Armazenamento de forragens para a agricultura familiar

Armazenamento de forragens para a agricultura familiar

(Parte 1 de 3)

Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte S/A.

e Combate a Pobreza

Ministério do Desenvolvimento Social

Ministério do Desenvolvimento Agrário

Armazenamento deForragens paraaAgricultura Familiar

Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte S/A.

Armazenamento deForragens paraaAgricultura Familiar

Governadora do Estado do Rio Grande do Norte

Secretário de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte S/A EMPARN

Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte EMATER-RN

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte SEBRAE-RN

Assessoria de Difusão e Profissionalização da EMPARN

Layot Revisão

Wilma Maria de Faria

Iberê Paiva Ferreira de Souza

Guilherme Ferreira da Costa Lima Diretor Presidente

Luiz Cláudio de Souza Macedo Diretor Geral

José Ferreira de Melo Neto Diretor Superintendente

Marta Maria Souza Matos

Luciana Riu Ubach Maria de Fátima Pinto Barreto

Divisão de Serviços Técnicos Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central Zila Mamede

Rio Grande do Norte. Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca. Armazenamento de Forragens para Agricultura familiar/Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca; Guilherme Ferreira da Costa Lima; Francisco Canindé Maciel; Florisvaldo Xavier Guedes; Jorge Ferreira Torres; José Geraldo Medeiros da Silva; Newton Auto de Souza; Emerson Moreira de Aguiar; Cláudio Adriano Correia de Lima; Genildo Fonseca Pereira; Henrique Rocha de Medeiros; Luciana Riu Ubach Castello Garcia; Revisão: Maria de FátimaPinto Barreto. - Natal[RN], 2004. Xpáginas.

1. Forragicultura. 2.Agricultura Familiar. 3.Armazenamento I.

RN/UF/BCZM CDUxxx

Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte S/A.

Armazenamento deForragens paraaAgricultura Familiar

Guilherme Ferreira da Costa Lima - EMBRAPA / EMPARN

Emerson Moreira de Aguiar - UFRN Genildo Fonseca Pereira - EMPARN / Bolsista CNPq

Francisco Canindé Maciel - EMBRAPA / EMPARN Florisvaldo Xavier Guedes - EMPARN Jorge Ferreira Torres - EMPARN José Geraldo Medeiros da Silva - EMPARN Newton Auto de Souza - EMPARN

Cláudio Adriano Correia de Lima - EMPARN / Bolsista CNPq

Henrique Rocha de Medeiros - EMPARN / Bolsista CNPq Luciana Riu Ubach Castello Garcia - EMPARN / Bolsista CNPq

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Comitê Editorial

Impressão Tiragem

Todos os direitos reservados.

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Presidente: Maria de Fátima Pinto Barreto Secretária-Executiva: Vitória Régia Moreira Lopes

Membros:

Aldo Arnaldo de Medeiros

Amilton Gurgel Guerra Francisco Canindé Maciel

Marcelo Abdon Lira

Salvador Barros Torres

Terezinha Lúcia dos Santos

José Robson dos Santos Manoel de Souza Araújo Marcone César Mendonça das Chagas

Gráfica x Exemplares

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A Fábrica de Feno para a Agricultura Familiar

Secador Solar:

Fonte de Feno de Qualidade para os Sertões

Flor-de-seda

O Armazém de Forragem para a Agricultura Familiar

Silo Cincho

Alternativa Alimentar para Ruminantes em Secas Severas
Introdução
Procedimentos
Introdução
Resultados de pesquisa
Preparo do feno da flor-de-seda
Escolha da área
Introdução
Características
Plantio
Produtividade

Silo de Superfície

Alternativa Alimentar para Ruminantes em Secas Severas
Introdução
Preparo da silagem
Introdução
Preparo do silo de superfície
Utilização animal
Composição química
Resultados obtidos
Instalações rústicas para a Caprinovinocultura
Armazenamento
Construção
Distribuição do material
Revolvimento do material

Xiquexique Determinação do ponto de feno....................................................

Estudos recentes da EMBRAPA/Semi-Árido em 107 municípios situados nas áreas secas do Nordeste, constataram que cresce a renda dos produtores à medida que se eleva a participação da pecuária na unidade produtiva. E ainda, que o tipo de agricultura de subsistência praticado na região só oferece chances de sucesso em três a cada 10 anos, enquanto que a pecuária, por sua menor vulnerabilidade à seca, tem-se constituídonoprincipalfatordefixaçãodohomemnosemi-árido.

No entanto, a produtividade dos sistemas pecuários familiares do semi-árido é bastante baixa, principalmente, em função da ausência de práticas de gerenciamento e monitoramento dos custos de produção das fazendas e do grave déficit alimentar dos rebanhosnosperíodosdeseca.

Não há dúvida que um dos principais impedimentos à viabilização de sistemas pecuários no Nordeste é a pequena disponibilidade de volumosos de qualidade e o manejo inadequado dos recursos forrageiros existentes. Numa região caracterizada pela marcada estacionalidade na disponibilidade de forragens, a produção, manejo e armazenamento de volumosos, voltados aos aspectos quantitativos e qualitativos, exerce uma função estratégica na lucratividade das fazendas, pela diminuição das diferenças sazonais na oferta de forragens e menor requerimento de suplementações energéticas e/ou protéicas.

Ciente desses problemas, a EMPARN, em parceria com a EMATER-RN e

SEBRAE-RN decidiram coordenar uma ação no Estado no sentido de capacitar seus técnicos e produtores pela participação destes em cursos específicos sobre produção e armazenamentodeforragens.

Esse evento constitui a primeira etapa do “I Circuito de Tecnologias Adaptadas para a Agricultura Familiar: Semanas de Ensilagem e Fenação”, que capacitará mais de 3 milprodutoresdesetemicrorregiõesdoEstadoem2004.

Este programa representa mais uma ação do Governo Vilma de Faria, articulada pela Secretaria de Agricultura, da Pecuária e da Pesca SAPE, com o objetivo de apoiar e tornar mais eficiente e sustentável a atividade pecuária estadual.

Confirmando a importância dessa ação de Governo, participam e apóiam essa programação instituições federais, estaduais e municipais, tais como: Embrapa, Consepa, FINEP, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Fetarn, ANORC, ANCOC, SENAR, Prefeituras Municipais, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Ministério do DesenvolvimentoSocialedeCombateàPobreza.

Guilherme Ferreira da Costa Lima Diretor Presidente da EMPARN

A Fábrica de Feno para a Agricultura Familiar

Secadorsolar

Guilherme Ferreira da Costa Lima - EMBRAPA / EMPARN

Emerson Moreira de Aguiar - UFRN

Francisco Canindé MacieL - EMBRAPA / EMPARN Genildo Fonseca Pereira - EMPARN / Bolsista CNPq

Luciana Riu Ubach Castello Garcia - EMPARN / Bolsista CNPq Florisvaldo Xavier Guedes - EMPARN

Introdução

Pela própria natureza da vasta região semi-árida nordestina, as condições climáticas (altas temperaturas, intensa luminosidade e fortes ventos) são amplamente favoráveis à realização da fenação.

Com a baixa capacidade de suporte dos pastos nativos e a pequena área dos estabelecimentos rurais e das pastagens cultivadas, são limitadas as alternativas para o desenvolvimento de uma pecuária sustentável para a agricultura familiar, fora da produçãointensivadeforragensedautilizaçãodepráticasdearmazenamento.

Quando se enumeram as principais características desejáveis de forrageiras apropriadas para o processo de fenação, são indicadas como condições essenciais, a existência de talos finos, abundância de folhas e pequeno porte para facilitar o trabalho das máquinas. Essas características são comuns em gramíneas como os capins Tifton, Pangola, Gramão, Buffel, entre outros, raramente presentes nas pequenas propriedades familiares.

Dessa forma, para que um programa voltado ao armazenamento de forragens na forma de feno para a agricultura familiar no semi-árido tenha chances de sucesso, faz-se necessário que o processo de intervenção contemple, entre outros, os seguintes aspectos:

Iniciar o processo mediante a utilização de forrageiras nativas ou cultivadas já existentes nas propriedades, para baixar os custos do investimento inicial;

Concentrar as ações de difusão no período chuvoso, para quebrar o paradigma da impossibilidadedefenaçãoduranteoperíododaschuvas;

Treinar a mão-de-obra familiar na utilização de equipamentos artesanais de fenação, como as segadeiras e enfardadeiras manuais e formas de armazenamento em galpõesoua campo;

Utilizar a trituração para viabilizar a fenação de forrageiras de uso cotidiano dos pequenos produtores como o capim elefante, o sorgo, a maniçoba, a flor-de-seda, a manivademandiocaeumgrandenúmerodeoutrasforrageirasnativasoucultivadas.

O desenvolvimento e validação da tecnologia do SECADOR SOLAR para produção de fenos triturados foi efetuado pela EMPARN, na região do Seridó Potiguar, com apoio do PRONAF e Banco d o N ordeste. O p rocesso incluiu a avaliação de secadores solares cimentados (10 m x 10 m = 100 m²) paradesidratação de forragens trituradas em pequenas propriedades e tem obtido resultados bastante promissores para a agricultura familiar.

Em práticas realizadas nos Campos Experimentais da EMPARN, tem-se conseguido, em média, o preparo de 2 kg de feno triturado por m² do secador. Esses secadorestêm,então,umacapacidadedeproduçãode200kgdefenotrituradoporcada vez. Considerando a possibilidade do criador realizar esse processo pelo menos, 50 vezes por ano (utilizando 100 dias/ano, em uma média de secagem de dois dias), isso resultaria numa produção de feno da ordem de 10 mil kg, suficiente para alimentar 50 caprinosouovinosadultosdurante4mesesdeseca.

Através de pesquisa desenvolvida em parceria entre a EMPARN/Banco do

Nordeste/PRONAF/UFRN e UFRPE, foi comprovada a qualidade forrageira do feno triturado de capim elefante com mais de um ano de conservação em sacos. O período ideal de corte para a fenação foi de 45 a 60 dias de rebrota, o que proporcionou um rendimento de 6 t. a 8 t. de matéria seca MS/ha/corte, com 6,3% a 7,8 % de proteína bruta(PB)edigestibilidadedaMSde56%a59%.

Entre as espécies forrageiras indicadas para a produção de fenos triturados e desidratados no secador solar, destacam-se aquelas de maior porte, caules ou ramos grossos,easqueapresentamdificuldadesnoprocessodesecagem,quandoexpostasao sol na forma inteira, como o capim elefante ( Schum.), os sorgos granífero e forrageiro ( L. Moench.), o milheto (

(L.) Leeke.), o sorgo sudanense sp.), culturas de sorgo e milho que, pela seca, não conseguiram completar seus ciclos, a cana-de-açúcar, na produção da sacharina, as manivas da mandioca ( ) e a própria raiz, a flor-deseda ( L.), a maniçoba (Manihot sp.), leguminosas arbustivas, como a leucena ( ), o guandu ( ), assim como várias espécies de forrageiras nativas arbustivas e herbáceas, que, processadas no final do períodochuvoso,aindatrazemavantagemdeumarebrotaricaparaserconsumida.

Outra alternativa, na utilização do secador solar, como ferramenta no fortalecimento de reservas forrageiras estratégicas no semi-árido, é a secagem de resíduos agroindustriais, como do sisal, do caju, do melão, do abacaxi e de tantos outros, que,nasuagrandemaioria,sãodesperdiçados.

Pennisetumpurpureum

Sorghum bicolor Pennisetum americanum (Sorghum

Manihot esculenta

Calotropis procera Leucaena leucocephala Cajanus cajan

Adicionalmente durante o período chuvoso, o secador solar poderá funcionar como área decaptaçãodeágua,destinadaaoarmazenamentoemcisterna.

O processo de desidratação das forragens no secador, é simples, rápido e não demanda muita mão-de-obra para os sistemas de agricultura familiar, podendo ser realizado, conjuntamente, pelo trabalhador, esposa e filhos.

A combinação de recursos forrageiros englobando a silagem, o feno, a palma e a cana, de acordo com a adaptação dessas espécies a cada ambiente, representa uma sólidabase para edificar qualquersistema de produçãono semi-árido.·

Procedimentos EscolhadaÁrea

Construção

A área destinada à construção do SECADOR SOLAR deve ser preferencialmente plana, não sujeita a e ncharcamento e a sombreamento, isolada para evitar a presençadeanimais.

Aquisição do material necessário para construção do secador solar, com 100 m² de área útil (10 m de comprimento por 10 m de largura) e necessidadedemãodeobra.

CustodeconstruçãoaproximadodeR$80,0.

Cimento Saco 12 Tijolo cerâmico Milheiro 1

Areia Grossa m3 2

Brita m3 2,5 Pedreiro Diária 6

Ajudante Pedreiro Diária 6

Revolvimentodomaterial

É preciso revolver a forragem ou outros materiais a serem desidratados ou secos a cada 3-4 horas, durante o dia. No Nordeste semiárido as forrageiras próprias para fenação atingem a cura (secagem) de um a no máximo trêsdiascom3a4r evolvimentos.

Distribuição do Material

O material deve ser distribuído em camadasdenomáximo10cmdealturaparaque o processo de desidratação ocorra com maior rapidezdeformahomogênea.

Camadas mais grossas não permitem umasecagemadequada.

Armazenamento

Depois de atingido o ponto de feno o material está pronto para ser armazenado em locais ventilados e secos, o qual poderá ser feito em sacos de ráfia, para utilização em períodosdeescassez.

Recomenda-se a utilização de estradosdemadeiraparaevitarcontatodossacoscomopisoouparedesúmidas.

É importante que freqüentemente o produtor verifique se não está ocorrendoaquecimentodosfenos,colocandoamãonointeriordossacos.

Determinaçãodopontodefeno

Quando o material atingir de 10% a 20% do seu peso total é alcançado o ponto de feno. E ainda quando o material não virou palha nem está suficientemente úmido para provocarfermentações.

Fonte de Feno de Qualidade para os Sertões

Flor-de-seda

Guilherme Ferreira da Costa Lima - EMBRAPA / EMPARN

Emerson Moreira de Aguiar - UFRN

Francisco Canindé MacieL - EMBRAPA / EMPARN

Cláudio Adriano Correia de Lima - EMPARN / Bolsista CNPq Genildo Fonseca Pereira - EMPARN / Bolsista CNPq

Luciana Riu Ubach Castello Garcia - EMPARN / Bolsista CNPq Florisvaldo Xavier Guedes - EMPARN

FLOR-DE-SEDA Introdução

A flor-de-seda ( R.Br.) faz parte da família

Asclepiadaceae, sendo originária da Índia e África Tropical e, provavelmente, foi introduzida, no Brasil como planta ornamental. A espécie encontra-se disseminada em todo o semi-árido, destacando-se na paisagem seca dos sertões, por permanecer verde mesmo nos períodos mais críticos. No Nordeste brasileiro é conhecida vulgarmente como Algodão-de-Seda, Ciúme, Ciumenta, Flor-de-Cera, Hortência e Seda.

Entre outras características positivas da flor-de-seda como forrageiraparaaproduçãodefenonosemi-árido,incluem-se:

·Permanência das folhas, mesmo durante os períodos mais críticos de estresse hídrico;

·Rebrotavigorosa, em resposta aos cortes,mesmo nos períodos desecaesemoregistrodequalquerprecipitação;

·Grande disponibilidade de sementes, sem qualquer dormência e excelente germinação, que facilita, sobremaneira, a produçãodemudasouoplantiodireto; ·Tolerância na utilização de solos salinos;

·Embora não palatável quando verde, o feno da flor-de-seda apresentaaltadigestibilidadee consumodamatériaseca.

A partir da experiência de produtores que utilizavam essa espécie para "escapar o gado" nas secas prolongadas, a EMPARN, iniciou um trabalho de avaliação da produção de feno triturado e desidratado em secadores solares, a partir de plantas naturalmente disseminadas. A planta no seu estado verde não é consumida pelos ruminantes, provavelmente em função da presença de látex, no entanto, após o processo de fenação é bem aceita pelos animais, particularmente caprinos e ovinos.

Calotropis procera

ResultadosdePesquisa

Pesquisas desenvolvidas pela EMPARN avaliaram o rendimento dessa forrageira, cultivada em diferentes espaçamentos em solos aluvionais e obtiveram rendimentos da ordem de 1 t. MS/ha/corte aos 70 dias, com 20% a 2% de proteína bruta (PB) e teores de matéria seca (MS) de 10% a 12% nos espaçamentos de 1,0 x 0,5 m e 1,0 x 1,0 m, com apenas 150 m de precipitação pluvial. Cortes posteriores, realizados com desenvolvimento de cerca de 120 dias, possibilitaram rendimentos de 3 t. MS/ha/corte e potencial para efetivação de três cortes por ano (9 t. MS/ha).

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