Interpretação de Análise de Solo

Interpretação de Análise de Solo

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BOLETIM TÉCNICO N° 2

INTERPRETAÇÃO DE ANÁLISE DO SOLO Conceitos e Aplicações

Alfredo Scheid Lopes Luiz Roberto Guimarães Guilherme

Julho de 1992

ANDA Associação Nacional para Difusão de Adubos

INTERPRETAÇÃO DE ANÁLISE DE SOLO Conceitos e Aplicações

Associação Nacional para Difusão de Adubos –São

Lopes, A. S. e Guidolin, J.A Interpretação de Análise de Solo – Conceitos e Aplicações. 3º edição. Comitê de Pesquisa/ Técnico/ ANDA Paulo, 1989, 64 p. 1. Solo – Análise. 2. Interpretação. 3. ANDA I Título

CDU:631.42/64

A análise de solo ocupa lugar de destaque como instrumento de diagnose de fertilidade, bem como é base para recomendação de corretivos e fertilizantes.

Este instrumento de diagnose evoluiu consideravelmente nas últimas décadas no Brasil, sendo indispensável à tomada de decisão para um uso racional de corretivos e fertilizantes, quando se tem por objetivo aumentos da produtividade e da produção, levando o agricultor à obtenção de maiores retornos sobre os investimentos.

Associada a outras técnicas de diagnose da fertilidade do solo (análise foliar, testes de tecidos, diagnose visual, cultura em faixas, conhecimento de fatores que afetam a disponibilidade de nutrientes e outros), a análise de solo constitui-se em informação básica indispensável principalmente quando se aplica o conceito de Produtividade Máxima Econômica (PME) nas diversas culturas.

Entretanto, para o técnico conseguir o máximo de informações de um resultado de análise para fins de avaliação de fertilidade, é necessário um grande esforço em termos de relembrar conceitos básicos que, aplicados de maneira inteligente, conseguem direcionar os boletins de análisee para um enfoque mais abrangente dos problemas das plantas e suas soluções.

Com este objetivo foi elaborado este Boletim Técnico que, além de discutir alguns conceitos básicos de fertilizantes do solo, utiliza-os na solução de problemas práticos do dia a dia daqueles que atuam no setor de assistência técnica.

Esperamos que as informações contidas neste boletim sejam um passo a mais para o uso eficiente de corretivos e fertilizantes, contribuindo para melhorar o processo produtivo da agropecuária brasileira.

2. COLÓIDES E ÍONS DO SOLO3
2.1. Origem das cargas negativas.................................................. 6
2.2. Origem das cargas positivas.................................................... 9
DE TROCA DE ÂNIONS (CTA).......................................................10
3.1. Capacidade de troca de cátions (CTC).....................................10
3.2. Expressão da CTC....................................................................12
3.3. Características do fenômeno de troca......................................13
3.4. Fatores que afetam a CTC........................................................14
3.5. Série preferencial de troca........................................................17
3.6. Capacidade de troca de ânions (CTA)......................................18
4. CONCEITOS BÁSICOS SOBRE ACIDEZ DO SOLO E CTC19
4.1. Acidez ativa..............................................................................19
4.2. Acidez trocável.........................................................................19
4.3. Acidez não-trocável..................................................................20
4.4. Acidez potencial ou acidez total...............................................20
4.5. Soma de bases trocáveis.........................................................21
4.6. CTC efetiva...............................................................................2
4.7. Percentagem de saturação de alumínio...................................2
4.8. CTC a pH 7,0............................................................................23
4.9. Percentagem de saturação de bases da CTC a pH 7,0...........23
5. EXEMPLOS PRÁTICOS PARA FIXAÇÃO DOS CONCEITOS26

3. CAPACIDADE DE TROCA DE CÁTIONS (CTC) E CAPACIDADE

ANÁLISES DE ROTINA PARA AVALIAÇÃO DA FERTILIDADE DO
SOLO................................................................................................. 46
6.1. Expressão dos resultados...........................................................46
6.2. Transformações de unidades......................................................46
7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA50
8. TABELAS53

6. REPRESENTAÇÃO E CONVERSÃO DOS RESULTADOS DE INTERPRETAÇÃO DE ANÁLISE DE SOLO

Conceitos e Aplicações

Alfredo Scheid Lopes * Luiz Roberto Guimarães Guilherme **

1. INTRODUÇÃO

No processo de recomendação de corretivos e fertilizantes, é indispensável a utilização dos resultados da análise de solo da maneira mais eficiente possível.

Entretanto, nem sempre o técnico que orienta o agricultor, em relação a estas práticas, faz uso de todas as informações que podem ser obtidas a partir do boletim de análise de solo, sub-utilizando, muitas vezes, aspectos fundamentais para a tomada de decisão.

Para aumentar a eficiência do trabalho de diagnose de problemas de fertilidade do solo, é necessário que o técnico esteja familiarizado com conceitos básicos sobre o assunto e como estes podem ser utilizados de uma forma mais abrangente.

Neste contexto, uma recapitulação sobre colóides e íons do solo, capacidade de troca de cátions (CTC) e de ânions (CTA), inter-relações entre conceitos de acidez e CTC, teores e tipos de argila e matéria orgânica permite trabalhar melhor os resultados de análises de solo na proposição de soluções para os possíveis problemas de fertilidade.

Este trabalho escrito de maneira bem simples procura oferecer aos técnicos que prestam orientação a agricultores, em relação à recomendação de corretivos e fertilizantes, uma oportunidade para relembrar estes conceitos básicos e aplicá-los na solução prática de problemas do dia a dia.

Para facilitar a fixação dos aspectos práticos destes conceitos, são apresentados vários problemas de fertilidade do solo, sem pretender, entretanto, que as soluções encontradas sejam adequadas para todas as situações.

Espera-se que estas informações contribuam para maior eficiência na utilização de corretivos e fertilizantes, tendo como objetivo uma maior produtividade da agricultura brasileira.

* Eng. Agr., MSc, PhD, Professor Emérito do Depto de Ciência do Solo, UFLA - Lavras, MG e Consultor Técnico da ANDA. ** Eng. Agr., MSc, PhD, Professor Adjunto do Depto de Ciência do Solo, UFLA - Lavras, MG.

2. COLÓIDES E ÍONS DO SOLO

À medida que os solos são formados, durante os processos de intemperização, alguns minerais e a matéria orgânica são reduzidos a partículas extremamente pequenas. Alterações químicas diminuem ainda mais estas partículas até o ponto em que elas não podem mais ser vistas a olho nu. Estas partículas de menor tamanho é que são chamadas de “colóides”.

Em termos práticos, o tamanho das frações da fase sólida do solo pode ser identificado de acordo com a seguinte classificação (Tabela 1):

Tabela 1. Classificação, quanto ao tamanho, dos componentes da fase sólida do solo.

Frações Dimensões (m)

Calhaus20 a 2

Areia grossa2 a 0,2

Areia fina0,2 a 0,02 Limo0,02 a 0,002

Argila< 0,002 ou 2 micra (µ)

Os colóides argilosos são frações menores que 0,001 m ou 1 micra. Os colóides orgânicos constituem-se no húmus, sendo produtos da decomposição da matéria orgânica, transformados biologicamente.

Um resumo da classificação dos tipos de colóides é mostrado na Tabela 2.

Tabela 2. Classificação dos tipos de colóides.

Tipo de colóideComposição

MineraisArgilas silicatadas e argilas sesquioxídicas (óxidos, hidróxidos e oxi-hidróxidos de Fe e Al) Orgânicos húmus

Os cientistas de solos aprenderam que os colóides minerais (argilas) são, em geral, de estrutura semelhante a placas e de natureza cristalina (formam cristais). Na maioria dos solos, os colóides minerais encontram-se em maior quantidade que os colóides orgânicos. O ponto importante é que os colóides são os principais responsáveis pela atividade química dos solos.

O tipo do material de origem e o grau de intemperização do solo determinam os tipos de argila e as suas quantidades. O teor e qualidade do húmus são influenciados pelo tipo de matéria orgânica que o solo possui por natureza ou em decorrência de adições posteriores. Uma vez que os colóides do solo são formados das argilas e da matéria orgânica, sua reatividade global depende do material de origem, grau de intemperização e atividade microbiana, dentre outros fatores.

Os colóides (argila ou húmus) apresentam, em geral, um balanço de cargas negativas (-), desenvolvido durante o processo de formação. Isto significa que eles podem atrair e reter íons com cargas positivas (+), da mesma forma que pólos diferentes de um imã são atraídos, ao passo que repelem outros íons de carga negativa, como pólos iguais de um imã se repelem. Em certos casos, os colóides podem, também, desenvolver cargas positivas (+).

É comum dividir as cargas negativas dos solos em cargas permanentes e cargas dependentes do pH. Esta divisão é extremamente importante, como será visto no decorrer deste trabalho. As cargas permanentes existem nas estruturas dos minerais e, por esta razão, estão sempre operantes. Já as cargas dependentes do pH são efetivas ou não, dependendo do pH do meio.

Um elemento que apresenta uma carga elétrica é chamado de “íon”.

Potássio, sódio, hidrogênio, cálcio e magnésio apresentam cargas positivas e são chamados “cátions”. Eles podem ser escritos na forma iônica (Tabela 3). Deve-se notar que alguns cátions possuem mais de uma carga positiva.

Tabela 3. Símbolo químico e forma iônica dos principais cátions.

ElementoSímbolo químicoForma iônica

Potássio K K+

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