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3.3.10. Retenção de pedúnculo

pedúnculos na linha de processamento

Em algumas cultivares, o pedúnculo permanece aderido à planta quando o fruto é destacado, facilitando a operação de colheita manual e evitando o trabalho de remoção dos

A intensidade da fixação do fruto à planta depende também da superfície de contato do pedúnculo com o fruto. Essa característica afeta o rendimento da colheita mecanizada, pois os frutos que se destacam facilmente caem durante a operação de corte da planta, e os frutos firmemente aderidos à planta, são descartados juntamente com os resíduos do vegetal.

3.3.1. Formato e tamanho do fruto

oblongos são aquelas que detêm as preferências

Dependendo do tipo de produto final processado a que se destina o tomate, existe certa preferência por determinados formatos de fruto. As cultivares com frutos do tipo periforme e

4. NUTRIÇÃO

Conforme o Site EMBRAPA HORTALIÇAS, o tomateiro possui baixa absorção até o aparecimento das primeiras flores. Esta absorção tende a aumentar e atingir seu máximo na época de nascimento e crescimento dos frutos (entre 40 e 70 dias após o plantio). Durante o amadurecimento dos frutos a absorção diminui novamente.

Assim, como a eficiência de absorção do tomateiro é baixa, a exigência de adubação é muito grande. Os nutrientes não absorvidos pela planta permanecem no solo, na forma de resíduo, podendo ser absorvidos por plantas daninhas, transportados pela água ou serem retidos por partículas do solo.

fertilidade do solo e nutrição da planta, antes e após as adubações

O conhecimento do histórico da área deve também ser considerado, pois os resíduos de adubações pesadas, principalmente de micronutrientes, podem atingir níveis tóxicos. Além disso, o uso de fertilizantes exige uma diagnose correta de possíveis problemas de

A adubação orgânica é recomendada, mas é necessário prestar atenção na pureza do produto em relação a: esterco de galinha ou a esterco de gado. Esta prática é pouco utilizada, uma vez que os plantios de tomate para industrialização são feitos em grandes áreas.

de baixa fertilidade natural

A adubação verde é também recomendável, uma vez que melhora as condições físicas do solo. É especialmente eficaz em áreas de solos intensamente cultivados, depauperados ou

4.1. Deficiências Nutricionais

debilita este processo da planta

Ainda segundo o Site da EMBRAPA HORTALIÇAS, os nutrientes são de suma importância para o desenvolvimento do tomateiro, sendo assim, a falta ou a insuficiência dos mesmos

Os principais sintomas de deficiência nutricional estão relacionados com os seguintes fatores:

4.1.1. Nitrogênio

folhas um verde-pálido

É necessário nos primeiros estágios de desenvolvimento. Sua falta retarda o crescimento da planta e o amarelecimento das folhas mais velhas. Se a falta do nutriente for prolongada, toda a planta apresentará esses sintomas. Quanto mais severa a sua falta, haverá redução dos folíolos, queda dos botões florais, as nervuras principais apresentarão cor púrpura e as 4.1.2. Fósforo

Ocasiona a baixa fertilidade nas plantas. A taxa de crescimento é reduzida desde os primeiros estádios de desenvolvimento. As folhas mais velhas ficam roxas devido ao acúmulo do pigmento antocianina, e em casos mais graves chegam a ficar marrons e até com pontos de necrose. Essas folhas caem prematuramente, e a planta retarda sua frutificação.

A absorção de fósforo é influenciada pela acidez ou a alcalinidade do solo, o tipo e a quantidade de argila predominante, o teor de umidade, a compactação, o modo de aplicação dos fertilizantes e as temperaturas baixas. A correção do solo pode ser feita preventivamente com a aplicação de adubo fosfatado antes do plantio.

4.1.3. Potássio

É o nutriente mais extraído pelo tomateiro. Sua deficiência faz com que o crescimento das plantas fique lento. Nas folhas, provoca afilamento nas novas e amarelecimento nas bordas das velhas e, como na falta de fósforo nos casos mais graves, tornam as folhas amarronzadas e necrosadas. A falta de firmeza do fruto, em muitos casos, é também devida à deficiência de potássio. A correção pode ser feita com a adubação em cobertura de sulfato ou cloreto de potássio, seguida de irrigação.

Figura 4 Excesso e deficiência de Potássio no Tomate

Fonte: Instituto de Ciências Agrárias UFU Uberlândia.

4.1.4. Cálcio

A deficiência de cálcio é, caracteristicamente, a podridão apical ou "fundo-preto", que inicia com a flacidez dos tecidos da extremidade dos frutos, e evolui para uma necrose deprimida, seca e negra. Eventualmente verificam-se deformações das folhas novas e morte dos pontos de crescimento. Em períodos curtos de deficiência principalmente quando ocorrem mudanças bruscas de condições climáticas , observam-se tecidos necrosados no interior dos frutos, cujo sintoma é conhecido como coração preto.

Fatores como irregularidade no fornecimento de água, altos níveis de salinidade, uso de cultivares sensíveis, altos teores de nitrogênio, enxofre, magnésio, potássio, cloro e sódio na solução do solo, pH baixo, utilização de altas doses de adubos potássicos e nitrogenados principalmente as fórmulas amoniacais e altas taxas de crescimento e de transpiração contribuem para o aparecimento do sintoma.

4.1.5. Magnésio

Caracteriza-se por uma descoloração das margens dos folíolos mais velhos, que progride em direção à área internerval, permanecendo verdes as nervuras. Quando a deficiência é mais severa, as áreas amarelas vão escurecendo, tornando-se posteriormente necrosadas. Sintomas causados por infecção de vírus podem ser confundidos com deficiência de magnésio.

Solos ácidos, arenosos, com alto índice de lixiviação e altos níveis de cálcio, potássio e amônio afetam a disponibilidade de magnésio. A correção pode ser feita com pulverização foliar de sulfato de magnésio a 1,5%. A aplicação foliar conjunta de uréia favorece a absorção de magnésio.

4.1.6. Enxofre

fornecimento de enxofre

Os sintomas de deficiência de enxofre são semelhantes aos de nitrogênio, ou seja, as folhas apresentam coloração verde-amarelada. Entretanto, neste caso, as folhas novas são as primeiras a serem afetadas. As plantas deficientes geralmente apresentam o caule lenhoso, duro e de pequeno diâmetro. Não há necessidade de adubação específica para

4.1.7. Boro

A deficiência de boro faz com que as folhas novas do tomateiro tornem-se bronzeadas, ocorrendo, em seguida, morte das gemas e das folhas. O pecíolo torna-se quebradiço e a planta murcha nas horas mais quentes do dia, em razão dos danos provocados ao sistema radicular. Sintomas de clorose e deformação das folhas novas são muitas vezes confundidos com o sintoma da virose "Topo-amarelo". Os frutos apresentam manchas necróticas de coloração marrom, principalmente perto do pedúnculo, e não desenvolvem totalmente a cor vermelha. As paredes do fruto tornam-se assimetricamente deprimidas e os lóculos se abrem.

4.1.8. Molibdênio

Os sintomas de deficiência de molibdênio expressam-se em condições de carência de nitrogênio, apresentando um amarelecimento das folhas mais velhas e possíveis necroses marginais com acúmulo de nitrato. Solos com pH abaixo de 5,0 predispõem a deficiência desse nutriente.

4.1.9. Zinco

das folhas

Os sintomas de deficiência de zinco manifestam-se nas partes mais novas da planta, com o encurtamento dos entrenós, ligeira clorose das folhas, redução do tamanho e deformação

Fonte: EMBRAPA HORTALIÇAS

Figura 5 Deficiência de Zinco (Folíolos pequenos)

4.2. Plantas Daninhas

As plantas daninhas interferem diretamente no desenvolvimento do tomateiro, competindo por água, nutrientes, luz e liberando substâncias aleloquímicas, que afetam a germinação e o crescimento do tomateiro. Deve-se, por isso, evitar o plantio de tomate em áreas infestadas por espécies que possuam substâncias inibitórias, como a tiririca, o capimmaçambará, a maria-pretinha, a grama-seda e o feijão-de-porco. Indiretamente, as plantas daninhas interferem como hospedeiras de um número grande de pragas e de patógenos que atacam o tomateiro.

O controle depende da natureza e interação das plantas daninhas, da época de execução do controle, das condições climáticas, do tipo de solo, dos tratos culturais, do programa de rotação de culturas, da disponibilidade de herbicidas, de mão-de-obra e equipamentos.

Para iniciar o controle das plantas daninhas, recomenda-se inicialmente identificar as espécies existentes na área e fazer o mapeamento anual de ocorrência, distribuição e predominância, uma vez que a população de plantas na área é dinâmica, podendo ocorrer mudanças de acordo com as práticas agrícolas. Com isso, a escolha do tratamento fica mais fácil, ou seja, poderá ser feito a remoção por arrancamento manual, gradagem leve ou combinação parcial de herbicidas de ação de contato e ação residual.

dosagem

Na aplicação de herbicidas, o solo não deve conter torrões e deve apresentar teor de umidade próximo ao da capacidade de campo. Para adequar as doses do herbicida, devemse conhecer os teores de argila e matéria orgânica do solo. Menores doses são recomendadas para solos com altos teores de areia e/ou baixo teor de matéria orgânica. Não se aplicam herbicidas com ventos fortes, para evitar a deriva dos produtos. Uma aplicação eficiente e correta depende ainda da calibração do pulverizador e de cálculos de

A maria-pretinha é uma das plantas daninhas predominantes nas lavouras de tomate. Seu hábito e sua fisiologia são semelhantes aos do tomateiro, o que dificulta seu controle com herbicidas seletivos para solanáceas. Além disso, por ter período de germinação mais longo, escapa do controle pelos herbicidas que têm ação residual mais curta. A remoção por arrancamento manual é sempre recomendável, para não aumentar a reinfestação e evitar a colheita dos frutos juntamente com o tomate, evitando que o sabor amargo afete a qualidade do produto processado.

4.3. Agentes causadores de doenças

A cultura do Tomate é conhecida por ser afetada por um grande numero de doenças e pragas, que causam inúmeras perdas ou exigem a aplicação de grandes quantidades de agrotóxicos para controlar a doença. Esses insumos tem sido um grande problema, pois causam riscos de contaminação ao meio ambiente e a saúde dos trabalhadores rurais e agricultores (LOPES, 2003).

Ainda segundo Lopes (2003), o controle das doenças e das pragas no tomateiro sempre foi uma tarefa difícil, pois é necessário identificar o agente causador e conhecer as estratégias disponíveis para o controle. As doenças podem ser transmissíveis ou não transmissíveis. As transmissíveis são causadas por bactérias, fungos, nematóides e vírus. As não transmissíveis também conhecidas como distúrbios fisiológicos, são provocadas pela exposição da planta a condições de stress, deficiência ou excesso de nutrientes, falta ou excesso de água no solo, contaminações por agrotóxicos ou outro agente poluidor ou por outros fatores.

Conforme o Site EMBRAPA HORTALIÇAS, as principais doenças e pragas serão descritas a seguir:

4.3.1. Bactérias

Cancro-bacteriano (Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis)

É mais freqüente no tomateiro envarado, certamente em função do menor manuseio. Seus sintomas gerais são a descoloração vascular e a murcha total ou parcial das plantas. Os danos locais consistem de pequenos cancros nos pedúnculos, cor-de-palha, e manchas tipo olho-de-perdiz nos frutos.

Doença característica de temperaturas altas (20 a 30 °C). Seus sintomas são semelhantes aos da pinta-bacteriana, além de provocar a queda de flores quando o ataque ocorre na época do florescimento.

Também conhecida por mancha-bacteriana pequena ou pústula-bacteriana, é muito freqüente em condições de temperaturas amenas (18 a 24 °C) e alta umidade. Ataca toda a parte aérea da plantas. Os sintomas são mais característicos nos frutos, com a formação de pontuações negras, superficiais, que podem ser arrancadas com a unha.

Associada a solos muito encharcados e à alta temperatura. A bactéria pode permanecer por vários anos no solo, e quando ativa na planta, provoca a murcha da planta, de cima para baixo, a partir do início da floração, mas as folhas permanecem verdes. A parte inferior do caule se torna amarronzada e ocorre a exsudação de um pus bacteriano na água em que entrou em contato.

partir de furos feitos por insetos

Talo-oco e podridão mole dos frutos (Erwinia spp.) Essas doenças são causadas principalmente por Erwinia carotovora e por E. chrysanthemi. Essas bactérias são as responsáveis pelas podridões em tomates, pois penetram no fruto a

Figura 6 Podridão em tomates causada por Erwinia spp.

Fonte: EMBRAPA HORTALIÇAS.

4.3.2. Fungos

Mancha-de-estenfílio (Stemphyllium spp.)

alta favorecem o ataque do fungo. A doença é também transmitida pela semente

Manchas pequenas, escuras e angulares nas folhas, dentre as quais, algumas apresentam rachaduras no centro das lesões. Estes sintomas começam a surgir nas folhas mais jovens e seus frutos não apresentam sintomas. Temperatura elevada (acima de 25 ºC) e umidade

podridão marrom, mole e aquosa, coberta por um mofo marrom-claro

A doença manifesta-se durante a floração, formação e maturação dos frutos, quando é maior a cobertura foliar. As folhas e hastes infectadas apresentam podridão mole e aquosa, principalmente nas partes que ficam em contato com o solo. Os frutos doentes apresentam

28 °C), solos arenosos com pH baixo e o ataque de nematóides favorecem a doença

Folhas superiores murchas e amareladas, principalmente nas horas mais quentes do dia. A produção dos frutos é reduzida, pois amadurecem ainda pequenos. Ao cortar o caule próximo às raízes, verifica-se necrose do sistema vascular. Temperatura alta (em torno de Murcha-de-verticílio (Verticillium dahliae)

alcalinos e com temperaturas amenas (20 a 24 °C)

O sintoma inicial desta doença é a murcha suave e parcial da planta nas horas mais quentes do dia. As folhas mais velhas tornam-se amareladas e necrosadas nas bordas, em forma de "V" invertido. Os frutos ficam pequenos e mal formados. Na região do colo do caule, verificase leve necrose vascular. Este fungo é bem adaptado a regiões de solos neutros ou

também transmitida por sementes. Não existe cultivares comerciais resistentes

Pinta-preta (Alternaria solani) Esta doença afeta toda a parte aérea da planta, a partir das folhas mais velhas e próximas ao solo. Na folha, a doença caracteriza-se pela presença de manchas grandes, escuras, circulares, com anéis concêntricos. O ataque severo provoca desfolha acentuada e expõe o fruto à queima de sol. Também é comum o aparecimento de cancro no colo, nas hastes e nos frutos. A doença é favorecida por temperatura elevada (24 a 34 °C) e umidade alta e Podridão-de-esclerócio (Sclerotium rolfsii)

Plantas doentes apresentam uma podridão mole e aquosa, principalmente nas folhas, hastes e frutos, que ficam em contato direto com o solo. Em condições de alta umidade, há um crescimento micelial muito vigoroso na superfície dos tecidos afetados, a ainda ocorre à formação de pequenos grânulos de cor marrom-clara (escleródios) na superfície dos tecidos afetados. O escleródio é uma forma de sobrevivência do fungo no solo por vários anos.

Os sintomas aparecem na fase reprodutiva do tomateiro. O fungo causa "mela" das folhas e das hastes e, com o amadurecimento da planta, o caule apresenta uma podridão seca, cor de palha, contendo, em seu interior, os escleródios em forma de grânulos pretos, semelhantes a fezes de rato. Os frutos permanecem fixados à planta doente e raramente apresentam sintomas de podridão. Os escleródios podem permanecer viáveis por mais de 10 anos no solo e em plantios muito densos.

Requeima (Phytophthora infestans)

grande desfolha e podridão dos frutos

A requeima causa manchas encharcadas, grandes e escuras nas folhas e nas brotações. Nos frutos, a podridão é dura, de coloração marrom-escura. O ataque severo provoca

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