Utilização de produtos alternativos aos químicos no controle de pragas associadas à queda de frutos do coqueiro

Utilização de produtos alternativos aos químicos no controle de pragas associadas...

Marcone César Mendonça Chagas

Maria Fátima Pinto Barreto José Francisco S. Sobrinho Ernesto Espínola Sobrinho

Natal-RN 2005

Introdução

SintomasdeAtaqueeDanos

Dentre os fatores condicionantes à baixa produtividade dos pomares de coco na região nordeste, destacam-se os danos provocados por insetos-praga e ácaros, sobretudo aqueles associados à queda de frutos do coqueiro, quais sejam, ácaro-da-necrose -dos-frutos, , traça-dos-frutos, ( ) e o gorgulho-dos-frutos, . Estas pragas têm em comum o mesmo nicho alimentar cujo desenvolvimento dá-se sob as brácteas, preferencialmente, dos frutos novos.

Os danos provocados por essas pragas pode inviabilizar a exploração comercial do coqueiro quando nenhuma medida de controle é adotada, independente do manejo cultural praticado pelo produtor. Todas as pragas referidas danificam os frutos causando a sua queda (Figura 1a). Os danos das lagartas da traça iniciam-se a partir das flores femininas e pode se estender aos frutos maiores com até 120 dias (Figura 1d, e, f). Os ácaros não são visíveis a olho nu. Instalam-se em grandes colônias, em frutos de tamanho equivalente “a um ovo de galinha” danificando a superfície à medida que os frutos crescem. Seus sintomas correspondem à necrose (queima) dos frutos e são percebidos em frutos de todas as “idades” (Figura 1b, c). O gorgulho provoca danos semelhantes aos da traça. O seu ataque está muito associado à presença datraçae/oudoácarodanecrose(Figura1g,h,i).

Os efeitos adversos advindos do uso abusivo de agroquímicos poderão ser atenuados com a utilização de produtos naturais extraídos de plantas e/ou fontes minerais devida algumas características benéficas relativas à seletividade, baixa toxicidade para o homem e eficiência no controledeváriasespéciesdeácaroseinsetos-pragas.

Aceria guerreronis Atheloca subrufella Hyalospila ptychis Parisoschoenus obesulus

Nessa linha de controle de pragas destaca-se, na região, o resultado positivo de pesquisa utilizando-se produtos alternativos aos químicos com vistas ao estabelecimento de um programa de manejo do ácaro-danecrose-dos-frutos, da traça-dos-frutos e do gorgulho-dos-frutos, com especial atenção ao incremento da produtividade sem, no entanto, afetar ohomemeoambiente(Quadros1e2).

Os bons resultados de produtividade do coco advindos do controle dasreferidaspragascomoempregodeóleovegetal,quandocomparado aos obtidos com agroquímicos reforçam o potencial inseticida/acaricida registrado na literatura. A utilização de produtos alternativos tais como óleo de algodão (1,5%) + detergente neutro (1%) ou óleo mineral (1,5%) proporcionam uma produtividade superior a 260 frutos/planta/ano em pomares a partir do terceiro ano de produção. Esta produtividade é equivalente àquela obtida com o controle químico, com redução dos custosdecontrolesuperiora 70%.

Figura 1a - Queda de frutos decorrente do ataque das pragas. b, c - Danos do ácaro da necrose dos frutos. d, e, f - Danos provocados pelo ataque da traç dos frutos. g, h, i - Danos ocasionados pelo gorgulho dos frutos do coqueiro.

ComoControlarasPragas

Utilizando-se a formulação de óleo de algodão (1,5%) + detergente neutro (1%), e caso o produtor disponha de um pulverizador com capacidade para 20 litros, serão necessários 300 ml do óleo e 200 ml do detergente misturados em 19,5 litros de água. Sugere-se a aplicação de 1,0 a 2,0 litros por planta. O volume do produto a ser utilizado dependerá dograudeinfestaçãodaspragaseidadedasplantas.

As primeiras aplicações poderão ser espaçadas de três semanas (21 dias), considerando uma situação de alta infestação das pragas. A partir do terceiro mês do início do controle, o intervalo das pulverizações poderá ser ampliado para até seis semanas (42 dias), uma vez que as populações das referidas pragas caem a níveis toleráveis.

Por ocasião das aplicações do produto, recomenda-se dirigir o jato do pulverizador para a coroa das plantas (metade superior da área central das plantas) (Figura 2). Dessa forma consegue-se uma boa cobertura dos frutosnovosemaioreconomianaaplicação.

Área a ser pulverizada

Figura 2. Local indicado para pulverização.

Quadro 1. Sugestão de produtos para o controle das pragas, com respectivasdosagens.

Figura 2. Produção média de frutos de coco (frutos/cacho) proveniente de setecolheitas/plantanoperíododedozemeses.

Quadro 2. Análise econômica da produção de coco verde submetida a diferentes tipos e épocas de controle das pragas associadas à quedadosfrutos

Composição/Dosagem

[litro/100 litros d’água] Óleo mineral (1,5)

Químico1 Óleo de soja (1,5) + detergente neutro (1,0)

Óleo de algodão (1,5) + detergente neutro (1,0)

Detergente neutro (1,0) Testemunha (sem controle)

1 Seqüência de três pulverizações alternadas por produto na seguinte ordem: Pyridaben 75 ml; Azocyclotin 75 ml

Químico Óleo algodão +d eterg.

Óleo mineral Óleo soja + deterg.

Detergente Sem controle P r o d u ção m é d i f r u t o s/ cach

Período Aplicações Receita Margem Tempo por ano Aplicação Anual (R$) Coco Atividade

Produto Produção Média

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