Curso Básico de Auditoria Interna - UNICAMP

Curso Básico de Auditoria Interna - UNICAMP

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MÓDULO 1 Janeiro de 2002 martinelli auditores martinelli auditores

1. ORIGEM DO TERMO AUDITOR

ÍNDICE 3

2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA AUDITORIA
3. CONCEITO DE AUDITORIA
4. TIPOS DE AUDITORIA
INTERNA
6. TIPOS DE PARECER DE AUDITORIA EXTERNA
7. ASPECTOS LEGAIS
INTERNA
9. SISTEMA DE CONTROLE INTERNO
10. PROCESSO DE AUDITORIA
BlBLIOGRAFIA
ANEXO I – RESOLUÇÃO CFC Nº 780/95
ANEXO I – NBC T – 12 – DA AUDITORIA INTERNA

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1. ORIGEM DO TERMO AUDITOR

A origem do termo auditor em português, muito embora perfeitamente representado pela origem latina (aquele que ouve, ouvinte), na realidade provém do verbo inglês to audit (examinar, ajustar, corrigir, certificar). Segundo se tem notícias, a atividade de auditoria é originária da Inglaterra que, como dominadora dos mares e do comércio em épocas passadas, teria iniciado a disseminação de investimentos em diversos locais e países e, por conseqüência, o exame dos investimentos mantidos naqueles locais.

Na Enciclopédia Britânica, encontramos o seguinte registro:

“AUDIT AND AUDITOR. An audit is examination of the accounts kept by the financial officers of a State, public corporation and bodies, or private persons, and the certifying of their accuracy. In the British Isles the public accounts were audited from very early times, though until the reign of Queen

Elizabeth in no very systematic way. Prior to 1559, this duty was carried out, sometimes by auditors especially appointed, at other times by auditors of land revenue, or by the auditor of the exchequer, and office established as early as 1314. But in 1559 and endeavor was made to sistematize the auditing of the public accounts, by the appointment of two auditors of the imprests.”

Tradução livre:

“AUDITORIA E AUDITOR. Auditoria é o exame das contas feitas pelos funcionários financeiros de um estado, companhias e departamentos públicos ou pessoas físicas, e a certificação de sua exatidão. Nas Ilhas Britânicas as contas públicas eram examinadas desde há muito tempo, embora, até o reinado da

Rainha Elizabeth, de maneira não muito sistemática. Anteriormente a 1559 esse serviço era executado às vezes, por auditores especialmente designados, e outras por auditores da receita pública, ou pelo auditor do tesouro, cargo criado por volta de 1314. Mas em 1559 um esforço foi feito para sistematizar a auditoria das contas públicas, pela indicação de dois auditores para examinar os pagamentos a servidores públicos.” martinelli auditores

Como se vê, para os britânicos a auditoria é principalmente o exame dos livros contábeis, embora essa mesma Enciclopédia, registre também os demais conceitos de auditor e auditoria.

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2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA AUDITORIA

Em essência, a causa da evolução da auditoria, que é decorrente da evolução da contabilidade, foi a do desenvolvimento econômico dos países, síntese do crescimento das empresas e da expansão das atividades produtoras, gerando crescente complexidade na administração dos negócios e de práticas financeiras como uma força motriz para o desenvolvimento da economia de mercado.

A veracidade das informações, o correto cumprimento das metas, a aplicação do capital investido de forma lícita e o retorno do investimento foram algumas das preocupações que exigiram a opinião de alguém não ligado aos negócios e que confirmasse, de forma independente, a qualidade e precisão das informações prestadas, dando, dessa forma, o ensejo ao aparecimento do auditor.

Embora cronologicamente haja indícios da existência da profissão de auditor desde o século XIV, esta é, em verdade, uma função nova que vem experimentando excepcional desenvolvimento com diferentes graus de especialização.

Datas Fatos ? Desconhecida a data de início da atividade de auditoria.

1314 Criação do cargo de auditor do Tesouro da Inglaterra.

1559 Sistematização e estabelecimento da auditoria dos pagamentos a servidores públicos pela Rainha Elizabeth I.

1880 Criação da Associação dos Contadores Públicos Certificados (Institute of Chartered Accountants in England and Wales), na Inglaterra.

1886 Criação da Associação dos Contadores Públicos Certificados (AICPA), nos Estados Unidos.

1894 Criação do Instituto Holandês de Contadores Públicos.

1934 Criação do Security and Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos.

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Foi a partir da criação do SEC, em 1934, nos Estados Unidos, que a profissão de auditor assume importância e cria um novo estímulo, uma vez que as empresas que transacionavam ações na Bolsa de Valores foram obrigadas a se utilizarem dos serviços de auditoria para dar maior credibilidade às suas demonstrações financeiras.

2.1 Evolução da Auditoria Independente no Brasil

A evolução da auditoria no Brasil está primariamente relacionada com a instalação de empresas internacionais de auditoria independente, uma vez que os investimentos também internacionais foram aqui implantados e compulsoriamente tiveram de ter suas demonstrações financeiras auditadas.

As principais influências que possibilitaram o desenvolvimento da auditoria no Brasil foram:

a) filias e subsidiárias de firmas estrangeiras; b) financiamento de empresas brasileiras através de entidades internacionais; c) crescimento das empresas brasileiras e necessidade de descentralização e diversificação de suas atividades econômicas; d) evolução do mercado de capitais; e) criação de normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em 1972; f) criação da Comissão de Valores Mobiliários e da Lei das Sociedades Anônimas em 1976.

A Lei das Sociedades Anônimas determinou que as companhias abertas, além de observarem as normas expedidas pela Comissão de Valores

Mobiliários, serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados na mesma comissão.

2.2 Evolução da Auditoria Interna

O grande salto da auditoria ocorreu após a crise econômica americana de 1929. No início dos anos 30, é criado o famoso Comitê May, um grupo de trabalho instituído com a finalidade de estabelecer regras para as empresas que tivessem suas ações cotadas em bolsa, tornando obrigatória a Auditória Contábil Independente nos demonstrativos financeiros dessas empresas.

Esses auditores independentes no desenrolar de suas atividades, necessitavam ter acesso a informações e documentos que levassem ao martinelli auditores conhecimento mais profundo e análises das diferentes contas e transações.

Para tanto, foram designados funcionários da própria empresa. Estava lançada a semente da Auditoria Interna, pois os mesmos, com o decorrer do tempo, foram aprendendo e dominando as técnicas de Auditoria e utilizandoas em trabalhos solicitados pela própria administração da empresa.

As empresas notaram que poderiam reduzir seus gastos com auditoria externa, se utilizassem melhor esses funcionários, criando um serviço de conferência e revisão interna, continua e permanente, a um custo mais reduzido. Os auditores externos, também ganharam com isso, pois puderam se dedicar exclusivamente ao seu principal objetivo que era o exame da situação econômico-financeira das empresas.

Posteriormente, nas grandes empresas de transporte ferroviário foi também criado um corpo de fiscais denominado "travelling auditors" (auditores viajantes), que tinham a função de visitar as estações ferroviárias e assegurar que todo o produto da venda de passagens e de fretes de carga, estava adequadamente arrecadado e contabilizado.

Após a fundação do The Institute of Internal Auditors, em New York, a auditoria interna passou a ser vista de maneira diferente. De um corpo de funcionários de linha, quase sempre subordinados a contabilidade, pouco a pouco, passaram a ter um enforque de controle administrativo, cujo objetivo era avaliar a eficácia e a efetividade da aplicação dos controles internos. O seu campo de ação funcional, foi estendido para todas as áreas da empresa, e, para garantir sua total independência, passou a ter subordinação direta à alta administração da organização.

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3. CONCEITO DE AUDITORIA

Para compreender o conceito de auditoria, é necessário, primeiro entender a função das demonstrações financeiras.

As demonstrações financeiras são informações, preparadas por escrito, destinadas a apresentar a terceiros, alheios á empresa, a situação patrimonial desta e a evolução desse patrimônio.

Para que cumpram suas funções, é necessário que as mesmas observem dois requisitos:

a) Informar aos usuários que critérios foram adotados em sua elaboração; b) Apresentar parecer de terceiros, alheios à empresa, sobre a fidedignidade com que tais demonstrações refletem a situação do patrimônio e sua evolução durante o período a que se referem.

Para entender o primeiro requisito, adotou-se um conjunto de convenções conhecidas como princípios e normas de contabilidade geralmente aceitas, para a elaboração das demonstrações financeiras, que se referem basicamente à avaliação do patrimônio e à maneira de apresentar a informação nelas contidas.

O segundo requisito é preenchido recorrendo-se a um profissional independente, ou seja, alheio à empresa – o auditor.

Com base nisto, poderíamos definir a auditoria das demonstrações financeiras como o exame das mesmas, por um profissional independente, com a finalidade de emitir um parecer técnico sobre sua fidedignidade.

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4. TIPOS DE AUDITORIA

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