociedade está ligado diretamente ao grau de sofisticação dos seus sistemas de transportes. Toda sociedade requer mobilidade para o seu funcionamento – pessoas se locomovem dos locais de moradia para os locais de trabalho, insumos e bens acabados são levados até seus consumidores etc. De um ponto de vista amplo, as opções de trabalho, lazer e consumo e o acesso à saúde, educação, cultura e informação de uma sociedade dependem da qualidade do sistema de transporte a disposição.

O crescimento da agroindústria, da indústria e dos serviços depende diretamente da amplitude dos mercados consumidores e da disponibilidade de insumos. Um bom sistema de transporte garante o fornecimento de matérias-primas e aumenta o mercado consumidor servido por elas, além de providenciar a ligação entre a residência dos trabalhadores e seu local de trabalho.

2. Campo e a Natureza da Engenharia de Transportes: 2.1. Definições: O ITE - Institute of Transportation Engineers (1999), entidade sediada em Washington, D.C., define Engenharia de Transportes como sendo a aplicação de princípios tecnológicos e científicos ao planejamento, projeto funcional, operação, administração e gerenciamento de instalações para qualquer modo de transporte de forma que permita a movimentação de pessoas e bens de modo seguro, rápido, confortável, conveniente e econômico com um mínimo de interferência com o meio ambiente natural. A Engenharia de Tráfego, muitas vezes é confundida com a Engenharia de Transportes, e é descrita como sendo um ramo da Engenharia de Transportes que lida com o planejamento e projeto geométrico viário, terminais e áreas adjacentes, com o controle de tráfego de veículos nestes locais e com o seu relacionamento com outras modalidades de transportes.

2.2. Campo e objetivos da Engenharia de Transportes: A Engenharia de Transportes é uma área de estudo multidisciplinar e um ramo relativamente novo da Engenharia Civil, que usa técnicas e conceitos extraídos da Economia, da Geografia, da Pesquisa Operacional, da Geopolítica, do Planejamento Regional e Urbano, da Probabilidade e Estatística, da

Universidade Estadual do Oeste do Paraná Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas Curso de Engenharia Civil

UNIOESTE – Curso de Engenharia Civil

Área de Estradas e Transportes

Sociologia, da Psicologia. Além do conjunto de conhecimentos comumente utilizados na Engenharia Civil. Ainda que o projeto de veículos seja deixado à parte, exige-se um bom conhecimento das características destes veículos para o projeto, análise e avaliação de sistemas de transporte.

O objetivo principal da Engenharia de Transportes é descobrir a melhor combinação possível dos equipamentos (veículos, vias, terminais etc.) e de formas alternativas para sua operação numa determinada região. Se esta região for limitada, como por exemplo, ao movimento de minério de uma mina para um porto, o problema é relativamente simples. Entretanto, a Engenharia de Transportes costuma lidar com extensas regiões geográficas e movimentos de pessoas e cargas com propósitos diferentes. Um problema típico encontrado em Engenharia de Transportes é planejar o desenvolvimento do sistema de transportes de uma região metropolitana, ou ainda, planejar melhorias na rede de transporte interurbano de um estado ou região.

2.3. O Engenheiro de Transportes: Ainda que se possa definir com precisão o que é Engenharia de Transportes, é um tanto quanto mais complicado definir o engenheiro de transportes, pois engenheiros atuando nas mais variadas áreas consideram-se engenheiros de transportes. Em um extremo têm-se os engenheiros civis (especializados em rodovias, ferrovias ou portos) que por estarem envolvidos no projeto de componentes dos sistemas de transportes podem ser classificados como engenheiros de transportes. Entretanto, existem engenheiros mecânicos, aeronáuticos e navais (incluindo os que projeto veículos) que também se consideram engenheiros de transportes devido ao tipo de atividades que exercem. Há ainda engenheiros eletrônicos ou de computação que, por estarem envolvidos no controle dos veículos e no projeto e operação dos veículos e no projeto e operação de sistemas de comunicação entre veículos, poderiam ser igualmente considerados engenheiros de transportes.

Estes engenheiros não preenchem toda a gama de atividades desenvolvidas no campo da Engenharia de Transportes; outros profissionais, com as mais variadas formações básicas (arquitetos, economistas, sociólogos etc.) se dedicam a planejar melhorias de sistemas de transportes urbanos e regionais, tais como: ampliação de redes de transporte urbano; controle de fluxos de tráfego nas vias existentes e a operação de sistemas de transporte coletivo urbano. Ainda que estas pessoas não sejam engenheiros por formação, elas certamente desempenham atividades que engenheiros de transporte poderiam desempenhar.

Muitos dos engenheiros de transporte e dos outros profissionais que trabalham no campo da Engenharia de Transportes fazem parte de empresas de consultoria, planejamento e projeto. Nestas empresas, os problemas de transportes podem ser abordados em vários níveis: trabalha-se tanto com o planejamento macroscópico quanto com o detalhamento de projetos, com a especificação de contratos de construção, com a compra de equipamentos, com o planejamento e controle de obras e com outras atividades relacionadas com o projeto e a construção de sistemas ou componentes dos sistemas de transportes. Outros engenheiros trabalham para agência governamentais ligadas aos sistemas de transporte, que se encarregam do

UNIOESTE – Curso de Engenharia Civil

Área de Estradas e Transportes planejamento, construção e operação de uma ampla variedade de instalações das quais consiste o sistema de transporte de um país ou região.

O campo da Engenharia de Transportes é amplo e engloba muitas formas diferentes de atividade profissional. Ele não possui limitações geográficas, não estando restrito a áreas urbanas ou rurais nem a nações industrializadas ou em desenvolvimento; não focaliza apenas um tipo particular de movimento (tal como o deslocamento de pessoas e cargas); nem está limitado a uma modalidade particular. Existem várias formas de organizar e relacionar os vários campos de atividades de que se compõe a Engenharia de Transportes. Segundo MORLOK (1978), pode-se dividir a Engenharia de Transporte em:

· Engenheiros de Sistemas de Transportes ou Planejadores de Sistemas: são profissionais cuja principal atividade refere-se à análise e proposição de soluções globais de transporte para uma dada região ou mercado. Estes engenheiros ou planejadores (comumente arquitos, economistas, engenheiros civis etc.) consideram todas as modalidades e tecnologias de transporte que poderiam ser utilizadas para solucionar um determinado problema. Eles utilizam características gerais dos componentes que lhes permitem comparar inter – relações entre as várias partes do sistema, mas tipicamente não se dedicam ao desenvolvimento de características específicas de projeto e operação destes componentes.

• Engenheiros de Componentes de Sistemas de Transportes: são profissionais que se especializam em componentes particulares do sistema para fins de análise, projeto e definição de métodos e procedimentos para seu uso. Esta categoria inclui, por exemplo, o engenheiro civil rodoviário, que se dedica ao projeto geométrico de estradas ou ao projeto e construção de pavimentos; o engenheiro de construção naval, que projeta e constrói navios; o engenheiro civil ou arquiteto que projeta terminais de passageiros etc.

São os engenheiros de sistemas de transportes (juntamente com economistas, advogados, arquitetos, sociólogos, psicólogos etc.) que tratam dos problemas amplos de onde, quando e quais componentes de sistemas de transporte devem ser implementados em determinados locais ou regiões. As questões relacionadas à integração de sistemas, à forma de operá-los e aos preços que devem ser cobrados pelo seu uso também são objeto de estudo dos engenheiros de sistemas de transporte.

A atividade dos engenheiros de sistemas de transporte tem estreita ligação com os indivíduos que detém o poder de decisão com referência à região de estudo, pois o sistema de transportes é parte indispensável da infra-estrutura de qualquer região, seja ela urbana ou rural, desenvolvida ou subdesenvolvida. O planejamento de transportes está intrinsecamente ligado a políticas mais amplas de desenvolvimento sócioeconômico e as decisões em transportes estão ligadas a prioridades de desenvolvimento econômico e mudanças geopolíticas e sociais, o que faz com que o engenheiro de transportes trabalhe em colaboração com economistas, sociólogos e políticos. Em áreas urbanas, os programas de desenvolvimento dos transportes estão tipicamente ligados à ocupação e uso do solo. Neste contexto, o trabalho do engenheiro de sistemas de transporte associa-se ao trabalho de planejadores urbanos.

UNIOESTE – Curso de Engenharia Civil

Área de Estradas e Transportes

Uma vez definido o plano geral de implementação de um componente do sistema de transporte ou de expansão de componentes já existente, inicia-se a atuação dos engenheiros de componentes de sistemas de transportes, ou seja, o detalhamento do plano geral, transformado-o em um projeto executivo. Por exemplo, uma vez definido que deva ser construída uma nova linha de metrô, engenheiros de infra-estrutura de transportes definirão a geometria e a estrutura da via e dos terminais; engenheiros mecânicos ferroviários projetarão os veículos e os engenheiros de operação e manutenção de transportes formularão planos detalhados de operação, com programação de horários, controle dos veículos, atribuição de pessoal etc. Todos estes profissionais trabalham de forma coordenada, de modo, a criar um sistema integrado e coerente com os objetivos inicialmente traçados para o sistema.

2.4. A Engenharia de Transportes e a Análise de Sistemas: Pode-se então notar que, além da formação do engenheiro civil para exercer as funções de engenheiro de componentes de sistemas de transporte, existe a necessidade que ele adquira também conhecimento adequado da análise sistêmica, através da qual pode-se abordar problemas complexos de maneira mais eficiente. Existem três características da maior parte dos sistemas de transportes que os fazem difíceis de serem analisados sem uma abordagem sistêmica:

· O grande número de viagens individuais e despachos de carga na sua área de influência; • O número praticamente ilimitado de alternativas a serem analisadas, dada a grande disponibilidade de tecnologias de transporte e os diferentes modos pelos quais elas podem ser operadas a diferentes custos;

• A variedade de objetivos a serem atingidos, que rotineiramente são difíceis de serem medidos e que ultrapassam noções simples, tal como minimizar o tempo gasto em viagens.

2.4.1. A Abordagem Sistêmica: A análise de sistemas é um método desenvolvido durante os últimos quarenta anos para o estudo de problemas complexos como os de Engenharia de Transportes, através do método científico. Um sistema é um grupo de componentes que interagem para desempenhar uma tarefa ou atingir um objetivo prédefinido. Um exemplo de sistema é uma rede viária, que contém vias, veículos e terminais. A via é um subsistema, assim como o são os veículos e os terminais.

Uma meta é o estado final que se deseja atingir e deve refletir o propósito ou função a que o sistema deve servir (WORTMAN, 1976). O sistema de transporte, por exemplo, é um sistema que presta um serviço à sociedade; a meta deste sistema pode ser definida em termos de dar mobilidade para algum tipo de função econômica, social ou política. Muitas vezes, tem-se mais de uma meta. As metas devem ser definidas concomitantemente com o problema e o sistema propriamente ditos. A definição de metas nesta etapa do processo dá uma idéia geral da forma pela qual o sucesso das várias soluções possíveis para o problema será avaliado.

UNIOESTE – Curso de Engenharia Civil

Área de Estradas e Transportes

Para se alcançar uma meta, define-se um ou mais objetivos, que devem ser mensuráveis e passíveis de serem atingidos. Considerando-se o sistema de transporte, os objetivos estão relacionados com a implantação de sistemas de transporte rodoviário, ferroviário, aéreo ou hidroviário, ou ainda uma combinação deste que possam prover o grau de mobilidade requerido.

A escolha dos objetivos sugere, de certa forma, as medidas de eficácia (MDE) que serão utilizadas para avaliar quanto cada ação alternativa satisfaz um objetivo. As conseqüências das decisões tomadas sejam elas em termos de benefícios perdidos ou oportunidades não utilizadas, são avaliadas através de medidas de custo (MDC) ou medidas de eficiência.

Um critério relaciona uma medida de eficácia com uma medida de custo através de uma regra usada para a seleção de uma alternativa entre várias outras, cujos custos e eficácia tenham sido previamente determinados. Um tipo particular de critério, o padrão, é um objetivo fixo: o mais baixo (ou mais alto) nível de desempenho aceitável.

Uma comunidade possui um conjunto de normas, princípios ou padrões sociais que governam seu comportamento. A este conjunto de conceitos chamam-se valores, que por serem partilhados por grupos de características similares são muitas vezes chamados valores sociais ou culturais. Os valores fundamentais da sociedade incluem o desejo de sobreviver, a necessidade de ser sentir parte de um grupo ou lugar, a necessidade de ordem e a necessidade de segurança.

Uma política de ação é um princípio que guia o curso escolhido para se atingir um objetivo. A avaliação do estado de um sistema e a definição de alternativas para mudança é chamada de definição de políticas de ação. O processo em si deve ser controlado e dispor de retroalimentação (feedback) para que possa alterar hipóteses, objetivos e políticas adotadas.

Os passos na análise de um sistema são os seguintes:

· Reconhecimento dos problemas e valores de uma comunidade; • Estabelecimento de metas;

• Estabelecimento de objetivos;

• Estabelecimento de critérios e padrões para avaliação das opções;

• Definição de opções para se atingir os objetivos e metas estabelecidas;

• Avaliação das opções em termos de eficácia e custos;

• Questionamento dos objetivos e hipóteses adotadas;

• Exame de novas opções ou modificações nas opções já definidas;

(Parte 1 de 2)

Comentários