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A Cultura do Café A Cultura do Café

1. Importância e Indicadores Econômicos

O Brasil é o principal produtor e o maior exportador mundial de café, sendo que na safra 2006/2007, estima-se uma produção de 41.600.0 sacas. Os principais Estados produtores estão apresentados no Quadro 1.

No Brasil as áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, destacando-se quatro estados como grandes produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Em segundo plano, situam-se Rondônia e Bahia, e como pequenos produtores: Mato Grosso, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Pará e Ceará.

Quadro 1 – Produção de Café Beneficiado na Safra 2005/06. Fonte: (CONAB, 2006)

Figura 1. Estimativa da produção de café na safra 2006/07, por unidade da federação. (Fonte: CONAB, 2006).

Grandes Culturas – Professor Fábio de Lima Gurgel

O cultivo do café no Brasil integra importante complexo agro-industrialexportador, que ainda hoje faz do país o principal player global, embora sofrendo concorrência de outros produtores tradicionais, como Colômbia, Guatemala, México e Costa do Marfim, e menos tradicionais, como o Vietnã.

A acirrada concorrência internacional e o fato de o café exportado em grãos ter características de commodity, i.e., produto vendido a granel, sem diferenciação de marca, origem ou qualidades decorrentes de uma procedência determinada ou de produtor distinto (ex.: minérios, grãos e outros produtos de origem vegetal ou animal sem beneficiamento ou semi-elaborados, produtos industriais intermediários), exigem desenvolver estratégias comerciais e mercadológicas para diferenciar o produto brasileiro.

Para tanto, é possível utilizar o instituto jurídico da denominação de origem para proteger o produto brasileiro, dessa forma identificando os cafés brasileiros, plantados, cultivados e processados, e para eles obter melhores condições de colocação e preço nos mercados consumidores mundiais.

A economia do café pode ser agrupada em quatro setores: produção, comercialização, industrialização e consumo.

2. Origem, Evolução e Introdução no Brasil

O cultivo e uso da planta iniciou-se na Abissínia, há mais ou menos quinhentos anos, passando à Etiópia, ao Iêmen, ao restante da Arábia, transmite-se à Ásia, Indonésia, às Américas e à África Tropical, e hoje é considerada bebida universal.

A humanidade adotou o café como bebida matinal porque ele estimula o cérebro.

O café possui, além da cafeína, uma lactona que atua de forma benéfica sobre o cérebro. Seu consumo diário torna o cérebro mais atento e capaz para suas atividades intelectuais. O café também diminui a incidência de apatia e depressão; estimula a memória, a atenção e a concentração. Pode ajudar a prevenir o consumo de drogas e álcool, além de diminuir a incidência de cirrose em alcoólatras.

A cafeicultura brasileira desenvolveu-se no século XIX, ganhando primazia entre as culturas de exportação no país, vindo superar o açúcar, ao ponto de inspirar políticas governamentais nas primeiras décadas do século X. O desenvolvimento

Grandes Culturas – Professor Fábio de Lima Gurgel econômico brasileiro e a história nacional têm repercussões da expansão do café no território brasileiro e do desbravamento de regiões por essa cultura.

A primeira planta de café foi introduzida no Brasil, em 1727, pelas mãos do sargento-mor Francisco de Mello Palheta. As plantas foram cultivadas em Belém do Pará, de onde o café irradiou-se para o Maranhão e estados vizinhos e chegou a Bahia em 1770. Chegando ao estado do Rio de Janeiro em 1774, desenvolvendo-se nos contrafortes da Serra do Mar, indo em direção ao Vale do Paraíba, onde chegou em 1825, espalhando-se, em seguida por São Paulo e Minas Gerais.

O movimento do café, em sua marcha à procura de novas terras, sempre férteis, abriu estradas, criou cidades, gerou riquezas. Assim aconteceu em todas as regiões em que foi cultivado, com o melhor exemplo em São Paulo, onde o café chegou ao Oeste Paulista (em Campinas e Ribeirão Preto) em 1835 e 1840.

No Brasil são mais de trezentos mil cafeicultores. Além do setor produtivo, a comercialização movimenta um considerável número de pessoas e de dinheiro no país, sendo incalculável o número de profissionais que atuam nessa área. Existem cerca aproximadamente 150 empresas com registro de exportação e 1700 indústrias de torrefação e moagem, 1 indústrias de café solúvel, além de cooperativas, maquinistas e corretores que atuam no mercado diariamente efetuando negócios com café.

O Brasil responde por cerca de 27% (vinte e sete por cento) da atual produção mundial, que é superior a 105 milhões de sacas (60 quilos. c.u.) de grãos de café verde e é o segundo consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. O consumo interno no Brasil absorve 14% do café produzido no país. O café verde é exportado em grão, resultado da colheita dos frutos maduros ou bagas, despolpados previamente para a retirada e secagem dos grãos. Das espécies cultivadas, a robusta tem plantada no Brasil apenas a variedade denominada conillon, enquanto a arábica tem diversas variedades, como Icatu, Obatã, Catuai.

A preparação da bebida envolve, previamente, a cocção, a torrefação e a moagem dos grãos de café verde, processos esses que, ao lado da qualidade e sanidade das plantas e dos frutos, das condições de solo e clima, e dos tratos culturais e a colheita, secagem, seleção dos graus, e a estocagem, emprestam os atributos finais de aroma, sabor, intensidade e persistência do gosto, adstringência, acidez ao produto final consumido.

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3. Botânica e Cultivares

O cafeeiro pertence ao grupo das plantas Fanerógamas Classe: Angiosperma Subclasse: Dicotiledônea Ordem: Rubiales Família das Rubiáceas Tribo: Coffea Subtribo: Coffeinae Gênero: Coffea É uma planta de porte arbustivo ou arbóreo, de caule lenhoso, lignificado, reto e quase cilíndrico. O pé de café frutifica em média após cinco anos do plantio, exigindo tratos constantes nesse intervalo. São produzidos em média 2,5 quilos de frutos ("cerejas") ao ano, por pé, de que resulta 0,5 kg (meio quilo) de café verde, em seguida obtendo-se 0,4 quilo do café torrado. A brota do café depende do clima e da altitude de seu cultivo, e a flor dá um fruto de cor vermelha, de 10 a 15 milímetros de diâmetro, com dois grãos geminados de cor cinza amarelado. Mais informações sobre os aspectos botânicos do cafeeiro serão ilustrados com os vídeos apresentados em sala de aula. As principais espécies do gênero Coffea são:

–Coffea eugenioides Moorea

–Coffea congenis Froehner

–Coffea canephora Pierre •Nas regiões quentes e úmidas os arbustos podem chegar a 5,0m de altura;

•As folhas são grandes (9 a 20 cm), elípticas, lanceoladas com bordos bem ondulados, nervuras salientes e de um verde bem mais claro que as de Coffea arabica;

•As flores são de cor branca, em grande número por inflorescência e por axila foliar;

•Os frutos possuem em média 1,5 cm de comprimento por 1,2 cm de largura com formas variadas entre as diferentes variedades;

•Os frutos apresentam coloração vermelha ou amarea, quando maduros;

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•Os frutos possuem superfície lisa, exocarpo fino, mesocarpo pouco aquoso e endocarpo delgado;

•As sementes são de tamanho médio com 1,0 cm de comprimento e 0,7 cm de largura de cor verde clara e película prateada aderente;

•As variedades dessa espécie crescem em estado espontâneo na África

Tropical, numa área bastante extensa, desde as florestas equatoriais até as regiões das savanas.

–Coffea arabica L. •Os arbustos desta espécie podem atingir até 4m de altura;

•A raiz principal é amplamente ramificada nas primeiras camadas do solo;

•Os ramos primários são longos e flexíveis, havendo ramificações primárias e secundárias;

•As folhas são de cor verde-escuro, tamanho médio (13,4 x 5,0 cm), opostas, elípticas, com lâmina brilhante;

•As flores são agrupadas em inflorescências axilares protegidas pelo caulículo por dois pares de bractéolas;

•O número de flores varia de 2 a 20 por axila, em função do vigor da planta e condições do ambiente;

•Os frutos com 1,5cm por 1,1cm, são do tipo drupa, de cor vermelha ou amarela, em função da variedade;

•A superfície do fruto é lisa e brilhante, exocarpo delgado e endocarpo fibroso;

•As sementes com 0,9cm por 0,7cm são oblongas;

•O endosperma é revestido pela película prateada, tendo na sua base o embrião, que apresenta tamanho médio de 1 a 2mm.

As espécies Coffea arabica (café arábica) e Coffea canephora (café robusta) são as únicas cultivadas em grande escala nas variadas regiões cafeeiras do mundo e representam, praticamente, 100% de todo o café comercializado.

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A espécie Coffea arabica L. é originária de regiões de altitude mais elevada, de clima úmido e de temperaturas amenas. Apresentam restrições, principalmente, com relação à temperatura média anual, que deve situar-se na faixa de 18oC a 2,5oC. Ex.: Típica, Angustifólia, Cera, Mokka, Erecta, Maragogipe, Caturra, Bourbon, Bourbon Amarelo, Mundo Novo, Acaía, Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo, Rubi, Topázio, Icatu, Catimor, Obatã, Tupã, IAPAR-59, Caticaí.

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