Morfometria de Bacia Hidrográfica Costeira um estudo de caso da sub-bacia do rio da Bicas no município de São Luís, MA

Morfometria de Bacia Hidrográfica Costeira um estudo de caso da sub-bacia do rio...

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MORFOMETRIA DE BACIA HIDROGRÁFICA COSTEIRA: um estudo de caso da sub-bacia do rio da Bicas no município de São Luís – MA

São Luís 2007

1 LUCIANA SILVA DOS SANTOS

MORFOMETRIA DE BACIA HIDROGRÁFICA COSTEIRA: um estudo de caso da sub-bacia do rio da Bicas no município de São Luís – MA

Monografia apresentada à banca examinadora do Curso de Geografia como requisito parcial para obtenção do grau de licenciatura em Geografia.

Orientadora: Profª. Ms. Quésia Duarte da Silva

São Luís 2007

Santos, Luciana Silva dos

Morfometria de bacia hidrográfica costeira: um estudo de caso da sub-bacia do rio da Bicas no município de São Luíis – MA / Luciana Silva dos Santos. – São Luís, 2007.

Monografia (Graduação em Geografia) – Universidade Estadual do Maranhão, 2007.

1. Bacia hidrográfica 2. Morfometria 3. Rio da Bicas I. Título

13 LUCIANA SILVA DOS SANTOS

MORFOMETRIA DE BACIA HIDRIGRÁFICA COSTEIRA: um estudo de caso da sub-bacia do rio da Bicas no município de São Luís – MA

Monografia apresentada à banca examinadora do Curso de Geografia como requisito parcial para obtenção do grau de licenciatura em Geografia.

Profª. Ms. Quésia Duarte da Silva (Orientadora) Universidade Estadual do Maranhão

Profª. Ms. Karina Suzana Feitosa Pinheiro Universidade Estadual do Maranhão

Prof°. Ms. Cláudio José da Silva de Souza Universidade Estadual do Maranhão

À meus pais, Raimundo e Nazaré e meus irmãos, Fabiano e Ronaldo pelo apoio incondicional em todos os dias de minha vida.

Agradeço primeiramente a Deus, pois sem sua permissão nada é possível.

Agradeço também a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para a execução deste trabalho, em especial:

À minha família por acreditarem em mim. À Profª. Quésia Duarte da Silva por sua orientação e atenção dedicada, peça chave para elaboração e execução deste trabalho.

A José Reinaldo Almeida, grande amigo e companheiro, pela imensurável ajuda e por sua constante presença nos momentos de ansiedade e aflição.

Aos colegas de turma, pela inesquecível experiência. Especialmente a

Bogéa, Jhonwilsom, Tiago, Irislene, Narja, Arthemis, Erivânia, Danieli, Adauto, Fabiana, Renato, Thatyane, Leonice, Flávio, Moisaniel, Gustavo, Luis Arthur, André e Elissandro cuja amizade é certa e sincera.

Ao Profº. Cláudio José da Silva de Souza, Profª. Marlen Barros e Silva e a

Danúbio Campos Pinheiro, pela atenção concedida.

A Magno Cardoso pela ajuda na resolução dos cálculos e esclarecimentos logísticos e Ilanna Nascimento por sua contribuição no resumo.

Aos demais mestres do curso de geografia pela partilha de conhecimento, vivência e amizade, fatores prepoderantes para minha formação.

Aos amigos próximos pelo incentivo e palavras de apoio. A todos meus sinceros votos de agradecimento.

Este trabalho analisa morfometricamente a sub-bacia do rio das Bicas e faz a descrição sobre a degradação que vitima seu perímetro, concebendo, esta, como resultado da falta de planejamento no uso do solo e descumprimento das leis que a protegem. A análise morfométrica da sub-bacia hidrográfica, através das características geomorfológicas associadas ao relevo e à rede de drenagem, permitiu a identificação das características gerais da bacia. O estudo morfométrico foi realizado em 4 (quatro) etapas. A primeira compreende a ordenação ou hierarquização da rede hidrográfica, neste estudo foi utilizado o método de Strahler (1952a). A segunda etapa trata da análise areal, que envolve diversos índices que utilizam medições planialtimétricas. A terceira, análise linear da rede de drenagem, engloba as medições efetuadas ao longo das linhas de escoamento. E a análise hipsométrica que compreende o estudo da distribuição altimétrica da área da bacia, corresponde a quarta etapa. O processo de extração dos dados foi feito de modo automático com o uso do software Spring 4.3 e também de modo convencional. Os parâmetros estudados exercem influência sobre o comportamento hidrológico e hidrodinâmico da subbacia e, em conseqüência, sobre os demais fenômenos que nela ocorrem como os processos erosivos, por exemplo. As constantes ações antrópicas ocorrentes na área, sem o devido planejamento e preocupação com a preservação do equilíbrio deste meio, fizeram com que atualmente esse sistema se encontre com elevado grau degradação. E, em decorrência desse fato grande parte das características morfométricas foram seriamente alteradas.

17 ABSTRACT

18 LISTA DE FIGURAS

de Estudo37
Figura 2 – Mapa da Rede de Drenagem da Sub-baia do Rio das Bicas60
do Rio das Bicas61

Figura 1 – Mapa de Localização da Ilha do Maranhão com Destaque para a Área Figura 3 – Ocorrência de Trechos Retilíneos na Rede de Drenagem da Sub-bacia

para a Foz62

Figura 4 – Vista Aérea da Área da Sub-bacia do Rio das Bicas com Destaque

Strahler64
Figura 6 – Mapa Hipsométrico da Sub-bacia do Rio das Bicas – 12 classes69
Figura 7 – Mapa Hipsométrico da Sub-bacia do Rio das Bicas – 6 classes70
Figura 8 – Mapa de Drenagem Atual da Sub-bacia do Rio das Bicas74

Figura 5 – Mapa de Hierarquização da Sub-bacia do Rio das Bicas segundo Figura 9 – Mapa de Uso do Solo da Sub-bacia do Rio das Bicas ........................87

19 LISTA DE FOTOS

Foto 1 – Via de acesso ao Parque Pindorama39
Foto 2 – Afluente soterrado por resíduos sólidos e sedimentos nas
imediações do Bairro Filipinho40
Foto 3 – Afluente isolado nas imediações do Bairro do Coroado41
Amazonas41
Foto 5 – Avenida dos Africanos (antiga Médici) trecho próximo ao Coroado42
Foto 6 – Ecossistema de manguezal na sub-bacia do rio das Bicas52
Foto 7 – Vegetação na área da sub-bacia do rio das Bicas53
Bacanga62
Foto 9 – Ocorrência de voçoroca na área da sub-bacia do rio das Bicas76
Foto 10 – Trecho do rio das Bicas impactado pelo assoreamento7
Foto 1 – Contribuinte canalizado e assoreado no bairro do Coroadinho7
Foto 12 – Contribuinte poluído e assoreado no bairro do Coroado78
Foto 13 – Vista panorâmica da ocupação da área da sub-bacia80
Foto 14 – Palafitas sobre o leito do rio principal80
Foto 15 – Aterramento e ocupação sobre o leito do rio das Bicas81
Foto 16 – Derramamento de efluentes líquidos no rio principal82
trechos da sub-bacia do rio das Bicas83
Foto 17 – Despejo de esgoto no bairro Salinas84

Foto 4 – Avenida dos Africanos (antiga Médici) trecho próximo ao Parque Foto 8 – Lago do Bacanga, local de encontro do rio das Bicas com o rio Foto-mosaico – Flagrantes do despejo direto de resíduos sólidos em diversos Foto 18 – Despejo de esgoto no Parque Timbiras ................................................84

20 SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO10
2 MATERIAIS E MÉTODOS14
3 O ESTUDO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS19
3.1 Conceito e Classificação19
3.2 A Análise Morfométrica24
3.3 Relações entre Análise Morfométrica e Degradação Ambiental32
4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO35
4.1 Localização Geográfica36
4.2 Breve Histórico da Área38
4.3 Características Geoambientais42
4.4 Legislação56
resultados e análise dos dados59
BICAS E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DA ÁREA75
7 CONCLUSÃO8

21 1 INTRODUÇÃO

O crescimento urbano acelerado e principalmente não planejado das cidades, característica típica do século X, constitui uma das principais causas da degradação ambiental1. Os impactos ambientais2 resultantes deste fenômeno são os mais diversos e geram conseqüências graves ao meio, dentre as quais se destacam a deterioração de bacias hidrográficas, cujos efeitos afetam diretamente a sociedade. Inundações, enchentes, poluição hídrica, assoreamento, entre outros acontecimentos relacionados, tornaram-se atualmente temas de debate e pesquisa em diversos campos científicos, dentre eles, a Geografia.

No Maranhão, em particular no município de São Luís, o quadro não é diferente. As bacias hidrográficas do rio Anil e do rio Bacanga, inseridas por completo no cenário urbano do município, sofrem até hoje alterações ambientais3 diversas. Estas, vão desde o despejo do lixo doméstico das comunidades ribeirinhas ao lançamento de esgoto in natura de bairros inteiros e em diversos trechos ao longo dos rios, o que consequentemente prejudica todo e qualquer desenvolvimento biótico, ocasionando ainda a deterioração da paisagem4.

A sub-bacia do rio das Bicas, principal contribuinte do rio Bacanga, há décadas vem sofrendo degradação ambiental originada do uso e ocupação inadequados do solo. Até a década de 1950, esta sub-bacia era composta por drenagens que penetravam em diversos bairros da cidade, tais como: COHEB, Sacavém, Parque Timbiras, Parque dos Nobres, Pindorama, Coroado, Coroadinho e

1 Degradação ambiental é a degradação do ambiente em conseqüência da ação antrópica realizada sem considerar os limites e leis naturais. A degradação ambiental é mais abrangente e engloba a extinção de espécies vegetais e animais, poluição dos solos, a poluição de nascente de rios, córregos, lagos, lagunas e baías, o assoreamento e outros impactos prejudiciais tanto ao meio quanto ao próprio homem (GUERRA & GUERRA, 1997). 2 Impactos Ambientais é considerado “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causado por qualquer forma de materia ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetem: a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos minerais” (Resolução CONAMA 001, de 23/01/1986, art. 1º, apud

BASTOS & ALMEIDA, 2000, p. 78). 3 Considera-se alterações ambientais toda e qualquer modificação no meio ou em um de seus elementos, que venha a resultar em desequilíbrio no seu desenvolvimento. 4 Paisagem é a componente do espaço geográfico que está restrita ao campo do visível (SANTOS, 1999).

parte do Bairro de Fátima. Essas localidades eram beneficiadas pelo transporte fluvial, pela pesca, satisfatória até então e pela coleta de crustáceos. Além disso, o adensamento populacional, a construção da Avenida Médici (Avenida dos Africanos) e da barragem do Bacanga, juntamente com as diversas obras de aterro, tanto executadas por moradores como pelo poder público, causaram grandes alterações neste ambiente.

A mata ciliar foi desmatada, principalmente na margem direita do rio das

Bicas, devido à construção da avenida nesta parte da área da sub-bacia e ao aumento populacional que veio a ocorrer posteriormente, provocando grandes perdas na comunidade florística e faunística. O estrangulamento de igarapés e o assoreamento causaram redução no volume das águas inviabilizando a navegação; o alto índice de poluição hídrica proveniente de esgotos domésticos, lixo e outros coloca em risco a saúde da comunidade local, principalmente no que se refere a proliferação de doenças de veiculação hídrica, dentre elas verminoses, esquistossomose e amebíase. Infelizmente, esta triste e comum realidade é menosprezada pelas autoridades competentes em virtude de leis ambientais falhas, ausência de cobrança dos órgãos responsáveis, que não cumprem seu papel de fiscalizadores e não administram o problema com a seriedade e profundidade necessários.

A história da sociedade confunde-se com a história dos rios, e grande é a dependência do homem para com esse recurso natural, em função da oferta e facilidade na obtenção de seus recursos, por suas diversas utilizações no cotidiano e por seu papel de mediador no processo de transformação da paisagem. A contribuição dos rios se dá ainda na esculturação do modelado terrestre, em que se apresenta como elemento ativo. Diante disso, fez-se necessário entender suas características e mecanismos, a fim de conduzir as ações humanas de maneira mais eficiente, de forma a legitimar a produção do espaço geográfico. Dada a sua imensurável importância os rios são alvo de diversos estudos.

A análise morfométrica que em Geomorfologia consiste em processos “sistemáticos e racionais, cuja preocupação é a de “medir as formas do relevo”, ou seja, a geometria das bacias de drenagens” (HORTON, 1945 apud SOUZA, 2005. p.

48), é um importante instrumento para o estudo de bacias hidrográficas, pois demonstra seus elementos físicos, caracteriza seus aspectos homogêneos, pode servir como fator no controle do comportamento hidrológico e ainda por embasar conclusões sobre os efeitos da intervenção humana neste sistema.

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