Formação dos solos

Formação dos solos

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O relevo influencia o solo resultante condicionando a penetração de água no solo, e com isso interferindo na intensidade de intemperismo. A Figura 2 mostra essa influência. Em áreas planas (A), na parte alta do relevo ocorre penetração de grande quantidade de água, com pequena formação de enxurrada, ocasionado uma lixiviação interna bastante grande, com a formação de solos profundos, altamente intemperizados, bastante ácidos e pobres em nutrientes. Em áreas declivosas (B) , a penetração de água é menor, com formação de mais enxurrada, ocasionando uma lixiviação menos intensa, e formando solos mais rasos, menos intemperizados, menos ácidos e com mais nutrientes. Nas áreas de baixada (C), ocorre ganha de material, seja por meio da enxurrada, seja através do lençol freático, sem ocorrência de lixiviação, formando solos rasos, não muito intemperizados, porém não muito ácidos e normalmente ricos em nutrientes.

O tempo é um fator formador de solo, uma vez que essa formação é resultado de reações químicas , bem como da ação das forças físicas de atração de partículas, que demandam tempo para se manifestarem. Certas reações demandam mais tempo que outras, fazendo com que haja solos que demoram mais tempo para atingirem seu ponto de equilíbrio.

3.2. Processos de formação de solos

Os processos de formação de solos são o resultado da combinação dos fatores de formação, e são os seguintes:

Diz respeito a tudo o que entra no corpo do solo, vindo de fora dele, seja através da adição de compostos orgânicos, seja pela adição de componentes minerais, trazidos pela erosão ou pela água do lençol freático.

Diz respeito a tudo o que sai do corpo do solo, seja pela erosão ou pelas queimadas ( pela superfície ), seja pela lixiviação ( em profundidade ).

Diz respeito a tudo o que é transportado dentro do corpo do solo, por processos seletivos ( migração de argila , etc), ou por processos não seletivos ( transporte por formigas, cupins, etc. ).

Diz respeito à transformação sofrida pelos minerais constituintes do material de origem, dando origem aos minerais secundários, principalmente aos minerais de argila, ou à

Formação do Solo transformação dos compostos orgânicos adicionados ao material durante a formação do solo.

4. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DO SOLO

A principal característica física do solo é a textura que será descrita a seguir, estando bastante relacionada com a utilização e produtividade do solo.

Textura diz respeito às dimensões e características das partícula primárias do solo.

Essas partículas são agrupadas em função do tamanho, porém apresentam características comuns.

Fração Areia

Compreende partículas de dimensões entre 2 e 0,05mm, é constituida quase que essencialmente de quartzo, apresenta aspereza ao tato, é responsável pelo aparecimento de macroporos, e portanto pela aeração do solo, retem pouca água e poucos nutrientes.

Fração Silte

Compreende partículas de dimensões entre 0,05 e 0,002mm, é constituída em sua maior parte por quartzo, apresenta a sensação de serosidade ( sensação de seda ) ao tato, promove o aparecimento de poucos poros, podendo causar adensamento do solo, retém pouca água e poucos nutrientes.

Fração Argila

Compreende partículas com dimensões menores que 0,002mm. Constituída em sua maior parte por minerais de argila, apresenta sensação de untuosidade ( sensação de talco ) ao tato, promove a estruturação do solo, fazendo com que ocorra o aparecimento de um alto volume de poros, principalmente de microporos, retém muita água e muitos nutrientes.

5. CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DO SOLO

As principais características químicas do solo, descritas a seguir, são aquelas 9

Formação do Solo utilizadas para fins de classificação de solos; no entanto essas características químicas estão relacionadas com o uso do solo e o desenvolvimento das plantas.

Numa análise química de solo determina-se: pH ( em água, KCl e CaCl2 ), Matéria orgânica ( % ), hidrogênio (H), alumínio (Al), fósforo (P), cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K), soma de bases (S), capacidade de troca catiônica (CTC), saturação por bases (V%) e saturação por alumínio (m).

5.1.1. pH: mede a acidez do solo, isto e, quanto menor o valor +( abaixo de 7 ), mais

ácido é o solo; valor igual a 7 indica neutralidade e valores superiores a 7 indicam caráter alcalino.

5.1.2. Matéria orgânica : indica a porcentagem de matéria orgânica coloidal que ocorre no

solo. Valores muito altos ( acima de 30% ) indicam solo orgânico.

5.1.3. Hidrogênio: determina a acidez do solo, de modo que quanto maior o teor de

Hidrogênio, menor o pH, e portanto maior a acidez.

5.1.4. Alumínio: solúvel em meio ácido, ocorre quando o solo está com acidez

elevada, e é tóxico para as plantas.

5.1.5. Cálcio, Magnésio, Potássio e Fósforo: macronutrientes das plantas,

determinados em meq/100g ( Ca, Mg, K ) e em ppm ( P ).

5.1.6. Soma de bases ( S ): representa a soma das bases presentes, isto é, a soma dos teores

de cálcio, magnésio e potássio.

5.1.7. Capacidade de troca catiônica ( CTC ): significa a capacidade que o solo possui

de armazenar nutrientes, é expresso em meq/100g, e corresponde à somatória dos cátions presentes, isto é, a soma de bases mais hidrogênio e alumínio ( S + H + Al ).

5.1.8. Saturação por bases ( V% ): significa a relação entre as bases presentes com a CTC,

Formação do Solo é expressa em porcentagem e determinada pela fórmula: S x 100 / CTC.

5.1.9. Saturação por alumínio ( m% ): significa a relação entre o teor de alumínio em

relação à somatória de soma de bases e alumínio, é expressa em porcentagem e determinada pela fórmula: Al x 100 / S + Al.

6. PERFIL DO SOLO

A medida que o material de origem se transforma em solo, ele vai se diferenciando em camadas, mais ou menos paralelas as superfícies, camadas essas que denominamos Horizontes. O conjunto de horizontes, situados em uma seção vertical que vai da superfície até o material originário, é o perfil do solo.

Os horizontes de um perfil de solo são formados por processos de adição, perdas, transformações translocações devido ao fato de estes processos ocorrerem com intensidade diferentes através do regolito. Entende-se por regolito todo material inconsolidado ou começando a se decompor, que esta sobre uma rocha.

Os perfis mostram as características do solo numa direção, ou seja, em profundidade. Se a estas características acrescentamos as que ocorrem nas duas dimensões laterais da área teremos o corpo do solo.

Os horizontes de um perfil, para conveniência de descrição e de estudo, recebem denominações com símbolos convencionais que tem significado genético. Os principais símbolos usados são: H, O, A ,B, C, e R (Figura 1). Os horizontes recebem o símbolo O são os que possuem feições mais afastadas do material originário e o horizonte C é o que apresenta aspectos mais próximos da rocha que, por sua vez, recebe a denominação R.

Horizontes

Formação do Solo

Solum B

Figura 1: Horizontes morfológicos de um perfil de solo

Pode-se classificar os horizontes do solo de acordo com dois pontos de vista: Horizontes morfológicos e Horizontes diagnósticos.

4.1. Horizontes morfológicos

Os horizontes morfológicos são aqueles que podem ser determinados no campo 12

Formação do Solo através sua forma e suas características observadas a olho nu. Esses horizontes são denominados por letras, conforme suas características.

O - horizonte superficial, com acúmulo de matéria orgânica total ou parcialmente

decomposta, ocorrendo em solos de mata ou em solos orgânicos, principalmente em baixadas. H – horizonte superficial ou não, de constituição orgânica pouco ou não decomposta, típica de locais com estagnação de água. A - horizonte superficial, constituído de material mineral escurecido por matéria orgânica, podendo ser também o horizonte de perda de coloides minerais, apresentando, então, textura mais grosseira (mais arenoso). B - horizonte de subsuperfície, que ganha o material perdido pelo horizonte A, textura mais fina (mais argiloso) que o horizonte A, mais colorido e mais estruturado. C - horizonte de subsuperfície, parcialmente intemperizado, constitui transição do solo para a rocha (material de origem). R - rocha (material de origem).

A pode ser dividido em :

A1 - superficial, constituído de material mineral e escurecido por matéria orgânica; E - subsuperficial, apresenta máxima perda de colóides minerais;

AB- transição entre horizontes A e B, com mais características do A. O horizonte B pode ser dividido em: BA- transição entre os horizontes A e B, com mais características do B;

B2 - apresenta ganho de material perdido pelo horizonte A, e máxima expressão de cor e estrutura;

BC - transição entre os horizontes B e C, com mais características do B.

Subdivisões desses horizontes, como: A11 , A12 , A21 , A22 , B21 , B22 , B23 , C1 , C2 , C3, etc., indicam seqüência em profundidade.

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