Principais doenças da fruta-do-conde (ata) no cerrado

Principais doenças da fruta-do-conde (ata) no cerrado

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ISSN 1517 - 0187 CIRCULAR TÉCNICA Nº 16

Nilton Tadeu Vilela Junqueira

Denise Vilela Resende Santiago Alberto Carlos de Queiroz Pinto Renata da Costa Chaves

Circ. téc - Embrapa CerradosPlanaltinan. 16p.1-33jun. 2001 ISSN 1517-0187

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Cerrados Ministério da Agricultura e do Abastecimento

Nilton Tadeu Vilela Junqueira

Denise Vilela Resende Santiago Alberto Carlos de Queiroz Pinto Renata da Costa Chaves

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CIP-Brasil. Catalogação-na-publicação. Embrapa Cerrados.

© Embrapa 2001

Junqueira[et al.]. - Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2001.

1. Fruta-do-conde - doença . 2. Fruta-do-conde - cerrado. I. Junqueira, Nilton Tadeu Vilela. I. Série.

634.41 - CDD 21

RESUMO5
ABSTRACT5
INTRODUÇÃO6
ANTRACNOSE6
PODRIDÃO-DE-RAÍZES9
PINTA-PRETA12
PODRIDÃO-SECA-DO-FRUTO OU PODRIDÃO-PRETA14
PODRIDÃO-SECA-DA-HASTE17
MURCHA-DE-PHYTOPHTHORA19
CANCROSE21
RUBELOSE25
QUEIMA-DO-FIO27
DOENÇAS DE MENOR IMPORTÂNCIA28
Tombamento das mudas ou damping-off28
Manchas-de-Cylindrocladium28
Manchas-de-alga29
Cercosporiose29
Nematóides30
DOENÇAS NÃO-INFECCIOSAS31
Rachadura dos frutos31
Deformação do fruto31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS32

Circ. téc. - Embrapa Cerrados, Planaltina, n. 16, p.1-3, jun. 20015

Nilton Tadeu Vilela Junqueira¹; Denise Vilela Resende Santiago²; Alberto Carlos de Queiroz Pinto3; Renata da Costa Chaves4.

RESUMO - Várias doenças acometem a fruteira-do-conde no Bioma Cerrado. A maioria reduz a produtividade, deprecia o valor comercial dos frutos ou mata as plantas. As principais doenças são: a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), cancrose (Albonectria rigidiuscula), mancha-preta-das-folhas (Coniothyrium sp.), rubelose (Corticium sp.), podridão-de-raízes (Phytophthora spp., Cylindrocladium clavatum) e o nematóide Radopholus similis. Nesta publicação, descrevem-se os sintomas e os métodos de controle de cada doença.

Termos para indexação: Annona squamosa, manejo de doenças, podridãode-raízes, pinta-preta, cancrose, rubelose.

DISEASES OF SUGAR APPLE (Annona squamosa L.) CULTIVATED IN BRAZILIAN CERRADOS

ABSTRACT - Several diseases infect the sugar apple plantations in the Brazilian Cerrados. Most of them reduce the yield, decrease the commercial value of the fruits or kill the fruit trees. The main diseases are the anthracnose (Colletotrichum gloeosporioides), trunk canker (Albonectria rigidiuscula), leaf black spot (Coniothyrium sp.), pink disease (Corticium sp.), roots rot (Phytophthora spp. Cylindrocladium clavatum) and the nematode Radopholus similis. The symptoms and methods of control for each disease are presented.

Index Terms: Annona squamosa, diseases managements, pink disease, root rot leaf black spot, trunk canker.

1Eng. Agrôn., Ph.D., Embrapa Cerrados, junqueir@cpac.embrapa.br 2Eng. Agrôn., Ph.D., Departamento de Fitopatologia, Universidade de Brasília,

CEP 70919-900, Brasília, DF. 3Eng. Agrôn., Ph.D., Embrapa Cerrados, alcapi@cpac.embrapa.br 4Bolsista do CNPq - Estudante de Agronomia da FAV - UnB.

6Circ. téc. - Embrapa Cerrados, Planaltina, n. 16, p.1-3, jun. 2001

Várias doenças podem afetar as folhas, ramos, raízes, flores e frutos da fruteira-do-conde (Annona squamosa L.) em diferentes etapas do seu desenvolvimento. De maneira geral, as de maior importância nas áreas produtoras do Brasil são causadas por fungos e nematóides. A antracnose, seguida pela cancrose e podridão-de-raízes, causa prejuízos expressivos nos pomares do mundo (Cook, 1975). Não são relatados grandes perdas decorrentes da incidência de bactérias ou vírus que são outros grupos de microrganismos causadores de doenças. O perfeito reconhecimento e a distinção dos sintomas, provocados pelos diferentes organismos causadores, sua distribuição nas regiões produtoras, seus danos, bem como as condições mais favoráveis ao seu aparecimento são informações fundamentais para o estabelecimento de um programa de controle integrado que resulte na produção de frutos de alta qualidade.

Sabe-se que, tanto para o mercado in natura como para industrialização, somente os frutos de alta qualidade, livres de pragas, doenças e distúrbios fisiológicos são aceitos em novos mercados. É importante ressaltar que os defensivos agrícolas citados neste documento, embora sejam eficazes no controle de doenças e pragas dessas culturas, ainda não estão registrados no Ministério da Agricultura e do Abastecimento para uso em anonáceas.

A seguir, são descritas as principais doenças e os respectivos agentes causais que acometem a fruta-do-conde desde a sementeira até a pós-colheita.

A antracnose (Colettotrichum gloeosporioides Penz.) ou podridão-negra-dos-frutos é considerada a moléstia mais importante da fruteira-do-conde, chegando a provocar até 70% de perdas de frutos quando as chuvas são prolongadas durante a floração e a formação de frutos. Ocorre em todos os países que cultivam anonáceas. Incide, preferencialmente nos tecidos jovens de folhas, ramos, flores e frutos.

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Sintomas

Nas folhas, os sintomas da moléstia são caracterizados por manchas de coloração pardo-escura ou preta, com o centro mais claro, de contorno irregular, distribuída pelo limbo foliar. As folhas ficam deformadas e, em ataques mais severos, desfolham. As lesões, inicialmente, são pequenas, mas com o passar do tempo, podem atingir mais de um centímetro em diâmetro. Nos ramos, são encontradas lesões alongadas e deprimidas que podem provocar a morte dos ponteiros.

Nas flores, aparecem manchas circulares, de coloração castanho-escura (Figura 1) que impedem o vingamento e provocam quedas expressivas.

Figura 1. Antracnose em flores.

8Circ. téc. - Embrapa Cerrados, Planaltina, n. 16, p.1-3, jun. 2001

Os frutos podem ser atacados em qualquer estádio de desenvolvimento. Nos jovens, surgem escurecimento de toda a superfície, queda e mumificação. Nos desenvolvidos que estão iniciando seu amadurecimento ou nos maduros, causa podridão escura de rápida evolução (Figura 2), inutilizando-o para o consumo ou para comercialização (Ribeiro, 1992; Freire & Cardoso, 1997; Morales & Manica, 1998).

Etiologia

A doença é causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides Penz. que na forma perfeita ou teleomorfa, corresponde ao fungo Glomerella cingulata (ston.) Spauld e Scherenk. Esse fungo sobrevive de um período ambiental favorável para outro em ramos secos, lesões antigas, frutos e partes afetados remanescentes no chão ou na planta, sobre os quais esporula quando há calor e umidade. A disseminação é feita principalmente pelo vento e por respingos de chuva. A umidade é o principal fator determinante da gravidade da doença. Longos períodos de chuva e de dias nublados, bem como o orvalho noturno intenso

Figura 2. Antracnose em folhas e fruto.

Circ. téc. - Embrapa Cerrados, Planaltina, n. 16, p.1-3, jun. 20019 são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença. Alta umidade, aliada a temperaturas noturnas de 20ºC a 24 ºC, adubações inadequadas da planta ou ataque de pragas, favorece a doença que se encontra disseminada em todas as regiões produtoras de fruta-do-conde e de outras anonáceas.

Controle

-Eliminar galhos secos e frutos mumificados do pomar;

-Fazer podas periódicas para tornar as copas mais abertas e mais ventiladas;

-Fazer pulverizações preventivas com fungicidas à base de oxicloreto de cobre (2 g/litro) intercalado com mancozeb (2 g/ litro) ou benomil (0,6 g/litro) a intervalos semanais durante o período chuvoso e, se necessário, a cada 20 ou 30 dias durante o período da seca. É importante ressaltar que a primeira pulverização deve ser feita a aproximadamente 15 dias do início da florada. Os fungicidas à base de cobre não devem ser aplicados durante a florada uma vez que podem provocar quedas intensas de flores e frutos, sobretudo, se aplicados nas horas mais quentes do dia. Outros fungicidas como tiabendazol, clorothalonil e tiofanato metílico também são eficazes.

Também conhecida como podridão-do-colo, a podridão-deraízes (Rhizoctonia solani, Pythium sp. Phytophthora spp., Cylindrocladium clavatum) é uma doença de grande expressão econômica no Estado de São Paulo e no Distrito Federal, Minas Gerais e Goiás. No Cerrado, há pomares que foram totalmente destruídos pela podridão-de-raízes. Essa doença afeta o colo e as raízes das plantas que acabam morrendo. No Nordeste, ainda não representa problema fitossanitário importante visto que sua ocorrência está restrita a determinadas condições climáticas e de produção de mudas que favorecem seu aparecimento.

10Circ. téc. - Embrapa Cerrados, Planaltina, n. 16, p.1-3, jun. 2001

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