Tecidos Conjuntivos

Tecidos Conjuntivos

1. INTRODUÇÃO

O tecido conjuntivo tem origem mesodérmica. É um tecido de preenchimento e sustentação, rico em substância intercelular.

A substância intercelular é constituída de uma parte amorfa e uma parte figurada (fibras). Tanto a substância intercelular amorfa como a figurada são produzidas pelas células do tecido conjuntivo.

Suas células, que podem ser de vários tipos, estão geralmente separadas umas das outras por um material gelatinoso chamado de matriz intercelular ou extracelular que elas mesmas produzem e secretam. Os tipos de células e a composição da matriz caracterizam os diversos tecidos conjuntivos.

Sua substância intercelular amorfa é formada por água, polissacarídeos e proteínas; e a substância intercelular figurada é formada por três tipos básicos de fibras: elásticas, colágenas e reticulares.

Figura 1. Tecido conjuntivo

  • Fibras colágenas – São formadas basicamente pela proteína colágeno e mais comuns do que as fibras elásticas e as reticulares. São conhecidos cerca de quinze tipos de colágeno, cada um deles formado por cerca de três cadeias polipeptídicas enoveladas em hélice. Elas são resistentes à tração, distendendo-se um pouco quando tensionadas. No tecido conjuntivo denso modelado, as fibras colágenas estão orientadas lado a lado e apresentam alto grau de compactação, o que confere aos tendões grande resistência e pouca elasticidade;

  • Fibras elásticas – Possuem glicoproteínas e uma proteína chamada elastina e são mais delgadas do que as colágenas, podendo apresentar ramificações. São as fibras elásticas que permitem que a pele retorne a sua forma original, depois de esticada. À medida que envelhecemos, porém, nossa pele perde elasticidade, pois essas fibras elásticas se agregam e formam fibras mais grossas, tornando o tecido conjuntivo menos elástico. Podem ser encontradas em grande número, por exemplo, na cartilagem da orelha;

  • Fibras reticulares – São as mais finas e raras, pois são constituídas por um tipo de colágeno especial. Recebem esse nome porque são ramificadas e formam um traçado firme que liga o tecido conjuntivo aos tecidos vizinhos. Ocorrem em grande número nos órgãos formadores de sangue, como a medula óssea vermelha, o baço e os linfonodos.

O tecido conjuntivo serve também como suporte em muitos órgãos, mantendo as células reunidas em pacotes, como acontece no músculo, que tem tecido conjuntivo junto ao tecido muscular.

Devido a sua localização estratégica e ao fato de os vasos sempre caminharem dentro dele, o tecido conjuntivo tem importante papel na função de nutrição das células.

Além disso, nele existem células especiais que fagocitam agentes estranhos ao organismo, o que permite dizer que desempenha também a função de defesa.

Ao contrário dos epitélios, os tecidos conjuntivos são quase sempre vascularizados, ou seja, apresentam vasos sangüíneos que garantem a nutrição e a oxigenação tanto das células conjuntivas quanto das células epiteliais vizinhas.

A matriz extracelular dos tecidos conjuntivos é constituída por fibras mergulhadas em um gel aquoso denominado substância fundamental. Esse gel é constituído principalmente por mucopolissacarídios gigantes, como o ácido hialurônico, e por macromoléculas de glicídios e proteínas combinadas, que podem ser de dois tipos: proteoglicanos, quando o principal componente é a proteína, e glicoproteínas, em que o principal componente é o glicídio.

Costuma-se dividir o tecido conjuntivo em dois grandes grupos: tecidos conjuntivos propriamente ditos e tecidos conjuntivos especiais. Essa classificação baseia-se principalmente nas substâncias que entram na composição do tecido, na proporção entre célula e substância intercelular e na função exercida.

2. TECIDO CONJUNTIVO PROPRIAMENTE DITO

Podemos considerar inicialmente dois tipos de tecido conjuntivo propriamente dito: o frouxo e o denso.

2.1. Tecido Conjuntivo Frouxo

O tecido conjuntivo frouxo tem esse nome porque suas fibras não formam massas compactas. É o tecido de maior distribuição no organismo, preenchendo espaços não ocupados por outros tecidos.

Possui diversos tipos de célula em sua constituição. Entre elas, as principais são: fibroblastos, macrófagos, mastócitos, plasmócitos e células mesenquimatosas indiferenciadas.

  • Fibroblastos – Têm forma estrelada e núcleo grande. Produzem as fibras e a substância amorfa da matriz extracelular e quando adultos transformam-se em fibrócitos;

  • Macrófagos – Têm forma amebóide e núcleo grande. Fagocitam agentes invasores e alertam o sistema imunitário;

  • Mastócitos – Têm forma ovóide, núcleo central arredondado e muitos grânulos citoplasmáticos, ricos em heparina e histamina. Além disso, participam das reações alérgicas;

  • Plasmócitos – Têm forma ovóide e núcleo central arredondado, sendo rico em RE granuloso. Produzem anticorpos que combatem agentes invasores;

  • Células mesenquimatosas – Presentes tanto no tecido frouxo quanto nas cápsulas envoltórias de cartilagens, ossos e órgãos hemocitopoiéticos. São capazes de originar diversas células do tecido conjuntivo.

Figura 2. Tecido conjuntivo frouxo

As reações anafiláticas têm como principal célula responsável, o mastócito. Essas reações são alérgicas, como a conjuntivite e rinite alérgicas.

Ao entrar em contato com o alérgeno (substância irritante que causa a alergia), os mastócitos são estimulados a se ligar a ela e liberam grande quantidade de histamina. Essa histamina é liberada em grande quantidade no sangue e é a principal responsável pelos sintomas do choque anafilático: taquicardia, queda da pressão arterial, inchaço na glote (laringe), diarréia, vômitos, etc. O choque pode levar a morte, e deve ser tratado imediatamente com injeções de adrenalina, substância que combate os efeitos da histamina.

2.2. Tecido Conjuntivo Denso

O tecido conjuntivo denso apresenta maior quantidade de fibras, quando comparado ao tecido conjuntivo frouxo. Esse maior número de fibras e a maior compactação explicam o adjetivo denso aplicado a esse tecido.

O tecido conjuntivo denso pode apresentar fibras de uma maneira ordenada ou desordenada, recebendo, então, nomes especiais: tecido conjuntivo denso não-modelado e tecido conjuntivo denso modelado.

  • Tecido conjuntivo denso não-modelado – Suas fibras estão distribuídas desordenadamente e entrelaçadas lhe conferindo resistência e elasticidade. Ocorre em lugares como as cápsulas de órgãos (rins, baço, fígado e testículos) e a derme. É mais consistente que o tecido conjuntivo frouxo, mas não tem forma definida, acompanhando a forma do órgão do qual faz parte;

Figura 3. Tecido conjuntivo denso não-modelado

  • Tecido conjuntivo denso modelado – Suas fibras são grossas e ordenadas paralelamente, o que o torna bastante resistente e pouco elástico. Como exemplo desse tipo de tecido, podemos citar os tendões, estruturas que ligam os músculos aos ossos e os ligamentos, estruturas que ligam os ossos entre si.

Figura 4. Tecido conjuntivo denso modelado

3. TECIDOS CONJUNTIVOS ESPECIAIS

Os tecidos conjuntivos especiais também são de diversos tipos: ósseo (constitui os ossos), cartilaginoso (constitui as cartilagens), adiposo (armazena gordura) e hematopoiético ou hemocitopoiético (origina as células do sangue).

O próprio sangue pode ser considerado um tecido conjuntivo, cujas células estão imersas em uma matriz extracelular líquida (plasma sangüíneo).

3.1. Tecido Ósseo

O tecido ósseo é um tecido conjuntivo de sustentação. Ocorre nos ossos do esqueleto dos vertebrados, onde é o tecido mais abundante.

As células ósseas ficam encerradas em uma matriz extracelular rica em fibras colágenas e fosfato de cálcio, além de íons minerais como o magnésio, o potássio e o sódio. Os cristais de fosfato de cálcio associados às fibras fazem com que os ossos sejam bem mais rígidos que as cartilagens.

Sua principal função é a sustentação esquelética. O maior osso do corpo é o fêmur, com cerca de 45 cm de comprimento, e os menores ossos são os da orelha média (bigorna, martelo e escribo), com cerca de 0,25 cm cada um.

Os ossos são órgãos que apresentam, além do tecido ósseo predominante, outros tipos de tecido.

Uma estrutura muito rígida, que não tenha flexibilidade, facilmente se rompe; é o que acontece com as pessoas idosas, que fraturam muito facilmente os ossos. Um dos fatores que contribui para isso é o empobrecimento das fibras colágenas, diminuindo a flexibilidade.

De forma geral, pode-se dividir o tecido ósseo em dois tipos: o esponjoso, ou reticulado e o compacto, ou denso. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e de substância intercelular, diferindo entre si apenas quanto à disposição de seus elementos e à quantidade de espaços medulares.

O tecido ósseo esponjoso e o compacto ocorrem juntos na grande maioria dos ossos dos vertebrados.

Figura 5. Corte longitudinal de parte do fêmur

  • Tecido ósseo esponjoso - Apresenta espaços medulares mais amplos, sendo formados por várias trabéculas, que dão aspecto poroso ao tecido;

  • Tecido ósseo compacto - Praticamente não apresenta espaços medulares, possuindo, no entanto, além dos canalículos, um conjunto de canais que são percorridos por nervos e vasos sangüíneos: canais de Volkmann e canais de Havers. Por serem uma estrutura inervada e irrigada, os ossos apresentam sensibilidade, alto metabolismo e capacidade de regeneração.

3.1.1 Tipos de Ossos

Os ossos são órgãos formados por vários tecidos, dentre os quais o tecido ósseo é o mais abundante. Nos ossos existem também vasos sangüíneos, nervos e um tecido que forma a medula.

A ossificação ocorre a partir de uma estrutura conjuntiva que serve de base, podendo ser uma cartilagem ou uma membrana de tecido conjuntivo. Com base nisso, pode-se distinguir dois tipos de ossificação: endocondral e intramembranosa. A endocondral consiste na substituição gradativa do tecido cartilaginoso por tecido ósseo. Já a intramembranosa, consiste na formação do tecido ósseo no interior de uma membrana do tecido conjuntivo que serve de molde para o osso.

Quanto aos ossos, existem três tipos: longos, planos e curtos.

Figura 6. Ossos longos. Na seqüência: úmero e ulna

Figura 7. Ossos planos. Na seqüência: parietal e occipital

Figura 8. Osso curto: patela

3.1.2. Tipos de Células nos Ossos

As células que produzem a matriz óssea são chamadas de osteoblastos. Cada uma apresenta longas projeções citoplasmáticas que tocam os osteoblastos vizinhos e núcleo central. Ao secretar a matriz extracelular ao seu redor, os osteoblastos vão ficando confinados às pequenas câmaras que eles mesmos produziram. Quando a célula óssea amadurece, seus prolongamentos citoplasmáticos se retraem, de maneira que ela passa a ocupar a lacuna central, sendo então chamada de osteócito.

Além dos osteoblastos e osteócitos, o tecido ósseo também possui outras células importantes, os osteoclastos, que são células gigantes e multinucleadas que se movem nas superfícies ósseas e destroem áreas lesadas ou envelhecidas do osso, abrindo caminho para a regeneração pelos osteoblastos.

Os ossos são envolvidos por um tecido conjuntivo chamado periósteo, no qual estão presentes células mesenquimatosas capazes de gerar novos osteoblastos.

3.2. Tecido Cartilaginoso

Da mesma forma que o tecido ósseo, o cartilaginoso também é um tecido conjuntivo de sustentação. Apresenta maior elasticidade que o ósseo e grande resistência à tensão.

Forma o esqueleto de alguns animais vertebrados, como os tubarões e raias, que por esse motivo são denominados de peixes cartilaginosos. Os outros vertebrados, inclusive a espécie humana, têm esqueleto cartilaginoso apenas durante o estágio embrionário: à medida que o embrião amadurece, as cartilagens são substituídas por ossos. Esses vertebrados retêm cartilagem em algumas partes do corpo por toda a vida, como por exemplo, no nariz, orelhas, traquéia, brônquios, etc.

O tecido cartilaginoso deve sua rigidez e consistência à matriz extracelular que é produzida e secretada por células chamadas condroblastos. Esses condroblastos têm forma arredondada e núcleo central. Após a formação da cartilagem, a atividade dos condroblastos diminui e eles sofrem uma pequena retração de volume, passando a ser chamados de condrócitos.

Por ser avascular, o tecido cartilaginoso não contém vasos sangüíneos em seu interior. No pericôndrio (tecido conjuntivo que envolve a cartilagem), existem células mesenquimatosas que podem se transformar em condrócitos, permitindo o crescimento e a regeneração do tecido cartilaginoso.

Figura 9. Tecido cartilaginoso

Existem três tipos de cartilagens, dependendo das fibras presentes: hialina, elástica e fibrosa.

  • Cartilagem hialina – O aspecto homogêneo da substância intercelular dessa cartilagem deve-se a presença das fibras colágenas numa substância intercelular amorfa de mesmo índice de refração, que é a condrina. A cartilagem hialina é abundante no nariz, nas articulações, nos anéis da traquéia e dos brônquios, sendo mais abundante no feto, pois é a partir dela que se formarão os ossos;

  • Cartilagem elástica – Apresenta, além das fibras colágenas, grande número de fibras elásticas. É uma cartilagem mais resistente a tensões e mais elástica do que a cartilagem hialina. É encontrada, por exemplo, no pavilhão auditivo;

  • Cartilagem fibrosa – Tecido rico em fibras colágenas. Sua função é separar uma vértebra de outra, evitando o atrito entre elas e amortecendo os choques transmitidos à coluna durante atividades como caminhar e correr. Ocorre, por exemplo, nos discos intervertebrais e em algumas articulações.

Figura 10. Na seqüência: Cartilagem hialina, cartilagem elástica e cartilagem fibrosa

3.3. Tecido Adiposo

O tecido adiposo é um tipo de tecido conjuntivo frouxo no qual há células especializadas no armazenamento de gordura, chamadas de células adiposas ou adipócitos. Sua principal localização no corpo é sob a pele, constituindo a tela subcutânea (hipoderme).

As células adiposas originam-se pela diferenciação de células mesenquimatosas de formato alongado. À medida que acumulam gordura em seu vacúolo central, elas “engordam”, tornando-se esféricas.

Sua principal função é reservar energia para momentos de necessidade. Se faltar alimento, as reservas de gordura das células adiposas serão metabolizadas nas mitocôndrias para produzir a energia necessária aos processos vitais. É por isso que emagrecemos se comemos pouco e engordamos se comemos em excesso. O tecido adiposo preenche diversos espaços entre órgãos internos e é um eficiente isolante térmico que ajuda a manter a temperatura corporal.

Figura 11. Tecido adiposo

3.4. Tecido Hematopoiético

O tecido hematopoiético ou hemocitopoiético é o responsável pela formação dos diversos tipos de células do sangue também chamados de elementos figurados. Está presente na medula óssea vermelha e em certos órgãos corporais, como o timo, o baço e os linfonodos.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA AGROALIMENTAR

UNIDADE ACADÊMCIA DE TECNOLOGIA AGROALIMENTAR

TECIDOS CONJUNTIVOS

ANDRESSA GONÇALVES

CARLA CIBELLE

RITA MARIA

SABRINA FONTES

SUZY KARINE

POMBAL - PB

2008

Comentários