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No local, os estudos são conduzidos por um engenheiro agrônomo destacado para as Prefeituras locais.

Baseado no anteprojeto elaborado pelo engenheiro, consulta-se Conselhos Municipais, Conselhos Gerais, Câmaras de Comércio e de Indústria. Esses organismos dão sua opinião sobre o princípio da criação do Parque. Em seguida são consultados o Conselho Nacional de Proteção da Natureza e o Comitê Interministerial dos Parques Nacionais, esses dois organismos se pronunciam sobre o princípio e as modalidades da criação do Parque.

O anteprojeto às vezes é submetido, pelo Ministro de Meio Ambiente (ou da Qualidade de Vida) ao Primeiro-Ministro, este decide favorável ou desfavoravelmente sobre a deliberação do projeto apresentado.

2º) Enquetes públicas sobre o projeto, eventualmente modificado, sobre o território em questão. Todas as pessoas atingidas por esse projeto, mesmo se não viveram na região podem dar sua opinião.

Torna-se então possível elaborar o texto definitivo em estreita colaboração com os Ministérios interessados...que nunca são menos de dez! O projeto de decreto em seguida é enviado, para exame, ao Conselho do Estado. Finalmente, último ato, o decreto definitivo é assinado pelo Primeiro-Ministro e pelos outros Ministros partícipes do processo e, o texto aparece no Jornal Oficial.

A gestão de um Parque Nacional Francês é confiada a um estabelecimento público nacional de caráter administrativo, colocado sob a tutela do Ministro do Meio Ambiente e do Ministro da Fazenda para a questões financeiras.

O funcionamento desse estabelecimento é assegurado por um Conselho Administrativo, onde participam as coletividades locais e os representantes das administrações interessadas. são nomeados por decreto do Ministro. Cada Parque dispõe de um pessoal especializado. A circulação dos automóveis e a caça são proibidas. As construções e outros trabalhos privados ou públicos são proibidos, salvo se correspondem à finalidade do parque. Quanto ao turismo, deve ser disciplinado.

Vamos conhecer superficialmente alguns destes Parques e, seus problemas:

Parque Nacional de Ecrins (Hantes Alpes, Isère)

Emprega guardas-monitores cuja idade varia de 25 à 35 anos que devem conhecer geologia, a flora e a fauna do parque, bem como serem capazes de guiar os passeios dos visitantes. são cerca de 70, dos quais 50 são permanentes na fiscalização efetiva.

Em 1977, a autorização dada aos caçadores para matar camurças que estavam sobrando no Parque de Ecrins, provocou protestos.

Os Parques Nacionais Franceses suscitaram muitas críticas por parte dos protetores da natureza. A caça persiste no Parque de Cèvennes.

Everglades National Park

Este Parque Nacional, localizado no sul da Flórida dos Estados Unidos da América, criado em 1947, com a idéia de proteger centenas de espécies de animais e plantas, passou por um processo de desenvolvimento desordenado, alterando o regime das águas, abalando todo o equilíbrio natural do parque, acarretando um resultado desastroso, que para se ter idéia, devemos recorrer ao passado, isto é, na década de 30 haviam 300.000 aves e hoje existem apenas cerca de 15.000. Atualmente a Flórida está investindo milhões de dólares para recuperar a região. O Parque Nacional de Everglades sofreu mudanças dramáticas e perdeu muitas das suas características, principalmente porque os limites do parque, na época de sua criação, não foram estabelecidos de maneira correta. Outra questão que contribuiu para a degradação dos Everglades foi a drenagem de grande parte da região para a agricultura, com a construção de mais de 2.000 Km de diques, canais e barragens, alterando a distribuição normal das águas, reduzindo o rio Kissimmee pela metade. O rio Kissimmee é o responsável mela maior parte de água que abastece o parque, portanto, mais de 60% dos alagadiços desapareceram.

Parque Nacional dos Pirineus Ocidentais

A criação, em 1967, tinha representado uma grande esperança para todos os que lutam para salvaguardar a fauna pirinéia. Mas logo veio o desencanto. A implantação do parque não tinha sido imaginada com o fito de proteger a fauna. Os ursos e os abutres ficaram fora dos limites do parque, que abriga sobretudo o isar, espécie de camurça pirinéia. Parece evidente que os limites do parque foram impostos mais por condições econômicas e políticas do que por reais imperativos ecológicos. Alguns chegaram mesmo a chamá-lo de Parque Nacional para a Proteção das Futuras Imobiliárias. O Signal d" Ossau, Associação Francesa de defesa ambiental não tem poupado o Parque Nacional dos Pirineus os parques nacionais em geral, publicando matérias para jornais, tais como:Torna-se evidente que, se os parques nacionais protegem alguns farrapos de campo ou de natureza contra a construção turística particular, eles são, de modo mais abrangente, poderosos agentes de desenvolvimento turístico de uma zona periférica muito mais vasta, onde os construtores particulares são enormemente encorajados.

Parques Nacionais Africanos

Na África, quando um deles é criado, os habitantes do local às vezes são expulsos, o que evidentemente é pelo menos discutível.

Assim, quando da criação do parque de Kidepo, na Uganda, o povo caçador dos IKS, foi relegado às montanhas vizinhas, mas não foram capazes de se transformar em agricultores.

Quanto à preservação da fauna africana, não há dúvida de que existe persistência para tal mas, muitas vezes os Parques Nacionais servem apenas para aumentar o desequilíbrio ecológico devido a ação humana. Enquanto que certos animais rareiam fora dos parques, eles se multiplicam de maneira inquietante no interior desses limites. O caso dos elefantes africanos, nessa ótica, é significativo. Pela grande demanda de elefantes nos parques, os guardas profissionais africanos praticam operações de dizimação, abatendo até dois mil elefantes num só parque.

  1. UMA RÁPIDA VIAGEM PELOS PARQUES

SUÍÇAO célebre Parque Nacional de Engadine, no cantão dos Grisões, abriga cervos, cabritos-monteses, marmotas.

BÉLGICAO parque Nacional de Sesse e Lhomme protege a fauna das Ardenas.

ALEMANHAPossui reservas na Baviera e principalmente no vale do Reno e, os grous cinzentos pousam na reserva do Londo Müritz.

SUÉCIAParque de Sarek, no norte da Suécia, onde vivem ursos, lobos, linces.

POLÔNIAA floresta de Bialowieza abriga os últimos bis·es da Europa verdadeiramente selvagens.

ITÁLIAParque Nacional do Grande Paraíso.

ESPANHAO lugar mais famoso é a reserva do Coto Donana em Andaluzia, com duas raridades: a águia-imperial e o lince-pardela. A Andaluzia abriga uma fauna de alfinetes africanas, como o Mangusto, o camaleão, o anfisbena (lagarto sem patas), etc.

GRÃ-BRETANHAMilhares de gansos e de cisnes invernam no estuário do Severn, ao norte da Cornualha.

IRLANDAPreserva a foca-cinzenta em Lambay Island, perto de Dublin.

ANTIGA UNIÃO SOVIÉTICADo Báltico ao Pacífico possui evidentemente uma natureza e uma fauna muito diversificadas: parques e reservas protegem o castor na Bielo-Rússia, o flamingo à beira do mar Cáspio, o Onagra na Ásia Central, a Zibelinha na Sibéia, o ursos-branco no Ártico.

ORIENTE MÉDIO E EXTREMO ORIENTEAs reservas ainda são muito raras.

ÍNDIACriou alguns santuários importantes: os últimos lê·es da Ásia sobreviveram na floresta de GIR, o rinoceronte unicórnio da µíndia em Kaziranga e em Assame e, o tigre em diversos parques.

SRI LANKA (Ceilão)É um dos países mais ricos em setores protegidos, que ocupam 5% de seu território. O Ceilão é um dos melhores lugares para observar a pantera.

NEPALO tigre e o rinoceronte da µíndia são beneficiados pelas reservas.

BANGLADESHCriou um parque nacional nos jungles de paletuviários de Sunderbans, habitada por uma população de tigres anfíbios.

BIRMÂNIA E MALÁSIAAs reservas protegem elefantes, tigres, panteras e tapires.

INDONÉSIAA mais conhecida é a de Udjung Kulon, na ponta oeste de Java: é aí que vivem os últimos rinocerontes unicórnios da Sonde.

CHINAExistem parques nacionais situados nas partes montanhosas do País

JAPÃOProteger a natureza no Japão é uma tarefa difícil, em razão da densidade populacional. No entanto esse País criou inúmeros parques nacionais, como por exemplo o de Shkotsu-Toya, na Ilha de Hokkaido, verdadeiro museu vulcânico que abriga, entre outros animais os ursos.

AUSTRÁLIAPossui mais espaço para criar parques e reservas. O Parque Nacional de Lamington é povoado por pássaros-lira e marsuíais.

NOVA ZELÂNDIAParques e reservas preservam as espécies mais ameaçadas, principalmente notornis ou takahé, espécie de grande galinha-d'-água que já se pensou que estivesse extinta.

ALASKAO Parque Nacional do Monte Mckinley abriga lobos, ursos, alces e caribus. A reserva da ilha Kodiak abriga os ursos do mesmo nomes, os maiores da Terra. Trata-se na realidade de uma variedade do urso-castanho.

CANADÁPossui riquíssimas reservas e parques nacionais por vezes bastante extensos. O do Príncipe Albert abriga cervos, alces e vários pássaros d' água.

ESTADOS UNIDOSO Parque Nacional de Yellowstone abriga wapitis, alces, bis·es, antílopes-cabra, ursos-negros, grizzlis, etc. são enúmeros os Parques Nacionais Americanos (Kings Canion, Grand Canion, Crater Lake, Yosemite, etc). O Parque de Everglades, no sul da Flórida é muito interessante pois, engloba um ambiente tipo tropical muito parecido com o Pantanal Mato-Grossense. O Everglades National Park foi criado em 1947 e sua turma compreende de lamantins, pumas, aligatores, garças-coroadas, etc..

AMÉRICA CENTRALA reserva de Barro-colorado, formada por uma pequena ilha no meio do Canal do Panamá, abriga uma única fauna de mamíferos, principalmente: tamanduá, tatus, pecaris, gatos-do-mato e macacos-gritadores.

CUBAExistem algumas reservas importantes para proteção, entre outros, dos flamingos e dos crocodilos.

EQUADORAs Ilhas Galápagos consistem um santuário para a fauna insular muito especial.

SURINAMEUma reserva na embocadura do Coppename protege uma Colônia de esplêndido íbis-vermelhos.

PERUO Parque Nacional de Pacaya, na Amazônia, preserva eficazmente a fauna silvestre e aquática: anaconda, lamantim, golfinho de água doce, etc.

ARGENTINAO Parque Nacional El Rey, perto da fronteira boliviana, abriga tamanduás, tapires e jaguares, enquanto que condores e guanaços vivem no Parque Nacional Francisco P. Moreno.

PARQUES NACIONAIS AFRICANOS

MARROCOSVários parques nacionais e reservas existem no Atlas perto do litoral atlântico.

ARGÉLIAO Parque Nacional de Afkadu, a leste de Argel, é povoado de chacais e de macacos, a pantera talvez ainda exista neste Parque.

SUDÃOO vasto Southern National Park, na margem ocidental do Nilo, abriga lê·es, elefantes, búfalos, girafas, etc.

QUÊNIAOs Parques são especialmente protegidos. No de Tsavo, no sul do País, pode-se observar lê·es, rinocerontes, hipopótamos e elefantes. Perto do Monte Quênia, o Parque de Aberdare abriga o hilóchero, o maior de todos os javalis. Várias reservas preservam espécies raras, como a zebra de Grévy, de listas finas. A reserva do Lago Nakuru abriga, a maior colônia de flamingos do mundo: seus ninhos se contam por centenas de milhares.

UGANDAO Parque mais famoso é o das Quedas da Murchison: além dos hipopótamos e dos crocodilos, encontra-se aí o rinoceronte-branco e o baleniceps. Outros parques ou reservas protegem o gorila das montanhas e o chipanzé, além da fauna da região.

TANZÂNIAPossui um dos mais prestigiosos parques africanos: o de Serengeti. Este engloba a cratera de Ngorongora, habitada por elefantes, rinocerontes, girafas, búfalos, etc. Panteras e leopardos vivem também neste parque.

MOÇAMBIQUEO Parque de Gorongoza abriga elefantes, hipopótamos, lê·es, crocodilos e muitas zebras e búfalos.

ÁFRICA DO SULO Parque Nacional Kruger fica na região nordeste da África do Sul divisa com Moçambique, em uma área de 20.500 quilômetros quadrados, praticamente o mesmo tamanho do Estado de Sergipe no Brasil. Dentro do Parque Kruger há 19 acampamentos, com lanchonetes, restaurantes e alojamentos para turistas e, o mais importante destes acampamentos chama-se Skukuza e é aonde fica a administração e, se destaca pela diversidade de animais nativos, tais como: lê·es, elefantes, leopardos, panteras, avestruzes, macacos, antílopes, javalis e outros. Aproximadamente 700.000 pessoas por ano visitam o Parque Kruger.

ANGOLAA reserva de Launda preserva o lupófrago-negro, um belo e grande antílope de chifres harmoniosamente recurvados.

ZAIRENo sul do País, o Upenba abriga ambientes variados, principalmente lagos cheios de papiros: encontra-se no parque elefantes, antílopes, búfalos, pássaros-d'-água, etc. No de Nikeno, as florestas de bambus são o reino do gorila das montanhas e as panteras também vivem aí.

SUDÃOO Parque Nacional da Garamba possui rinocerontes-brancos, que infelizmente foram dizimados por caçadores clandestinos.

REPÚBLICA DOS CAMARÕESO Parque Nacional mais famoso é o de Waza, no norte do País. Seguindo os 47 quilômetros da pista que atravessa as planícies do parque, é possível encontrar numa manhã até 12.000 antílopes.

GUINÉNos confins da Sibéria e da Costa do Marfim encontra-se o chipanzé e diversos animais curiosos: um sapo vivíparo, o micropotamogale, etc.

  1. OS PARQUES NACIONAIS BRASILEIROS

Desde a época do descobrimento do Brasil que o processo de exploração dos recursos naturais vêm sendo deflagrada e, estimulada através de incentivos governamentais, visando o uso desenfreado destes recursos em nome de um desenvolvimento sem retorno, contribuindo assim para uma discussão e uma reavaliação de todo este processo, tendo em vista o uso auto-sustentado destes recursos. Com isso, o Sistema Nacional de Unidades de conservação foi implantado com o intuito de proteger áreas que tivessem importância científica, educacional e de lazer.

No Brasil, surgiu a primeira iniciativa legal em se criar unidade de conservação em 1937, através do Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro, que constitui o patrimônio histórico e artístico nacional, equiparando-o aos monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana. E neste mesmo ano, aproveitando a abertura deste processo, criou-se o Parque Nacional de Itatiaia, no Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade de resguardar amostras de ecossistemas naturais.

Apesar de se ter iniciado a criação do primeiro parque nacional, a expansão do Sistema Nacional de Unidades de Conservação era lenta, mesmo se condensando maiores informações·es sobre o mesmo. Para se ter idéia desta morosidade, voltemos ao passado para verificar quanto tempo se gastou para se criar novos parques nacionais após a criação dos Parques Nacionais de Itatiaia em 1937, Iguaçu e Serra dos Órgãos em 1939 e, descobrimos que nove anos se passaram sem que houvesse pelo menos o indício da perpetuação de alguma unidade de conservação pois, somente no ano de 1948, foi criado o Parque Nacional de Paulo Afonso e, após longos onze anos o fato se repete, fazendo nos crer que neste período o Brasil passava por uma crise institucional e não havia prioridade para as questões ambientais, portanto, em 1959 é que o Brasil retomou a criação dos parques através dos de Ubirajara (CE), Aparados da Serra (SC/RS) e Araguaia (TO).

Em 1961, foram criados oito Parques Nacionais: Chapada dos Veadeiros (GO), Emas (GO), Caparão (ES/MG), Sete Cidades (PI), Tijuca (RJ), são Joaquim (SC), Brasília (DF) e Monte Pascoal (BA). Nesta década surgiu o projeto governamental dos Grandes Lagos Amazônicos. Na década posterior, a preocupação era marcada pela ocupação de extensas áreas de terra na Amazônia, até então desconhecidas pelo homem branco.

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