Manual de silvicultura tropical

Manual de silvicultura tropical

(Parte 1 de 5)

Natasha Ribeiro, Almeida A. Sitoe Benard S. Guedes, Cristian Staiss

Universidade Eduardo MondlaneUniversidade Eduardo Mondlane

Faculdade de agronomia e engenharia Florestal Departamento de engenharia Florestal

Natasha Ribeiro

Almeida A. Sitoe Benard S. Guedes

Cristian Staiss

Maputo, 2002

Publicado com apoio da FAO, Projecto GCP/Moz/056/Net

1. Glossário 1. Glossário1
2. Definição e objectivos da silvicultur2. Definição e objectivos da silvicultura3
2.1. Definição 3
2.2. Subdivisões da silvicultura e seus objectivos 3
3. Povoamentos florestais3. Povoamentos florestais6
3.1. Generalidades 6
3.2. Perpetuação dos povoamentos florestais 7
3.3. Condução de povoamentos florestais 8
3.3.1. Desbastes9
3.3.1.2. Tipos de desbastes10
3.3.1.2.1. Desbaste pelo baixo10
3.3.1.2.2 Desbaste pelo Alto12
3.3.1.2.3. Desbaste Selectivo14
3.3.1.2.4. Desbaste Sistemático15
3.3.1.3. Vantagens e desvantagens dos desbastes15
3.3.1.4. Efeito dos desbastes17
3.3.1.4.1. Efeitos fisiológicos17
3.3.1.4.2. Efeitos ecológicos dos desbastes17
3.3.1.4.3. Efeitos de medição17
3.3.1.4.4. Efeitos sobre as características silviculturais18
3.3.1.5. Momento do desbaste18
3.3.1.6. Desbaste e qualidade da madeira19
3.3.2. Desrame19
3.3.2.1. Programa de desrame20
3.3.2. 2. Momento da desrame e critérios para sua definição20
3.3.2.3. Número e características das árvores a desramar2
3.3.2.4. Periodicidade, modos e época de desrama2
3.3.2.5. Equipamento, métodos e documentação da desrama23
4. Formações florestais nos (sub4. Formações florestais nos (sub--) trópicos) trópicos24
4. 1. Generalidades24
4.2. Floresta higrófila perenifólia (floresta pluvial tropical)27
4.2.1. Floresta higrófila perenifólia de baixa altitude27

Conteúdo Conteúdo

4.3. Floresta higrófila caducifólia30
4.3.1. Floresta xerófila caducifólia3
4.3.1.2. Miombo34

4.2.2. Florestas higrófilas perenifólias de altitude elevadas (Floresta de Montanha) 29 4.3.1.2. Divisão do miombo de acordo com a precipipitação 35

4.3.1.3.Composição e estrutura37
4.3.1.3.1. Composição37
4.3.1.3.2. Estrutura38
4.3.1.3.3. Fenologia da vegetação do miombo42
4.3.1.3.4. Frutificão e dispersão e de sementes42
4.3.1.3..5. Germinação das sementes45
4.3.1.3.4.6. Regeneração e crescimento45
4.3.1.3.7. Mortalidade46
4.4 Florestas tropicais em sítios especiais47
4.4.1. Mangais47
4.4.1.1. Definição47

- - i 4.4.1.2. Padrão de distribuição dos mangais a nível Mundial e em Moçambique 48

4.4.1.3.Composição e estrutura dos mangais49
4.4.1.4. Adaptações dos Mangais às difíceis condições do sítio51
4.4.1.5. Importância dos Mangais52
4.4.1.6. Causas da degradação dos Mangais5
4.4.1.7. Consequências da destruição dos Mangais5
4.4.1.8. Regeneração natural e artificial dos mangais57
4.4.1.8.1. Regeneração natural57
4.4.1.8.2. Regeneração artificial57
4.4.2. Florestas paludosas de água doce e florestas inundadas58
4.4.2.1. Florestas Pantanosas58
4.4.2.2. Florestas paludosas em solos eutróficos59
4.4.2.3. Florestas Inundadas59
4.4.2.4. Matas de Galeria60
4.4.2.5. Florestas de Campinas60
4.4.2.6. Florestas tropicais naturais de coníferas61
5. Dinâmica de florestas nativas5. Dinâmica de florestas nativas63
5..1. Generalidades63
5.2. Sucessão Florestal (caso de uma floresta tropical higrófila)65
5.1.2. Definições65
5.1.3. Estágios de sucessão6
5.2. Dinâmica da regeneração (caso de uma floresta tropical higrófila)71
6. Competição e a sua importância ecológica6. Competição e a sua importância ecológica71
6.1. Generalidades73
6.2. Tipos de competição75
6.2.1. Competição intraespecífica75
6.2.2. Competição interespecífica76
6.3. Estratégias de competição7

6.4. Comportamento silvicultural das espécies arbóreas sob condições de competição 78

7. Análise silvicultural de uma floresta nativa7. Análise silvicultural de uma floresta nativa81
7.1. Generalidades81
7.2. Normas para o levantamento silvicultura81
7.3. Selecção, tamanho e forma das amostras81
7.4. Dados necessários para uma caracterização silvicultural86
7.5. Interpretação dos dados87
7.6. Exemplo de uma análise silvicultural89
8. Sistemas Silviculturais8. Sistemas Silviculturais100
8.1. Generalidades100
8.2. Formas de domesticação102
8.2.1. Transformação102
8.2.2. Substituição103
8.3. Tipos de sistemas silviculturais104
8.3.1. Sistemas Monocíclicos104
8.3.1.2. Subdivisão dos sistemas monocíclicos106
8.3.1.2.1. Sistemas para florestas de baixa altitude106
8.3.1.2.2. Sistema para florestas de alta altitude (primarias ou secundarias)106
8.3.1.2.2.1. Sistema de regeneração natural ou artificial com dossel protector106
8.3.1.2.2.2. Remoção do dossel superior de uma só vez109
8.3.2. Sistemas Policíclicos110
8.3.2.1.Sistemas de enriquecimento1
8.3.2.2. Sistemas de melhoramento114
3.2.2.3. Sistemas de desbastes118
9. Questões especiais de transformação de florestas tropicais 9. Questões especiais de transformação de florestas tropicais121
9.1. Tratamentos silviculturais121
9.1.1. Principais tipos de tratamentos silviculturais122
9.1.1.1. Libertação122
9.1.1.2. Refinamento123
9.2. Técnicas silviculturais122
9.2.1. Principais técnicas silviculturais124
9.2.1.1. Anelamento124
9.2.1.2. Perfurações126
9.2.1.3. Envenenamento127
9.2.1.4. Corte directo128

- - i 10. Biblioografia 10. Biblioografia 121

1. Glossário

Crescimento: Crescimento de uma planta é o aumento do tamanho ao longo do tempo (Louman et al., 2001), e a formação de novos órgãos (GTZ, 1986). O crescimento é expresso em termos de diâmetro, altura, área basal ou volume (Louman et al., 2001).

Desbaste: É a redução do número de árvores que crescem num determinado povoamento, de modo a condicionar a competição, e dar as árvores restantes, mais espaço, luz e nutrientes para o seu bom desenvolvimento.

Desrame: É o corte ou supressão natural ou artificial, dos ramos mortos ou vivos que se situam ao longo do fuste, para melhorar a qualidade da madeira.

Estrutura vertical: É a distribuição de biomassa ao longo do perfil vertical do ecossistema (Louman et al., 2001).

Estrutura horizontal: É a distribuição espacial das plantas numa determinada área (Sitoe, 1995). A estrutura horizontal pode ser coetânea ou disetânea. A primeira, corresponde a uma floresta, na qual a maior parte dos indivíduos de uma ou várias espécies pertencem a mesma classe de idade ou tamanho. A segunda corresponde a uma floresta na qual os indivíduos se encontram distribuídos em várias classes de tamanho, em forma de "J-invertida", uma distribuição típica das florestas nativas (Louman et al., 2001).

Mortalidade: É a diferença entre o tamanho da população no ano X e no ano X+1, ou seja, a percentagem da população no ano X. A população ano X +1 representa a sobrevivência da população depois de 1 ano. A mortalidade pode variar de um ano para outro, e é função do número de árvores, do diâmetro dela e da idade (Louman

Povoamento florestal: É uma parte da floresta, que se destingue evidentemente do resto da floresta, por causa da sua particular estrutura e composição das espécies arbóreas (Lamprecht, 1990). Recrutamento: É a entrada de novas árvores para um dado povoamento. O recrutamento também pode ser definido como sendo a entrada de árvores para classe diamétrica seguinte.

Silvicultura: É a arte ou a ciência de manipular um sistema dominado por árvores e seus produtos, com base no conhecimento das características ecológicas do sítio, com vista a alcançar o estado desejado, e de forma economicamente rentável (Louman et al., 2001).

Sistema silvicultural: É a sequência de amostragens, e tratamentos silviculturais, com vista a favorecer certas árvores, por forma a obter uma floresta com uma proporção de árvores de espécies comercias, desejáveis e cada vez mais vigorosas (Louman et al., 2001).

Sistemas Monocíclicos: São aqueles que removem numa só operação todo stock de madeira comercial. Estes sistemas, modificam completamente a estrutura natural da floresta, com objectivo de criar florestas altas equiâneas. Os principais sistemas são: sistema de regeneração natural/artificial com dossel protector; sistemas de eliminacão do dossel superior de uma só vez, e em função da regeneração natural ou artificial das sementes e sistema monocíclico de melhoramento (Louman et al., 2001).

Sistemas Policíclicos: São aqueles que manejam o povoamento em pé, e apenas, uma parte das espécies são aproveitadas. Estes sistemas modificam muito pouco a estrutura natural ad florersta, e o objectivo é de criar uma floresta alta multiânea e composta predominantemente por espécies de valor comercial. Os sistemas policíclicos podem ser subdivididos em: sistemas de enriquecimento, sistemas de melhoramento e sistemas de desbastes (Louman et al., 2001).

Sítio Florestal: É um conceito abstracto, e denota uma combinação de vários factores ambientais (factores do solo, topográficos, climáticos e competitivos), que afectam o crescimento das árvores. Os factores ambientais e das próprias plantas interagem entre si, tornado difícil separ, as causas e os efeitos do crescimento, e da produtividade do sítio. Não existe uma forma única de medir a qualidade de sítio que possa ser considerada a melhor (Pereira, não publicado). Entre os vários critérios utilizados para avaliar a qualidade de sítio, ressaltam-se os seguintes: avaliação do solo, avaliação da topografia, avaliação climática, projecção do crescimento da planta, tamanho das árvores, composição de espécies, aparência do povoamento, índice de sítio, modelação do sistema de informação geográfica (SIG), teledetecção e ordenação espacial.

Tratamentos silviculturais: São intervenções florestais destinadas a manter ou melhorar o valor silvicultural da floresta (Louman et al, 2001).

Técnica Silviculturaia: São os meios pelas quais se aplicam os tratamentos silviculturais.

2. Definição e objectivos da silvicultura

2.1. Definição

O termo silvicultura provém do Latim silva (floresta) e cultura (cultivo de árvores), e tem sido definida de várias formas:

Ford-Robertson (1971) considera a silvicultura, como a ciência e arte de manipular um sistema dominado por árvores e seus produtos, com base no conhecimento da história da vida, e as características gerais das árvores e do sítio.

Lamprecht (1990) define a silvicultura, como sendo o conjunto de todas as medidas tendentes a incrementar o rendimento económico das árvores até se alcançar quando menos, um nível que permita um maneio sustentável.

Segundo Oldman (1990), silvicultura, é uma arte de planificação a longo prazo, com base em informação detalhada sobre as características da floresta com vista a alcançar o estado desejado.

Para efeitos do presente manual, será usada a definição de Louman et al (2001) que combina a definição de Ford-Robertson (1971), considerando que a floresta é manejada para se alcançar o estado desejado (Oldman, 1990), e que essas actividades sejam economicamente rentáveis (Lamprecht, 1990).

2.2. Subdivisões da silvicultura e seus objectivos

A silvicultura subdivide-se em silvicultura clássica e silvicultura moderna (lamprecht, 1990). A clássica opera quase exclusivamente com as florestas naturais, recorrendo as forças produtivas decorrentes do sítio, e os seus limites são determinados pela necessidade de não ameaçar a estabilidade natural, condicionada pelo ecossistema. A silvicultura moderna, opera quase exclusivamente com as florestas plantações, e o mais independente possível do sítio natural, isto é, num meio artificial, e só artificialmente mantido.

Ambas as subdivisões tem por objectivo fundamental, a produção de madeira (Lamprecht, 1990). Porém, a silvicultura moderna para além de produzir madeira, assume outras funções tais como: serviços (protecção, lazer, bem estar) ou bens (postes, resinas, cortiça, etc..).

Independentemente dos objectivos em questão, é tarefa do silvicultor saber quando e como intervir na floresta de modo a conseguir um alto rendimento, mas sem afectar o equilíbrio ecológico. Estas questões só podem ser respondidas através do conhecimento das condições de sítio (sítio ecológico), por forma a ter-se uma ideia do tipo de intervenção silvicultural, capacidade de regeneração e crescimento, intensidade de exploração, mas por outro, lado para se ter uma base para a planificação do orçamento das actividades florestais

3. Povoamentos florestais

3.1. Generalidades

Povoamento florestal é uma parte da floresta que se destingue evidentemente do resto da floresta por causa da sua estrutura e composição espécifica particulares de espécies arbóreas (Lamprecht, 1990), e o tamanho mínimo situa-se entre 0.5-1 ha.

De acordo com a estrutura os povoamentos florestais podem ser equiânios ou inequiânios.

· Povoamentos equiânios, também designados por povoamentos regulares ou coetânneos, são aqueles que em determinado momento, as árvores pertencem à mesma classe de idade, isto é, a diferença de idades entre as árvores jovens e adultas não é superior a 20 % da idade de rotação (Loureiro, 1991).

Povoamentos equiâneos, normalmente são povoamentos artificiais e poucos deles, senão nunca, são encontrados como povoamentos naturais, dada a dificuldade que existe de se conhecer a idade real das florestas nativas. Por exemplo, se a idade de rotação de um povoamento for de 50 anos, este será considerado equiâneo, se a diferença de idades entre as árvores jovens e adultas for inferior a 10 anos.

• Povoamentos inequiânios, também designados por irregulares ou disetâneos, são aqueles que possuem pelo menos três classes de idade misturadas no mesmo povoamneto (Loureiro, 1991). Os povoamentos inequiâneos podem ser naturais ou artificiais. A floresta de miombo é um exemplo típico deste de povoamentos inequiâneos.

Quanto à composição os povoamentos podem ser puros ou mistos.

· Povoamentos puros, são os constituídos por uma ou muito poucas espécie arbóreas e normalmente são artificiais (plantações), mas também podem ser naturais. Para povoamentos artificiais, podem servir de exemplos as plantações do projecto FO2 localizados em Marracuene (Maputo), Nova-Chaves (Nampula) entre outros locais e para os povoamentos naturais servem de exemplos, a floresta de mangal e mopane.

Os povoamentos puros (naturais), podem ser o resultado da força de concorrência superior de uma determinada espécie arbórea, condições extremas devido ao clima (geadas, secas, fogos, pragas ou doenças, etc.), devido ao solo (solos permanentemente inundados, salinos, etc.) devido a topografia (terreno íngreme e acidentado, montanhoso, etc.) (Lamprecht, 1990).

• Povoamento mistos, são os constituídos por várias espécies arbóreas, de tal forma que todas influenciam e determinam as circunstancias do meio ambiente do povoamento, por exemplo, a floresta miombo, as pradarias, etc. Entre os factores responsáveis pela formação de povoamentos mistos, destaca-se a coincidência de nichos ecológicos e equilíbrio de concorrência entre várias espécies arbóreas do povoamento (lamprecht, 1990).

3.2. Perpetuação dos povoamentos florestais

A perpetuação dos povoamentos pode ser feita através de três regimes: alto-fuste, talhadia simples e talhadia composta. Alto-fuste é o sistema no qual a regeneração do povoamento se obtém através de sementeira e/ou plantio. Na talhadia simples, o maciço florestal obtém-se a partir da propagação vegetativa (rebrotação). Entre as principais espécies arbóreas usadas neste regime destacam-se as folhosas (por ex.

Eucalyptus sp.), entretanto, também são usadas coníferas, por exemplo, Shorea robusta (Dipterocarpaceae).

O principal objectivo económico deste regime de maneio, é a produção de lenha, embora seja também usado para produzir madeira e carvão. Quando talhadia simples destina-se a produção de lenha, as rotações habituais, situam-se entre 10-15 anos e os rendimentos médios na África atingem cerca 30-40 Esteres/ha, porém, vezes há, em que são usadas rotações maiores, por exemplo, Lamprecht (1990), refere que na Ásia os rendimentos atingem valores de 60-70 esteres/ha quando prolonga-se a rotação para 30 anos. Estes valores são apenas indicativos, pois, a capacidade produtiva varia dum sítio ao outro. Florestas localizadas em sítios com capacidade produtiva menor são manejadas usando rotações maiores que aquelas localizadas em sítios com capacidade produtiva maior.

A talhadia simples também é usada para produzir madeira indústrial. Nesses casos, segundo Lamprecht (1990) e Loureiro (1991) deve-se enveredar por rotações óptimas, isto é, rotações que possibilitem o corte no momento em que o incremento corrente é máximo. Além da idade óptima de rotação, existem outros factores importante a considerar para que o rendimento seja alto: condições de sítio, capacidade de rebrotação das espécies arbóreas disponíveis, idade de exaustão ou decadência dos cepos, época de corte e outros.

O terceiro regime de perpetuação denomina-se talhadia composta que é uma conjugação dos regimes anteriores (alto-fuste e talhadia simples) no mesmo povoamento, portanto, é uma composição mista dos dois regimes anteriores (Loureiro, 1991).

3.3. Condução de Povoamentos Florestais

Condução de povoamentos é o conjunto de todos os tratamentos culturais e silviculturais realizados sobre o povoamento desde a sua instalação até ao fim da rotação. Na disciplina de Plantações Florestais foram tratados aspectos culturais como por exemplo limpezas, sementeira/plantio, adubação entre outros. Nesta disciplina, maior atenção será dada a aspectos silviculturais nomeadamente:

desbastes e desrames. 3.3.1. Desbastes

Desbaste é a redução do número de árvores que crescem num determinado povoamento, de modo a condicionar a competição e, dar às árvores restantes mais espaço, luz e nutrientes para o seu bom desenvolvimento. Esta operação é efectuada após o fechamento do dossel do povoamento (GTZ, 1986).

Os desbastes assentam-se sobre uma classificação que indica quais as classes de árvores que ficam no povoamento e simultaneamente quais devem ser removidas.

Existem vários métodos de classificação e todos eles baseiam-se em certos critérios a saber: a posição sociológica das árvores no povoamento, as características das copas e dos fustes, estado sanitário entre outros. Por exemplo, temos a classificação da KRAFT e a Associação dos Institutos Florestais de Ensaio Alemão que são apropriados para estrutura sociológica dos povoamentos homogéneos, e a classificação da IUFRO e a Inglesa “Forestry Commission”, que são usadas para povoamentos puros e heterogéneos, com várias espécies.

Para efeitos deste manual irá dar-se a da “Forestry Commission”. Segundo esta distinguem-se 5 grupos de árvores:

1. Árvores dominantes- são árvores bem desenvolvidas, cujas copas atingem os níveis mais elevados do coberto, recebem luz directa vinda de cima e em parte lateralmente. As árvores dominantes atingem maiores dimensões do que as árvores médias do povoamento.

2. Árvores codominantes- são aquelas cujas copas medem em relação ao nível geral do coberto dimensões médias, suportam competição lateral, recebem luz directa vinda de cima e escassa lateralmente.

3. Árvores subdominantes- são aquelas cujas copas possuem dimensões menores e ocupam os espaços existentes entre as copas das dominantes e codominates e, apenas recebem luz directa na extremidade da copa;

4. Árvores dominadas- aquelas cujas copas se encontram sob as das classes anteriores e não recebem luz directa.

5. Árvores mortas ou que estão a morrer- neste caso não interessa à classificação do tronco ou das copas quanto à conformação, e geralmente estas árvores são removidas no primeiro corte que passe pelo povoamento.

Com excepção da classe 5, nas restantes, as árvores são repartidas por 3 grupos consoante a qualidade do tronco e noutros 3 consoante a forma e dimensões da copa. Quanto à qualidade do tronco distingue-se: tronco bem conformado, tronco levemente defeituoso e tronco muito defeituoso. Quanto à forma e dimensões da copa distingue-se: copa bem conformada, copa levemente defeituosa e copa muito defeituosa.

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