Manual de prevenção do suicidio

Manual de prevenção do suicidio

(Parte 1 de 7)

Prevenção do Suicídio

Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental

Ministério da Saúde – Brasil Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio

Organização Pan-Americana da Saúde Universidade Estadual de Campinas

Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas Área Técnica de Saúde Mental w.saude.gov.br

Esta publicação faz parte das ações da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Faculdade de Ciências Médicas Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria

Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)

Organização: Carlos Felipe D’Oliveira e Neury José Botega Equipe técnica responsável pela elaboração do texto: Carlos Filinto da Silva Cais e Sabrina Stefanello Revisão técnica: Carlos Felipe D’OIiveira e Beatriz Montenegro Franco de Souza

Nosso agradecimento ao Dr. José Manoel Bertolote, coordenador da equipe de Gestão dos Transtornos Mentais e Cerebrais do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS, por sua colaboração neste trabalho.

Sumário

Comportamento suicida: a dimensão do problema 7

A importância das equipes dos centros de atenção psicossocial na prevenção do suicídio 13

Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental | 5

Apresentação

No ano em que a Organização Mundial da Saúde escolhe como tema do Dia Mundial da Saúde Mental – 10 de outubro – a Prevenção do Suicídio, o Ministério da Saúde, após ter lançado, em agosto deste ano, as Diretrizes nacionais de prevenção do suicídio, lança este manual para profissionais das equipes de saúde mental dos serviços de saúde, com especial ênfase às equipes dos Centros de Atenção Psicossociais (Caps). Esta iniciativa é parte da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, que visa a reduzir as taxas de suicídios e tentativas e os danos associados com os comportamentos suicidas, assim como o impacto traumático do suicídio na família, entre amigos e companheiros (as), nos locais de trabalho, nas escolas e em outras instituições.

Como um sério problema de saúde pública, a prevenção do comportamento suicida não é uma tarefa fácil. Uma estratégia nacional de prevenção, como a que se organiza no Brasil a partir de 2006, envolve uma série de atividades, em diferentes níveis, e uma delas é a qualificação permanente das equipes de saúde, uma das diretrizes desta proposta. Uma vez que várias doenças mentais se associam ao suicídio, a detecção precoce e o tratamento apropriado dessas condições são importantes na sua prevenção.

6 | Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental

Nesse sentido, este manual é um recurso a mais, dentre vários que estão sendo preparados, resultante de uma cooperação entre o Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde e o Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Sua principal finalidade é a transmissão de informações básicas que possam orientar a detecção precoce de certas condições mentais associadas ao comportamento suicida, bem como o manejo inicial de pessoas que se encontrem sob risco suicida e medidas de prevenção.

José Gomes Temporão Secretaria de Atenção à Saúde

Outubro de 2006

Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental | 7

Comportamento suicida: a dimensão do problema

O comportamento suicida vem ganhando impulso em termos numéricos e, principalmente, de impacto, como podemos ver pelos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS):

• O número de mortes por suicídio, em termos globais, para o ano de 2003 girou em torno de 900 mil pessoas.

• Na faixa etária entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte.

• Nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens (15 a 45 anos).

• Em indivíduos entre 15 e 4 anos, o suicídio é a sexta causa de incapacitação.

• Para cada suicídio há, em média, 5 ou 6 pessoas próximas ao falecido que sofrem conseqüências emocionais, sociais e econômicas. • 1,4% do ônus global ocasionado por doenças no ano 2002 foi devido a tentativas de suicídio, e estima-se que chegará a 2,4% em 2020.

| Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental

A figura abaixo mostra diversos países e as faixas de mortalidade de suicídio em que se encontram.

Fonte: WERLANG, B.G.; BOTEGA, N. J. Comportamento suicida. Porto Alegre: Artmed Editora, 2004

• O Brasil encontra-se no grupo de países com taxas baixas de suicídio.

• Essas taxas variaram de 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes a cada ano, entre os anos de 1994 e 2004 (Fonte: MS/SVS, 2006).

• No entanto, como se trata de um país populoso, está entre os dez países com maiores números absolutos de suicídio (7.9 7 em 2004).

A evolução das taxas de suicídio no Brasil tem variado conforme o sexo, como podemos observar a seguir:

8 -16 < 8 sem dados WHO, 2000

Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental | 9

Tabela 1 – Taxa de mortalidade por suicídio, por sexo, entre 1994- 2004

Fonte: Ministério da Saúde/SVS, 2006

Embora o Brasil apresente uma taxa geral considerada baixa pela OMS, os dados identificados na série de 1994 a 2004 apontam que alguns estados brasileiros já apresentam taxas comparáveis aos países apontados como de freqüência de média a elevada. Além disso, seguem a mesma tendência de ascensão e apresentam um coeficiente agregado para os sexos masculino e feminino de 3,7:1 (dados de 2004), semelhante à média para inúmeros países. Embora a mortalidade no sexo masculino seja mais elevada, o aumento proporcional das taxas, no período, foi de 16,4% para os homens e de 24,7% nas mulheres.

Na tabela seguinte observamos as taxas de suicídio, por faixas etárias, para os estados brasileiros no ano de 2004. Os dados evidenciam que para determinadas faixas etárias e regiões do país as taxas de suicídio já podem ser consideradas moderadas e elevadas segundo os critérios da OMS.

Ano Masculina Feminina Total

10 | Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental

Tabela 2 – Taxas de suicídio, por faixa etária, para estados brasileiros no ano de 2004 e+ Total

Fonte: Ministério da Saúde/SVS, 2006

Prevenção do suicídio: manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental | 1

Os registros oficiais sobre tentativas de suicídio são mais escassos e menos confiáveis do que os de suicídio. Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes.

Os dados apresentados na figura a seguir referem-se a uma pesquisa multinacional da Organização Mundial da Saúde e foram colhidos na área urbana de Campinas-SP.

Fonte: BOTEGA, N. J.; BARROS, M. A. B.; OLIVEIRA, H. B.; DALGALARRONDO, P.; MARIN-LEÓN, L. Comportamento suicida na comunidade: fatores associados à ideação suicida. Revista Brasileira de Psiquiatria, 27(1), p. 2-5, 2005

(Parte 1 de 7)

Comentários