Clorose Variegado dos Citros - CVC

Clorose Variegado dos Citros - CVC

O que é a CVC

Aclorose variegada dos citros (CVC), também conhecida como amare- linho, é causada pela bactéria

Xylella fastidiosa que, depois de instalada na planta, se multiplica e obstrui os vasos do xilema, responsáveis por levar água e nutrientes da raiz para a parte aérea.

A obstrução causa sintomas típicos, entre eles, a diminuição do tamanho do fruto, podendo tornálo inviável para consumo.

A CVC foi identificada no Brasil em 1987, no Norte de São Paulo.

Hoje atinge todas as variedades de citros comerciais e está em todas as regiões, com intensidades diferentes.

A Xylella fastidiosa é transmitida por 1 espécies de cigarrinhas. Por sucção, elas se alimentam da seiva que passa no xilema das plantas. Se a árvore estiver doente, a cigarrinha adquire a bactéria e a transmite às sadias. O controle da cigarrinha é um dos meios de manejo desenvolvido pelo Fundecitrus em conjunto com outras instituições de pesquisa.

O manejo de CVC inclui, além do controle da cigarrinha, o plantio de mudas sadias e poda ou eliminação de plantas doentes. Feitos em conjunto, nunca separadamente, se mostram eficientes na redução da incidência da doença. Frutos sadios ao lado de frutos de tamanho reduzido devido à CVC

O levantamento amostral realizado anualmente pelo Fundecitrus, nos meses que antecedem a colheita (junho a agosto), avalia a incidência da CVC nos pomares do Estado de São Paulo e sul do Triângulo Mineiro. Na avaliação, são consideradas a idade, variedades e as zonas de plantio.

Em 2004, não houve aumento da incidência da doença (43,84%) em relação a 2003 (43,56%). No entanto, constatou-se aumento na severidade da doença, com crescimento de 3,18% para 35,98%.

A severidade é maior em pomares com mais de 6 anos (57,65%). Na árvore que tem CVC com sintomas iniciais e não é eliminada ou podada adequadamente, a doença evolui, servindo de fonte de

Incidência de CVC nos pomares

Plantas com CVC - Incidência nos últimos anos - contaminação para outras plantas. Por outro lado, em plantas novas (até 2 anos), a incidência foi de 5,6%.

Os resultados indicam que, apesar o plantio de mudas sadias, está havendo contaminação de novos plantios, e medidas devem ser adotadas para evitar a contaminação

Levantamentos anuais mostram quadro da doença

Incidência por zona citrícola

O levantamento apontou também que a incidência é maior no norte do Estado de São Paulo e sul do Triângulo Mineiro. Isto ocorre devido a fatores climáticos e à população de vetores. Regiões de clima quente e seco são favoráveis à manifestação dos sintomas, e são as que apresentam a maior população das principais cigarrinhas transmissoras da doença.

plantas com sintomas plantas com sintomas em frutos

Sintomas

Para que as medidas de manejo sejam eficientes é preciso reconhecer os sintomas da CVC na fase inicial, quando pode ser controlada com a poda, diminuindo a incidência da doença e reduzindo a chance de transmissão.

Os sintomas começam nas folhas e se estendem para os frutos na fase mais grave da doença. No início, pode-se

A identificação precoce ajuda na recuperação da planta e pode retardar a disseminação

Conheça os sintomas

Folhas - Os primeiros sintomas se manifestam nas folhas. Aparecem pequenas manchas amareladas, espalhadas na parte lisa da folha (frente) e que correspondem a lesões de cor palha nas costas da folha. Essas manchas evoluem para lesões de cor palha nos dois lados da folha.

observar poucos ramos com frutos pequenos e em estágio avançado, toda a planta pode produzir frutos miúdos. O tempo que a doença demora para se agravar, depende das condições climáticas e do momento em que ocorreu a infecção da planta.

Ramos - Com o avanço da CVC, observa-se desfolha dos galhos mais altos da planta, locais mais atacados pelas cigarrinhas.

Os ramos deveriam ter sido podados antes de atingirem este estágio.

Frutos - Os frutos ficam pequenos, e às vezes queimados pelo sol, quando a planta está no estágio intermediário da doença.

CVC - pequenas manchas amareladas e irregulares, espalhadas na frente da folha e que correspondem a lesões de cor palha nas costas da folha.

Zinco - as manchas de deficiência de zinco são uniformes e não apresentam lesões de cor palha nas costas da folha.

É comum confundir os sintomas iniciais da CVC com outras anomalias. Veja a diferença entre as doenças.

Sarampo - os pontos amarelos que identificam o sarampo são circulares, menores e distribuídos pela folha, com lesões de cor palha nas costa da folha.

Greening Folhas mostrando o mosqueado, o sintoma mais característico da doença.

Manejo

Omanejo da CVC exige cuidados e dedicação. A ação está baseada em um tripé de medidas: muda sadia, controle de cigarrinhas e poda de ramos com sintomas ou eliminação da planta severamente atacadas. É importante ressaltar que, para obter sucesso, elas devem ser feitas em conjunto, nunca separadamente.

Além dessas medidas, é importante manter os tratos culturais exigidos pelo pomar.

Aeliminação de ramos doentes da planta é muito importante para que a CVC não se espalhe. Por isso, é recomendada a poda em árvores com mais de três anos de idade. As mais novas devem ser eliminadas porque a poda não funciona. A retirada da árvore também é indicada nos casos em que a doença atingiu o nível mais grave. Poda e eliminação das árvores evitam que elas sirvam de focos da bactéria, que pode ser espalhada pelas cigarrinhas.

Mudas sadias

Amuda é um eficiente meio de disseminação da doença. A única forma de obter garantia de sanidade é adquirir mudas de viveiros protegidos por tela à prova de insetos e que utilizam borbulhas sadias (certificadas). A CVC mudou a legislação de produção de mudas cítricas. Pela nova lei elas só podem ser produzidas em viveiros certificados, que respeitam uma série de regras sanitárias estabelecidas pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo.

Poda ou eliminação das plantas

Os passos da poda

Identificação.

Para facilitar o trabalho, o galho com sintoma deve ser identificado com uma marca. O galho deve ser eliminado o mais rápido possível ou, preferencialmente, durante a inspeção.

Poda. Depois de feita a inspeção e identificados os galhos com sintomas, deve-se iniciar a poda. Para que seja eficiente, o corte deve ser feito em uma forquilha, distante pelo menos a 70 centímetros dos sintomas.

Proteção. Nos locais que foram serrados durante a poda, faça a aplicação da pasta cúprica. Trata-se de uma proteção contra doenças causadas por fungos e bactérias.

Recomendações

•Em plantas acima de seis anos, com sintomas iniciais de frutos miúdos, a poda deve ser feita na “forquilha” do galho com sintomas.

•Plantas abaixo de três anos, com sintomas, devem ser eliminadas e substituídas por mudas sadias.

Inspeção. Inspecione o pomar para identificar ramos com sintomas da CVC, que precisam ser podados. Quanto mais cedo os sintomas forem identificados, mais eficiente será a poda. As inspeções devem ser feitas, preferencialmente, entre janeiro e julho, por ser a época em que os sintomas estão mais evidentes.

Controle de vetores

Ocontrole químico das cigarrinhas é uma das formas de prevenção. Deve ser realizado, com o auxílio

Há três formas: uso de armadilhas atrativas (amarelas), puçá e

observação visual. Em qualquer dos casos é necessário treinamento para identificar as cigarrinhas que transmitem a doença. O número de plantas inspecionadas, na observação visual, deve corresponder a 1% ou 2% do pomar, em locais bem definidos. Escolha plantas que apresentam vegetação intensa ou replantas, que são as preferidas pelas cigarrinhas.

Ocontrole químico deve ser feito quando for constatado 10%

das plantas de um talhão com cigarrinhas, independente da espécie. Faça o controle até as plantas atingirem 6 anos. Em talhões mais velhos que estão próximos a novos, são aconselhados monitoramentos e pulverizações períodicas. O mesmo se recomenda para locais próximos a matas naturais e baixadas.

de monitoramentos periódicos, prefencialmente na primavera e verão, período em que a população de cigarrinhas aumenta.

Monitoramento

Controle

•Em plantas com até três anos de idade, pode-se aplicar inseticidas sistêmicos no início e final do período das águas, e inseticidas de contato durante a seca.

•Se optar pela utilização somente de inseticidas de contato no controle do

O inimigo

OFundecitrus e a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” identificaram 1 espécies de cigarrinhas transmissoras da CVC. As mais eficientes são as mais comuns: Oncometopia facialis, Dilobopterus costalimai e Acrogonia citrina. Elas preferem se

Reconheça as cigarrinhas transmissoras alimentar em brotações novas. A Bucephalogonia xanthophis é mais encontrada em mudas novas. Já a Plesiommata corniculata, Macugonalia leucomelas, Ferrariana trivittata e Sonesimia grossa preferem gramíneas para se estabelecerem e raramente são encontradas em citros.

vetor, recomenda-se aplicações mensais no período das águas e, a cada dois meses, durante a seca.

•Se os pomares forem mais velhos, recomenda-se fazer as aplicações com base na população de cigarrinhas.

e eliminar os inimigos naturais que, sozinhos, são responsáveis pelo controle de 40% da população de cigarrinhas .

As pulverizações devem ser criteriosas. O uso indiscri- minado de produtos químicos pode causar surtos de pragas secundárias

Recomendação primavera verªo

outono inverno

População é maior na primavera/verão

Época de incidência

Oncometopia facialis

Encontrada facilmente em ramos eretos e dificilmente nos ramos novos. Suga grande quantidade de seiva, mas grande parte é eliminada. A seiva eliminada forma manchas brancas nos ramos que auxilia na identificação da presença da cigarrinha. 1,3% de eficiência de transmissão

Acrogonia citrina

Prefere folhas tenras e de cor verde clara que ficam na parte superior da planta. Na época de postura dos ovos, as fêmeas têm bolsa de cera branca sob as asas. 2,3% de eficiência de transmissão

Plesiommata corniculata

É uma cigarrinha que vive em mato e muito observada em gramíneas. Raramente é vista em citros e tem baixa eficiência de transmissão da Xylella fastidiosa. 2,9% de eficiência de transmissão

Dilobopterus costalimai Alimenta-se de brotações e folhas novas. Seus ovos são depositados de forma isolada sob a epiderme e ao longo das nervuras de folhas novas. 5,5% de eficiência de transmissão

Bucephalogonia xanthophis

Predomina em viveiros abertos e pode ser encontrada em plantas novas ou em replantas do talhão. Pode ser capturada em mato. Tem a ponta da asa transparente. 12,8% de eficiência de transmissão

Parathona gratiosa

A principal característica é a mancha clara nas asas, cobertas de pintas amarelas, e tem cabeça e corpo de coloração amarelada. Ela prefere plantas cítricas. 2,8% de eficiência de transmissão

Macugonalia leucomelas

Prefere gramíneas, mas pode ser encontrada em plantas cítricas. Apresenta grande diversidade de cores. As asas, em tom escuro, têm manchas amarelas ou brancas. 17,3% de eficiência de transmissão

Sonesimia grossa

Uma das maiores cigarrinhas que habitam o mato e chega a 1 cm de comprimento. É marrom com tons claros nas pernas e duas faixas escuras na cabeça. É raro encontrá-la em citros. 1,2% de eficiência de transmissão

Homalodisca ignorata Parecida com a Oncometopia facialis, é encontrada nos mesmos locais e épocas do ano, mas é menos abundante. A diferen ça é a coloração creme do corpo. 0,5% de eficiência de transmissão

Acrogonia virescens

Vive principalmente nas plantas cítricas. A coloração das asas é de um verde intenso, contrastando com o amarelo do corpo e das pernas. 0,3% de eficiência de transmissão

Ferrariana trivittata Ocorre em matos no pomar, principalmente gramíneas. Atraída pela luz, é vista sob postes de iluminação ou em residências. Uma das mais bonitas, tem asas com faixas azuladas e alaranjadas. 1,9% de eficiência de transmissão

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Créditos: Esse manual contou com a consultoria de Antonio Juliano Ayres, Pedro Takao Yamamoto e Silvio Lopes do Fundecitrus.

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