Trauma Crânio Encefálico

Trauma Crânio Encefálico

TRAUMA CRÂNIO-ENCEFÁLICO

DEFINIÇÃO

  • O traumatismo crânio encefálico é um insulto para o cérebro, causado por uma força física externa, do que pode produzir um estado diminuído ou alterado de consciência, a qual resulta em deficiência da capacidade cognitiva ou de funcionamento físico.

Introdução

  • Incidência: 1500/100000 habitantes na Grã-Bretanha

  • 1% de todas as mortes

  • 1-5% após TCE grave: estado vegetativo

  • 5-18%: seriamente incapacitados

  • 70% das vítimas: menos de 40 anos

TCE: particularidades

  • CRÂNIO

  • - grande determinador do efeito sobre o cérebro

  • -“escudo” ou “arma”

  • - calota e base

  • - fossas anterior, média e posterior

TCE: particularidades

  • EFEITO DO TCE DEPENDE:

  • Forma do objeto traumatizante

  • Força do impacto

  • Cabeça em movimento ou não

  • LEMBRAR QUE PODE EXISTIR :

  • Dano cerebral grave sem lesão externa detectável

  • Lesão externa grave sem injúria do tecido cerebral

Estágios do dano cerebral após TCE

  • Dano primário

  • -no momento da injúria cerebral

  • -laceração de pele e cérebro, fratura, contusão

  • Dano secundário

  • -início no momento da injúria, clínica visível após intervalo de tempo

  • - HIC, isquemia, edema, infecção

Mecanismos de injúria cerebral

  • Contato

  • - choque contra objeto

  • - efeitos locais: laceração, fratura, contusão cerebral, hematoma superficial

  • Inércia cerebral

  • Hematoma subdural

  • DAD

Mecanismos de injúria cerebral

  • Aceleração/ desaceleração:

  • movimentação da cabeça pelo trauma

  • forças intra-cranianas e intra-cerebrais

  • estiramento, compressão e arrebentamento do tecido cerebral

Lesões focais

  • FRATURAS CRANIANAS

  • Aberta X Fechada

  • Linear X Cominuta

  • Deslocada

  • Geralmente causam hematoma subdural

Fraturas

Lesões focais

  • Contusões e lacerações

  • - Contusão: pia-máter íntegra

  • transmissão de energia cinética

  • lesão em golpe e contra-golpe

  • - Laceração: pia-máter lesada

  • penetração de objeto

  • rotura tecidual

Lesões focais

  • Contusões e lacerações

  • -Mais comum:

  • pólo frontal

  • pólo temporal

  • acima e abaixo da asa menor do esfenóide

Contusão cerebral

Contusão

Lesões focais

  • Hemorragia intra-craniana

  • causa mais comum de deterioração clínica após intervalo lúcido

  • edema cerebral: responsável pelos eventos subseqüentes

  • locais: epidural, subdural, subaracnóidea, intraparenquimatosa, mista

Hemorragia intra-craniana

  • HEMATOMA EXTRA-DURAL

  • 10% dos TCE’s graves

  • 85% dos adultos têm fratura craniana associada

  • criança: comum hematoma sem fratura

  • coleção de sangue entre crânio e dura-máter

  • imagem: biconvexa

  • artéria meníngea média: + envolvida

  • intervalo lúcido

  • emergência: hérnia de cerebelo, compressão medular, parada respiratória, morte.

Hematoma extra-dural

Hemorragia intra-craniana

  • Hematoma subdural

  • - coleção de sangue entre dura-máter e aracnóide

  • rotura de veias conectoras do sistema venoso cerebral e intradurais

  • geralmente laminar e bilateral

Hemorragia intra-craniana

  • Hematoma subdural

  • mecanismo:

  • Seios venosos fixos + cérebro “flutuando” ->

  • movimentação do cérebro durante o trauma ->

  • laceração de veias

Hematoma subdural

Hemorragia intra-craniana

  • Hematoma intracerebral

  • associado à contusão

  • + comum: lobos frontais e temporais

  • hematomas profundos em gânglios da base: + comum do dano difuso que no focal

Hematoma cerebral

Outras lesões focais

  • Avulsão da junção ponto-medular

  • Transecção da haste hipofisária: infarto glandular e avulsão de nervos cranianos

  • Aneurisma dissecante de art. carótida interna: trauma sobre região cervical lateral

Herniação cerebral

Lesões difusas

  • Concussão leve

  • - consciência preservada

  • Concussão clássica

  • - perda de consciência transitória

  • Dano axonal difuso (DAD)

  • - coma pós-traumático prolongado não resultante de lesão isquêmica ou de massa

Lesões difusas

  • Dano cerebral isquêmico

  • -+ comum: hipocampo e gânglios da base

  • -profilaxia: prevenir hipóxia e hipotensão

  • Edema cerebral difuso

  • quase sempre há edema vasogênico após contusão

  • Edema de hemisfério inteiro ou ambos (criança/adolescente: paralisia vasomotora-> vasodilatação generalizada)

Dano cerebral isquêmico

Lesões difusas

  • Dano vascular difuso

  • petéquias difusas no cérebro (substância branca de lobos frontais e temporais, tálamo e tronco cerebral)

  • rompimento de pequenos vasos: aceleração/desaceleração

Dano vascular difuso

SINAIS E SINTOMAS

  • Os sinais e sintomas dependem do tipo, localização e gravidade da lesão e podem ser complicados por trauma adicional a outros órgãos vitais.

  • Atividade/Repouso

  • Circulação

  • Integridade do Ego

  • Eliminação

  • Alimentos/Líquidos

Neurossensorial

  • Neurossensorial

  • Dor/Desconforto

  • Respiração

  • Segurança

  • Interação Social

Exames Diagnósticos

  • Imagem por TC

  • Angiografia cerebral

  • Raio X

  • Resposta auditiva evocada de troncocerebral

  • Tomografia PET/SPECT

  • Audiometria

  • Punção lombar e análise do LCR

  • Gasometria Arterial

Prioridades de enfermagem

  • Maximizar a perfusão/função cerebral.

  • Prevenir/minimizar complicações.

  • Prover o funcionamento ótimo/retorno ao nível pré-lesão.

  • Dar suporte no processo de enfrentamento e recuperação da família.

  • Fornecer informação sobre a condição/prognóstico, complicações potenciais, plano de tratamento e recursos.

Objetivos da Alta

  • Melhora da função cerebral resolução/estabilização do déficit neurológico.

  • Complicações prevenidas ou minimizadas.

  • Realizar as atividades da vida diária sozinho ou com ajuda.

  • A família reconhece a realidade da situação e envolve-se no programa de recuperação.

  • Compreende condição/prognóstico, complicações e esquema de tratamento, identifica os recursos disponíveis.

  • Planejamento local para atender as necessidades pós-alta.

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM

  • 1. Perfusão Tecidual Cerebral Alterada

  • Relacionado à interrupção do fluxo sanguíneo por ocupação de espaço; edema cerebral; PA sistêmica reduzida/hipóxia. Evidenciado por nível de consciência alterado; perda de memória, alterações nas respostas motora/sensorial, agitação e agitações nos sinais vitais.

INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM

  • Avaliar presença ou ausência de reflexos.

  • Avaliar alterações na visão.

  • Avaliar posição e movimento dos olhos.

  • Determinar fatores relacionados à situação da pessoa, causa do coma/perfusão cerebral reduzida e potencial para aumento da PIC.

Monitorar/registrar o estado neurológico frequentemente e comparar os dados basais, por exemplo, escala de coma de Glasglow durante as primeiras 48 horas

  • Monitorar/registrar o estado neurológico frequentemente e comparar os dados basais, por exemplo, escala de coma de Glasglow durante as primeiras 48 horas

  • # Avaliar abertura do olho.

  • # Avaliar a resposta verbal.

  • # Avaliar a resposta motora aos comandos simples, observando os movimentos propositais e não propositais.

Monitorar os sinais vitais:

  • Monitorar os sinais vitais:

  • # PA, observando o inicio/continuidade da hipertensão sistólica e amplitude da pressão de pulso.

  • # Freqüência/ritmo cardíaco, observar bradicardia, alternância de bradicardia/taquicardia, outras arritmias.

  • # Respiração, observar padrão e ritmo, como períodos de apnéia pos hiperventilação, respiração Cheyne-Stokes.

RESULTADOS ESPERADOS

  • O paciente irá manter o nível de consciência comum/melhor, a cognição e a função motora/sensorial. Demonstrar sinais vitais estáveis e ausência de sinais de aumento da PIC.

DIAGNOSTICO DE ENFERMAGEM

  • 2. Alteração da percepção sensorial (especifica)

  • Relacionada a recepção sensorial alterada, transmissão e integração (trauma ou déficit neurológico) evidenciado por desorientação no tempo e no espaço e quanto a pessoa, mudança na resposta comum ao estimulo, descordenação motora, padrões de comunicação alterados, distorções visual e auditiva, concentração precária, respostas emocionais exageradas, mudanças no padrão de comportamento.

INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM

  • Avaliar/monitorar continuamente as alterações quanto a orientação, capacidade para falar, humor/comoção, sensorial, processo de pensamento.

  • Avaliar a percepção sensorial como a resposta ao toque e a percepção de movimento e localização de partes do corpo. Observe problemas com a visão, outros órgãos do sentido.

  • Observar as respostas comportais, como hostilidade, choro, comoção imprópria, agitação, alucinações.

  • Registrar alterações especificas na capacidade de focalizar com os dois olhos instruções verbais simples, respondendo sim ou não.

Fornecer segurança ao paciente, como grandes laterais acolchoados, ajudar na deambulação, protege-lo de objeto quente ou cortante. Registrar o déficit perceptivo e as atividades compensatórias no prontuário e em formulário ao lado do leito.

  • Fornecer segurança ao paciente, como grandes laterais acolchoados, ajudar na deambulação, protege-lo de objeto quente ou cortante. Registrar o déficit perceptivo e as atividades compensatórias no prontuário e em formulário ao lado do leito.

  • Identificar formas alternativas de lidar com o déficits perceptivos, como acomodação no leito, com os artigos pessoais, alimentos para tirar vantagens da visão funcional; descrever qual parte do corpo esta afetada.

RESULTADOS ESPERADOS

  • O paciente irá manter/alcançar a atividade mental regular e a orientação de regularidade, reconhecer as alterações no pensamento e comportamento. Participar do esquema terapêutico, novo treinamento cognitivo.

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM

  • 3. Mobilidade física comprometida

  • Relacionado ao comprometimento da percepção ou cognição redução na resistência ou tolerância, terapias restritivas, como repouso no leito e imobilização. Evidenciado por incapacidade para mover-se involuntariamente dentro do ambiente físico, incluindo movimentação no leito, transferência, deambulação, coordenação amplitude de movimento limitada e redução da força.

INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM

  • Rever a capacidade funcional e a justificativa do comprometimento.

  • Avaliar o grau de imobilidade, usando uma escala para classificar a dependência.

  • Monitorar o debito urinário. Observar coloração e o odor da urina. Ajudar com o treinamento vesical quando apropriado.

Oferecer líquidos, incluindo suco de frutas, dentro da tolerância individual quando indicado.

  • Oferecer líquidos, incluindo suco de frutas, dentro da tolerância individual quando indicado.

  • Monitorar a eliminação intestinal e ajudar com a rotina intestinal regular.

  • Inspecionar se a pele apresenta sensibilidade localizada, vermelhidão, aquecimento.

RESULTADOS ESPERADOS

  • O paciente irá aumentar a força da função das partes do corpo afetadas, ou compensadas. Recuperar manter uma posição funcional otimizada, como evidenciado pela ausência de contraturas de queda plantar. Demonstrar técnicas que capacitam a reassumir as atividades. Manter a integridade da pele e a função intestinal.

DIAGNOSTICO DE ENFERMAGEM

  • 4. Risco de infecção

  • Fatores de risco podem incluir: Tecidos traumatizados, ruptura da pele, procedimentos invasivos. Ação ciliar diminuída, estase de líquidos corporais. Déficit de nutricionais. Supressão da resposta inflamatória. Integridade alterada do sistema fechado.

INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM

  • Fornecer cuidado meticuloso/ assépticos, manter uma boa técnica de lavagem das mãos.

  • Observar áreas de integridade da pele comprometida como (feridas, linhas de sutura, sitio de inserção de acesso invasivo), observando características de drenagem e presença de inflamação.

Monitorar a temperatura rotineiramente. Observar a presença de calafrios, alterações na atividade mental.

  • Monitorar a temperatura rotineiramente. Observar a presença de calafrios, alterações na atividade mental.

  • Estimular a respiração profunda, limpeza pulmonar agressiva. Observar características do escarro.

  • Selecionar – restringir o acesso de visitantes ou cuidadores nos casos de infecção respiratória superior.

RESULTADOS ESPERADOS

  • Manter-se normotérmico, livre de sinais de infecção.

  • Quando há ferimentos, cicatriza-se no tempo esperado.

Referências

  • Diagnóstico de enfermagem da NANDA, definições e classificações 2007 – 2008 / North American Nursing Diagnosis Association. Porto Alegre. ARTMED, 2008.

  • Carpenito-Moyet, Lynda Juall. Planos de cuidados de enfermagem e documentação; diagnósticos de enfermagem e problemas colaborativos / Lynda Juall Carpenito. 4° ed. Porto Alegre. ARTMED, 2006.

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