DT-5 - Características e Especificações de Geradores

1. INTRODUÇÃO4
1.1. HISTÓRICO4
1.2. NOÇÕES DE APLICAÇÕES4
1.2.1. Tipos de acionamentos4
2. NOÇÕES FUNDAMENTAIS5
2.1. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO5
2.2. GERAÇÃO DE CORRENTE TRIFÁSICA6
2.2.1. Ligações no sistema trifásico6
2.2.2. Tensão nominal múltipla8
2.3. COMPORTAMENTO DO GERADOR EM VAZIO E SOB CARGA10
2.4. MÁQUINAS DE PÓLOS LISOS E SALIENTES12
2.5. REATÂNCIAS13
2.6. POTÊNCIA EM MÁQUINAS DE PÓLOS SALIENTES14
2.7. DEFINIÇÕES15
2.7.1. Distorção harmônica15
2.7.2. Fator de desvio15
2.7.3. Modulação de tensão16
2.7.4. Desequilíbrio angu lar16
2.7.5. Desbalanceamento de tensão16
2.7.6. Transiente de tensão16
2.7.7. Tolerância de tensão16
3. GERADORES WEG17
3.1. NORMAS APLICÁVEIS18
3.2. GERADORES COM EXCITAÇÃO POR ESCOVAS18
3.3. GERADORES COM EXCITAÇÃO SEM ESCOVAS (BRUSHLESS)19
3.4. GERADORES COM EXCITAÇÃO SEM ESCOVAS PARA APLICAÇÕES ESPECIAIS21
3.5. MOTORES SÍNCRONOS21
3.6. REGULADOR DE TENSÃO23
3.7. TEMPO DE REGULAGEM DA TENSÃO (TEMPO DE RESPOSTA)23
4. CARACTERÍSTICAS D O AMBIENTE25
4.1. ALTITUDE25
4.2. TEMPERATURA AMBIENTE25
TEMPERATURA E ALTITUDE25
4.4. ATMOSFERA AMBIENTE25
4.4.1. Ambientes agressivos25
4.5. GRAUS DE PROTEÇÃO26
4.5.1. Código de identificação26
4.5.2. Tipos usuais27
4.6. LIMITES DE RUÍDO27
4.7. VIBRAÇÃO28
4.8. VENTILAÇÃO29
4.8.1. Gerador aberto29
4.8.2. Gerador totalmente fechado29
4.9. ACESSÓRIOS E ESPECIALIDADES30
4.9.1. Resistor de aquecimento30
4.9.2. Proteção térmica de geradores elétricos30
4.9.2.1. Termoresistores30
4.9.2.2. Termistores (PTC e NTC)31
5. CARACTERÍSTICAS D E DESEMPENHO3
5.1. POTÊNCIA NOMINAL3
5.2. ELEVAÇÃO DE TEMPERATURA - CLASSE DE ISOLAMENTO35
5.2.1. Aquecimento do enrolamento35
5.2.2. Vida útil de máquinas elétricas girantes35
5.2.3. Classes de isolamento35
5.2.4. Medida da temperatura do enrolamento36
5.2.5. Aplicação a máquinas elétricas36
5.3. QUEDA DE TENSÃO37
5.3.1. Cálculo da queda de tensão37
5.3.2. Influência do fator de potência38
5.3.3. Influência da carga inicial38
5.3.4. Limitações na partida de motores41
5.4. Sobrecarga4
5.5. SOBREVELOCIDADE4
5.6. CORRENTE DE CURTO -CIRCUITO4
5.7. CONVERSÃO DE REATÂNCIAS4
5.8. PROTEÇÃO DO GERADOR45
5.9. REGIME DE SERVIÇO45
5.9.1. Regimes Padronizados46
5.10. DIAGRAMA DE CARGA46
5.1. OPERAÇÃO EM PARALELO DE GERADORES47
5.12. CÁLCULO DA BOBINA DE ATERRAMENTO DO PONTO ESTRELA DE GERADORES49
6. CARACTERÍSTICAS C ONSTRUTIVAS50
6.1. COMPONENTES PRINCIPAIS50
6.1.1. Estator da máquina principal50
6.1.2. Rotor da máquina principal50
6.1.3. Estator da excitatriz principal50
6.1.4. Rotor da excitatriz principal e diodos retificadores girantes50
6.1.5. Excitatriz auxiliar50
6.1.6. Enrolamento auxiliar (ou bobina auxiliar)50
6.2. PLACA DE IDENTIFICAÇÃO51
6.3. PINTURA - GERADORES PARA APLICAÇÃO INDUSTRIAL GERAL51
6.4. TERMINAIS DE ATERRAMENTO52
6.5. MANCAIS52
6.6. FORMA CONSTRUTIVA5
7 . SELEÇÃO DE GERAD ORES60
7.1. CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS PARA A CORRETA SELEÇÃO60
7.2. PRINCIPAIS APLICAÇÕES DE GERADORES60
7.2.1. Conversão de freqüência ou isolamento da rede60
7.2.2. Conversão de Corrente61
7.2.3. No-Break62
7.2.4. Short-Break Diesel62
7.2.5. Geradores alimentando cargas deformantes63
8. ENSAIOS64
9. COLETÂNEA DE FÓRM ULAS65

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

1..1HISTÓRICO

1. INTRODUÇÃO

O gerador elementar foi inventado na Inglaterra em 1831 por MICHAEL FARADAY, e nos Estados Unidos, mais ou menos na mesma época, por JOSEPH HENRY. Este gerador consistia basicamente de um ímã que se movimentava dentro de uma espira, ou viceversa, provocando o aparecimento de uma f.e.m. registrado num galvanômetro.

Fig. 1.1.1 - O galvanômetro "G" indica a passagem de uma corrente quando o ímã se move em relação a bobina.

A WEG MÁQUINAS, uma das unidades do grupo WEG, iniciou suas atividades em 1980, tendo adquirido ao longo destes anos uma larga experiência e tecnologia na fabricação de geradores de pequeno e grande porte.

1..2NOÇÕES DE APLICAÇÕES

Geradores síncronos são máquinas destinadas a transformar energia mecânica em energia elétrica. Toda a energia consumida nas indústrias, residências, cidades, etc..., são proveniente destes geradores.

A WEG MÁQUINAS fabrica geradores para as seguintes aplicações: - Geração Eólica;

Carros de Som;

- Pequenos Centros de Geração de Energia para uso Geral;

- Grupos Diesel de Emergência para hospitais e etc; - Centro de Processamento de Dados;

- Telecomunicações;

- Usinas Hidrelétricas; - Cogeração;

Açúcar e Álcool, Madeireiras, Arrozeirais, Petroquímica, etc.

1.2.1. Tipos de acionamentos

A - Grupos Diesel ou Gás

São geradores acionados por Motores Diesel ou a Gás. Potência: 12.5 a 4000kVA Rotação: 1800rpm (IV pólos), 1200rpm (VI pólos) ou 900rpm (VIII pólos) Tensão: 220 a 13800V - 50 e 60Hz.

B - Hidrogeradores

São geradores acionados por Turbinas Hidráulicas. Potência: 500 a 200000 kVA Rotação: 1800 rpm ou abaixo (IV ou mais pólos) Tensão: 220 a 13800V – 50 e 60Hz

C - Turbogeradores

São geradores acionados por Turbinas a Vapor. Potência: 500 a 60000kVA Rotação: 1800rpm (IV pólos) Tensão: 220 a 13800V – 50 e 60Hz

D – Eólicos

São geradores acionados por turbinas a vento. Potência: até 1500kVA Rotação, tensão e frequência sob consulta

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2..1PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

2. NOÇÕES FUNDAMENTAIS

A característica principal de um gerador elétrico é transformar energia mecânica em elétrica. Para facilitar o estudo do princípio de funcionamento, vamos considerar inicialmente uma espira imersa em um campo magnético produzido por um ímã permanente (Fig.2.1.1). O princípio básico de funcionamento está baseado no movimento relativo entre uma espira e um campo magnético. Os terminais da espira são conectados a dois anéis, que estão ligados ao circuito externo através de escovas. Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória.

Fig. 2.1.1 - Esquema de funcionamento de um gerador elementar (armadura girante)

Admitamos que a bobina gira com velocidade uniforme no sentido da flecha dentro do campo magnético "B" também uniforme (Fig.2.1.1). Se "v" é a velocidade linear do condutor em relação ao campo magnético, segundo a lei da indução (FARADAY), o valor instantâneo da f.e.m. induzida no condutor em movimento de rotação é determinada por: e = B.l.v.sen(Bv)

Onde: e - força eletromotriz (f.e.m.) B - indução do campo magnético l - comprimento de cada condutor v - velocidade linear

Para N espiras teremos: e = B.l.v.sen(Bv).N

A variação da f.e.m. no condutor em função do tempo é determinada pela lei da distribuição da indução magnética sob um pólo. Esta distribuição tem um caráter complexo e depende da forma da sapata polar. Com um desenho conveniente da sapata poderemos obter uma distribuição senoidal de induções. Neste caso, a f.e.m. induzida no condutor também varia com o tempo sob uma lei senoidal.

A Fig. 2.1.2.a. mostra somente um lado da bobina no campo magnético, em 12 posições diferentes, estando cada posição separada uma da outra de 30º. A Fig. 2.1.2.b. nos mostra as tensões correspondentes a cada uma das posições.

Já nos geradores de campo giratório (Fig. 2.1.3) a tensão de armadura é retirada diretamente do enrolamento de armadura (neste caso o estator) sem passar pelas escovas. A potência de excitação destes geradores normalmente é inferior a 5% da potência nominal. Por este motivo, o tipo de armadura fixa (ou campo girante) é o mais utilizado.

Fig. 2.1.2 a e b - Distribuição da Indução Magnética sob um Pólo.

Fig. 2.1.3 - Esquema de funcionamento de um gerador elementar (armadura fixa).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Para uma máquina de um par de pólos, a cada giro das espiras teremos um ciclo completo da tensão gerada.

Os enrolamentos podem ser construídos com um número maior de pares de pólos, que se distribuirão alternadamente (um norte e um sul). Neste caso, teremos um ciclo a cada par de pólos.

Sendo "n" a rotação da máquina em "rpm" e "f" a freqüência em ciclos por segundo (Hertz) teremos:

f =p . n

Onde: f = freqüência (Hz) p = número de pólos n = rotação síncrona (rpm)

Note que o número de pólos da máquina terá que ser sempre par, para formar os pares de pólos. Na tabela 2.1.1 são mostradas, para as freqüências e polaridades usuais, as velocidades síncronas correspondentes.

2..2GERAÇÃO DE CORENTE

O sistema trifásico é formado pela associação de três sistemas monofásicos de tensões U1, U2 e U3, tais que a defasagem entre elas seja de 120o (Fig.2.2.1.). O enrolamento desse tipo de gerador é constituído por três conjuntos de bobinas dispostas simetricamente no espaço, formando entre si também um ângulo de 120o. Para que o sistema seja equilibrado, isto é, U1 = U2 = U3 o número de espiras de cada bobina também deverá ser igual.

Fig. 2.2.1 – SistemaTrifásico.

A ligação dos três sistemas monofásicos para se obter o sistema trifásico é feita usualmente de duas maneiras, representadas nos esquemas seguintes. Nestes esquemas (Fig. 2.2.2 e 2.2.3) costuma-se representar as tensões com setas inclinadas, ou vetores girantes, mantendo entre si o ângulo correspondente à defasagem (120o).

2.2.1. Ligações no sistema trifásico a) Ligação triângulo:

Chamamos "tensões/correntes de fase" as tensões e correntes de cada um dos três sistemas monofásicos considerados, indicados por Vf e If. Se ligarmos os três sistemas monofásicos entre si, como indica a figura 2.2.2.a, podemos eliminar três fios, deixando apenas um em cada ponto de ligação, e o sistema trifásico ficará reduzido a três fios U, V e W. A tensão entre dois quaisquer destes três fios chama-se "tensão de linha" (Vl), que é a tensão nominal do sistema trifásico. A corrente em qualquer um dos fios chama-se "corrente de linha" (Il). Examinando o esquema da figura 2.2.2.b, vê-se que:

1) A cada carga é aplicada a tensão de linha "Vl", que é a própria tensão do sistema monofásico correspondente, ou seja, Vl = Vf.

2) A corrente em cada fio de linha, ou corrente de linha "Il", é a soma das correntes das duas fases ligadas a este fio, ou seja, Il = If1 + If3. Como as correntes estão defasadas entre si, a soma deverá ser feita graficamente, como mostra a figura 2.2.2.c. Pode-se mostrar que Il = If x Ö 3 = 1,732 x If.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Fig. 2.2.2 - Ligação Triângulo.

Exemplo: Temos um sistema trifásico equilibrado de tensão nominal 220V. A corrente de linha (Il) medida é 10A. Ligando a este sistema uma carga trifásica composta de três cargas iguais ligadas em triângulo, qual a tensão e a corrente em cada uma das cargas?

Temos Vf = V1 = 220V em cada uma das cargas. Se Il = 1,732 x If, If = 0,577 x Il = 0,577 x 10 = 5,77A em cada uma das cargas.

b) Ligação estrela:

Ligando um dos fios de cada sistema monofásico a um ponto comum aos três, os três fios restantes formam um sistema trifásico em estrela (Fig. 2.2.3.a) Às vezes, o sistema trifásico em estrela é "a quatro fios" ou "com neutro". O quarto fio é ligado ao ponto comum às três fases. A tensão de linha, ou tensão nominal do sistema trifásico, e a corrente de linha são definidos do mesmo modo que na ligação triângulo.

Fig. 2.2.3 - Ligação Estrela. Examinando o esquema da fig. 2.2.3.b vê-se que:

1) A corrente em cada fio da linha, ou corrente de linha (Il), é a mesma corrente da fase à qual o fio está ligado, ou seja, Il = If.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

2) A tensão entre dois fios quaisquer do sistema trifásico é a soma gráfica das tensões das duas fases as quais estão ligados os fios considerados, ou seja, Vl = Vf x Ö 3 = 1,732 x Vf. (Fig. 2.2.3.c).

Exemplo: Temos uma carga trifásica composta de três cargas iguais, cada carga é feita para ser ligada a uma tensão de 220V, absorvendo, 5,77A.

Il = If = 5,77A

Qual a tensão nominal do sistema trifásico que alimenta esta carga em suas condições normais (220V e 5,77A) Qual a corrente de linha (Il)? Temos: Vf = 220V (nominal de cada carga) Vl = 1,732 x 220V = 380V

2.2.2. Tensão nominal múltipla

A grande maioria dos geradores são fornecidos com terminais do enrolamento de armadura religáveis, de modo a poderem fornecer duas tensões diferentes pelo menos. Os principais tipos de religação de terminais de geradores ou motores assíncronos para funcionamento em mais de uma tensão são:

a) Ligação série-paralela: O enrolamento de cada fase é dividido em duas partes (lembrar que o número de pólos é sempre par, de modo que este tipo de ligação é sempre possível). Ligando as duas metades em série, cada metade ficará com a metade da tensão nominal de fase da máquina. Ligando as duas metades em paralelo, a máquina fornecerá uma tensão igual à metade da tensão anterior, sem que se altere a tensão aplicada a cada bobina. Veja os exemplos numéricos da Fig. 2.2.4.

Fig. 2.2.4 - Tensão Nominal Múltipla.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

É comum em geradores o fornecimento em três tensões 220/380/440V. O procedimento nestes casos para se obter 380V é ligar o gerador em 440V e ajustar a tensão terminal no potenciômetro do regulador de tensão, de modo a se obter o valor desejado (redução da indução magnética). Deste modo, poderemos obter três tensões na ligação Y, que é a mais comum em geradores.

Y Vl = Ö 3 x Vf Il = If

D Vl = Vf Il = If x Ö 3

S = 3 x Vf x If S = Ö 3 x Vl x Il

Tabela 2.2.1 - Relação entre tensões (linha/fase), correntes (linha/fase) e potência em um sistema trifásico.

b) Ligação estrela-triângulo: É comum para partida de motores assíncronos a ligação estrela-triângulo. Nesta ligação, o enrolamento de cada fase tem as duas pontas trazidas para fora do motor. Se ligarmos as três fases em triângulo cada fase receberá a tensão da linha de alimentação, por exemplo 220V (Fig. 2.2.5.b). Se ligarmos as três fases em estrela, o motor pode ser ligado a uma linha com tensão de alimentação igual a 220 x Ö3 = 380V sem alterar a tensão no enrolamento de cada fase, que continua igual a 220V (Fig.2.2.5.a). Este tipo de ligação exige 6 terminais acessíveis na caixa de ligação do motor e serve para quaisquer tensões nominais duplas, desde que a segunda seja igual a primeira multiplicada por Ö3. Exemplos: 220/380V, 380/660V, 440/760V. Note que uma tensão acima de 600 Volts não é considerada baixa tensão, e entra na faixa da média tensão, em que as normas são outras. Nos exemplos 380/660V e 440/760V, a maior tensão declarada serve somente para indicar que o motor pode ser religado em estrela-triângulo, pois não existem linhas nesses níveis de tensões.

Fig. 2.2.5 - Ligação Estrela-Triângulo.

2..3COMPORTAMENTO DO GGEERRAADORR

DT-5 - Características e Especificações de Geradores EM VAZIO E SOB CARGA

Em vazio (com rotação constante), a tensão de armadura depende do fluxo magnético gerado pelos pólos de excitação, ou ainda da corrente que circula pelo enrolamento de campo (rotor). Isto porque o estator não é percorrido por corrente, portanto é nula a reação da armadura, cujo efeito é alterar o fluxo total. A relação entre tensão gerada e a corrente de excitação chamamos de característica a vazio (Fig. 2.3.1), onde podemos observar o estado de saturação da máquina.

Fig. 2.3.1. Característica a Vazio.

Em carga, a corrente que atravessa os condutores da armadura cria um campo magnético, causando alterações na intensidade e distribuição do campo magnético principal. Esta alteração depende da corrente, do cosj e das características da carga, como descrito a seguir:

a) Carga puramente resistiva: Se o gerador alimenta um circuito puramente resistivo, é gerado pela corrente de carga um campo magnético próprio. O campo magnético induzido produz dois pólos (gerador bipolar Fig. 2.3.2.a) defasados de 90º em atraso em relação aos pólos principais, e estes exercem sobre os pólos induzidos uma força contrária ao movimento, gastando-se potência mecânica para se manter o rotor girando. O diagrama da fig. 2.3.2.b mostra a alteração do fluxo principal em vazio (Φo) em relação ao fluxo de reação da armadura (ΦR). A alteração de Φo é pequena, não produzindo uma variação muito grande em relação ao fluxo resultante Φ. Devido a perda de tensão nos enrolamentos da armadura será necessário aumentar a corrente de excitação para manter a tensão nominal (fig. 2.3.5).

Fig. 2.3.2 - Carga Puramente Resistiva.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

b) Carga puramente indutiva: Neste caso, a corrente de carga (I)está defasada em 90º em atraso em relação a tensão (E), e o campo de reação da armadura (ΦR) estará consequentemente na mesma direção do campo principal (Φo), mas em polaridade oposta. O efeito da carga indutiva é desmagnetizante (fig. 2.3.3.a e 2.3.3.b). As cargas indutivas armazenam energia no seu campo indutor e a devolvem totalmente ao gerador, não exercendo nenhum conjugado frenante sobre o induzido (rotor). Neste caso, só será necessário energia mecânica para compensar as perdas. Devido ao efeito desmagnetizante será necessário um grande aumento da corrente de excitação para se manter a tensão nominal (fig. 2.3.5).

Fig. 2.3.3 - Carga Puramente Indutiva.

c) Carga puramente capacitiva: A corrente de armadura (I) para uma carga puramente capacitiva está defasada de 90º, adiantada, em relação à tensão (E). O campo de reação da armadura (ΦR) consequentemente estará na mesma direção do campo principal (Φ) e com a mesma polaridade. O campo induzido, neste caso, tem um efeito magnetizante (fig. 2.3.4a e 2.3.4b). As cargas capacitivas armazenam energia em seu campo elétrico e a devolvem totalmente ao gerador, não exercendo também, como nas cargas indutivas, nenhum conjugado frenante sobre o induzido (rotor). Devido ao efeito magnetizante será necessário reduzir a corrente de excitação para manter a tensão nominal (fig. 2.3.5).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Fig. 2.3.4. - Carga Puramente Capacitiva.

Fig. 2.3.5. - Variação da corrente de excitação para manter a tensão de armadura constante.

d) Cargas intermediárias: Na prática, o que encontramos são cargas com defasagem intermediária entre totalmente indutiva ou capacitiva e resistiva. Nestes casos o campo induzido pode ser decomposto em dois campos, um transversal e outro desmagnetizante (indutiva) ou magnetizante (capacitiva). Somente o campo transversal tem um efeito frenante, consumindo desta forma potência mecânica da máquina acionante. O efeito magnetizante ou desmagnetizante é compensado alterando-se a corrente de excitação.

2..4MÁQUINAS DE PÓLOS LISOS E

Os geradores síncronos são construídos com rotores de pólos lisos ou salientes.

PÓLOS LISOS: São rotores nos quais o entreferro é constante ao longo de toda a periferia do núcleo de ferro.

Fig. 2.4.1. - Rotor de pólos lisos.

PÓLOS SALIENTES: São rotores que apresentam uma descontinuidade no entreferro ao longo da periferia do núcleo de ferro. Nestes casos, existem as chamadas regiões interpolares, onde o entreferro é muito grande, tornando visível a saliência dos pólos.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

2..5REATÂNCIAS

A análise básica do desempenho transitório de máquinas síncronas é muito facilitada por uma transformação linear de variáveis, na qual as três correntes de fase do estator ia, ib e ic são substituídas por três componentes, a componente de eixo direto id, a componente de eixo em quadratura iq, e uma componente monofásica io, conhecida como componente de seqüência zero (eixo zero). Para operação equilibrada em regime permanente (fig 2.5.1), io é nula (não sendo discutida, portanto). O significado físico das componentes de eixo direto e em quadratura é o seguinte: A máquina de pólos salientes tem uma direção preferencial de magnetização determinada pela saliência dos pólos de campo. A permeância ao longo do eixo polar ou direto, é consideravelmente maior do que ao longo do eixo interpolar ou quadratura.

Fig. 2.5.1. - Diagrama Esquemático para uma Máquina Síncrona.

Utilidade do conhecimento das reatâncias Um circuito efetivo de rotor, no eixo direto, além do enrolamento de campo principal, é formado pelas barras amortecedoras. Considerando uma máquina operando inicialmente em vazio e um curto-circuito trifásico súbito aparecendo em seus terminais, na figura abaixo pode ser observada uma onda de corrente de estator em curto-circuito tal como pode ser obtida num osciloscópio (Fig. 2.5.2).

Fig. 2.5.2 - Corrente de Armadura Simétrica em Curto-Circuito em uma máquina síncrona.

Reatância subtransitória (Xd”) É o valor de reatância da máquina correspondente a corrente que circula na armadura durante os primeiros ciclos, conforme pode ser visto na Fig. 2.5.2 (Período Subtransitório). Seu valor pode ser obtido dividindo-se o valor da tensão da armadura antes da falta pela corrente no início da falta, para carga aplicada repentinamente e à freqüência nominal.

Onde: E = Valor eficaz da tensão fase-neutro nos terminais do gerador síncrono, antes do curtocircuito.

I'' = Valor eficaz da corrente de curto-circuito do período sub-transitório em regime permanente. Seu valor é dado por:

Reatância transitória (Xd’)

É o valor de reatância da máquina correspondente à corrente que circula na armadura após o período sub-transitório do curto, perdurando por um número maior de ciclos (maior tempo).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Seu valor pode ser obtido dividindo-se a tensão na armadura correspondente ao início do período transitório pela respectiva corrente, nas mesmas condições de carga.

I E = xd¢

Onde: E = Valor eficaz da tensão fase-neutro nos terminais do gerador síncrono, antes do curtocircuito.

I'= Valor eficaz da corrente de curto-circuito do período transitório considerado em regime permanente. Seu valor é dado por:

Reatância síncrona (Xd) É o valor da reatância da máquina correspondente a corrente de regime permanente do curto-circuito, ou seja, após o término do período transitório do curto. Seu valor pode ser obtido pela tensão nos terminais da armadura ao final do período transitório do curto dividido pela respectiva corrente.

I E = xd

Onde: E = Valor eficaz da tensão fase-neutro nos terminais do gerador síncrono, antes do curtocircuito.

I = Valor eficaz da corrente de curto-circuito em regime permanente. Seu valor é dado por:

2 I = IRP áx m

A importância do conhecimento destas reatâncias está no fato de que a corrente no estator (armadura) após a ocorrência de uma falta (curtocircuito) nos terminais da máquina terá valores que dependem destas reatâncias. Assim, pode ser conhecido o desempenho da máquina diante de uma falta e as conseqüências daí originadas.

O gerador síncrono é o único componente do sistema elétrico que apresenta três reatâncias distintas, cujos valores obedecem à inequação:

Xd"< Xd' < Xd

2..6POTÊNCIA EM MÁQUINAS DE

A potência de uma máquina síncrona é expressa por:

P = m . Uf . If . cosj

Onde: m - Número de fases Uf - Tensão de fase If - Corrente de fase

A potência elétrica desenvolvida em máquinas de pólos salientes também pode ser expressa em função do ângulo de carga (d) que surge entre os fatores Uf (tensão de fase) e E0 (força eletromotriz induzida), determinado pela posição angular do

Fig. 2.6.1.a - Ângulo de Carga (d) em Máquinas de Pólos Salientes.

Fig. 2.6.1.b - Diagrama de Tensão - Gerador Síncrono de Pólos Salientes.

Onde: xd e xq são as reatâncias de eixo direto e em quadratura, respectivamente:

Pd = Uf . Id . senδ Pq = Uf . Iq . cosδ

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Fig 2.6.2 - Curva de potência em máquinas síncronas.

A potência eletromagnética, que é a potência transmitida pelo rotor de um gerador ao estator, pode ser expressa por:

d sen2xd 1 - xq12 Uf . m + senxd

EXCITAÇÃO DA MÁQUINA (E0) (FIG. 2.6.2).

d senxd Uf . E . m = Pe0

O segundo termo da expressão é adicional devido a diferença de relutância do entreferro (xq e xd), a qual não depende da excitação da máquina (Fig. 2.6.2).

d sen2xd 1 - xql2

2..7DEFINIÇÕES

2.7.1. Distorção harmônica

O formato ideal da onda de tensão de uma fonte de energia CA é senoidal. Qualquer onda de tensão que contenha certa distorção harmônica (fig. 2.7.1), pode ser apresentada como sendo equivalente à soma da fundamental mais uma série de tensões CA de amplitudes específicas relacionadas harmonicamente. A distorção pode ser definida para cada harmônica em relação a sua amplitude como um percentual da fundamental. A distorção harmônica total pode ser calculada utilizando-se a equação:

E )(Em = Distorção

Onde: Em - Tensão harmônica de ordem "m". E1 – Tensão da fundamental.

Na figura 2.7.1.a está representada a forma de onda tomada entre fase-fase em um gerador. A distorção calculada foi de 2,04%. Na figura 2.7.1.b temos a forma de onda tomada entre fase-neutro. A distorção calculada foi de 15,71%.

Fig. 2.7.1.a - Forma de onda com 2,04% de distorção harmônica.

Fig. 2.7.1.b - Forma de onda com 15,71% de distorção harmônica.

2.7.2. Fator de desvio

Desvios ou variações do formato senoidal da onda podem ocorrer durante qualquer parte da onda: positivo, negativo ou durante o cruzamento por zero (Fig. 2.7.2).

Fig. 2.7.2 - Fator de Desvio.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

A amplitude da variação (Fig. 2.7.3), expressa como um percentual do valor de pico de uma onda senoidal de referência, é o Fator de Desvio.

Fig. 2.7.3 - Amplitude de Desvio. O fator de desvio pode ser calculado como:

Vpico Desvio = Fdev

2.7.3. Modulação de tensão

É a cíclica variação da amplitude de tensão, causada pela oscilação do regulador ou pela cíclica variação da carga.

2.7.4. Desequilíbrio angular

As tensões de um sistema trifásico são defasadas de 120º. Se este defasamento for diferente de 120º, o referido valor será o desequilíbrio.

2.7.5. Desbalanceamento de tensão

Desbalanceamento de tensão é a diferença entre as tensões de linha mais alta e mais baixa, e pode ser expresso em percentual da tensão média de fase.

Ex: Fase U a V - 208V (1.6% acima da média)

Média: 204.67V
Variação: 6V (2.9%)

V a W - 204V (0.3% abaixo da média) W a U - 202V (1.3% abaixo da média)

2.7.6. Transiente de tensão

São picos de tensão de curta duração que aparecem esporadicamente e podem atingir centenas de Volts (Fig.2.7.4).

Fig. 2.7.4 - Transiente de Tensão.

2.7.7. Tolerância de tensão

São desvios máximos aceitáveis na tensão e geralmente expressos como percentuais da tensão nominal, por exemplo:

+ 5%: 105% da tensão nominal continuamente - 7,5%: 92,5% da tensão nominal continuamente

2.7.8. Tensão Residual

Quando operando em vazio, em rotação nominal e sem tensão de excitação, o gerador síncrono apresentará em seus terminais uma tensão residual devido ao magnetismo residual presente no núcleo magnético da excitatriz. Estes níveis de tensão podem causar acidentes graves e com risco de morte. É desaconselhável a manipulação da máquina enquanto o rotor estiver em movimento. Geradores com tensão nominal de 440V costumam apresentar 180V de tensão residual. Geradores com tensão nominal de 13800V facilmente apresentará 1000V de tensão residual.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

3. GERADORES WEG

Atualmente a WEG MÁQUINAS produz duas linhas de máquinas síncronas: Linha G plus e Linha S. A linha G plus é composta basicamente de máquinas padrões (seriadas) e a linha S de máquinas especiais (engenheiradas, sob pedido).

Nomenclatura das máquinas síncronas WEG

A nomenclatura das máquinas síncronas WEG é composta de letras e números conforme as tabelas abaixo:

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Tipo de Máquina

G Máquina Síncrona não Engenheirada S Máquina Síncrona Engenheirada

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Característica T Gerador Brushless com Bobina auxiliar

P Gerador Brushless com Excitatriz auxiliar

S Gerador Brushless sem auxiliar

L Gerador com escovas D Motor com escovas E Motor Brushless sem Excitatriz auxiliar F Motor Brushless com Excitatriz auxiliar

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Comprimento da Carcaça Ex.: 160mm = 16; 315mm = 31; 400mm = 40

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Comprimento da Carcaça 1= Curta; 2= Média; 3 = Longa

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Tensão

A 12 Terminais 480/240V – 440/220V – 380/190V (60Hz) ou 400/200V- 380/190V (50Hz)

B 6 Terminais 220V/60Hz ou 190V/50Hz

C 6 Terminais 380V/60Hz D 6 Terminais 440V/60Hz ou 380V/50Hz E 6 Terminais 480V/60Hz ou 400V/50Hz F 6 Terminais 575V/60Hz G 2300V H 4160V I 6600V J 11000V K 13800V Z Outra tensão

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Aplicação

I Industrial M Marinizado T Telecomunicações N Naval E Especial

Exemplo: G T A3 1 1 A I V S

Código Complementar

Código referente à potência do gerador

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Geradores WEG linha G

A linha G possui máquinas com carcaças a partir da 160 até 630, baixa ou alta tensão até 13800V, em 4, 6 ou 8 pólos. São fabricados em chapas de aço calandradas, abertos-autoventilados (padrões) ou fechados com trocador de calor ar-ar (especiais – sob pedido), formas construtivas B15T, B35T ou B3T e mancais de rolamentos lubrificados a graxa. São acionadas geralmente por motores diesel ou gás.

A linha G tem como principais características: - Excitação Brushless (sem escovas);

- Alimentação independente do regulador de tensão através de Bobina Auxiliar (padrão) ou excitatriz auxiliar PMG (sob pedido)

- Passo de bobinagem 2/3, baixa distorção harmônica e baixa reatância subtransitória, sendo apto a alimentar cargas deformantes com componentes de 3a harmônica altas;

- Excitatriz com imãs permanentes, facilitando assim o escorvamento sob qualquer condição;

- Facilidade de manutenção da corrente de curtocircuito (devido a presença de bobina auxiliar para alimentação do regulador de tensão);

- Mancal único ou duplo e montagem horizontal;

- Facilidade de manutenção, proporcionada pela robustez das máquinas, acesso facilitado aos diodos e regulador de tensão;

- Regulador de tensão encapsulado, com fusível de proteção incorporado, montado na caixa de ligações.

Geradores WEG linha S

A linha S atende aplicações mais específicas e é composta de geradores e motores síncronos especiais e engenheirados (sob pedido), com carcaças a partir da 355 até 2500, em baixa ou alta tensão até 13800V, com 4 pólos ou acima. São fabricados em chapas de aço soldadas, abertosautoventilados ou fechados com trocador de calor ar-ar ou ar-água, formas construtivas B3, D5, D6 ou V1 e mancais de rolamentos lubrificados a graxa ou óleo e deslizamento a óleo. São acionados geralmente por turbinas hidráulicas, a vapor ou eólicas.

As principais características da linha S são:

- Excitação Brushless (sem escovas) ou com escovas;

- Com ou sem excitatriz auxiliar (PMG) para alimentação do regulador de tensão;

- Regulador de tensão digital com saída serial, controle de fator de potência, paralelismo, etc;

- Alimentação do regulador de tensão através do próprio gerador ou fonte externa;

- Formas construtivas horizontais ou verticais;

- Diferentes tipos de Refrigeração.

3..1NORMAS APLICÁVEIS

As máquinas síncronas WEG são projetadas, fabricadas e testadas segundo as normas ABNT, IEC e DIN, onde aplicáveis. Especificamente podemos citar:

- VDE 0530 - Máquinas Elétricas Girantes (Especificação e Características de Ensaio);

- NBR 5052 - Máquinas Síncronas (Método de Ensaio).

3..2GERADORES COM EXCITAÇÃO POR

Nestes geradores o campo no rotor é alimentado em corrente contínua através das escovas e anéis coletores e a tensão alternada de saída, para alimentação das cargas, é retirada do estator (armadura) (Fig. 3.2.1). Neste sistema normalmente o campo é alimentado por uma excitatriz chamada de excitatriz estática. A tensão de saída do gerador é mantida constante dentro de suas características nominais através do regulador de tensão, que verifica constantemente a tensão de saída e atua na excitatriz estática. Quando acionado na rotação nominal e com a excitatriz desconectada do rotor, o processo de escorvamento inicia-se pela pequena tensão residual do gerador. Nas máquinas síncronas WEG este sistema de excitação é disponível para a Linha S (modelos SL ou SD).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Algumas vantagens e desvantagens desse tipo de excitação:

VANTAGENS: Menor tempo de resposta na recuperação de tensão (aplicação direta de corrente contínua no rotor).

DESVANTAGENS: Exige manutenção periódica no conjunto escovas e porta escovas. Não é aconselhável a utilização em cargas sensíveis e de telecomunicações, devido a possibilidade de gerar rádio interferência em função do contato das escovas e anéis (possível faiscamento). Por isso também não pode ser utilizado em atmosferas explosivas.

3..3GERADORES COM EXCITAÇÃO SEM

Nesses geradores a corrente contínua para alimentação do campo é obtida sem a utilização de escovas e anéis coletores, utilizando somente indução magnética. Para isso o gerador possui um componente chamado excitatriz principal, com armadura girante e campo fixo. A armadura dessa excitatriz é montada no próprio eixo do gerador. Possui também um conjunto de diodos girantes (circuito retificador), também montado no eixo do gerador, para alimentação do campo principal em corrente contínua. Este conjunto de diodos recebe tensão alternada do rotor da excitatriz principal (armadura da excitatriz), tensão esta induzida pelo estator da excitatriz principal (campo da excitatriz), que é alimentado em corrente contínua proveniente do regulador de tensão. Um esquema dos componentes montados no rotor de uma máquina com excitação brushless encontrase na Figura 3.3.1. O regulador de tensão monitora constantemente a tensão de saída do gerador e atua no estator da excitatriz. Com isso mantém a tensão de saída do gerador constante. A tensão alternada de saída do gerador, para alimentação das cargas, é retirada do seu estator principal (armadura) (Fig. 3.3.2 a e b).

Nos geradores brushless, a potência para a excitação (alimentação do regulador de tensão) pode ser obtida de diferentes maneiras, as quais definem o tipo de excitação da máquina. Esses tipos de excitação são:

- Alimentação através de bobina auxiliar, um conjunto auxiliar de bobinas, independente, alojado em algumas ranhuras do estator principal da máquina (armadura principal). Funciona como uma fonte de potência independente para o regulador de tensão, não sujeita aos efeitos que acontecem no estator principal da máquina. O regulador recebe tensão alternada dessa fonte e alimenta o campo da excitatriz principal com tensão retificada e regulada. Em condições normais de operação, na bobina auxiliar é produzida uma tensão monofásica de freqüência nominal do gerador, sofrendo pequenas distorções na forma de onda dependendo do tipo de carga (resistiva, indutiva ou capacitiva). Em situações de curto-circuito, é produzida uma tensão monofásica de terceira harmônica que continua alimentando o regulador de tensão independentemente e mantém o curto-circuito. Nas máquinas síncronas WEG essa configuração de excitação é padrão para a Linha G em baixa tensão (modelos GT, vide Figura 3.3.2.a);

- Alimentação através de excitatriz auxiliar a imãs permanentes (ou PMG - “Permanent Magnets Generator”), que possui campo no rotor, a ímãs, montado no próprio eixo do gerador, e estator (armadura) fixado na tampa traseira do gerador (Linhas G ou S) ou na base, em compartimento separado do estator principal da máquina (Linha S). A excitatriz auxiliar também funciona como uma fonte de potência independente para o regulador de tensão. O regulador recebe a tensão trifásica alternada gerada no estator da excitatriz auxiliar (armadura da excitatriz auxiliar), retifica, regula e aplica-a no estator da excitatriz principal do gerador (campo da excitatriz principal). Nas máquinas síncronas WEG essa configuração de excitação é disponível mediante pedido para a Linha G (modelos GP, vide figura 3.3.2.b), e é praticamente padrão para as máquinas da Linha S (modelos SP e SF).

- Alimentação sem excitatriz auxiliar pelo próprio enrolamento de armadura da máquina, através de tap’s (para baixa tensão) ou via TP’s (para alta tensão), ou ainda, alimentação externa em locais onde há presença de rede. O regulador de tensão recebe tensão alternada de uma dessas fontes, retifica, regula e aplica-a no estator da excitatriz principal do gerador (campo da excitatriz principal). Nos geradores WEG essa configuração de excitação é disponível para os geradores da Linha S (modelos S e SE).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Fig. 3.2.1 - Gerador com excitação por escovas. Fig. 3.3.1 – Esquema de Excitação Brushless (componentes do rotor).

Fig. 3.3.2.a - Gerador GTA com Bobina Auxiliar.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

3..4GERADORES COM EXCITAÇÃO SEM

Fig. 3.3.2.b - Gerador GPA com Excitatriz Auxiliar PMG. ESCOVAS PARA APLICAÇÕES ESPECIAIS

TELECOMUNICAÇÕES - Os geradores para Telecomunicações devem ser especificados conforme a norma ABNT NBR 14664. As aplicações mais comuns são grupos diesel de emergência para centrais telefônicas, estações base de telefonia celular, repetidoras, radares, sistema de rádio, aeroportos, etc.

Vantagens: - Não utiliza escovas e porta-escovas conseguindo-se com isso, manutenção reduzida;

- Não introduz rádio-interferências ocasionado pelo mau contato de escovas;

- Deformações na forma de onda gerada, provocada pelas cargas, não interferem na regulação, pois o regulador é alimentado por bobina auxiliar, independente da tensão de saída do gerador.

Principais características técnicas especificadas pela ABNT NBR 14664 (Grupos geradores – Requisitos gerais para telecomunicações): - Reatância sub-transitória de eixo direto (Xd") menor ou igual a 12%;

- Distorção harmônica total fase-neutro em vazio menor ou igual a 3%;

- Precisão da regulação de tensão + 2% para qualquer valor estável de carga não deformante com fator de potência entre 0,8 e 1,0;

- Transitório de tensão para degrau de 100% da carga: +10% da tensão nominal;

- Variações de + 1% na rotação do motor diesel, não devem prejudicar a regulação da tensão;

- Faixa de ajuste da tensão nominal através de potenciômetro: +/- 15%; - Deve possuir resistor de desumidificação.

NAVAL - Os geradores para uso naval são projetados e fabricados para atender parâmetros e características técnicas de acordo com as entidades classificadoras e normas afins (ABS, DNV, Lloyds, Bureau Veritas, Rina, GL, PRS, CGSS, USSR). Devem possuir certificação individual emitida por uma dessas entidades.

MARINIZADO - Os geradores marinizados são projetados e fabricados para atender parâmetros e características técnicas para aplicações em ambientes marítimos ou agressivos, entretanto, não obedecem a entidades classificadoras navais. Os geradores possuem proteções internas e externas adicionais e não possuem certificação.

3..5MOTORES SÍNCRONOS

Os motores síncronos caracterizam-se, quanto à dinâmica de funcionamento, por terem a mesma velocidade de rotação do campo girante da armadura em regime permanente. Portanto, não possuem escorregamento e assim não possuem conjugado de partida. Deste modo, tais motores necessitam de um método de partida. O método mais comum consiste em partir o motor síncrono como se este fosse um motor assíncrono de gaiola e depois excitá-lo, alimentando o enrolamento de campo com corrente contínua, a fim de sincronizá-lo.

Regulador tensão

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

A alimentação do campo principal com corrente contínua pode ser feita diretamente através de escovas e anéis coletores (excitação com escovas) ou sem escovas (excitação brushless). O método para se obter torque de partida consiste na utilização de barras de cobre, latão ou alumínio nas sapatas polares, que são curto-circuitadas nas extremidades por meio de anéis, formando uma gaiola como se fosse a de um motor de indução assíncrono. A fig. 3.5.1.a mostra o perfil de chapa rotórica para um motor síncrono quatro pólos, onde localizam-se as barras e a região onde são curto-circuitadas nas sapatas polares. A gaiola de partida também é chamada de enrolamento amortecedor, pois além de fornecer o conjugado de partida, amortece oscilações causadas pelas variações de carga, estabilizando a rotação do motor. A partida do motor síncrono sem escovas (brushless) é feita com enrolamento de campo (excitação) curto-circuitado e com o induzido (armadura) conectado à rede. Curto-circuita-se o enrolamento de campo com o objetivo de evitar a indução de tensões muito altas em suas espiras, o que provocaria a perfuração do isolamento. Conecta-se a armadura a uma rede de tensão alternada, quando manifesta-se então o conjugado de motor assíncrono. O rotor acelera até próximo à velocidade síncrona, sem contudo atingí-la. Quando a velocidade do rotor é cerca de 95% da velocidade síncrona, o enrolamento de campo é alimentado com corrente contínua. O campo magnético criado pelo enrolamento de campo entrelaça-se com o campo magnético girante da armadura, manifestando o conjugado de sincronismo e fazendo com que o rotor acompanhe o campo girante de armadura (estator), movimentando-se à velocidade síncrona. Este fenômeno transitório é chamado "sincronização". Uma das aplicações para os motores síncronos é a utilização como compensadores síncronos para correção do fator de potência nas instalações onde estão conectados. A vantagem é a facilidade no ajuste e a possibilidade da manutenção contínua do valor do fator de potência pré-ajustado. O motor síncrono, ao mesmo tempo em que aciona uma carga no eixo (mecânica), pode funcionar como

compensador síncrono. A partir de um certo tamanho e potência, e em aplicações específicas, o motor síncrono operando com fator de potência unitário pode ser uma vantagem em relação ao assíncrono devido apresentar maior rendimento. Com fator de potência unitário a parcela de potência reativa é inexistente e com isso a corrente é menor. Sendo a corrente menor e circulando nos enrolamentos, as perdas são menores.

Fig. 3.5.1.a - Perfil da Chapa do Campo.

A figura 3.5.1.b mostra um diagrama esquemático de um motor síncrono brushless, destacando os componentes fixos (montados na carcaça) e os girantes (montados no rotor). Na seqüência apresentamos um item referente ao sistema de excitação brushless com descrição do seu funcionamento.

1 - Regulador de Excitação – Fixo 2 - Estator da máquina principal (armadura) - Fixo 3 - Rotor da máquina principal (campo) - Girante 4 - Estator da excitatriz - Fixo 5 - Rotor da excitatriz - Girante 6 - Circuito retificador - Girante 7 - Circuito de chaveamento de campo - Girante

Fig. 3.5.1.b - Diagrama Esquemático para Motor Síncrono Brushless.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Sistema de excitação sem escovas (brushless) para motor síncrono

Este sistema de excitação é constituído principalmente de:

A excitatriz principal é um gerador de corrente trifásica de pólos salientes que acomodam as bobinas do campo de excitação, as quais são ligadas em série.

O rotor da excitatriz principal é laminado, e suas ranhuras abrigam um enrolamento trifásico ligado em estrela. O ponto comum desta ligação estrela é inacessível. De cada ponto da ligação estrela saem dois fios para os retificadores girantes, assentados sobre dois suportes dissipadores. O enrolamento de campo é montado sobre o rotor da máquina principal, com as bobinas enroladas sobre os pólos de excitação. O estator da máquina principal é alimentado por uma tensão trifásica proveniente da rede elétrica, que também alimenta o regulador de excitação (ou regulador de fator de potência), o qual alimenta o estator da excitatriz principal. A tensão induzida no rotor da excitatriz principal é retificada e alimenta o enrolamento de campo. Na partida é induzida uma tensão muito alta no rotor da máquina principal e isto faz com que o circuito de chaveamento de campo atue, chaveando os tiristores montados no rotor, fazendo com que o enrolamento de campo seja curto-circuitado. Quando a rotação chega em aproximadamente 95% da nominal a tensão induzida no rotor principal da máquina (enrolamento de campo) é bastante baixa. Então o circuito de chaveamento de campo faz com que os tiristores deixem de conduzir e o enrolamento de campo passa a receber a tensão retificada proveniente do rotor da excitatriz.

Vantagens deste sistema: - Não utiliza escovas e porta-escovas;

- Não introduz rádio-interferência pelo mau contato das escovas;

- Manutenção reduzida, solicitando cuidados apenas na lubrificação dos mancais.

3..6REGULADOR DE TENSÃO

O regulador de tensão é eletrônico e automático. Tem por finalidade monitorar a tensão terminal da máquina e mantê-la constante no valor ajustado, independente das variações da carga. Ele retifica uma tensão trifásica proveniente da bobina auxiliar, da excitatriz auxiliar, de TAP's da armadura da máquina principal ou até da rede, levando-a através de um transistor de potência ao enrolamento de campo da excitatriz principal. Possui também circuitos ajustes e proteções para assegurar um controle confiável do gerador.

3..7TEMPO DE REGULAGEM DA TENSÃO

Como tempo de regulagem entende-se o tempo transcorrido desde o início de uma queda de tensão até o momento em que a tensão volta ao intervalo de tolerância estacionária (por exemplo + 0,5%) e permanece na mesma (“ta” na fig. 3.7.1)

Fig. 3.7.1 - Tempo de Regulagem de Tensão.

O tempo exato de regulagem depende na prática de inúmeros fatores. Portanto só pode ser indicado aproximadamente.

A fig. 3.7.2 dá uma indicação aproximada sobre os tempos de regulagem a serem considerados, e valem para os degraus de cargas nominais. Em condições diferentes da acima, os tempos podem ser calculados proporcionalmente à queda de tensão.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores Fig. 3.7.2 - Tempo de Regulagem de Tensão.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

4. CARACTERÍSTICAS DO AMBIENTE

Entre outros, dois fatores principais influenciam diretamente na determinação da potência admissível: a) Temperatura do meio refrigerante onde o gerador é instalado. b) Altitude onde o gerador é instalado.

Na maioria dos casos, o ar ambiente possui temperatura não superior a 40ºC, é isento de elementos prejudiciais e a altitude é de até 1000m acima do nível do mar. Até estes valores de altitude e temperatura ambiente considera-se condições normais de operação, sem sobre-aquecimento da máquina.

4..1ALTITUDE

Um gerador operando em altitude acima de 1000m sem ter sido especificado para tal apresentará aquecimento, causado pela rarefação do ar e, conseqüentemente, diminuição do seu poder de arrefecimento. A insuficiente troca de calor entre o gerador e o ar circundante leva à exigência de redução de perdas, o que significa também redução de potência. O aquecimento das máquinas é diretamente proporcional às perdas e estas variam aproximadamente numa razão quadrática com a potência.

4..2TEMPERATURA AMBIENTE

Em geradores que trabalham constantemente em temperaturas ambientes superiores a 40ºC sem terem sido projetados para essa condição, o enrolamento pode atingir temperaturas prejudiciais à isolação, reduzindo sua vida útil. Este fato deve ser compensado por um projeto especial do gerador, usando materiais isolantes especiais ou pela redução da potência nominal do mesmo.

Geradores que operam em temperaturas inferiores a - 20ºC e não especificados para esta condição podem apresentar os seguintes problemas: - Excessiva condensação, exigindo drenagem adicional ou instalação de resistência de aquecimento, caso o gerador fique longos períodos parado;

- Formação de gelo nos mancais, provocando endurecimento das graxas ou lubrificantes dos mancais, exigindo o emprego de lubrificantes especiais ou graxas anti-congelantes.

4..3DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA ÚTIL

Associando os efeitos da variação da temperatura e da altitude à capacidade de dissipação, a potência do gerador pode ser obtida multiplicando-se a potência útil pelo fator de multiplicação encontrado nas curvas da fig.4.3.1.

Fig. 4.3.1. Diagrama de Potência em Função da Altitude e da Temperatura Ambiente.

4..4ATMOSFERA AMBIENTE

4.4.1. Ambientes agressivos

Ambientes agressivos tais como, estaleiros, instalações portuárias, indústria de pescado e múltiplas aplicações navais, indústrias químicas e petroquímicas, exigem que os equipamentos que neles trabalham sejam adequados para suportar a agressividade desses ambiente com elevada confiabilidade. Para aplicação de geradores nesses tipos de ambientes a WEG deverá ser consultada.

Nos casos de geradores para uso naval, as máquinas devem apresentar características especiais de acordo com as exigências de construção, inspeção e ensaios estabelecidos nas normas das sociedades classificadoras navais, entre as quais: - American Bureau os Shipping (ABS)

- Bureaus Veritas (BV)

- Lloyds Register of Shipping

- Germanischer Lloyd

- E outras conforme tabela 4.4.1, que determinam, entre outras características, temperaturas ambientes mínimas e sobrecargas.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

VDE 0530 40 50 15seg Germanischer Lloyd 45 50 2min

IEC 50 40 50 15seg

Lloyds Register 45 50 (com cos j=0,8) 15seg

ABS 50 50 2min

DNV 45 15% (com cos j=0,6) 2min

BV 50 50 15seg

RINA 50 50 15seg Seeregister de UdSSR 45 50 2min

Tabela 4.4.1 - Temperaturas Ambientes e Sobrecargas de acordo com normas navais.

4..5GRAUS DE PROTEÇÃO

Os invólucros dos equipamentos elétricos, conforme as características do local em que serão instaladas e de sua acessibilidade, devem oferecer um determinado grau de proteção. Assim, por exemplo, um equipamento a ser instalado num local sujeito a jatos de água deve possuir um invólucro capaz de suportar tais jatos, sob determinados valores de pressão e ângulo de incidência, sem que haja penetração de água.

4.5.1. Código de identificação

As normas IEC 60034-5 e ABNT-NBR 6146 definem os graus de proteção dos equipamentos elétricos por meio das letras características IP seguidas por dois algarismos.

1º Algarismo: Indica o grau de proteção contra penetração de corpos sólidos estranhos na máquina e contato acidental. 0 - sem proteção 1 – proteção contra penetração de corpos sólidos estranhos de dimensões acima de 50mm. 2 - idem, acima de 12mm. 4 - idem, acima de 1mm. 5 - proteção contra acúmulo de poeiras prejudiciais à máquina.

2º Algarismo: Indica o grau de proteção contra penetração de água no interior da máquina. 0 - sem proteção. 1 - proteção contra penetração de pingos de água na vertical. 2 - pingos de água até a inclinação de 15º com a vertical. 3 - água de chuva até a inclinação de 60º com a vertical. 4 - respingos de todas as direções. 5 - jatos de água de todas as direções. 6 - água de vagalhões. 7 - imersão temporária. 8 - imersão permanente.

NOTA: A letra (W), colocada entre as letras IP e os algarismos indicativos do grau de proteção, indica que a máquina é protegida contra intempéries. Exemplo: IPW55

As combinações entre os dois algarismos, isto é, entre os dois critérios de proteção, estão resumidos na tabela 4.5.1.

De acordo com a norma, a qualificação da máquina em cada grau de proteção, no que refere-se a cada um dos algarismos, é bem definida através de ensaios padronizados.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

1º ALGARISMO 2º ALGARISMO

IP00 NÃO TEM NÃO TEM NÃO TEM

IP02 NÃO TEM NÃO TEM PINGOS DE ÁGUA ATÉ UMA INCLINAÇÃO DE 15º COM A VERTICAL

IP11 TOQUE ACIDENTAL COM

A MÃO DE DIMENSÕES ACIMA DE 50mm. PINGOS DE ÁGUA NA VERTICAL

IP12 PINGOS DE ÁGUA ATÉ UMA INCLINAÇÃO DE 15º COM A

IP13ÁGUA DE CHUVA ATÉ UMA

INCLINAÇÃO DE 60º COM A

IP21 TOQUE COM OS DEDOS DE DIMENSÕES ACIMA DE 12mm. PINGOS DE ÁGUA NA VERTICAL

IP22PINGOS DE ÁGUA ATÉ UMA

INCLINAÇÃO DE 15ºCOM A

IP23ÁGUA DE CHUVA ATÉ UMA

INCLINAÇÃO DE 60ºCOM A

IP44 TOQUE COM

ACIMA DE 1mm RESPINGOS DE TODAS AS DIREÇÕES

IP54 PROTEÇÃO COMPLETA

IP55 JATOS DE ÁGUA DE TODAS AS DIREÇÕES

Tabela 4.5.1 - Grau de Proteção.

4.5.2. Tipos usuais

Embora os algarismos indicativos do grau de proteção possam ser combinados de muitas maneiras, somente alguns tipos de proteção são empregados nos casos normais. São eles IP21 e IP23 (para geradores abertos). Para aplicações especiais mais rigorosas, são comuns também os graus de proteção IP54 (ambientes muito empoeirados) e IP55 (casos em que os equipamentos são lavados periodicamente com mangueiras, como em fábricas de papel).

4..6LIMITES DE RUÍDO

As normas definem limites máximos de nível de potência sonora para as máquinas. A tabela 4.6.1 indica os limites máximos de nível de potência sonora em máquinas elétricas girantes transmitidos através do ar, em decibéis, na escala de ponderação A - dB(A) -conforme Normas IEC 60034-9 e ABNT-NBR 7565.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Graus de Proteção IP22 IP23

IP44 IP55 IP22 IP23 IP44 IP55 IP22 IP23 IP44 IP55 IP22 IP23 IP44 IP55 IP22 IP23 IP44 IP55 IP22 IP23 IP44 IP55

Velocidade Nominal (rpm)

Potência Nominal da Máquina kW ou kVA Nível de Potência Sonora dB(A)

* Máquinas com refrigeração a água.

Tabela 4.6.1 - Nível de potência sonora em dB(A) conforme IEC 60034-9 e NBR 7565.

4..7VIBRAÇÃO

As normas definem limites de vibração máximos para as máquinas.

A tabela 4.7.1 indica valores admissíveis para a amplitude de vibração conforme Normas IEC 60034-14 e ABNT-NBR 7094, para as diversas carcaças em dois graus: Normal e Especial.

Valores Limites da Amplitude de Vibração em Deslocamento, Velocidade e Aceleração (rms):

Carcaças 56 a 132 Carcaças 132 a 280 Carcaças 280 e acima

Grau de

Vibração Montagem

Desloc. (m)

Veloc. (m/s)

Acel. (m/s )

Desloc. (m)

Veloc. (m/s)

Acel. (m/s )

Desloc. (m)

Veloc. (m/s)

Acel. (m/s )

Grau A – Aplica-se para máquinas sem requisitos especiais de vibração. Grau B – Aplica-se para máquinas com requisitos especiais de vibração. Montagem rígida não é considerada aceitável para máquinas com carcaça menor que 132.

4..8VENTILAÇÃO

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

As perdas são inevitáveis no gerador e o calor gerado por elas deve ser dissipado, ou seja, transferido para o elemento de resfriamento do gerador, usualmente o ar ambiente. A maneira pela qual é feita a troca de calor entre as partes aquecidas do gerador e o ar ambiente é o que define o SISTEMA DE VENTILAÇÃO da máquina. Os sistemas usuais são de dois tipos principais:

4.8.1. Gerador aberto

É o gerador em que o ar ambiente circula no seu interior, em contato direto com as partes aquecidas que devem ser resfriadas. Neste sistema o gerador apresenta uma proteção IP21 ou IP23 e possui um ventilador interno montado no eixo. O ventilador aspira o ar do ambiente, que após passar através da máquina, é devolvido quente novamente ao meio ambiente. O gerador aberto propriamente dito, ou seja, aquele em que não há nenhuma restrição à livre circulação do ar ambiente por dentro dele, é raramente usado. Na realidade, as entradas e saídas de ar costumam ser parcialmente protegidas, segundo diversos graus de proteção que foram descritos no ítem 4.5. A figura 4.8.1 mostra o esquema do circuito de refrigeração do gerador auto-ventilado da linha G. A proteção neste caso é IP21, pois as entradas de ar possuem venezianas e a saída possui tela. No caso da proteção IP23 a entrada de ar possui veneziana e a saída possui tela com um “chapéu”, que garante a proteção contra água a 60º com a vertical.

Fig 4.8.1 - Gerador Aberto linha G.

4.8.2. Gerador totalmente fechado

"Gerador Fechado de tal modo que não haja troca de meio refrigerante entre o interior e o exterior da carcaça, não sendo necessariamente estanque" (Definição da ABNT). O ar ambiente é separado do ar contido no interior do gerador, não entrando em contato direto com suas partes internas. A transferência de calor é toda feita na superfície externa do gerador. O gerador não é "estanque", isto é, as folgas de montagem não impedem totalmente a penetração do ar ambiente para dentro e a saída de ar de dentro para fora. Por exemplo: Quando o gerador começa a funcionar, o ar contido no seu interior se aquece e se expande, criando uma leve diferença de pressão e fazendo com que um pouco de ar "escape" para o ambiente. Quando o gerador pára, o ar interno esfria e se contrai, fazendo com que um pouco do ar externo penetre no gerador. O gerador, assim, "respira" em função das oscilações de temperatura. Dependendo da maneira como é feita a troca de calor na superfície externa da máquina, existem os seguintes tipos de geradores totalmente fechados:

a) Totalmente fechado com trocador de calor ar-ar. O gerador possui dois ventiladores montados no eixo, um interno e outro externo. O trocador de calor ar-ar é constituído de tubos montados axialmente no trocador e normalmente fica na parte superior do gerador. O ventilador interno força o ar quente a circular dentro da máquina fazendo-o entrar em contato com a parte externa dos tubos do trocador, que encontram-se dentro da máquina. O ventilador externo força o ar do ambiente a circular dentro dos tubos do trocador, retirando o calor deles e transferindo ao ambiente. Para trocadores ar-ar padrões, os tubos são em confeccionados em aluminio trefilado. Em algumas aplicações especiais, em aço sem costura, fosfatizado, protegido por tinta anti-corrosiva ou aço inox ou tubos especiais, dependendo da especificação do cliente.

Fig. 4.8.2 - Refrigeração do gerador com trocador de calor ar-ar.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

b) Totalmente fechado com trocador de calor ar-água O gerador possui um ventilador interno montado no eixo e um ou dois radiadores a água montados no trocador de calor. Esses radiadores recebem água fria de um sistema existente no local de instalação do gerador. O trocador de calor normalmente é montado na parte superior do gerador. O ventilador interno força o ar quente a circular por dentro da máquina e através do radiador, onde o calor é retirado pela água que circula nele. A fig. 4.8.3 mostra o esquema do circuito de refrigeração do gerador com trocador de calor arágua.

Fig 4.8.3 - Refrigeração do gerador com trocador de calor ar-água.

4..9ACESÓRIOS E ESSPPECCIIAALLIIDDAADDESS

4.9.1. Resistor de aquecimento

Resistores de aquecimento (ou resistores de desumidificação) são utilizados em geradores instalados em ambientes muito úmidos. São energizados quando as máquinas estão paradas e com isso aquecem seu interior alguns graus acima do ambiente (5 a 10ºC). Com isso impedem a condensação de água no interior das mesmas quando estas ficam paradas por longo espaço de tempo. A aplicação é opcional, solicitada pelo cliente ou recomendada pela WEG quando ficar evidenciada a utilização da máquina em ambientes úmidos. Os resistores de desumidificação são fornecidos para funcionamento em uma só tensão, em redes monofásicas de 110, 220, 380 ou 440V, dependendo da tensão disponível no local da instalação do gerador. A tensão de alimentação dos resistores deve ser especificada pelo cliente. Dependendo do tamanho (carcaça) do gerador, a WEG emprega resistores de aquecimento de potências diferentes (vide exemplos na tabela 4.10.1).

CARCAÇA POTÊNCIA (W) 160 e 200 108

225 e 250 215 280, 315, 355, 400 e 450 430

Tabela 4.10.1 - Potência dos resistores de aquecimento por carcaça.

4.9.2. Proteção térmica de geradores elétricos

A proteção térmica normalmente é efetuada por meio de termoresistências, termistores ou termostatos. Os tipos de detectores a serem utilizados são determinados em função da classe de temperatura do isolamento empregado, de cada tipo de máquina e das exigências da aplicação ou cliente.

4.9.2.1. Termoresistores

Usualmente conhecidos como “RTD” (Resistance Temperature Dependent) ou Resistência Calibrada. Sua operação é baseada na característica de variação da resistência com a temperatura, intrínseca a alguns materiais (geralmente platina, níquel ou cobre). Possuem uma resistência calibrada que varia linearmente com a temperatura, possibilitando um acompanhamento contínuo do processo de aquecimento da máquina, com alto grau de precisão e sensibilidade de resposta através do uso de um controlador. Devido ao acompanhamento contínuo da temperatura, um mesmo detector pode servir para alarme e para desligamento. Os termoresistores normalmente utilizados em máquinas elétricas são os do tipo Pt100 (Platina), Ni20 (Níquel) e Cu10 (Cobre). Sua aplicação é ampla nos diversos setores de técnicas de medição e automatização de temperatura nas indústrias em geral e geralmente aplica-se em instalações de grande responsabilidade. Em geradores as termoresistências normalmente são utilizadas nos enrolamentos (fases), em mancais (rolamentos ou buchas) e no ar de resfriamento da máquina (ar frio ou quente). Para os geradores WEG da linha S são padrões esses detetores nas fases e mancais (02 por fase e 01 por mancal).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

4.9.2.2. Termistores (PTC e NTC)

São detectores térmicos compostos de semicondutores que variam sua resistência bruscamente ao atingirem uma determinada temperatura.

Podem ser de dois tipos: - PTC - Coeficiente de Temperatura Positivo

O tipo "PTC" é um termistor cuja resistência aumenta bruscamente para um valor bem definido de temperatura. Essa variação brusca na resistência interrompe a corrente no PTC, acionando um relé de saída, o qual pode ativar um circuito de proteção. Também pode ser utilizado para sistemas de alarme (01 por fase) ou alarme e desligamento (02 por fase).

Para o termistor "NTC" acontece o contrário do PTC, porém, sua aplicação não é normal em geradores elétricos, pois os circuitos eletrônicos de controle disponíveis geralmente são para o PTC (aumento da resistência).

Os termistores possuem tamanho reduzido, não sofrem desgastes mecânicos e têm uma boa resposta em relação aos outros detetores, embora não permitam um acompanhamento contínuo do processo de aquecimento do gerador dentro de uma ampla faixa de temperatura.

4.9.2.3. Termostatos

São detetores térmicos do tipo bimetálico com contatos de prata normalmente fechados (NF), que se abrem quando ocorre determinada elevação de temperatura. Quando a temperatura de atuação do bimetálico baixar, este volta a sua forma original instantaneamente, permitindo o fechamento dos contatos novamente. Os termostatos podem ser destinados para sistemas de alarme, desligamento ou ambos (alarme e desligamento). São normalmente ligados em série com a bobina de um contator do circuito de proteção da máquina. Dependendo do grau de segurança e da especificação do cliente, podem ser utilizados três termostatos (um por fase) ou seis termostatos (grupos de dois por fase).

Para operar em alarme e desligamento (dois termostatos por fase), os termostatos de alarme devem ser apropriados para atuação na elevação de temperatura prevista do gerador, enquanto que os termostatos de desligamento deverão atuar na temperatura máxima do material isolante.

Figura 4.9.1 - Visualização do aspecto externo dos Termoresistores. Figura 4.9.2. - Visualização do aspecto externo dos Termistores.

Para mancais de bucha

Para mancais de rolamento

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Figura 4.9.3. - Visualização do aspecto interno e externo dos Termostatos.

Máxima Sobreelevação de Temperatura Permitida por

Classe de Isolamento.

Dt em ºC (Métodos da Variação de Resistência) NORMA Máxima

Temperatura Ambiente

Tabela 4.10.2 - Máxima sobreelevação de Temperatura permitida para as Classes de isolamento A, E, B, F e H.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

5. CARACTERÍSTICAS DE DESEMPENHO

5..1POTÊNCIA NOMINAL

É a potência que o gerador pode fornecer, dentro de suas características nominais, em regime contínuo. O conceito de potência nominal, ou seja, a potência que o gerador pode fornecer, está intimamente ligado à elevação de temperatura do enrolamento (Tab. 5.1.1). Sabemos que o gerador pode acionar cargas de potência bem acima de sua potência nominal até quase atingir o limite de estabilidade. O que acontece, porém, é que se esta sobrecarga for excessiva, isto é, for exigida do gerador uma potência muito acima daquela para a qual foi projetado, o aquecimento normal será ultrapassado e a vida do gerador será diminuída, podendo ele, até mesmo, queimar-se rapidamente.

Classe de Isolamento A E B F H

Dt= elevaçao de temperatura (método de resistência) ºC 60 75 80 100 125

Tabela 5.1.1 - Composição da temperatura em função da classe de isolamento.

A potência do gerador é fixada em relação a potência das fontes consumidoras ou de acordo com a potência do motor do acionamento:

A) Fixação de potência de acordo com a potência das fontes consumidoras.

Para a determinação do tamanho da máquina devemos conhecer a potência aparente S.

S = Ul x Il x Ö3

Onde: S - potência aparente (VA) Ul - tensão de linha (V) Il - corrente de linha (A)

Nos catálogos a potência aparente é dada em kVA, sendo válida para os fatores de potência entre 0.8 e 1.0 (Indutivos). Para fatores de potência menores que 0.8 a potência da máquina deve ser reduzida conforme a fig. 5.1.1, isto implica portanto que o cos φ da carga também deve ser conhecido.

Portanto, se um gerador for conectado a cargas com fatores de potência distintos, é preciso averiguar antes quais os componentes de potência ativa e reativa das cargas e então determinar a potência aparente total, bem como o fator de potência geral.

)Qn ++ Q2 + (Q1 + )Pn + ... + P2 + (P1 = S22

Onde: S - potência aparente total (VA) P1...n - componentes de potência ativa de cada fonte consumidora (W)

Q1...n - componentes de potência reativa de cada fonte consumidora (VAr)

S P = åjCos

B) Fixação da potência de acordo com a potência do motor de acionamento.

Muitas vezes não é possível conhecer a potência exata das fontes consumidoras. Neste caso a potência do gerador é determinada a partir da potência de acionamento e, como fator de potência, podemos adotar 0.8, caso os fatores individuais encontrem-se nessa faixa. Da potência útil do motor de acionamento, diminuímos as perdas do gerador, para obter a potência ativa que fica à disposição nos terminais do gerador.

[]kW

Onde: Pg - potência do gerador (kW) Pn - potência do motor acionante (kW) η(g) - rendimento do gerador (%)

Para potência do motor acionante dada em cv, multiplicar por 0.736 para obtê-la em kW.

Pn(KW) = Pn(cv) x 0.736

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Para determinação da potência aparente do gerador, devemos levar em consideração o rendimento dos geradores indicado nos catálogos, para fatores de potência entre 0.8 e 1.0. Então, levando em consideração o fator de potência, a potência aparente fica:

jh jCosCos x 100 x Pn = Pg = S

Exemplos: Numa indústria deve ser instalado um Grupo Gerador Diesel para fornecer eletricidade às suas instalações, onde existem as seguintes fontes consumidoras: a) Iluminação 80 kVA cosj = 0,7 b) Aquecimento 152 kVA cosj = 1,0 c) 01 motor trifásico WEG - IP54 - 40 cv – IV pólos d) 01 motor trifásico WEG - IP54 - 60 cv – IV pólos e) 01 motor trifásico WEG - IP54 - 75 cv – IV pólos

Do catálogo de motores trifásicos WEG obteremos: Motor 40 cv (30 kW), cosj = 0,85, η = 90,9% Motor 60 cv (45 kW), cosj = 0,8, η = 90,8% motor 75 cv (5 kW), cosj = 0,90, η = 91,9%

Para determinação da potência foi considerado serviço contínuo. Será analisado posteriormente a influência da partida dos motores.

Para o cálculo da potência ativa e aparente nos motores geralmente indica-se a potência útil no eixo. A potência ativa consumida abtém-se dividindo a potência útil pelo rendimento;

Dos valores da potência ativa e cosj do motor, obtém-se a potência aparente total consumida por ele;

Com os valores de potência ativa e potência aparente, determina-se a potência reativa consumida pelo motor.

Portanto, para o motor de 40 cv teremos:

kW 3,0 = 90,9 30 = 100 x (kW)Pu = (kW) Ph kVA 38,8 = 0,85 3,0 = (kW) P = (kVA) S jcos

Desta maneira, e para as demais cargas, obteremos os seguintes resultados da Tabela 4.1.

CARGA COS j η% S

(kVA) P (kW) Q (kVAr)

Assim, a potência aparente do gerador será a soma de todas as parcelas de potência ativa e reativa das cargas:

)Q + + Q + (Q + )P + + P + (P = S2n2n2121

kVA 375 = S O fator de potência geral será:

P = åjCos

Do catálogo de geradores WEG Linha G, obtemos o gerador GTA315SI31, para tensão de 440V, com potência de 405 kVA.

O rendimento do gerador com carga nominal está indicado no catálogo como 94%.

Portanto, a potência mínima de acionamento do gerador considerando carga nominal será:

0,94 0,934 x 405 = x (kVA) Pg = PNh jcos

402(kW) = PN

Neste exemplo foram analisadas as condições estacionárias do gerador (operação em regime), entretanto antes que o tamanho da máquina possa ser determinado em definitivo, ainda resta examinar as condições para a partida dos motores.

O procedimento está descrito no item 5.3.

5..2ELEVAÇÃO DE TEMPERATURA --

DT-5 - Características e Especificações de Geradores CLASE DE ISOLAMENTO

5.2.1. Aquecimento do enrolamento

A potência útil fornecida pelo gerador é menor que a potência acionante, isto é, o rendimento do gerador é sempre inferior a 100%. A diferença entre duas potências representa as perdas, que são transformadas em calor, o qual aquece o enrolamento e deve ser dissipado para fora do gerador, para evitar que a elevação de temperatura seja excessiva. O mesmo acontece em todos os tipos de máquinas elétricas. No motor do automóvel, por exemplo, o calor gerado pelas perdas internas tem que ser retirado do bloco pelo sistema de circulação de água com radiador ou pela ventoinha, em motores resfriados a ar. No capítulo 4 podem ser vistos os diferentes tipos de ventilação.

Se não considerarmos as peças que se desgastam devido ao uso, como escovas e rolamentos, a vida útil da máquina elétrica é determinada pelo material isolante. Este material é afetado por muitos fatores como umidade, vibrações, ambientes corrosivos e outros. Dentre todos os fatores o mais importante é, sem dúvida, a temperatura de trabalho dos materiais isolantes empregados. Quando falamos em diminuição da vida útil da máquina não nos referimos às temperaturas elevadas, quando o isolante se queima e o enrolamento é destruído de repente. Vida útil da isolação, em termos de temperatura de trabalho, bem abaixo daquela em que o material se queima, refere-se ao envelhecimento gradual do isolante, que vai se tornando ressecado, perdendo o poder isolante, até que não suporte mais a tensão aplicada e produza o curto-circuito. A experiência mostra que a isolação tem uma duração praticamente ilimitada se a sua temperatura for mantida abaixo de um certo limite. Acima deste valor, a vida útil da isolação vai se tornando cada vez mais curta, à medida que a temperatura de trabalho é mais alta. Este limite de temperatura é muito mais baixo que a temperatura de "queima" do isolante e depende do tipo de material empregado. Das curvas de variação das características dos materiais em dependência d temperatura determina-se a vida útil, que é reduzida pela metade a cada de 8 a 10° de operação acima da temperatura nominal da classe. Esta limitação de temperatura se refere ao ponto mais quente da isolação e não necessariamente ao enrolamento todo. Evidentemente, basta um ponto fraco no interior da bobina para que o enrolamento fique inutilizado.

5.2.3. Classes de isolamento

Definição das classes: Como foi visto acima, o limite de temperatura depende do tipo de material empregado. Para fins de normalização, os materiais isolantes e os sistemas de isolamento (cada um formado pela combinação de vários materiais) são agrupados em Classes de Isolamento, cada qual definida pelo respectivo limite de temperatura, ou seja, pela maior temperatura que o material pode suportar continuamente sem que seja afetada sua vida útil. As classes de isolamento utilizadas em máquinas elétricas e os respectivos limites de temperatura conforme a Norma NBR 7094 são as seguintes: Classe A (105ºC); Classe E (120ºC); Classe B (130ºC); Classe F (155ºC); Classe H (180ºC).

As classes B e F são as comumente utilizadas em motores normais. Já para geradores as mais comuns são a F e H. Os geradores WEG da linha G possuem como padrão isolamento classe H e os da linha S isolamento classe F. A figura abaixo ilustra a elevação de temperatura no enrolamento sobre a temperatura do ar ambiente. Esta diferença total, comumente chamada de “Elevação de Temperatura” ou simplesmente “DT”, é a soma da queda de temperatura interna com a queda externa.

Fig. 5.2.1 - Ilustração da elevação de temperatura em uma máquina elétrica.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

O projeto da máquina visa reduzir a queda interna (melhorar a transferência de calor) para poder ter uma queda externa maior possível, pois esta é que realmente ajuda a dissipar o calor. A queda interna de temperatura depende de diversos fatores. As relações dos pontos representados na figura acima com a temperatura, são explicadas a seguir:

A Ponto mais quente do enrolamento, no interior da ranhura, onde é gerado o calor proveniente das perdas nos condutores;

AB Queda de temperatura na transferência de calor do ponto mais quente (interior da bobina) até a parte externa da bobina. Como o ar é um péssimo condutor de calor, é importante que não haja "vazios" no interior da ranhura, isto é, as bobinas devem ser compactas e a impregnação deve ser perfeita;

B Queda através do isolamento da ranhura e do contato deste com os condutores de um lado e com as chapas do núcleo do outro. O emprego de materiais modernos melhora a transmissão de calor através do isolante. A perfeita impregnação melhora o contato do lado interno, eliminando os espaços vazios. O bom alinhamento das chapas estampadas melhora o contato do lado externo, eliminando camadas de ar que prejudicam a transferência de calor;

BC Queda de temperatura por transmissão através do material das chapas do núcleo;

C Queda no contato entre o núcleo e a carcaça; CD Queda de temperatura por transmissão através da espessura da carcaça.

Graças a um projeto moderno, uso de materiais avançados e processos de fabricação aprimorados sob um permanente controle de qualidade, os geradores WEG apresentam uma excelente transferência de calor do interior para a superfície, eliminando assim os "pontos quentes" no enrolamento.

Temperatura externa da máquina: Era comum, antigamente, verificar o aquecimento de uma máquina elétrica medindo, com a mão, a temperatura externa da carcaça. Em máquinas modernas este método primitivo é completamente errado. Como comentado anteriormente, os critérios modernos de projeto procuram aprimorar a transmissão de calor internamente, de modo que a temperatura do enrolamento fique pouco acima da temperatura externa da carcaça, onde ela realmente contribui para dissipar as perdas. Em resumo, a temperatura da carcaça não dá indicação do aquecimento interno da máquina nem de sua qualidade. Uma máquina fria por fora pode ter perdas maiores e temperatura mais alta no enrolamento do que uma máquina exteriormente quente.

5.2.4. Medida da temperatura do enrolamento

É muito difícil medir a temperatura do enrolamento com termômetros ou termopares, pois a temperatura varia de um ponto a outro e nunca se sabe se o ponto da medição está próximo do ponto mais quente. O método mais preciso e mais confiável de se medir a temperatura de um enrolamento é através da variação de sua resistência ôhmica com a temperatura, que aproveita a propriedade dos condutores de variar sua resistência, segundo uma lei conhecida. A elevação da temperatura pelo método da resistência, é calculada por meio da seguinte equação, para condutores de cobre:

Onde: Dt = Elevação da temperatura do enrolamento; t1 = Temperatura do enrolamento antes do ensaio (praticamente igual a do meio refrigerante, medida por termômetro); t2 = Temperatura do enrolamento no fim do ensaio; ta = Temperatura do meio refrigerante no fim do ensaio;

R1 = Resistência do enrolamento no início do ensaio;

R2 = Resistência do enrolamento no fim do ensaio. 234.5 = Constante térmica do material (cobre).

5.2.5. Aplicação a máquinas elétricas

A temperatura do ponto mais quente do enrolamento deve ser mantida abaixo do limite da classe. A temperatura total vale a soma da temperatura ambiente já com a elevação de temperatura (Dt) mais a diferença que existe entre a temperatura média do enrolamento e a do ponto mais quente.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

As normas de máquinas elétricas fixam a máxima elevação de temperatura (Dt), de modo que a temperatura do ponto mais quente fica limitada, baseada nas seguintes considerações:

a) A temperatura ambiente é, no máximo 40ºC, por norma, e acima disso as condições de trabalho são consideradas especiais. b) A diferença entre a temperatura média e a do ponto mais quente não varia muito de máquina para máquina e seu valor estabelecido em norma, baseado na prática é 5ºC, para as classes A e E, 10ºC para classe B e 15ºC para as classes F e H. As normas de máquinas elétricas, portanto, estabelecem um máximo para a temperatura ambiente e especificam uma elevação de temperatura máxima para cada classe de isolamento. Deste modo fica indiretamente limitada a temperatura do ponto mais quente. Os valores numéricos e a composição da temperatura admissível do ponto mais quente são indicados na Tabela 5.1.1.

* Para geradores de construção naval deverão ser obedecidos todos os detalhes particulares de cada entidade classificadora.

Classe de Isolamento A E B F H

Dt= elevaçao de temperatura (método de resistência) ºC 60 75 80 100 125

Tabela 5.1.1 - Composição da temperatura em função da classe de isolamento.

5..3QUEDA DE TENSÃO

5.3.1. Cálculo da queda de tensão

Ao se aplicar uma carga no gerador teremos subitamente uma queda de tensão, que depende da reatância do gerador, da corrente, do cosø da carga e do tipo de regulação. Os maiores problemas de queda de tensão e recuperação de tensão ocorrem na partida de motores de indução. Durante a partida de motores de indução, o fator de potência é da ordem de 0.3. Para facilitar o cálculo vamos considerar o cosj igual a zero, bem como desprezarmos a impedância dos cabos de alimentação e a resistência interna do gerador.

Admitindo as simplificações mencionadas, o modelo do gerador acionando uma carga fica conforme Fig. 5.3.1 abaixo.

Fig. 5.3.1 - Impedância para um Gerador Síncrono (modo simplificado).

Em função da variação da carga a reatância do gerador varia com o tempo (Xd”, Xd' e Xd conforme as constantes de tempo próprias da máquina) como mostrado no ítem 2.5. Na fig. 5.3.2 é mostrada a variação da tensão em função do tempo (valores médios ilustrativos). As curvas mostradas dependem de parâmetros do gerador e do tempo de resposta da excitação e do sistema de regulação.

Fig. 5.3.2 - Variação da Tensão em Função do Tempo.

DU =XA
XA + Xm

XA = Reatância do gerador Xm = Reatância do motor XA e Xm em pu (por unidade)

Xm

Gerador

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

O cálculo da queda de tensão torna-se complexo se levarmos em consideração a variação da reatância no tempo. Podemos chegar a valores muito próximos da realidade se considerarmos no cálculo da queda de tensão a reatância transitória (Xd'), para máquinas com excitatriz e regulador eletrônico (brushless), e a reatância subtransitória (Xd") para máquinas com excitação estática (com escovas).

A equação da queda de tensão fica então:

Xm + XA XA = UD dX = U%** D

Ou de forma genérica, para qualquer valor de reatância do gerador e relação Ip/In (corrente de partida do motor / corrente nominal do gerador), vale a relação:

Onde: X*d - Xd' (em pu) em máquinas com excitatriz e regulador eletrônico de tensão (geradores brushless).

X*d - Xd" (em pu) em máquinas com excitatriz estática (geradores com escovas).

Ip - corrente de partida do motor (em ampères). In - corrente nominal do gerador (em ampères).

A tabela 5.3.1 mostra o valor de Queda de Tensão (ΔU) em função de X*d e Ip/In para cosj igual a zero.

5.3.2. Influência do fator de potência

Se houver necessidade de se calcular a queda de tensão para cosø diferente de zero devemos utilizar o gráfico da fig. 5.3.3. Neste gráfico, podemos encontrar o valor de correção "x" (em função do cos j e reatância do gerador) que deverá ser multiplicado pelo DU calculado para cosj = 0.

DU (cosj qualquer) = x . DU (cosj = 0).

A queda de tensão, como pode ser visto na curva, irá reduzir quando o fator de potência crescer.

5.3.3. Influência da carga inicial

As cargas iniciais em geradores podem ser agrupadas em três tipos:

- Impedância constante;

- kVA constante;

- Corrente constante.

A corrente do gerador reduzirá proporcionalmente à tensão do gerador, quando este estiver sob uma carga do tipo impedância constante. Conseqüentemente este efeito reduzirá a queda de tensão. Para efeito de cálculo poderá ser desprezado. Exemplos de carga tipo impedância constante: lâmpadas incandescentes, aquecedores resistivos, resistores.

Quando se têm cargas do tipo kVA constante, em regime, na redução da tensão teremos um aumento da corrente, ocasionando conseqüentemente um aumento da queda de tensão. Um exemplo deste tipo de carga são motores de indução. A variação da corrente (Di) em motores de indução, em regime, em relação à tensão em seus terminais, pode ser obtida na curva da fig 5.3.4

Quando um gerador estiver alimentando um motor de indução que estará partindo e houver um outro motor já conectado nos terminais do gerador, em regime, a variação de corrente no motor em regime deverá ser adicionada à corrente de partida do motor que estiver partindo. Apesar dos fatores de potência serem diferentes, considera-se, de forma pessimista, iguais.

Ao se combinar cargas do tipo kVA constante e impedância constante, obtemos cargas do tipo corrente constante, pois seus efeitos individuais são contrários com tendência de se anularem. Dependendo dos valores individuais dessas cargas, a queda de tensão não provocaria variações de corrente e dependendo até do caso não haveria queda de tensão. Estes tipos de cargas (combinadas) podemos considerar como os mais comuns.

Podemos utilizar, para o cálculo da queda de tensão, com cosj = 0, a tabela 5.3.1.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores Fig 5.3.3 – Curvas para obtenção do Fator de Correção de DU em função do Cosj e Reatância do gerador.

Fig 5.3.4 – Variação de corrente (Di) para motores de indução em regime (operação), em função da variação de tensão nos seus terminais.

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

QUEDA DE TENSÃO (DU) PARA cos φ = 0 [pu]

Ip/In X*d

Tabela 5.3.1 - Queda de Tensão em Geradores Síncronos.

Onde: Ip = Corrente de Partida do Motor (em ampères)

In = Corrente Nominal do Gerador (em ampères) X*d = Xd' para máquinas com excitatriz e regulador eletrônico de tensão (geradores brushless) ou Xd" para máquinas com excitatriz estática (geradores com escovas).

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

5.3.4. Limitações na partida de motores

Consideramos como limite da corrente na partida de um motor de indução o valor de até 2.5 x Inominal do gerador. Acima deste valor a queda de tensão residual torna-se grande e o tempo de permanência (limite térmico) é pequeno, como mostrado no gráfico da fig. 5.4.1, podendo ser inferior ao tempo de partida do motor. No caso específico de 2.0 x In o tempo de sobrecarga, como pode ser visto no gráfico, é 20-30s. Para reduzir a corrente de partida de motores de indução, normalmente são utilizados dispositivos do tipo partida estrela triângulo ou chave compensadora.

A variação da corrente de partida em relação à tensão na partida pode ser vista na curva da fig. 5.3.5. (Constante K1). Esta redução na corrente deverá ser levada em consideração no cálculo da queda de tensão.

Outro fator também a ser levado em conta é a potência da máquina acionante, normalmente dimensionada cosø = 0.8, onde a potência útil (kW) = 0.8 x potência aparente (kVA).

A queda de tensão resultante na partida de motores poderá tornar o motor não apto para acionar a carga. Nas curvas da fig. 5.3.5 poderá ser verificada a redução do conjugado (torque) no motor com a queda de tensão (Constante K2). Deverá ser analisado o tipo de carga a ser acionada, obtendose o valor mínimo de conjugado, e conseqüentemente, o limite da queda de tensão.

No caso do uso de geradores em paralelo a reatância total deve ser calculada pela expressão:

Onde:

Xd1*n - reatância de cada gerador ligado em

XdT* - reatância total (Xd' ou Xd", conforme o caso). paralelo.

IT - corrente total dos geradores em paralelo.

IG1...n - Corrente nominal de cada gerador ligado em paralelo.

OBS: Se forem utilizados dois geradores iguais em paralelo, a reatância total é igual a reatância individual dos geradores.

Fig 5.3.5 - Fatores de Redução da Corrente (K1) e Conjugado (K2) em motores de indução na partida em função da redução de tensão nos seus terminais.

I ++ Xd

I + Xd I = Xd

DT-5 - Características e Especificações de Geradores

Dados necessários: a) Gerador GTA250MI33, 230 kVA, 440V

Xd'=16.3% (Xd’=0.163pu) b) Motores de indução b.1) 100cv - 04 pólos - 440V - In=120A - Ip=1056A b.2) 75cv - 04 pólos - 440V - In=87.5A - Ip=647.5A b.3) 25cv - 04 pólos - 440V - In=31.5A - Ip=271A c) Condição de recebimento de carga do gerador: c.1) Primeiramente parte o motor de 100cv utilizando chave compensadora no TAP de 65% c.2) Outra condição seria a partida (no TAP de 65%) do motor de 75cv, considerando que os motores de 100 e 25cv já partiram e estejam em funcionamento.

SOLUÇÃO: Cálculo da corrente nominal do gerador:

I - Cálculo da queda de tensão provocada pela partida do motor de 100cv (através de chave compensadora no Tap 65%) considerando os motores de 25 e 75cv desligados:

Inominal motor = 120A Ipartida motor = 1056A

Obs: Supor queda de tensão de 15% no gerador (estimativa inicial).

Utilizando chave compensadora no TAP 65 % e considerando uma queda de tensão inicial de 15% no gerador, a redução total de tensão nos bornes do motor é: (1-0,15) x 0,65 = 0,85 x 0,65 = 0,5

Do gráfico da fig. 5.3.5, com 0,5 de redução de tensão, obtemos a constante de redução de corrente (K1): K1 = 0,45

Assim, a corrente de partida do motor em seus terminais fica:

IPmotor 65% = IPmotor 100% x K1 IPmotor 65% = 1056 x 0,45 = 475A

Mas, em se tratando da chave compensadora, teremos que referir a corrente de partida do motor (secundário da chave compensadora) ao gerador (primário da chave compensadora), obtendo-se então IPmotor ref

0,65 = IP IP = IIP

65% motor ref. motorprimsec

0,65 . IP = IP65% motorref. motor

Então, nos bornes do gerador, fazendo a relação da corrente de partida do motor referida, pela corrente nominal do gerador (IP/IN):

ref motor

Teremos uma queda de tensão de:

Refazendo o cálculo (1º iteração) para queda de tensão no gerador de 14,29%, temos:

Redução total de tensão: 0,65 x (1-0,1429) = 0,56

Constante de redução total de corrente (K1) devido à redução da tensão (0,56): K1 = 0,46

IPmotor 65% = IPmotor 100% x K1 IPmotor 65% = 1056 x 0,46 = 486A

Corrente de partida referida ao primário da chave compensadora (bornes do gerador) e relação IP/IN

0,65 . IP = IP65% motorref. motor

316A = 0,65 . 486 = IPref. motor

IPref. motor

Assim, com o valor de queda da 1° iteração, teremos uma queda de tensão de:

I - Cálculo da queda de tensão provocada pela partida do motor de 75cv (através de chave compensadora no Tap 65%), considerando que os motores de 100 e 25cv já estejam em funcionamento.

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I.1 - Contribuição individual do motor de 75cv (IN=87,5A - IP=647,5A).

Supondo uma queda de tensão inicial de 15% e utilizando chave compensadora no TAP 65%: (1-0,15) x 0,65 = 0,85 x 0,65 = 0,5

Então, da Fig. 5.3.5: K1=0,45

Corrente de partida do motor referida ao primário da chave compensadora (terminais do gerador):

189A = IP65%ref. motor

Relação IP/IN nos terminais do gerador:

IPref. 65% motor

A queda de tensão que ocorrerá, considerando somente a partida do motor de 75cv será:

9,27% = VD

I.2 - Contribuição dos motores de 100 e 25cv quando da partida do motor de 75cv:

NOTA: O processo de cálculo é iterativo e segue o roteiro mostrado abaixo:

I.2.1 - Valor suposto de queda = 15%.

Do gráfico da fig. 5.3.4, obtemos o incremento de corrente dos motores em carga para uma redução de tensão em seus terminais de 15%. Para o caso em questão temos Di = 26% (= 0,26). Logo, os acréscimos de corrente dos motores serão:

Motor de 100cv (IN=120A para 440V):

Acréscimo = Di . 120 = 0,26 . 120 Acréscimo = 31,2A

Di do motor de 100cv:

Acréscimo = (M100) iD

Motor de 25cv (IN=31,5A para 440V): Acréscimo = Di . 31,5 = 0,26 . 31,5 Acréscimo = 8,2 A

Di do motor de 25cv:

Cálculo do IP/IN total:

i(M25) + i(M100) + (M75) Ig IP = IN

IP/IN total:

Como supomos DV = 15% e resultou numa queda de 1% refaremos o cálculo:

I.2.2 - Admitindo agora a queda de tensão DV = 1%, da fig. 5.3.4: Di = 17% (=0,17)

Acréscimos de corrente nos motores: Motor de 100cv: Di (M100) = 0,067 Motor de 25cv: Di (M25) = 0,018 i(M25) + i(M100) + (M75) Ig IP = IN

Logo, DV estipulado » DV calculado. Poderemos encerrar o cálculo.

CONCLUSÃO: Podemos observar que, para este caso, a contribuição dos motores já em funcionamento não causou um acréscimo muito significativo na queda de tensão geral.

5..4SOBRECARGA

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Segundo as normas VDE 530 ou ABNT os geradores síncronos devem fornecer 1,5 vezes a corrente nominal durante 15 segundos. Neste caso, através de sua regulagem, deve-se manter a tensão muito próxima da nominal. Para utilização a bordo de navios, os geradores devem fornecer 1,5 vezes a corrente nominal, durante 2 minutos. Nos geradores Industriais, a sobrecarga admissível é de 1,1 vezes a corrente nominal durante 1 hora. A sobrecarga momentânea em função da corrente, para máquinas padrões (de catálogo) – valores orientativos - é mostrada na fig.5.4.1.

Fig 5.4.1 - Curva de Sobrecarga Momentânea em função da Corrente (para máquinas normais, valores orientativos).

5..5SOBREVELOCIDADE

As máquinas síncronas estão aptas, segundo a norma NBR 5052, a resistir a 1,2 vezes a velocidade nominal durante 2 minutos. Nesta condição a máquina poderá ou não estar excitada.

5..6CORENTE DE CURTO--CIRCUITO

Sempre que se fizer uma conexão entre dois pontos com potenciais diferentes e baixa resistência teremos um curto-circuito. Em regra geral, este acidente normalmente é prejudicial ao circuito elétrico. As correntes de curto-circuito nos geradores podem ser calculadas considerando as reatâncias com seus valores em percentual. A corrente de curto-circuito máxima trifásica pode ser calculada pela seguinte expressão:

(A) 100 x

"Xd If x 2,5 = MaxIcc

Onde: Xd'' em % If – corrente de fase

E a corrente de curto-circuito eficaz, de uma fase, será:

(A) 100 x

"Xd If = Icceff

A corrente de curto-circuito permanente nos geradores da Linha G com bobina auxiliar (padrão) é de 3,0 vezes a corrente nominal do gerador por 10 segundos. Para os geradores da Linha G com excitatriz auxiliar a imãs (PMG) – sob pedido – as máquinas podem ser projetadas com corrente de curto-circuito maior, de acordo com a necessidade da aplicação.

5..7CONVERSÃO DE REATÂNCIAS

É hábito dar-se as reatâncias de uma máquina como valor de referência por unidade (pu).

Como grandeza de referência vale a reatância nominal.

Inx UnXn 3

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Onde: Xn – reatância nominal do gerador. Un – tensão nominal do gerador. In – corrente nominal do gerador.

Se a mesma máquina for utilizada para um número maior de rotações (freqüência) ao invés da nominal, outra tensão ou outra potência diferentes das nominais, a reatância da máquina se modifica conforme a expressão abaixo: 2

Onde:

X2 = reatância na base nova X1 = reatância na base velha f2 = frequência na base nova f1 = frequência na base velha S2= potência na base nova S1= potência na base velha U1= tensão na base velha U2= tensão na base nova

OBS: Devemos lembrar que para geradores de catálogo, só serão possíveis alterações na rotação caso sejam de 50Hz para 60Hz. A variação de tensão só será possível para menos ou proporcionalmente à frequência. No caso de variação de tensão para menos, a potência também deverá ser reduzida proporcionalmente.

Exemplo: É dado um gerador de 850kVA, 380V, 50Hz, 04 pólos. Para 50Hz e 850 kVA a reatância transitória obtida do cálculo (projeto) foi de Xd' = 21%. O gerador, sem alterações, passará a ser acionado com 1800rpm, ou 60Hz, e deverá fornecer 1000kVA em 440V.

Que grandeza terá a reatância transitória para essa nova condição de operação? Solução: Xd'(60Hz) = Xd'(50Hz) . (60/50) . (1000/850) .(380/440)²

Xd'(60Hz) = 21 x 1,053 = 2% Xd'(60Hz) =2%

5..8PROTEÇÃO DO GGEERRAADORR

Neste item faremos alguns comentários e observações importantes relativos à proteção dos geradores, mas não nos preocuparemos com características de projetos, pois estaria fora do objetivo desta apostila. Sobre certas condições anormais de funcionamento do gerador, poderemos ter valores elevados de tensão terminal. Isto pode ocorrer, por exemplo, com o disparo na rotação da máquina primária, ou quando a referência de tensão terminal (do regulador) é interrompida. Nestes casos o gerador deve ter uma supervisão da tensão de modo a desexcitar a máquina.

IMPORTANTE: Somente após a parada total da máquina é seguro realizar qualquer trabalho nela e na rede onde está conectada. Mesmo após a desexcitação da máquina, podem existir tensões letais nos seus bornes.

Geradores com regulagem de tensão independente da freqüência, acionados com rotações abaixo de 90% de sua rotação nominal, durante um período prolongado, devem ser desligados. Se o gerador estiver alimentando uma rede, e ocorrer um curto-circuito na mesma, ocorre uma situação crítica no momento em que o curto é desfeito e a tensão é restabelecida. A potência fornecida pelo gerador, certamente não corresponderá à mesma antes do curto-circuito. Desta maneira, através do torque acionante, teremos uma aceleração ou um retardamento. Nestas condições, as tensões não estarão mais em fase. Conforme a duração do curto e devido ao ângulo de defasagem, aparecem fortes processos de reajustes, que podem ser comparados aos de uma saída de sincronismo. Como conseqüência, podem aparecer danos nos acoplamentos, nas bases, bem como no circuito de excitação. Desta maneira, ocorrendo curto na rede, se a tensão cair para 50% da nominal, o gerador deve ser imediatamente desconectado da rede.

5..9REGIME DE SERVIÇO

É o grau de regularidade da carga a que o gerador é submetido. O gerador é projetado para regime contínuo, isto é, a carga é constante, por tempo indefinido, e igual à potência nominal da máquina.

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Para geradores industriais aplicados em grupos geradores, estes podem operar em horários prédefinidos ou em emergência, seguindo regimes intermitentes (Prime e Stand-by), os quais serão descritos no item seguinte. A indicação do regime da máquina deve ser feita pelo comprador, da forma mais exata possível. Nos casos em que a carga não varia ou nos quais varia de forma previsível, o regime poderá ser indicado numericamente ou por meio de gráficos que representem a variação em função do tempo das grandezas variáveis. Quando a seqüência real dos valores no tempo for indeterminada, deverá ser indicada uma seqüência fictícia não menos severa que a real.

5.9.1. Regimes Padronizados

Os regimes que serão citados visam especialmente a aplicação em geradores:

a) Regime S1 (Contínuo) Funcionamento com carga nominal durante um período ilimitado de tempo (24 horas por dia) e com duração suficiente para que se alcance o equilíbrio térmico da máquina (elevação de temperatura da classe de isolamento) - Fig. 5.9.1. Neste regime de funcionamento o gerador admite sobrecargas. Aplicação principal: locais não atendidos por rede comercial ou onde esta não é confiável. Recomendação para aplicação em grupos geradores: 8400 h/ano.

tN = Funcionamento em carga constante qmáx = Temperatura máxima atingida durante o ciclo

Fig. 5.9.1 - Regime S1 (Contínuo).

b) Regime Prime Funcionamento com cargas variáveis durante um tempo limitado e/ou programado. Neste regime a potência fornecida pode ser até 10% superior à potência contínua e a máquina admite sobrecargas, desde que respeitando a elevação de temperatura da sua classe de isolamento. Aplicação principal: horário de ponta e/ou serviços de emergência. Recomendação para aplicação em grupos geradores: 800 a 1000 h/ano.

c) Regime Stand-by Funcionamento com cargas variáveis em situações de emergência de locais supridos pela rede comercial. Neste regime a máquina não admite sobrecargas e opera com potência acima da nominal, fazendo com que sua elevação de temperatura seja de até 25°C acima da sua classe de isolamento, (conforme norma Nema MG 1). Aplicação principal: serviços de emergência. Recomendação para aplicação em grupos geradores: até 300 h/ano.

5..10DIAGRAMA DE CARGA

Para se operar seguramente um gerador devemos conhecer os seus limites de operação. Estes limites podem ser determinados pela potência da máquina acionante, estabilidade de funcionamento, excitação do campo e limite térmico do gerador. Estas condições são todas analisadas através do diagrama de carga (fig. 5.10.2). Neste diagrama podemos analisar a área dentro do qual o gerador pode funcionar e então avaliar as condições de operação da máquina. A construção do diagrama não será abordada neste curso e, apenas com base nos diagramas obtidos, são tecidos comentários dos limites do gráfico. O limite da máquina acionante é definido pela potência útil entregue pelo gerador, e determinada pelo limite da máquina primária (linha F-D do gráfico). O limite de estabilidade é determinado pela curva B-C, onde é definida a máxima potência (ângulo de carga máxima δ da fig. 5.10.1). Com a redução da excitação (carga capacitiva descrito no item 2.3.c).

Fig. 5.10.1 - Ângulo de carga máximo δ.

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Fig. 5.10.2 - Diagrama de Carga de Máquinas Síncronas (Curva de Capabilidade).

Ao atingir a excitação zero teremos somente a potência que depende do conjugado de relutância, e a variação se faz com dobro do ângulo de carga δ (conforme descrito no item. 2.6.). Para excitação zero, o ângulo de carga seria 45º para a máxima potência. Este limite pode ser visto na curva A-B. O limite térmico da armadura é determinado pelas perdas no estator e a capacidade de ventilação da máquina. As perdas preponderantes são as joules, ocasionadas pela corrente de armadura (curva CD). O limite térmico do rotor é determinado pela corrente de excitação, e ocorre na região de carga indutiva, onde serão necessárias fortes excitações (curva D-E). O gerador deverá ser capaz de operar com uma variação de + ou - 10% de tensão. A redução de tensão reduzirá a capacidade de fornecer potência reativa capacitiva, aquecerá o estator e aumentará o ângulo de carga. Por outro lado, o aumento da tensão provocará maior estabilidade (carga capacitiva), menor ângulo de potência, e maior aquecimento do enrolamento de excitação. Para uma utilização segura do gerador, todos os pontos de operação deverão estar na região interna do diagrama de carga, observando-se a máxima potência ativa e reativa. Podemos observar no gráfico que a maior limitação se encontra na região de cargas capacitivas. Estas porém não correspondem a condição de funcionamento. Os geradores de baixa tensão tem sua principal aplicação a alimentação de equipamentos industriais ou aplicações específicas como telecomunicações, onde teremos cargas normalmente de caráter indutivo e não lineares. Nestas condições o gerador estará sob forte excitação. O limite de carga capacitiva se faz necessário para grandes geradores ligados a longas linhas de transmissão abertas, por estas se tornarem cargas capacitivas em alguns períodos de operação.

5..1OPERAÇÃO EM PARALELO DE

Durante a operação de um gerador, ele pode ser exigido, ora em sua potência nominal e ora em valores menores que o nominal. Quando o gerador está sendo pouco exigido, o seu rendimento e da máquina acionante caem. Por este e outros motivos, e pelo fato de termos uma maior confiabilidade no fornecimento de energia, pode-se optar pela operação em paralelo de geradores.

Quando da ligação de geradores em paralelo devemos observar: 1. As tensões dos geradores a serem conectados devem ser iguais; 2. O ângulo de fase das tensões dos geradores devem ser iguais; 3. As freqüências das tensões dos geradores devem ser iguais; 4. A ordem de seqüência das fases nos pontos a conectar devem ser as mesmas.

As observações acima são válidas também quando da conexão em paralelo de geradores com a rede. Ligando-se geradores em paralelo, a distribuição da potência ativa depende do conjugado acionante (máquina primária), enquanto que a distribuição da potência reativa depende da excitação de cada gerador. As máquinas acionantes mostram uma tendência de queda de rotação com o aumento da potência ativa. Isto é necessário para termos uma distribuição estável da potência ativa.

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Da mesma maneira, para termos uma distribuição estável de reativos, devemos ter uma diminuição na excitação do gerador, com aumento dos reativos. Isto pode ser mostrado na fig. 5.1.1, onde a curva característica da tensão é decrescente.

Fig. 5.1.1 - Distribuição estável de reativos.

Para se conseguir diminuir a excitação no gerador com objetivo de uma distribuição de reativos é preciso fornecer ao regulador um sinal de corrente com parte reativa. Isto é conseguido utilizando um transformador de corrente (TC) externo, montado na fase do gerador onde o regulador não está tomando a referência. O TC deve ter relação de IN:5.

Para entendermos o funcionamento vamos utilizar as Figuras 5.1.2 e 5.1.3, que mostram, respectivamente, o esquema simplificado do regulador de tensão e o diagrama fasorial das tensões e correntes.

A tensão de referência do regulador é a tensão entre as fases U e W do gerador (chamada de Ua no esquema da Fig. 5.1.2). O TC é conectado na fase V do gerador e portanto em seu primário circula a corrente dessa fase do gerador. A corrente no secundário do TC, proporcional à do primário (IN:5), circula através de um resistor interno ao regulador de tensão e provoca uma queda de tensão interna (chamada U1 no esquema da Fig. 5.1.2). Com isso consegue-se internamente no regulador um valor de tensão proporcional à tensão gerada (soma geométrica das tensões U e W) e outro valor de tensão proporcional à corrente que o gerador está fornecendo à carga Assim, a tensão interna (Ust) que o regulador utiliza para controlar a excitação do gerador (Ist) é a soma das tensões internas Ua e U1 (Portanto Ust = Ua + U1).

Fig. 5.1.2 – Esquema simplificado do regulador de tensão.

Fig 5.1.3 - Análise geométrica das tensões e correntes.

Como podemos ver na Fig. 5.1.3, a soma geométrica das duas tensões (Ust = Ua + U1) é máxima quando o gerador fornece corrente reativa. Com carga puramente resistiva, a soma geométrica quase não desvia da tensão proporcional entre U e W. Logo, um aumento na potência reativa, faz com que o gerador "veja" um aumento do valor atual da tensão do gerador. Teremos então uma diminuição da corrente de excitação provocando estabilidade na tensão terminal. Normalmente a influência estática da corrente reativa é escolhida tal que, para uma corrente reativa da ordem de grandeza da corrente nominal do gerador, corresponde a uma queda na tensão interna no regulador de aproximadamente 5%.

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Para dois geradores operando em paralelo, se a carga é aumentada, ocorre uma redução em suas velocidades, a qual é sentida pelos sistemas de controle de velocidade das máquinas primárias. Os reguladores de velocidade agem para restabelecer a velocidade normal. Assim a divisão de carga entre dois geradores é determinada pelas características dos reguladores de velocidade das máquinas primárias.

Se um sistema tem características de velocidade tipo "a" (Fig. 5.1.4) e outro tipo "b", eles irão dividir a carga numa proporção Pa e Pb quando estiverem operando em uma velocidade S. O controle de carga em cada unidade é conseguido ajustando as características do regulador de velocidade “para cima ou para baixo”.

Fig 5.1.4 - Característica de velocidade.

DIVISÃO DE REATIVOS (VA): A tensão aplicada em uma carga conectada a dois geradores é determinada pela excitação total nos mesmos.

Geradores idênticos com reguladores de velocidade de suas máquinas primárias com características iguais dividem cargas ativas igualmente e se possuírem mesma excitação dividem VA reativos também igualmente. Assim cada gerador opera com mesmo FP. Um acréscimo de excitação em um dos geradores irá causar um aumento na tensão do sistema e este gerador irá suprir uma maior parcela dos VA reativos. Um decréscimo na excitação do outro gerador fará com que a tensão terminal volte ao valor original, mas irá agravar a diferença na divisão dos VA reativos. Ajustes da excitação dos geradores, então, determinam não só a tensão aplicada à carga mas também a divisão de reativos entre os geradores.

5..12CÁLCULO DA BOBINA DE

Quando ligamos cargas monofásicas em geradores trifásicos, principalmente se estas cargas forem desequilibradas, teremos uma influência considerável da terceira harmônica. Por conseqüência, teremos circulação de corrente de seqüência zero pelo circuito. Para conseguirmos eliminar ou diminuir este efeito, deve-se utilizar uma reatância limitadora da corrente no neutro aterrado do gerador.

Esta reatância pode ser calculada da seguinte forma:

In 3 Un = Xdr

Onde: Un = tensão nominal do gerador In = corrente nominal de fase do gerador

Ainda devemos observar:

a) A bobina deverá ter característica linear até 0,3 x In. b) Deverá resistir termicamente a 0,4 x In.

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6. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

6..1COMPONENTES PRINCIPAIS

O gerador completo pode ser dividido em uma série de unidades funcionais. As principais são mostradas a seguir.

6.1.1. Estator da máquina principal

As carcaças das máquinas da linha G são fabricadas em chapas de aço calandradas (formato tubular). Para a linha S, as carcaças são fabricadas em chapas de aço soldadas através de solda tipo “MIG”. Todo o conjunto da carcaça recebe um tratamento de normalização para alívio de tensões provocadas pelas soldas. O pacote de chapas do estator (ou núcleo do estator), com seu respectivo enrolamento, é assentado sobre as nervuras da carcaça (linha S) ou prensado na carcaça (linha G). As máquinas de baixa tensão são produzidas com fios circulares e as de média tensão com fios retangulares. O isolamento padrão das máquinas da linha S é classe F e para a linha G classe H. As bobinas são fixadas às ranhuras por cunhas de fechamento, normalmente compostas de material isolante, e as cabeças dos enrolamentos são fortalecidas para que possam resistir a vibrações. As máquinas de baixa tensão da linha G são impregnadas por gotejamento e da linha S por imersão. Máquinas de alta tensão são impregnadas pelo sistema VPI (Vacuum Pressure Impregnation).

6.1.2. Rotor da máquina principal

O rotor acomoda o enrolamento de campo, cujos pólos são formados por pacotes de chapas. Uma gaiola de amortecimento também é montada no rotor para compensação nos serviços em paralelo e variações de carga.

6.1.3. Estator da excitatriz principal

A excitatriz principal é um gerador trifásico de pólos salientes. Na linha G seu estator é fixado na tampa traseira do gerador e dentro dele (Fig 6.1.1). Na linha S é posicionado fora da máquina e é fixado na tampa traseira ou na base do gerador, dependendo da sua forma construtiva. Os pólos salientes acomodam as bobinas de campo, que são ligadas em série, sendo sua extremidade conectada ao regulador de tensão diretamente

(linha G) ou através de bornes na caixa de ligação da excitatriz (linha S).

6.1.4. Rotor da excitatriz principal e diodos retificadores girantes

O rotor da excitariz principal é montado sobre o eixo da máquina principal. O rotor é laminado e suas ranhuras abrigam um enrolamento trifásico ligado em estrela. O ponto comum desta ligação estrela é inacessível. De cada ponto da ligação estrela saem dois fios para os retificadores girantes, assentados os suportes dissipadores. Dos dois fios, um é ligado ao retificador sobre o suporte positivo e o segundo, ao mesmo retificador sobre o suporte negativo.

6.1.5. Excitatriz auxiliar

A excitatriz auxiliar ou PMG (Permanent Magnets Generator) é um gerador trifásico com rotor constituído por imãs, que são seus pólos de excitação, acoplado ao eixo da máquina principal. O estator, constituído de chapas, possui um enrolamento trifásico para alimentação do regulador de tensão. Na linha G a excitatriz auxiliar é oferecida como opcional (sob pedido) e encontra-se no exterior da máquina, no lado não acionado, fixada na tampa do gerador. Na linha S é utilizada ou não dependendo da aplicação ou especificação do cliente e é fixada na tampa ou na base, dependendo da forma construtiva da máquina. Na linha G é conectada diretamente ao regulador de tensão e na linha S, através de bornes na caixa de ligação da excitatriz auxiliar.

6.1.6. Enrolamento auxiliar (ou bobina auxiliar)

Padrão na linha G é um conjunto auxiliar de bobinas, monofásico, que fica alojado em algumas ranhuras do estator principal da máquina, junto com as bobinas de armadura, porém totalmente isolado delas. Sua função é fornecer potência para o regulador de tensão alimentar o campo da excitatriz principal, potência essa retificada e controlada pelo regulador de tensão.

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