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CADERNO DIDÁTICO: CFL 506 - PROTEÇÃO FLORESTAL

Elaborado por:

Prof. Dr. Mauro Valdir Schumacher

Eng. Ftal. M.Sc. Doutorando Eleandro José Brun Eng. Ftal. M.Sc. Doutoranda Francine Neves Calil

Santa Maria – 2005

1. APRESENTAÇÃO5
2. INTRODUÇÃO À PROTEÇÃO FLORESTAL6
2.1. OBJETIVOS E IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA6
2.2. RELAÇÃO COM OUTRAS ÁREAS DO CONHECIMENTO6
2.2.1. Legislação Florestal6
2.2.2. Meteorologia7
2.2.3. Zoologia7
2.2.4. Entomologia7
2.2.5. Fitopatologia8
2.2.6. Manejo Florestal8
2.2.7. Topografia8
2.2.8. Outros de menor importância8
2.3. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES CAUSADORES DE DANOS À FLORESTA9
2.3.1. O homem como fonte de danos à floresta10
3. INCÊNDIOS FLORESTAIS12
3.1. CAUSAS DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS12
3.1.1. Raios12
3.1.2. Incendiários12
3.1.3. Queimas para limpeza14
3.1.4. Fumantes16
3.1.5. Fogos campestres16
3.1.6. Operações florestais17
3.1.7. Estradas de ferro17
3.1.8. Diversos17
3.2. CLASSIFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS18
3.2.1. Incêndios subterrâneos18
3.2.2. Incêndios de Superfície18
3.2.3. Incêndios de Copa19
3.3. DANOS CAUSADOS2
3.3.1. Danos diretos2
3.3.2. Danos indiretos23
3.4. PRINCÍPIO DE COMBUSTÃO23
3.4.1. Materiais combustíveis28
3.5. PROPAGAÇÃO DE INCÊNDIOS29
3.6. COMPORTAMENTO DO FOGO31
3.7. EFEITOS DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS32
3.7.1. Efeitos benéficos do fogo32
3.7.1.1. Combate a incêndios32
3.7.1.2. Destruição de animais nocivos, insetos e enfermidades3
3.7.1.3. Favorece a germinação de sementes e regeneração de espécies florestais3
3.7.1.4. Limpeza do terreno34
3.7.1.5. Redução do material combustível34
3.7.1.6. Melhora atributos do solo32
3.7.2. Efeitos maléficos do fogo32

SUMÁRIO 3.7.2.1. Danos ao solo ..................................................................................................32

3.7.2.2. Capacidade produtiva da floresta34
3.7.2.3. Aspecto recreativo da floresta34
3.7.2.4. Fauna silvestre35
3.7.2.5. Vegetação36
3.7.2.6. Caráter protetor da floresta37
3.7.2.7. Ar Atmosférico38
3.7.2.8. Propriedades diversas40
3.7.2.9. Vida humana40
3.8. ÍNDICE DE PERIGO DE INCÊNDIOS40
3.8.1. Índice de perigo de fogo ou índice de Angströn40
3.8.2. Índice de inflamabilidade ou índice de Nesterov41
3.8.3. Fórmula de Monte Alegre42
REALIZAÇÃO DE QUEIMAS CONTROLADAS43
4.1. QUEIMADAS CONTROLADAS OU PRESCRITAS45
4.2. PLANO DE QUEIMA50
4.3. EXTINÇÃO DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS51
4.3.1. Planejamento das Atividades de Campo51
4.3.2. Normas Gerais de Segurança52
4.3.2.1. Segurança no Transporte para o Local do Incêndio52
4.3.2.2. Deslocamento da Equipe Rumo ao Incêndio53
4.3.2.3. Segurança em Combate no Campo53
4.3.2.4. Organização do Pessoal em Combate54
4.3.2.5. Função do Chefe da Brigada54
4.3.2.6. Responsabilidades do Chefe da Brigada5
4.3.2.7. Primeiros Socorros5
4.3.2.8. Uso de Ferramentas57
4.3.2.9. Manutenção das Ferramentas58
4.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS58
5.1 INTRODUÇÃOERRO! MARCADOR NÃO DEFINIDO.
Parâmetros do Fogo61
Níveis de queima61
TESTEMUNHA65
Parâmetros do Fogo6
Níveis de queima6
Eryngium spp67
Pteridium aquilinum67
Solanum erianthum67
Solanaceae67
Eugenia uniflora67
Rutaceae67
Coentrilho67
Rutaceae67
CONCLUSÕES68
6. AGENTES ATMOSFÉRICOS E SEUS EFEITOS SOBRE A FLORESTA70
5.1. GEADA70
5.1.1. Medidas de controle71

4. PLANEJAMENTO, PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS E 5.2. VENTO ............................................................................................................................73

5.2.1. Efeitos sobre o solo73
5.2.2. Efeitos sobre a atmosfera da floresta74
5.2.3. Danos fisiológicos às arvores74
5.2.4. Danos mecânicos às árvores74
5.2.5. Métodos de proteção contra o vento75
5.2.6. Controle da erosão eólica76
5.3. CALOR7
5.3.1. Medidas de controle contra o calor7
5.4. EROSÃO7
5.4.1. Processos de erosão78
5.4.1.1. Erosão geológica ou natural78
5.4.1.2. Erosão acelerada78
5.4.2. Formas de erosão78
5.4.2.1. Erosão Laminar ou entre Sulcos78
5.4.2.2. Erosão em Sulcos78
5.4.2.3. Erosão em Voçorocas79
5.4.3. Fases da erosão hídrica80
5.4.3.1. Desagregação80
5.4.3.2. Transporte80
5.4.3.3. Deposição80
5.4.4. Fatores que afetam a erosão hídrica do solo80
5.4.4.1. Chuva80
5.4.4.2. Solo80
5.4.4.3 Topografia81
5.4.4.4. Uso e manejo do solo81
5.4.4.5. Práticas conservacionistas82
5.4.5. Erosão eólica82
5.4.5.1. Desagregação do solo82
5.4.5.2. Transporte83
5.4.5.3. Deposição83
5.4.5.4. Formas de Erosão Eólica83
5.4.5.5. Fatores que afetam a Erosão Eólica83
5.4.6. Controle da Erosão84
5.5. SECA85
5.5.1. Medida de controle da seca85
7. DANOS CAUSADOS POR ANIMAIS NA FLORESTA87
7.1. ANIMAIS DOMÉSTICOS87
7.2. ANIMAIS SELVAGENS87
7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA89

A Disciplina de Proteção Florestal é parte integrante do conjunto de disciplinas obrigatórias do currículo atual do Curso de Graduação em Engenharia Florestal da UFSM, assim como nos demais cursos pelo Brasil e mundo.

Devido ao fato de a mesma ser ministrada durante o último ano do curso, a mesma agrega conteúdos que fazem com que o aluno, no desenvolver dos temas, busque conhecimentos já adquiridos em outras disciplinas do currículo, fazendo com que o tema “Proteção Florestal” se torne amplo e multidisciplinar.

Este fato também faz com a responsabilidade sobre quem ministra a disciplina seja grande, pois a partir do término da mesma, o aluno está quase a ponto de sair para o mercado de trabalho, formado e plenamente disposto a pôr em prática os seus conhecimentos.

Desta forma, a elaboração deste caderno didático procura suprir uma necessidade de informação escrita (bibliografias) a respeito do tema em nosso Curso e ser uma boa fonte de consulta ao profissional, principalmente o recém formado.

2. INTRODUÇÃO À PROTEÇÃO FLORESTAL

2.1. Objetivos e importância da disciplina

A Proteção Florestal é o ramo da silvicultura que objetiva proteger a floresta de seus inimigos, através do controle, prevenção e manejo de seus agentes.

A importância da proteção se faz sentir em todas as etapas do ciclo da vida de uma árvore ou de uma floresta. Alguns autores chegam mesmo a afirmar que a proteção florestal representa 90% da silvicultura. Analisando esta afirmação, conclui-se que não há tanto exagero como pode parecer à primeira vista. Efetivamente, antes mesmo de lançarmos ao solo a semente ou plantio de mudas, de qualquer essência florestal, já teremos tomado medidas preventivas de proteção para que esta semente ou muda possa germinar e crescer num ambiente livre de qualquer praga ou enfermidade. Um exemplo típico desta afirmação é a imunização do solo de canteiros antes da semeadura de Pinus e Cuninghamia, a fim de evitar o ataque de fungos causadores do tombamento (Damping-off). Ainda quando as plantas encontram-se em fase de viveiro, estamos periodicamente aplicando medidas de proteção, ora erradicando ervas daninhas, ora combatendo insetos, ora protegendo contra geadas, enfim, sempre protegendo cuidadosamente a futura árvore. Ao levar-nos a muda para o terreno definitivo, este já deverá estar livre de pragas (especialmente formigas), para garantir um ambiente em que a planta possa desenvolver-se normalmente. E desta maneira, durante todo o período de vida da árvore a proteção estará sempre presente visando evitar ou eliminar os danos que poderão advir do ataque de fungos, insetos, animais, incêndios, etc.

2.2. Relação com outras áreas do conhecimento

Apesar de sua íntima ligação com a silvicultura, a Proteção Florestal exige, para seu perfeito entendimento e efetiva aplicação, conhecimentos básicos de outros ramos da ciência florestal, os quais serão discorridos abaixo.

2.2.1. Legislação Florestal

Para se formular um plano de proteção, adotar medidas preventivas ou proteger eficazmente o patrimônio florestal é necessário, antes de tudo, conhecer toda a legislação florestal vigente para que não se tome medida arbitrária que possam vir de encontro às leis atuais. (Ver os entraves das leis, no que se refere ao manejo de florestas nativas).

2.2.2. Meteorologia

A probabilidade ou freqüência de ocorrência de incêndios florestais está ligada às condições meteorológicas locais, entre elas temperatura, umidade relativa do ar e a velocidade e direção do vento. Portanto, o conhecimento e a interpretação dos dados meteorológicos é de fundamental importância, principalmente na prevenção dos incêndios florestais.

A temperatura do ar e do material combustível afeta direta e indiretamente a possibilidade de ocorrência e principalmente o potencial de propagação de incêndios. Os dados de temperatura, necessários para cálculos de índices de perigo de incêndios, podem ser obtidos em estações meteorológicas, em condições mais próximas possíveis dos povoamentos em que se quer realizar a avaliação de risco.

A Umidade relativa do ar é um dos principais meios de se medir a umidade atmosférica, sendo amplamente usada nos estudos relacionados a incêndios florestais. Ela se caracteriza pela relação entre a quantidade de vapor d’água presente em um certo volume de ar (pressão real de vapor d’água) e a quantidade que este mesmo volume conteria se estivesse saturado.

O vento se caracteriza pelo movimento de ar das áreas de alta pressão para as áreas de baixa pressão. Além das características de circulação geral dos ventos no sentido pólos-equador deve-se considerar outros efeitos como movimento de rotação da terra, fricção, topografia e massas de água. Em função destes efeitos existem muitos outros movimentos locais que tornam bastante complexa a distribuição dos ventos na superfície terrestre.

2.2.3. Zoologia

Conhecimentos básicos sobre hábitos e costumes dos animais domésticos e selvagens são de grande importância para se prevenir os danos que eles podem causar às florestas. Principalmente nas últimas décadas, com a destruição de muitos habitats naturais de espécies da fauna, em função da expansão de fronteiras agrícolas, estes se tornaram nocivos a plantações florestais, principalmente em função da carência alimentar daí decorrente.

2.2.4. Entomologia

Para se tomar as medidas necessárias à prevenção dos danos causados pelos insetos ou para combatê-los eficazmente, são necessários conhecimentos de entomologia, uma vez que as pragas florestais apresentam comportamentos distintos e são necessários conhecimentos de sua biologia visando definir a melhor forma de atuação na prevenção e controle dos mesmos.

2.2.5. Fitopatologia

Dentre os organismos deste Reino Vegetal, uma variada gama de espécies de fungos são grandes inimigos das florestas e por isso é necessário conhecer suas formas de ataque e propagação. À medida que estes organismos apresentam condições bem típicas de desenvolvimento, muitas vezes o controle e prevenção pode ser realizado com o uso de técnicas adequadas de manejo, não sendo necessária à aplicação de fungicidas, muitas vezes danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

2.2.6. Manejo Florestal

Uma floresta bem manejada possibilita uma proteção bem mais eficiente contra todos os efeitos daninhos. A formulação de um plano de proteção florestal, para uma floresta específica ou para toda uma empresa florestal, é facilitada quando existe um bom plano de manejo implantado na mesma. Logo o conhecimento do manejo e ordenamento é necessário à proteção florestal.

2.2.7. Topografia

Principalmente na proteção contra incêndios, a topografia do terreno exerce grande influência, tornando-se, pois, necessário o seu conhecimento. Estudos já realizados comprovam que, em situações de aclive, para florestas de eucalipto, a velocidade de propagação de um incêndio florestal dobra em um aclive de 10º e é quatro vezes maior em aclive de 20º.

2.2.8. Outros de menor importância

Existem outros ramos da ciência que possuem menor importância no contexto da proteção florestal como é o caso da edafologia, ecologia, economia, etc.

Além de exigir conhecimentos básicos dos assuntos enumerados, a proteção florestal sofre influências também de diversos outros fatores ligados à ciência florestal. Assim é que em florestas implantadas, a escolha da espécie adequada às condições locais é de grande importância na futura proteção das mesmas. Certamente, uma espécie bem adaptada será sempre mais resistente, pelo seu melhor desenvolvimento e maior índice de sanidade ao ataque dos agentes daninhos que uma essência já debilitada pela má aclimatação. Como exemplo desta afirmação podemos citar o plantio do híbrido de Eucalyptus urograndis, por exemplo, em um local que periodicamente é atingido por geadas. Sendo esta espécie bastante sensível a este fenômeno, periodicamente as árvores são “queimadas” por ela (as árvores podem ficar completamente secas dependendo da intensidade da geada) e, portanto, mais sujeitas à destruição pelo fogo (o Eucalyptus sp. em condições normais é bastante resistente ao fogo), ou a um ataque de insetos e fungos, que encontrando a árvore já enfraquecida poderão assumir caráter letal.

As condições locais ou regionais são também de grande importância para se implantar métodos de proteção. Logicamente, regiões de climas, solos e por conseqüência vegetação diferente, exigirão técnicas preventivas e adaptadas às condições específicas de cada região.

2.3. Classificação dos agentes causadores de danos à floresta

A floresta está sempre sujeita a diversas espécies de danos, provocados por vários agentes daninhos. Esses efeitos variam, em ordem de importância, em cada região e permitem também diferentes classificações dependendo do ponto de vista dos autores. Adotamos uma classificação que, para nossas condições, nos parece a mais lógica: 1- Incêndios florestais; 2- Plantas (incluindo fungos, ervas daninhas e parasitas); 3- Insetos; 4- Animais domésticos e selvagens; e, 5- Agentes atmosféricos.

Os incêndios de um modo geral ocupam o primeiro lugar dentre os agentes destruidores da floresta. Por este motivo, a proteção florestal geralmente concentra as maiores atenções para o problema do fogo. Esta atenção especial é plenamente justificável, uma vez que os incêndios geralmente causam a total destruição da floresta, além de ser uma ameaça constante às construções, aos animais domésticos e à própria vida humana. No entanto, apesar da importância que devemos dar ao problema do fogo, não podemos negligenciar os outros ramos da proteção.

Em certas regiões, os danos causados por insetos e fungos podem causar mais danos que o fogo. Muitas vezes não se nota isto a primeira vista, porque o trabalho destes agentes daninhos é geralmente muito vagaroso, menos alarmante e menos perceptível. No entanto, a atividade desses agentes é constante e não existem florestas completamente livres deles.

No Rio Grande do sul pode-se citar o surgimento da vespa da madeira (Sirex noctilio) que danifica as características físicas da madeira de espécies do gênero Pinus, especialmente Pinus taeda e elliottii, podendo levar a morte das árvores.

Os animais domésticos e selvagens são agentes que podem às vezes, dependendo do local, assumir caráter bastante prejudicial, principalmente no início da instalação de povoamentos.

A extensão dos danos causados as florestas pelos efeitos atmosféricos, embora evidentes, são sempre mais difíceis de se estimar que os causados por outros efeitos. Os efeitos do calor, frio, seca, água, vento e outros agentes atmosféricos são tão imprescindíveis que uma exata estimativa dos danos é impraticável. Sem dúvida, a soma total das injúrias causadas pelos diversos agentes atmosféricos pode exceder, em certas épocas, aquelas causadas por outros inimigos. Além disso, os agentes atmosféricos podem causar condições favoráveis ao ataque de outros agentes tais como insetos e fungos. Não se pode esquecer que os agentes atmosféricos estão sempre, indiretamente ligados aos danos causados pelo fogo à floresta. O grande incêndio ocorrido no Paraná em 1963 foi um exemplo típico.

As fortes geadas e o grande período de seca propiciaram as condições ideais para a propagação do fogo. Não há duvida de que, sem condições climáticas favoráveis, não ocorrem incêndios.

É importante salientar que qualquer um desses efeitos citados pode, em certas ocasiões e em certos locais, assumir proporções de verdadeiras catástrofes. Assim sendo, a proteção florestal, deve ser prevista para todos os agentes daninhos a fim de podermos, a qualquer momento, organizar e aplicar as medidas de controle necessário.

2.3.1. O homem como fonte de danos à floresta

Após analisarmos as cinco principais classes de agentes daninhos torna-se necessário estabelecer os meios pelos quais o homem pode danificar a floresta. O homem pela ação, é uma fonte primária de danos para a floresta. Direta ou indiretamente, como conseqüência de suas atividades, a influência do homem é notada em cada uma das classes de agentes daninhos.

A maior parte dos incêndios florestais, que tantos prejuízos causam às florestas é de responsabilidade humana.

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