guia de segurança em laboratorio para o ensino da quimica

guia de segurança em laboratorio para o ensino da quimica

(Parte 3 de 12)

A instalação de coifas ou capelas deve ser convenientemente situada para assegurar que as operações perigosas não sejam desenvolvidas em bancadas abertas. As operações que envolvam risco de incêndio ou explosão ou possam liberar gases e vapores tóxicos, corrosivos ou agentes biológicos patogênicos devem ser sempre conduzidas em capelas próprias para cada caso.

No projeto do laboratório, as capelas devem estar em locais afastados das portas e saídas de emergência, e também de locais de trânsito intenso de pessoas, pois podem fazer com que os contaminantes sejam arrastados de dentro da capela pelo deslocamento de ar, assim como podem dificultar a evacuação da área, se necessário.

É desejável que os laboratórios tenham, no mínimo, dois meios de saída.

Quando da definição da posição das capelas, deve-se tomar o cuidado de garantir que na ocorrência de um acidente as capelas não bloqueiem as saídas do laboratório.

2.2.6.2 Manutenção e testes das capelas

As capelas devem sofrer avaliação de desempenho, no mínimo uma vez por ano. A verificação deve incluir:

• Medição da velocidade facial do ar, que deve estar em torno de 0,4 a 0,5 m s-1 (18) ;

• Sistema de iluminação, que deve estar em perfeito estado de conservação (lâmpadas queimadas devem ser trocadas imediatamente)

• Vedações e outros dispositivos devem ser inspecionados no tocante à corrosão e vazamento;

• Nível de ruído, que deve ser mantido em até 85 decibéis, para uma exposição diária máxima de 8h (13);

• Nas capelas com janelas verticais (guilhotina), os cabos e roldanas dos contrapesos devem ser verificados com respeito a danos ou corrosão;

• Limpeza dos dutos e o adequado funcionamento do sistema de exaustão.

2.2.6.3 Considerações sobre o uso das capelas

As propriedades do fluxo de ar e qualidade da proteção conferidas por uma capela são invariavelmente afetadas pela maneira como esta é utilizada. Para maximizar a proteção oferecida, o usuário do laboratório deve considerar o seguinte:

• Para que os contaminantes sejam removidos com maior eficiência, o sistema de circulação do ar da capela não deve ser obstruído por vidrarias, frascos ou qualquer objeto/equipamento desnecessário ao trabalho.

• Equipamentos de grandes dimensões colocados próximos à entrada da capela causarão variações significativas no fluxo de ar. Em geral, deve-se colocar tais equipamentos recuados do fundo da capela, sobre um suporte, para permitir a passagem do ar pela parte inferior do equipamento e garantir o bom desempenho.

Deve ser evitado o armazenamento perene na capela de substâncias que podem estar emitindo continuamente contaminantes tóxicos, já que o mau funcionamento ou falta de energia elétrica fará com que os contaminantes adentrem ao laboratório.

São salas ou áreas do laboratório onde estão localizados fornos, muflas, capelas, estufas e maçaricos. Além da temperatura elevada, nestes locais há maior probabilidade da ocorrência de explosões, incêndios, ou mesmo intoxicações. Devido a esses fatores, os usuários devem ser alertados quanto alto risco de acidentes e orientados a não manusear produtos inflamáveis nessas áreas.

É importante lembrar que, em grande parte dos laboratórios de ensino, os bicos de bunsen ficam distribuídos ao longo de todas as bancadas, ampliando o conceito e os cuidados de “área quente” para toda a instalação, dependendo do trabalho realizado na aula em questão.

De acordo com a disposição ou colocação das bancadas no laboratório, pode-se classificá-las em quatro tipos:

• “Ilha” – geralmente se encontra no centro da sala, com os usuários em sua volta. É totalmente isolada e quase sempre tem pias nas extremidades e uma prateleira central.

• “Península” – possui um de seus lados acoplado a uma parede e dessa forma deixa três lados para uso dos usuários.

• “Parede” – está totalmente anexada a uma parede, deixando apenas um de seus lados para os usuários. É quase sempre usado para estufas, muflas, balanças, potenciômetros, entre outros.

• “U” – é uma variação do tipo “ilha”, sendo mais utilizada para colocação de aparelhos, tais como cromatógrafos, permitindo ao laboratorista o acesso fácil à parte traseira desses aparelhos para refazer ou modificar conexões e pequenos reparos.

Considerando o disposto nas NRs 8 e 17, do MTE, que estabelecem normas sobre Edificações e Ergonomia, respectivamente, bem como literaturas técnicas consultadas, recomenda-se que as bancadas:

• Sejam constituídas de material rígido para suportar o peso de materiais e equipamentos (1);

ranhuras e resistentes a substâncias químicas. (14)

• Tenham a superfícies revestidas com materiais impermeáveis, lisos, sem emendas ou

Obs. Devem ser resistentes a possíveis derramamentos de reagentes, aos solventes orgânicos, ácidos, álcalis e produtos químicos usados para a descontaminação da superfície de trabalho e dos equipamentos, bem como a calor moderado. As opções mais utilizadas no mercado são granito e fórmica® ou similar.

• Possuam profundidade aproximada de 0,70 m, altura aproximada de 0,90m, para trabalhos que exijam posição de pé, e de 0,75m, para trabalhos que exijam posição sentada (9);

• Possuam cubas com profundidades adequadas ao uso, com o mínimo de 0,25m (9).

Orienta-se, ainda, prever um espaço de aproximadamente 0,40m entre bancadas laterais e a parede e, também, no meio das bancadas centrais, a fim de permitir a instalação e manutenção de utilidades e evitar corredores muito extensos e sem saídas, para não criar áreas de confinamento.

Outros apoios, como prateleiras superiores, castelos, racks e volantes para colocação de materiais de pequeno volume e peso, devem ser utilizados apenas durante a realização dos procedimentos laboratoriais e para disponibilizar soluções de uso continuo.

Para evitar ofuscamentos e cansaço visual, as bancadas devem receber iluminação de forma que os raios de luz incidam lateralmente em relação aos olhos do usuário do laboratório, e não frontalmente, ou em suas costas.

As cadeiras, mesas, prateleiras e outros componentes do mobiliário devem atender aos conceitos de funcionalidade e ergonomia, de acordo com a NR-17, do MTE (14).

A quantidade de móveis no laboratório de ensino deverá ser a mínima necessária para atender a proposta pedagógica da escola. Os móveis devem ser dispostos de modo a não comprometer a circulação dos usuários e manterem corredores com largura mínima de 1,5 m.

2.2.10 Instrumentos e materiais auxiliares

Como a legislação consultada não estabelece qual a infra-estrutura mínima para funcionamento de um laboratório de ensino, o responsável por sua implantação e manutenção deverá definir quais os equipamentos e materiais mínimos para sua operação, levando-se em consideração a finalidade para a qual se destina.

De acordo com sugestões apresentadas por profissionais com grande vivência no ensino de Química, foi elaborada uma relação contendo a estrutura mínima para funcionamento de um laboratório de Ensino Técnico em Química (Anexo A).

3 SEGURANÇA

3.1 Sinalização

O fluxo de saída e circulação de pessoal deve estar sinalizado de acordo a NR- 26, do MTE (16).

O Mapa de Risco do laboratório deve ser elaborado de acordo com o anexo IV, da NR-5, do MTE, regulamentado pela Portaria nº. 25, de 29 de dezembro de 1994 (17) e ser fixado no local de trabalho para dar conhecimento dos riscos envolvidos no local.

Dentro de um programa institucional de biossegurança, a sinalização é uma das primeiras ações a serem desenvolvidas pelos profissionais responsáveis. O emblema internacional indicando o risco biológico deve estar afixado nas portas de acesso aos laboratórios para restringir o acesso ao laboratório e inibir a entrada de pessoas que não tenham relação direta com o trabalho ali desenvolvido.

Os laboratórios químicos devem seguir as normas de sinalização por cores, que servem para identificação de equipamentos de segurança, delimitação de áreas de risco e canalizações empregadas para a condução de líquidos e gases, conforme Tabela 1.

Sempre que for necessária a identificação por cores, esta deve ser acompanhada por sinais convencionais ou palavras.

3.1.1 Sinalização de Segurança

Os sinais de aviso devem possuir as seguintes características intrínsecas, conforme demonstrado na Figura1.

• Forma triangular;

• Pictograma negro sobre fundo amarelo, margem negra (a cor amarela deve cobrir pelo menos 50% da superfície da placa).

3.1.2 Formas de Sinalização

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