Resumo teórico TRANSAÇÕES CORRENTES ABORDAGEM MACROECONÔMICA

Resumo teórico TRANSAÇÕES CORRENTES ABORDAGEM MACROECONÔMICA

  • A contabilização do balanço de pagamentos apenas excepcionalmente apresenta equilíbrio. Normalmente o país tem déficit ou superávit nas suas transações econômicas com o resto do mundo. Como qualquer lançamento a débito para um país implica crédito para outro, se existem os que contabilizam superávits. A ocorrência de sucessivos superávits têm sido interpretada como sinal de sucesso da política econômica, já a persistência de déficits elevados é considerada problema quem compete o futuro do país e a própria estabilidade do sistema econômico mundial. Esta é a lógica adotada pelo FMI, organismo internacional encarregado de auxiliar os países a enfrentar seus desajustes nos balanços de pagamentos.

  • As contas do balanço de pagamentos são divididos em dois grandes grupos:

  • Transações Correntes (TC);

  • Movimentos de Capitais (MK).

  • TC + MK = 0 ou TC = - MK

VARIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

  • Um país que mantém relações econômicas com o resto do mundo tanto pode receber como enviar bens e serviços ao exterior. Se as remessas superam os recebimentos, o país apresenta superávit no balanço de pagamentos em conta corrente. Caso contrário, há um déficit, e os residentes do país estão aumentando sua dívida com exterior. Essas conclusões são derivadas da própria contabilização do balanço de pagamentos.

ABORDAGEM DA ABSORÇÃO

  • As transações correntes do balanço de pagamentos são analisadas como um fenômeno macroeconômico no mercado de bens, sob a ótica da absorção.

  • Segundo a teoria keynesiana, a demanda agregada determina a produção. Numa economia autárquica, a demanda agregada engloba consumo (C), investimento (I) e gastos públicos (G), e o equilíbrio acontece quando a poupança agregada (S) iguala-se ao investimento (I).

  • Numa economia aberta há que se incluir as trocas com o resto do mundo, o que pode tornar S diferente de I. Isso significa que o país pode ser exportador ou captador de poupanças, cujos deslocamentos se dão por meio das trocas de bens e serviços. Com a abertura, parte dos gastos residentes é realizada no exterior. São as importação de bens e serviços não-fatores (M), ou seja, tudo que é produzido no exterior e absorvido pelos residentes no país. Em contrapartida, o país exporta (X), ou seja, os residentes no exterior demandam bens e serviços não-fatores do país.

INVESTIMENTO, POUPANÇA E TRANSAÇÕES CORRENTES

  • Há ainda uma outra maneira de interpretar o déficit em transações correntes. Em vez de concluir que o país tem déficit porque gasta mais do que pode, é possível argumentar que é porque investe mais do que poupa.

  • Numa economia fechada, a produção é empregada em consumo e investimento, e a renda das famílias é dividida entre consumo e poupança. Assim, o investimento deve ser igual à poupança. Numa economia aberta, essa igualdade pode não ser verdadeira.

  • Um país pode poupar mais do que investe no mercado doméstico e o excedente ser emprestado para investimentos no exterior, isso corresponde a um superávit das transações correntes.

  • Substituindo PNB e C na expressão e reordenando seus termos:

  • (X – M) + RLRE = (S – I) = (T – G)

  • Como, por definição, TC = (X – M) + RLRE, então:

  • TC = (S – M) + (T – G)

  • Onde:

  • (S – I) = poupança do setor privado; e

  • (T – G) = poupança do governo.

  • Podemos concluir que se, a poupança total (privada +pública) é inferior aos investimentos, então TC < 0, e esse déficit está sendo financiado com a poupança dos não residentes do país.

  • A expressão permite identificar o que se conhece como ‘’déficit gêmeos’’, ou a coexistência de déficit público (T – G < 0) e o déficit em transações correntes.

  • GRÁFICO

IMPLICAÇÕES DO DÉFICIT EM TRANSAÇÕES CORRENTES

  • As transações correntes do balanço de pagamentos foram descritas de três maneiras diferentes, todas formuladas a partir de identidades contábeis simples. As demonstrações permitem concluir que o déficit em conta ser definido como:

  • 1 – aumento da dívida externa: TC = –MK;

  • 2 – excesso de absorção: TC = PNB – A;

  • 3 – escassez de poupança interna: TC = (S – I) + (T – G).

  • As três definições são igualmente verdadeiras e úteis para compreender as implicações macroeconômicas do problema. Se o país enfrenta um choque qualquer, pode financiar o déficit externo resultante sem maiores complicações porque, uma vez vencida a dificuldade, a economia volta à normalidade. No entanto, se o problema for permanente, da primeira definição acima podemos concluir que a dívida não pode crescer indefinidamente.

  • A segunda definição ajuda a compreender que a existência de déficit em transações correntes significa que o país gasta mais que tem. A solução recomendada, nesse caso, é reduzir a absorção.

  • A terceira definição de transações correntes, conclui-se que o ajustamento deve ser feito nas contas do governo. A principal recomendação do FMI é a redução do déficit público para equacionamento do déficit externo.

AJUSTE DO BALANÇO DE PAGAMENTOS

  • A persistência de déficit constitui um problema para a economia e só pode ocorrer enquanto houver recursos para financiá-los. Por algum tempo o país pode despender suas reservas ou recorrer aos empréstimos de regularização. Se as reservas se esgotarem e o país não tiver acesso a outras fontes de capitais compensatórios, o balanço de pagamentos é forçado ao equilíbrio por absoluta impossibilidade de se gastar o que não se tem. Antes de atingir esse extremo, no entanto, normalmente o governo toma medidas visando ajustar o balanço de pagamentos:

  • 1 – restrições tarifárias ou quantitativas às importações;

  • 2 – subsídios às exportações;

  • 3 – controle da saída de capitais e de rendimentos para o

  • exterior;

  • 4 – aumento da taxa interna de juros;

  • 5 – redução do nível de atividade econômica; e

  • 6 – desvalorização real da taxa de câmbio.

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