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6. PRODUÇÃO DE SEMENTES

companhias processadoras, instituições de pesquisa e por companhias de sementes

A produção de sementes das cultivares de polinização aberta plantadas no Brasil é feita por

Segundo o Site da EMBRAPA HORTALIÇAS, o sistema de produção de sementes de tomate de cultivares de polinização aberta não difere da produção de tomate destinado à indústria processadora. Entretanto, alguns aspectos importantes devem ser observados:

Utilizar sementes básicas ou fiscalizadas provenientes de firmas idôneas, com comprovada qualidade genética, física, fisiológica e sanitária;

Preferir regiões com temperaturas amenas e de baixa umidade relativa do ar; Observar a distância mínima de 20 m entre cultivares;

Aumentar o espaçamento para 1,50 x 0,20 m, visando facilitar as inspeções de campo e a eliminação das plantas indesejáveis;

Realizar inspeções de campo o maior número de vezes possível (no mínimo três): no estágio de crescimento vegetativo; no início do florescimento; e no período de maturação dos frutos. Observar as características da planta, hábito de crescimento e características de flores e frutos, eliminando-se as plantas atípicas.

Realizar o "roguing", ou seja, eliminar as plantas com sintomas de doenças transmissíveis por semente e eliminar plantas atípicas (fora do padrão da cultivar). No caso de híbridos, eliminar os frutos não provenientes do cruzamento que estiverem no progenitor feminino.

Colher somente frutos bem formados, completamente maduros, sem defeitos graves e sem sintomas de doenças. No caso de híbridos, colher somente os frutos provenientes do cruzamento.

6.1. Extração de sementes

sementes da polpa

Geralmente realizada por equipamentos específicos, que trituram os frutos e separam as

fermentação

Após esta etapa, colocar as sementes e o líquido placentário em vasilhames de plástico ou de madeira, por um período de 24 a 48 horas, conforme a temperatura, para o processo de

Após a fermentação natural ou tratamento químico, lavar as sementes em água corrente e secá-las em estufas de circulação forçada de ar, à temperatura de 32 °C, no início do processo, até alcançar 42 °C, quando chegar ao final da secagem. O ideal é que alcancem 6% de umidade, adequada para acondicionamento em embalagens impermeáveis.

As sementes devem passar por máquinas de ar e peneira ou sopradores, eliminando, assim, impurezas, como restos de película e placentas. Para isso, pode ser utilizado o "desaristador", comumente utilizado para sementes de cenoura.

Cada lote de semente deve ser amostrado e submetido aos testes de germinação e pureza exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Os testes de emergência das plântulas em campo, velocidade de emergência ou o teste de envelhecimento acelerado podem avaliar o vigor das sementes. O teste de sanidade avalia a incidência de microorganismos associados às sementes.

6.2. Produção de sementes híbridas

Atualmente, quase a totalidade das cultivares de tomate destinadas à agroindústria é híbrida. Alguns procedimentos durante a produção de sementes híbridas são descritos a seguir:

6.2.1. Progenitores

Realizar a semeadura do progenitor masculino uma a duas semanas antes da do progenitor feminino, garantindo, assim, o fornecimento pleno de pólen por ocasião da abertura das flores a serem polinizadas (progenitor feminino). Em geral, uma planta do progenitor masculino produz pólen suficiente para polinizar cinco a seis plantas do progenitor feminino.

6.2.2. Coleta de pólen

O pólen deve ser coletado de flores fechadas (estádio de botão), utilizando um vibrador, e acondicionado em microtubos. Caso haja necessidade de armazenamento do pólen por algumas semanas, os microtubos devem ser acondicionados em recipientes de alumínio contendo sílica gel e armazenados em refrigerador a 5 °C.

6.2.3. Polinização

Flores ainda fechadas do progenitor feminino devem ser previamente emasculadas, retirando as anteras com cuidado e com auxílio de pinça. As anteras são polinizadas manualmente, e após são etiquetadas ou recebem um corte nas sépalas para identificação dos cruzamentos e posterior colheita dos frutos polinizados.

7. PRODUÇÃO DE MUDAS

necessidade de replantio. Recomenda-se utilizar bandejas com 200 células

O Site da EMBRAPA HORTALIÇAS demonstra que a produção de mudas pode ser feita em bandejas de isopor, as quais facilitam a semeadura e o manuseio, permitindo o melhor controle sanitário e nutricional, facilitando o transporte para o local definitivo e reduzindo a

As mudas devem ser uniformes, evitando-se o uso daquelas muito pequenas, que ficam facilmente enterradas, e de mudas muito estioladas, que são facilmente danificadas durante o transplante com máquinas.

As mudas devem ser protegidas por cobertura plástica apropriada, fechada lateralmente com tela de malha estreita, para impedir a entrada de insetos. Em locais com temperatura elevada e baixa umidade relativa é recomendável a colocação de tela do tipo sombrite, com 60% de sombra, na parte interna do local, a uma altura de 2,5 m, para reduzir a evapotranspiração.

As bandejas devem ser colocadas sobre suportes para que fiquem a 30 cm do solo. Um sistema comum e barato para sustentação das bandejas consiste na construção de suportes de fios de aço galvanizado, esticados paralelamente e separados um do outro aproximadamente 45 cm, para dois fios, e 15 cm, para três fios. De dois em dois metros são colocados suportes para evitar o arqueamento dos fios.

Figura 10 Suporte para as bandejas de mudas. Fonte: EMBRAPA HORTALIÇAS.

As células devem ser preenchidas com um substrato composto de vermiculita expandida, casca de pinus, casca de arroz carbonizada e fertilizantes. Nas bandejas de 200 células, cada célula recebe de 10 a 15 g de substrato. Esse substrato pode ser adquirido comercialmente ou produzido na propriedade, desde que se teste a proporção dos ingredientes, antes de se iniciar a produção de mudas em grande escala.

Após o enchimento das células, faz-se a compactação do substrato e a abertura de furos com aproximadamente 1 cm de profundidade (um furo por célula). Coloca-se uma ou duas sementes por furo, recobrindo-as em seguida com substrato peneirado ou com vermiculita pura. Gasta-se aproximadamente 90 a 100 g de sementes para produzir mudas para um hectare. Para produção de mudas em grande escala, a semeadura nas bandejas pode ser feita por máquinas automáticas de precisão que têm rendimento de 120 a 300 bandejas por hora.

Após a semeadura, as bandejas são umedecidas e armazenadas em pilhas, por 72 horas, em um galpão coberto. Durante esse período, as sementes iniciam o processo de germinação, em seguida as bandejas são transferidas para as casas de vegetação ou telados.

É importante verificar a quantidade de água disponível nas bandejas durante o período de desenvolvimento das mudas, pois a água disponível se esgota em períodos cada vez mais curtos, exigindo irrigações cada vez mais freqüentes.

Na semana que antecede ao transplante, deve-se proceder, o "endurecimento" das mudas reduzindo a quantidade de água e o fornecimento de nitrogênio. Essa técnica evita que as mudas fiquem muito vigorosas e tenras, facilitando o transplante mecanizado.

As mudas produzidas nas bandejas de isopor são transplantadas no mesmo estágio que as produzidas em sementeiras, quando estão com 4 ou 5 folhas definitivas. Nessa fase, as mudas encontram-se perfeitamente enraizadas, dando bastante consistência ao torrão. Deve-se fazer uma irrigação no momento que antecede ao transplante. Geralmente as bandejas são mergulhadas em uma solução contendo fungicidas e inseticida, com a finalidade de proteger as mudas durante os primeiros dias após o transplante.

hipoclorito de sódio (água sanitária) por aproximadamente um minuto

As bandejas e as caixas utilizadas no transporte de mudas devem ser lavadas e desinfetadas após cada utilização, submergindo-as em uma solução contendo 2% de

O transporte das mudas dentro da propriedade é feito geralmente em carretas. Quando o viveiro encontra-se distante da área de plantio, utilizam-se para o transporte estruturas metálicas montadas na carroceria de caminhões protegidas com plástico de uso agrícola, para evitar a desidratação rápida das mudas. Para o transporte a longa distância, caminhões com carroceria do tipo baú, são utilizados.

8. CULTIVO

Segundo a EMBRAPA HORTALIÇAS, atualmente, quase todas as áreas cultivadas com tomateiro destinado ao processamento industrial são plantadas com mudas produzidas em bandejas e transplantadas com auxílio de máquinas ou até mesmo manualmente, dispensando-se o uso de canteiros.

redução dos níveis de infecção precoce

O sistema de transplante apresenta vantagens como: menores gastos de sementes; tempo de permanência da planta no campo; redução das despesas com irrigações e pulverizações;

sistema somente se viabilizou com a introdução das máquinas transplantadeiras

A introdução do sistema de transplante de mudas viabilizou, ainda, a utilização de cultivares híbridas, cujas sementes têm custo muito superior ao das cultivares de polinização aberta. Em razão do alto custo do transplante manual, que é muito trabalhoso e demorado, este

Primeiramente, um equipamento distribuidor de fertilizante promove o sulcamento e a fertilização. Em seguida, o sistema de distribuição de mudas, dispõe o sulcador, regulado para coincidir com a linha anteriormente fertilizada, promovendo a incorporação do fertilizante no solo e evitando o contato direto dele com as raízes das mudas.

espaçamento mais utilizado é o de 1,2 m e 0,7 m entre as linhas de cada fileira dupla

No transplante, utilizam-se fileiras simples, com distâncias de 1,0 a 1,2 m entre elas, e uma população de aproximadamente cinco mudas por metro linear. Com fileiras duplas, o

Plantios adensados dificultam os tratos culturais e propiciam o aumento da umidade na superfície do solo, o que favorece o ataque de fungos causadores de podridões.

8.1. Plantio na palha

Sistema que consiste em semear ou transplantar as mudas sem preparar o solo com aração e gradagem, mantendo a palha da cultura anterior. A presença da palha protege a terra contra o impacto da chuva ou da irrigação por aspersão, favorece o controle de plantas daninhas e cria um ambiente favorável ao bom desenvolvimento do sistema radicular do tomateiro. Esse sistema tem como principais vantagens a melhor conservação do solo e o menor uso de máquinas na lavoura.

adubadeira adaptada com um disco de corte e um sulcador denominado "botinha"

A adubação para o tomateiro é feita na profundidade de 7 a 12 cm, para evitar que as raízes das mudas entrem em contato direto com o fertilizante. Essa operação é realizada com uma 8.2. Semeadura direta

No caso de plantio por semeadura direta em fileiras simples, deve-se fazer uma ou duas gradagens e, logo a seguir, as operações de encanteiramento, sulcagem, adubação e semeadura. Quando os solos são do tipo leve e bem drenado, pode-se dispensar o levantamento de canteiros, principalmente quando se dispõe de sulcadores bem adaptados para fazer uma boa operação de amontoa. Se o plantio for feito em fileiras duplas, utiliza-se o rotoencanteirador e, sobre os canteiros, é feita a semeadura com semeadeiraadubadeira. Esse processo dispensa outra gradagem.

8.3. Irrigação

Dentre os vários critérios existentes para o manejo da irrigação, nenhum pode ser considerado padrão nem indicado para todas as situações. Devem-se basear no conhecimento das características fisico-hídricas do solo e nas necessidades específicas da cultura e de fatores climáticos relacionados à evapotranspiração.

Dependem ainda do uso de equipamentos para o monitoramento da umidade do solo (tensiômetros, blocos de resistência elétrica, etc.) ou de equipamentos para a estimativa da evapotranspiração. Essas informações e equipamentos, além de não estarem, em geral, ao alcance do irrigante, exigem conhecimentos técnicos específicos para seu manuseio.

Dependendo do tipo de solo e do clima da região, as irrigações devem ser paralisadas 20 a

30 dias antes do início da colheita, quando as plantas apresentarem cerca de 20% de frutos maduros. Essa medida visa concentrar a maturação de frutos e aumentar a concentração de sólidos solúveis. Entretanto, em termos de produção de frutos, maiores produtividades podem ser obtidas irrigando-se até a ocasião em que cerca de 50% dos frutos estiverem maduros.

8.4. Colheita manual

É geralmente feita em duas etapas: a primeira, quando 70% a 80% dos frutos estão maduros, e a segunda, cerca de dez a quinze dias após a primeira colheita. É possível realizar a colheita em uma única etapa utilizando-se cultivares de maturação concentrada, desde que o período de maturação coincida com dias quentes e não ocorra excesso de fornecimento de nitrogênio. Pode-se também acelerar a maturação dos frutos reduzindo as irrigações aproximadamente 90 dias após germinação, e/ou quando cerca de 20% dos frutos encontram-se maduros. A decisão de fazer uma segunda colheita irá depender do preço do tomate e da quantidade de frutos a serem colhidos nessa etapa, levando-se sempre em conta que os custos da segunda colheita são maiores e que a qualidade do produto é inferior.

Se a lavoura estiver com maturação muito irregular, não se deve esperar o amadurecimento da maioria dos frutos, pois as pencas inferiores podem apodrecer. Nesse caso, faz-se a primeira colheita antes que se inicie o apodrecimento dos frutos das primeiras pencas. Na segunda colheita, parte dos frutos ainda está verde ou em fase de maturação, exigindo maior vigilância para que não se ultrapassem os limites mínimos de qualidade, principalmente quanto à presença de frutos com escaldadura, amarelados, verdes e podres.

A colheita deve ter início nos carreadores, procedendo-se simultaneamente ao deslocamento dos ramos para cima dos canteiros (penteamento), deixando livre o carreador para o trânsito de veículos e de pessoas. Os operários devem ser distribuídos em grupos e comandados por um fiscal encarregado, responsável por contabilizar a produção, fazer o controle de qualidade, orientar os operários para não danificarem as plantas e controlar a distribuição da caixaria. As caixas usadas na colheita são do tipo Cruzeiro, com capacidade para 20 a 2 kg.

8.5. Colheita mecanizada

vibração

Os equipamentos atualmente em uso no Brasil são automotrizes que cortam as plantas rente ao solo, sendo a parte aérea recolhida e os frutos destacados por meio de intensa

firmes e baixa percentagem de frutos podres ao atingirem o estádio de maturação

O uso de cultivares com maturação concentrada e com frutos firmes contribui para o sucesso da colheita mecanizada. As cultivares mais indicadas para esse tipo de colheita devem apresentar maior capacidade de permanência em campo, folhagem sadia, frutos

transporte da produção

A colheita mecanizada reduz a qualidade da produção por causar mais danos aos frutos e resultar em maior acúmulo de impurezas junto ao produto colhido, quando comparada à colheita manual. Além disso, as colhedeiras necessitam de um bom serviço de assistência técnica e manutenção para perfeito funcionamento. Do ponto de vista sanitário, o uso da colheita mecanizada é vantajoso, pois diminui o trânsito de pessoal e de caixas nas lavouras, reduzindo a disseminação de pragas e de doenças. A colheita mecanizada também favorece a programação da colheita; pois, além de depender de um menor número de pessoas, não depende da disponibilidade de caixas de plástico para armazenamento e

8.6. Transporte

O transporte do tomate nas principais regiões produtoras é feito a granel, o que facilita a descarga nas fábricas, reduzindo o gasto com mão-de-obra e os custos de aquisição, transporte e manuseio das caixas. Entretanto, este tipo de transporte exige que a cultivar possua frutos menos sujeitos a danos mecânicos para minimizar perdas.

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