Terminais

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Componentes Funcionais – Terminais

Notas de Aula – Disciplina de Transportes

Disciplina de Transportes

Componentes Funcionais dos Sistemas de Transportes - Terminais

Carlos Prado Júnior

Cascavel – Paraná 2002

Universidade Estadual do Oeste do Paraná Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas Curso de Engenharia Civil

Componentes Funcionais – Terminais

Notas de Aula – Disciplina de Transportes

Disciplina de Transportes Prof. Carlos Prado Júnior

Notas de Aula Componentes Funcionais dos Sistemas de Transportes – Terminais

“Todas as coisas passarão” George Harrison

Introdução

São aqui apresentados alguns conceitos básicos associados aos terminais de transportes, tais como: suas funções principais, questões de localização e um breve comentário sobre os fluxos de tráfego que deverão ser processados dentro de terminais.

1. Considerações Iniciais:

A definição mais comum dada aos terminais de transportes é que eles são pontos onde pessoas e/ou objetos começam ou terminam suas viagens. Em um sistema de transportes o objetivo é realizar uma viagem de um ponto ao outro e para isso são utilizados uma ou mais modalidades. Sendo assim, podemos definir também os terminais como pontos de transferência de pessoas e/ou objetos de uma modalidade de transporte para outra ou mesmo de um veículo para outro na mesma modalidade.

Podemos exemplificar o exposto acima pelo fato de que a maioria das viagens de pessoas possui um trecho feito a pé até um determinado ponto, neste caso um ponto de ônibus. Sendo assim, este ponto pode ser considerado um terminal, onde as pessoas se transferem do modal a pé para o modal ônibus, táxi etc. Esse talvez seja o exemplo mais simples de um terminal, porém ele pode aumentar rapidamente sua complexidade se incluirmos na sua estrutura uma série de funções, tais como: transferência de pessoas que chegam de bicicleta, de moto ou de carro particular e que têm a intenção de estacionar seus veículos no terminal durante o dia para seguirem sua viagem de ônibus até o trabalho, à escola ou outro local.

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Como pessoas e/ou objetos, geralmente, são transportados por veículos, os terminais também são pontos onde os veículos começam e terminam suas viagens, o que em muitos casos pode ser uma garagem, na qual os veículos são armazenados (estacionados) e podem ser submetidos a inspeções, vistorias e reparos.

Freqüentemente, os profissionais que atuam na área de transportes (Engenheiros, arquitetos etc.) estão envolvidos com problemas da definição da localização, projeto e dimensionamento de novos terminais, bem como, da avaliação operacional e redimensionamento de terminais já existentes. Estas tarefas podem ser relativamente simples, como no caso dos pontos de ônibus, ou em um simples ponto de carregamento /descarregamento de caminhões num comércio ou indústria. Porém pode ser muito mais complexa, como no caso de grandes terminais de transportes, tais como: grandes rodoviárias; aeroportos internacionais; portos marítimos; centros de distribuição de cargas de um distribuidor atacadista ou de carga itinerante.

O assunto terminais é vasto e, geralmente, constitui problemas de solução relativamente complexa, em função das múltiplas variáveis envolvidas e da quantidade de opções disponíveis. Grandes terminais também são, via de regra, instalações caras, com custos da ordem de milhões de dólares. Além disso, as soluções apresentadas precisam possui nível de serviço compatível com o esperado pelo cliente, o que requer pessoal relativamente especializado para projetar, construir e operar esses terminais, ou seja, os técnicos precisam ter um nível de conhecimento muito mais amplo do que o obtido em curso de graduação de engenharia ou arquitetura.

Figura 1. Estação de metrô (terminal) e estacionamento para automóveis.

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2. Funções dos Terminais de Transportes

De acordo com seção anterior, os terminais são pontos onde pessoas e/ou objeto começam ou terminam uma viagem por um modal de transportes, ou ainda, entram e saem de um sistema de transportes.

Para iniciar uma viagem é necessário que uma pessoa adquira uma passagem, ou apresente um bilhete comprado anteriormente e assim ter direito a embarcar num veículo. No caso de cargas ou objetos é necessário conferir suas características (peso, dimensões etc.) com aquelas informadas nas notas fiscais, emitir outros documentos e fazer com que esses documentos cheguem ao veículo que irá realizar o transporte. Nos terminais onde existe tráfego internacional os procedimentos são mais complexos e envolvem controle de documentos (passaporte, certificados de vacina, guias de exportação/importação etc.) e inspeção de pessoas e cargas por autoridades policiais e da alfândega, além de inspeções sanitárias.

Devido ao fato de pessoas e/ou objetos, quando se dirigem a um terminal para embarcar em um determinado veículo, não chegarem exatamente na hora do embarque, nem saírem logo após o desembarque, um terminal de transportes é uma instalação onde há acúmulos de pessoas e/ou cargas, que esperam pelo processamento em um dos canais de atendimento do sistema ou esperam o próprio embarque no veículo que irá transportá-los. Desse modo, os terminais devem oferecer um determinado nível de conforto às pessoas, durante o período de espera e proteção contra danos ou roubo às cargas, que são agora responsabilidade do operador do terminal durante o processo de transferência para os veículos ou de um veículo para outro.

Figura 2. Estação de metrô em São Paulo.

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Dependendo do tempo de espera no terminal, como exemplo o tempo de espera dos passageiros em um aeroporto para realizar uma conexão com outros vôos, os serviços oferecidos aos usuários podem incluir além de banheiros e lanchonetes, outras opções, tais como: restaurantes; berçários; posto médico; correios; bancos; livrarias; bancas de revistas; salas de repouso e até mesmo hotel. No caso de cargas poderá haver instalações para cargas refrigeradas, cargas perigosas, abrigos para animais em quarentena etc.

Nos terminais ocorre também o abastecimento dos veículos com combustíveis e alimentos, são feitas inspeções e manutenções se necessárias. Sendo assim, nos grandes aeroportos existem hangares de manutenção, instalações de combustível com tubulações e pontos de abastecimento nos pátios de estacionamento, instalações industriais de cozinhas para abastecerem os aviões com comida, estações de tratamento e incineração de lixo, estações de tratamento de água e esgoto, bem como, instalações de manutenção das edificações e dos veículos rodoviários que auxiliam no atendimento dos aviões, transportando cargas e bagagens e, em alguns casos, transportando passageiros entre o terminal e o avião.

Em função da quantidade de operações realizadas nos grandes terminais de transportes acaba-se gerando um número muito grande de funcionários da operadora do terminal, das empresas de transporte que operam no terminal e das dezenas ou centenas de empresas prestadoras de serviços ligadas direta ou indiretamente com a atividade de transporte. Estes funcionários que podem atingir a casa dos milhares, como exemplo no Aeroporto Internacional de Guarulhos ou no Porto de Santos e Paranaguá, requerem por

Figura 3. Terminal de passageiros de um aeroporto e pontes de embarque e desembarque.

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Notas de Aula – Disciplina de Transportes sua vez instalações especificas de escritórios, lanchonetes, restaurantes, estacionamentos de automóveis e ônibus. Além disso, eles são potenciais consumidores das atividades de serviços e comércio do terminal.

!"Embarque e desembarque de passageiros e/ou cargas em um veículo de transporte, ou esteira rolante, dutovia etc; !"Transferência de um veículo para outro;

!"Acúmulo de passageiros ou carga do instante de chegada até o ponto de partida: o Processamento de passageiros no embarque e desembarque; o Processamento das bagagens dos passageiros no embarque e desembarque; o Oferta de amenidades aos passageiros; o Processamento de carga (estufagem e desova de dispositivos de unitização de carga – DUC’s, reagrupamento de cargas;

!"Documentação do movimento: o Venda de passagens aos clientes, controle de reservas etc. o Pesagem e medição da carga, preparação do conhecimento e manifesto de carga, controle de guias de importação e exportação, emissão de faturas etc. !"Acúmulo, manutenção e atribuição de veículos e DUC’s:

!"Concentração de passageiros e/ou carga em grupos de tamanho econômico para o embarque para preencher a capacidade de um trem, um avião, um ônibus e dispersão desses grupos no desembarque.

Figura 4. Terminal portuário.

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Além disso, existe um grande número de instalações onde algumas dessas funções básicas se processam e são mencionadas como terminais de transportes.

Tabela 1. Relação da modalidade e o nome do terminal.

Modalidade Principal Nome ou Terminal

Aeródromo Aeroporto Terminal de passageiros Terminal de cargas

Aéreo

Hangar de manutenção

Posto de serviço Rodoviário

Pedágio

Automóvel Garagem / estacionamento

Terminal rodoviário

Terminal de ônibus Ônibus

Ponto de ônibus

Terminal rodoviário de carga Caminhão

Armazém

Pátio de estacionamento Ferroviário

Oficina

Estação ferroviária Estação rodoviária

Estação metroviária Passageiros

Ponto de bonde Armazém

Plataforma de carga Carga

Pátio de triagem Eclusa Cais / pier Armazém de carga geral Terminal de passageiros Terminais especializados – petrolíferos Dique seco

Hidroviário

Terminal oceânico

Terminais de armazenagem Dutoviário

Refinarias

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3. Localização do Terminal

A princípio um terminal deve possuir localização de tal forma que maximize o nível de serviço oferecido aos clientes que o utilizem. Sendo assim, por exemplo, um ponto de ônibus deverá estar localizado de forma a tornar acessível pelos seus potenciais usuários, em geral os habitantes de uma micro-região, que irão empreender uma viagem para uma indústria, escola, hospital, centro comercial etc. Para o caso de viagens interurbanas, um terminal rodoviário, ou até mesmo um aeroporto regional, devem está localizados em locais de fácil acesso para que possam atender a comunidade, isto é, acessíveis a toda uma comunidade.

Em contra partida os sistemas de transportes geram uma série de sub-produtos indesejáveis para os usuários e para os não-usuários, tais como: poluição em várias formas - sonora, visual, da atmosfera etc. Desse modo, o problema da escolha do local para implantação de um terminal se transforma na necessidade de encontrar locais alternativos que compatibilizem os objetivos dos usuários com aspectos de qualidade de vida da comunidade a ser atendida.

Figura 5. Dique seco para construção e manutenção de navios.

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O tema localização de terminais foi extensamente pesquisado e debatido, nos últimos anos, para o modal aéreo, pois aeroportos requerem grandes extensões territoriais, geram poluição atmosférica e criam obstáculos à movimentação terrestre quando envolvidos pelo desenvolvimento urbano. Por outro lado aeroportos, portos e estações rodoviárias atraem o desenvolvimento de atividades comerciais e de serviços e, geralmente, valorizam os terrenos no seu nas suas áreas vizinhas.

Do ponto de vista técnico podemos considerar os seguintes aspectos no processo de escolha dos locais para implantação de terminais de transportes:

!"Tipo de desenvolvimento do solo na área do entorno; !"Condições atmosféricas (em particular para aeroportos);

!"Disponibilidade de área de expansão futura do terminal;

!"Custo de acesso ou de implantação de serviços úteis (eletricidade, água, esgoto, lixo, telefone etc.); !"Custos de construção (terraplenagem, drenagem, edificações);

!"Proximidade do(s) centro(s) gerador(es) de tráfego.

Pode ser considerado um problema típico de localização de terminais de transportes o da escolha de um local para implantação de uma indústria ou de um shopping (centro comercial) dentro da área urbana. A maioria das autoridades municipais brasileiras não considera obrigatória a existência de estacionamentos industriais e comerciais na área urbana, gerando assim vários problemas devido ao acúmulo de caminhões de pequeno, médio e grande porte nas vias urbanas, dificultando o tráfego de veículos e afetando negativamente a qualidade de vida de boa parte da população que vive nas áreas vizinhas desses estabelecimentos comerciais.

4. Fluxos de Tráfego em um Terminal

Para que haja bom planejamento e projeto de um terminal de transportes, independente da modalidade, é necessária a previsão dos fluxos de tráfego que irão ser processados no terminal. A princípio é preciso ter uma ordem de grandeza do tráfego para um ano horizonte de projeto, sendo este considerado como o tráfego no terminal em sua fase final de desenvolvimento. Esse ano horizonte geralmente é considerado para um período

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Notas de Aula – Disciplina de Transportes de 15 a 20 anos, porém instalações de aeroportos e portos prevêem períodos de projeto ainda maiores.

Essa previsão do futuro é utilizada no dimensionamento da área que deve ser preservada para a implantação total das instalações, pois se não forem preservadas haverá dificuldades ou até mesmo impedimento de expansões futuras das instalações.

Neste caso o fluxo de tráfego deverá ser considerado sob vários aspectos, como por exemplo: o fluxo de veículos do terminal, o que gerará com o tempo necessidade de expansão das áreas de rolamento, estacionamentos e outros dispositivos úteis; o fluxo ou acúmulo de usuários, que irá com o tempo provocar a necessidade de expansão da infra-estrutura de circulação de pessoas (terminal de passageiros) e o fluxo de serviços que poderá ser implementado no terminal, o que também irá provocar necessidade de expansão do sistema.

BRUNTON, M. J. Introdução ao planejamento dos transportes. Ed. Interciência e Editora da USP, São

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ELMIR G. Planejamento de transportes. Editora da Escola Politécnica da USP, 1975. KHISTY, C. J. Transport engineering – An introduction. Prentice-Hall, Englewood Cliffs, N. J. 1990. MELLO, J. C. Planejamento dos transportes. São Paulo: Ed. Mcgraw-Hill, 1975. MORLOK, E. K. Introduction to transportation engineering and planning. McGraw-Hill Kogakusha,

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Figura 6. Dique seco com navio em construção.

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