O que é Capital

O que é Capital

Introdução

Numa análise clara do capital, conceito complexo e mal compreendido, este livro procura tornar simples as formas que o capital assume, estudando sua transformação, verificando quem o cria, quem dele se apropria e com que finalidade. Superando os difíceis malabarismos teóricos, o autor nos introduz de modo tranqüilo aos problemas econômicos em geral.

 Capital

Conceituar o capital é o primeiro passo para o seu entendimento, tendo em vista que para a maioria ter capital é possuir fartura, dinheiro, com a intenção maior de tornar-se rico, conforme constatado no livro pesquisado.

A riqueza tem sinônimos diferentes para uma pessoa e para um país. A uma pessoa o fato de ter dinheiro papel, é o suficiente para que possa estar ativa no mercado financeiro, podendo investir em poupança, aquisição de produtos ou qualquer meio que o queira. Já a um país, a riqueza é quando há investimento, crescimento tecnológico e industrial que beneficie a todos em comum. Melhorar as condições de vida da população, dando a todos a oportunidade de ter moradia, de estudar em conseqüência gerando bons profissionais como médicos, engenheiros, professores, entre outros, que irão beneficiar a toda comunidade em geral. É um processo lento e trabalhoso mas que capacita e enriquece uma nação.

É necessário então, saber discernir as formas de riqueza a nível de indivíduo e de sociedade. “Quando um enriquece à custa de outro, através de especulações comerciais, jogo sobre os preços, venda de ações, etc., há uma simples transferência de riqueza, perdendo um o que ganhou o outro, sendo neutro o resultado para o país.

Ganhar dinheiro as custas de outras pessoas, vulgarmente é chamado de “ser esperto”, agora, investir gerando empregos e recursos como produtos, por exemplo, fazendo com que melhore o nível de vida de todos de maneira geral, é “ser inteligente”. Estes são claros exemplos de simples tranferência de moeda papel e enriquecimento de um povo, sendo possível identificar a diferença entre dinheiro e riqueza.

A definição de riqueza, segundo Dowbor, é a capacidade de produção de bens e serviços, sendo assim, o estudo dar-se-á a partir do processo de produção.

O primeiro passo é comprar as mercadorias para dar início ao procedimento. Esta por sua vez, divide-se em três qualidades: a mão-de-obra, a matéria-prima e o equipamento que a mão-de-obra utilizará, para transformar a matéria-prima, que são os componentes básicos do processo de produção. Para tanto, ao final do ciclo, o investidor precisará obter o lucro excedente para que possa reiniciar o processo, se manter e ainda ter uma reserva – poupança. Este é um pequeno exemplo, mas este é  basicamente o mesmo princípio para um pequeno investidor e uma grande empresa, o fundamental é ter capital para dar início ao negócio.

Nos países de terceiro mundo a reprodução simples, não é tão simples assim. A maioria da população rural desses países não tem condições de “arrumar” o capital necessário para sair da pobreza, sendo esse um fato real, e conforme dados de pesquisas a metade da população mundial vive da agricultura. Para essas economias, investir em indústrias também é tão difícil quanto, uma vez que só conseguem produzir bens e serviços tão pouco ao mercado interno, ocorrendo a denominada descapitalização, pois o investidor não consegue aumentar o capital inicial.

A acumulação de capital constitui em o resultado final ser maior que o investido inicialmente, gerando assim o capital excedente – desenvolvimento econômico, permite valor em dinheiro no final do ciclo, sendo possível, ampliar a reprodução gerando uma maior quantidade de bens e serviços.

Após um determinado período havendo acumulação de capital, forma-se o excedente, que por sua vez, pode ser investido cada vez mais ampliando assim o negócio. Mas, para consquitar o excedente é preciso trabalhar mais, parte aí ao excedente absoluto, a “resistência humana”. Quando não há maquinários suficientes para execução do trabalho, como é o caso em países subdesenvolvidos, a força de trabalho do homem é prejudicada, acontecendo, muitas vezes, acidentes de trabalho devido ao cansaço extremo.

O excedente nada mais é do que a sobra de capital ao final do mês. Ao trabalhador é o que resta após extrair as despesas correntes como alimentação, vestuário e demais, necessárias a sua sobrevivência, e ao capitalista é o excesso após gastos com mão-de-obra, matéria prima, etc., necessários ao andamento de sua empresa.

O fato é que, muitas vezes, ocorre exploração dos trabalhadores mais humildes, salários baixos e defasados enriquecendo as grandes indústrias capitalistas. Estas por sua vez, aparecem como donas do capital mas na realidade quem o produziu foi o trabalhador.

Conforme cita o autor, nos dias de hoje o melhor investimento é qualificar o homem, dar-lhe estudo e conhecimento, assim como ocorreu no Japão pós guerra, e  hoje, é uma grande potência econômica.

Há os denominados desequilíbrios da economia, estes resultam em grande parte da necessidade de se buscar o equilíbrio entre o movimento real de investimento, que implica na modificação da utilização dos fatores de produção, e os movimentos financeiros e monetários de atribuição de riqueza às diversas camadas e em particular o processo de inflação.

Conforme exemplo dado pelo autor, quando um empresário pede auxílio ao governo para construir uma fábrica e o governo por sua vez não tem disponível a verba, que arrecadada através de impostos, gera a chamada moeda papel. No entanto, não haverá crescimento na produção dos bens de consumo, uma vez que não houve esforço algum para o desenvolvimento dessa fábrica, o empresário sequer poupou para abrir o seu negócio. Como não foi gerado nesse intermédio o crescimento dos bens de consumo, acontecerá que, se os preços se materem instáveis, faltará produto no mercado ou se devido a grande procura o comerciante aumentar os preços do produto, sem que haja aumento no salário do trabalhador, ocorre aí a inflação, levando o consumidor a fazer uma poupança forçada, ajudando a suprir os gastos ocasionados pelas fábricas, e consumir menos os tais produtos.

A inflação prejudica a classe social trabalhadora, uma vez que dependem de renda fixa, e ao mesmo tempo prevalece a classe de renda varíavel, empresários e comerciantes, com o aumento sem controle de preços.

Os trabalhadores de renda fixa são, em grande parte das situações, desvalorizados perante a economia em um todo. A classe dominante, se enriquece em cima dos lucros excedentes, há a inflação que desestabiliza o trabalhador, há os programas oferecidos pelo governo de isenção fiscal as grandes indústrias, onde mais uma vez será utilizada a poupança do trabalhador, despesas do governo com contrução de estradas, ferrovias, etc, que não é utilizado o dinheiro do empresário mas mesmo assim ele é beneficiado, monopólio das multinacionais e a grande desvantagem na troca de matéria prima por produtos industrializados dos países desenvolvidos.

O fato é, a monopolização do sistema capitalista afeta os pequenos comerciantes e torna cada vez mais forte as grandes indústrias, tornando-se difícil a  entrada de novos pequenos investidores no mercado, uma vez que são sufocados pelas multinacionais.

Há duas formas de existência do capital: valor de uso e valor de troca.

No caso do valor de uso há características semelhantes em qualquer área que seja o modo de produção. Já ao valor de troca interessa ao capitalista, para saber em qual investimento ele terá maior lucro. Segundo o autor, o problema da globalização e do desiquilíbrio do capital está em várias formas de valorização como troca.

O capital em si, tem por objetivo utilizar o máximo de excedente possível, pagar o menor valor possível ao trabalhador, tirando o maior proveito dele, para reforçar ainda mais a formação de mais capital. Na proporção que cresce a exploração cresce o investimento gerando mais excedente, dando início novamente ao processo de produção, desta vez com mais investimentos.

Ocorre no capitalismo dois fatos extremamente diferenciados: quando minimiza o poder aquisitivo do trabalhador, está se privando o próprio mercado de consumo, quando se eleva o salário diminui a capacidade de financiamento. Ou se investe (salários baixos) mas não gera mercado para comprar tanta produção, ou se tem amplo mercado (altos salários) sem tanto investimento, uma vez que o excedente, em boa parte, está sendo gasto com o operário.

Com relação ao mercado, o capital assume formas variadas: capital produtivo, capital trabalho, capital constante, capital circulante e capital fixo.

As empresas transnacionais, após diversas fases de internacionalização do capitalização, passaram a se instalar nos países subdesenvolvidos, assim, tiram maior proveito desses países no que se refere a pagamento de impostos e a mão-de-obra extremamente barata quando comparada aos países desenvolvidos, pois geralmente em seu país de origem, a transnacional não está conseguindo acumular excedente.

Tendo em vista a grande variação de renda per capita dos países chamados desenvolvidos dos países subdesenvolvidos, acredita-se que a maioria da população mundial está longe do fenômeno de modernização e isso se deve ao fator da grande exploração sofrida. Essa exploração leva ao declínio dos países pobres, com a diminuição da renda, aumento do índice de mortalidade infantil, analfabetismo, fome, miséria, epidemias e outros vários fatores sociais.

 Dowbor cita que, para um bom desenvolvimento econômico aos países subdesenvolvidos poderiam ser utilizadas estratégias como planejamento central, planejamento empresarial, mercado mais competitivo internamente dando maiores chances aos pequenos empresários, política de rendas, participação comunitária e harmonia internacional de economias.

Fica claro no texto que estamos na era das transformações tecnológicas intensas, época das transformações sociais que necessitam da participação e contribuição, por mais pequena que seja, de todos. “As coisas resolvem-se com a articulação dos diversos mecanismos de regulação, de acordo com a dinâmica de transformação dos processos econômicos modernos.”

Além de elegermos nossos representantes políticos a cada quatro anos, devemos evoluir desse sistema representativo para uma maior complexidade, onde tem-se como princípio a representação da sociedade com voz ativa na organização dos processos socias.

Economia e política andam juntas e devem estar sempre em aperfeiçoamento e melhorias.

Os interesses econômicos necessitam de interesse de diversos grupos sociais, ser uma sociedade realmente democrática como base para uma economia moderna, que infelizmente no Brasil, ainda é só vontade e desejo, no entanto com esperanças.

O fundamental da democracia é que tenha princípios do socialismo - justiça econômica e social, e do capitalismo - muito da eficiência dos interesses econômicos, conforme Dowbor, necessita-se de novas articulações permitindo a sociedade o controle dos processos econômicos de forma mais clara, ampla e moderna.

 Conclusão

Entendemos que capital é aquilo que você tem, mesmo podendo ser entendido de diversas formas, mas num contexto geral ele é demonstrado através da riqueza a qual se adquiriu, esta riqueza muda conforme o indivíduo e a cultura onde ele se encaixa, levando ou não uma sociedade inteira ao enriquecimento.

É importante ter conhecimento de como utilizar um capital da forma mais benéfica possível também no mundo corporativo, utilizando os recursos mais adequados com a finalidade de gerar benefícios para a sociedade, empregos, educação, qualidade de vida e não apenas explorando a sociedade visando enriquecimento individual.

 

Referência

DOWBOR, Ladislau. O que é Capital. 1 ed. São Paulo. Brasiliense. 94p.

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