Maracujá: Produção, pós-colheita e mercado

Maracujá: Produção, pós-colheita e mercado

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11ª SEMANA INTERNACIONAL DA FRUTICULTURA, FLORICULTURA E AGROINDÚSTRIA 13 a 16 de setembro de 2004 – Centro de Convenções Fortaleza – Ceará – Brasil

Copyright © FRUTAL 2004 Exemplares desta publicação podem ser solicitados à: Instituto de Desenvolvimento da Fruticultura e Agroindústria – Frutal Av. Barão de Studart, 2360 / sl: 1305 – Dionísio Torres Fortaleza – CE CEP: 60120-002 E-mail: geral@frutal.org.br Site: w.frutal.org.br Tiragem: 150 exemplares EDITOR INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DA FRUTICULTURA E AGROINDÚSTRIA – FRUTAL DIAGRAMAÇÃO E MONTAGEM PEDRO MOTA RUA HENRIQUE CALS, 85 – BOM SUCESSO – FONE: 484.4328/9105.5093

Os conteúdos dos artigos científicos publicados nestes anais são de autorização e responsabilidade dos respectivos autores. Ficha Catalográfica

Silva, José Rafael da.

Maracujá: Produção, pós-colheita e mercado /

Juacir João Wischneski – Fortaleza: Instituto Frutal, 2004. 7 p. 1.Maracujá – Produção. 2. Maracujá – Pós-Colheita 3. Maracujá – Mercado – Brasil. 4. Passion Fruit. I. Título. CDD 634.425

11ª SEMANA INTERNACIONAL DA FRUTICULTURA, FLORICULTURA E AGROINDÚSTRIA 13 a 16 de setembro de 2004 – Centro de Convenções Fortaleza – Ceará – Brasil

O crescimento atual do Agronegócio brasileiro se deve ao fato do alto grau de desenvolvimento tecnológico que o Brasil atravessa no campo e que o tem destacado, em nível mundial, com as maiores áreas plantadas e maiores produtividades para vários produtos agrícolas, além do significativo aumento das exportações o que tem contribuído para o saldo positivo da nossa balança comercial.

Considerando estes fatos, o INSTITUTO FRUTAL tem procurado caminhar em paralelo na sua função de Entidade de fomento tecnológico aos produtores e realizado, a cada ano no EVENTO FRUTAL, cursos técnicos com temas de interesse da classe rural destacando as mais recentes informações de cada tema escolhido.

Esta APOSTILA é fruto desta preocupação. Ela traz as informações mais recentes deste tema e corresponde ao conteúdo abordado no curso promovido por ocasião da FRUTAL 2004. Esperamos que as informações aqui contidas possam contribuir com o desenvolvimento de cada pessoa que tenha participado do curso ou que tenha adquirido estas informações para uso na melhoria de sua atividade rural.

A seleção dos temas é fruto de avaliações que realizamos durante cada evento e que serve de parâmetro para a construção da programação da Frutal seguinte. Com isto estamos procurando atender os interesses da maioria dos participantes do evento o que nos deixa convicto do acerto tendo em vista, o aumento anual de visitantes ao Frutal. Toda a Programação Técnica da Frutal é referendada por uma Comissão Técnica Cientifica, formada por membros das diversas Instituições/Órgãos/Entidades federais e Estaduais ligadas ao setor, que tem sido decisivo na qualidade deste produto oferecido aos produtores rurais de todo o país.

Vale destacar que a FRUTAL 2004 trouxe para reforçar seu aspecto tecnológico e sedimentá-lo como evento internacional e maior evento da fruticultura brasileira, dois eventos importantes internacionais: a AGRIFLOR BRASIL, que acontece pela primeira vez no Brasil e que vem acontecendo há 16 anos em 8 países e que é maior evento de Flores do mundo, promovido pela empresa holandesa HPP Worldwide que é o maior promotor de feiras de flores do mundo e o I Simpósio Internacional de Frutas Tropicais e Subtropicais com inscrição de mais de 240 trabalhos de pesquisas de pesquisadores de mais de 20 países e palestras de especialistas de 10 países.

Desejamos então, que com a publicação desta APOSTILA estejamos contribuindo com a disseminação dos mais recentes avanços tecnológicos do Agronegócio brasileiro e que sirva de instrumento para a melhoria da qualidade de vida do homem do campo.

Antonio Erildo Lemos Pontes Coordenador Técnico do Evento Frutal Diretor Técnico do Instituto Frutal

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COMISSÃO EXECUTIVA DA FRUTAL 2004

Euvaldo Bringel Olinda PRESIDENTE DA FRUTAL 2004

Idealizador da Frutal, e do SINDIFRUTA, produtor, Engenheiro Pós-Graduado em Administração e Negócios. Presidente do Instituto Frutal, Ex-diretor da PROFRUTAS – Associação dos Produtores e Exportadores de Frutas do Nordeste e do IBRAF – Instituto Brasileiro de Fruticultura e das Federações FAEC e FACIC.

Afonso Batista de Aquino COORDENADOR GERAL DA FRUTAL 2004

Engenheiro Agrônomo, Pós-graduado em Nutrição de Plantas pela Universidade Complutense de Madrid-Espanha, com especialização em Fertilidade do Solo, Extensão Rural e Marketing em Israel e Espanha. Diretor Geral do Instituto Frutal em duas gestões Coordenador Geral da Frutal desde 1998.

Antonio Erildo Lemos Pontes COORDENADOR TÉCNICO DA FRUTAL 2004

Engenheiro Agrônomo com vasta experiência de trabalho voltado para Fruticultura Irrigada, com especialização em Agricultura Irrigada por Sistema Pressurizado em Israel e Especialização em Gestão Ambiental pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR, Membro Efetivo do IBGE/GCEA do Ceará, Consultor do SEBRAE-CE na Área de Agronegócio da Fruticultura, Coordenador Titular do Nordeste no Fórum Nacional de Conselhos de Consumidores de Energia Elétrica e Coordenador Técnico da Frutal desde sua primeira edição em 1994.

11ª SEMANA INTERNACIONAL DA FRUTICULTURA, FLORICULTURA E AGROINDÚSTRIA 13 a 16 de setembro de 2004 – Centro de Convenções Fortaleza – Ceará – Brasil

Afonso Batista de Aquino INSTITUTO FRUTAL Almiro Tavares Medeiros UFC/CCA Anísio de Carvalho Júnior SENAR Antonio Erildo Lemos Pontes INSTITUTO FRUTAL Antonio Vieira de Moura SEBRAE/CE Aristides Braga Mendes INCRA César Augusto Monteiro Sobral AEAC César Bezerra de Sena AGRIPEC Cézar Wilson Martins da Rocha MAPA Daniele Souza Veras AGRIPEC Egberto Targino Bonfim EMATERCE Eleonora Silva Guazzelli DNOCS Enid Câmara PRÁTICA EVENTOS Euvaldo Bringel Olinda INSTITUTO FRUTAL Francisco Antônio Souza de Aragão EMBRAPA Francisco de Assis Bezerra Leite CREA-CE Francisco Eduardo Costa Magalhães BANCO DO BRASIL Francisco Ferrer Bezerra FIEC/INDI Francisco José Menezes Batista SRH Francisco Marcus Lima Bezerra UFC/CCA Francisco Zuza de Oliveira SEAGRI/CE Gerardo Newton de Oliveira INSTITUTO CENTEC Gilson Antônio de Souza Lima CONAB-CE Glória Ribeiro PRÁTICA EVENTOS Guido Colares Filho INSTITUTO AGROPÓLOS DO CEARÁ Jane Alves de Moraes SETUR João Nicédio Alves Nogueira OCEC/SESCOOP José de Souza Paz SEAGRI/CE José dos Santos Sobrinho FAEC/SENAR José Ferreira da Silva – Murilo CREA-CE José Ismar Girão Parente SECITECE José Luciano Sales COOPANEI José Maria Freire CHAVES S/A MINERAÇÃO E INDÚSTRIA José Maria Marques de Carvalho BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S.A Josimar Landim INCRA-CE Joviniano Silva DFA/CE Marcelo Neiva Pereira DFA-CE Marcílio Freitas CEASA Raimundo Reginaldo Braga Lobo SEBRAE-CE Ronaldo Lima Moreira Borges AEAC Viviane de Avelar Cordeiro INSTITUTO CENTEC

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1. INTRODUÇÃO7
2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA7
3. ESPÉCIES E VARIEDADES8
4. ÉPOCA DE PLANTIO9
5. ESCOLHA DA ÁREA10
6. CORREÇÃO DA ACIDEZ E PREPARO DO SOLO10
7. SEMENTES10
8. FORMAÇÃO DE MUDAS1
9. PLANTIO14
10. ESPAÇAMENTO14
1. ESPALDEIRAMENTO15
12. CONDUÇÃO16
13. ADUBAÇÃO DE FORMAÇÃO/SAFRINHA (POR PLANTA)16
14. ADUBAÇÃO DE PRODUÇÃO17
15. TRATAMENTO FITOSSANITÁRIO18
16. POLINIZAÇÃO18
17. COLHEITA18
18. MANEJO CULTURAL19
19. ANEXO20
20. BOAS PRÁTICAS DE MANEJO24
21. CUSTOS27
2. IMAGENS28
23. ROTULAGEM: O PRIMEIRO PASSO PARA MELHORAR40
24. A RASTREABILIDADE DA PRODUÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA43
25. LEI Nº 1071146
26. INSTRUÇÃO NORMATIVA68
27. ESTATUTO69
28. CURRÍCULO DO INSTRUTOR7

Sumário

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1. INTRODUÇÃO

A cultura do maracujazeiro ganhou destaque no Brasil a partir do início da década de 70, embora nos anos 50 já existissem indústrias processadoras e envasadoras de suco de maracujá.

A crescente importância deste cultivo seja pelo incremento de área plantada como pela abertura de novos mercados, tem sido acompanhada, nos últimos 10 anos, pela divulgação de resultados de experimentos e destinação de novas verbas para pesquisas, possibilitando ao fruticultor, a obtenção de um cabedal de conhecimentos que diminuam o risco desta atividade produtiva, tornando-a mais previsível, obedecidas às leis de mercado. Ainda assim muitas perguntas permanecem sem respostas, pois não são muitos os grupos de pesquisadores que se dedicam a essa Passiflorácea, além do que as conhecidas e enormes diferenças regionais, necessitam de tratamentos diferenciados, o que significa a formação de grupos locais visando à adaptação e a criação de novas tecnologias.

Assim, nesse pequeno manual divulgamos resumidamente, tópicos do manejo da cultura, obtida ao longo de 19 anos de prática, para as condições do Triângulo Mineiro, sudeste goiano, norte e noroeste fluminense e sudoeste baiano.

2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

As estatísticas disponíveis mostram um crescimento acentuado da área plantada e da produção de maracujá no Brasil, a partir de 1990. Os dados do IBGE mostram que em 1989 o Brasil produziu 258.584 toneladas, numa área de 28.259 hectares, passando para 317.236 toneladas em 1990, chegando a 418.246 toneladas em 1992, decrescendo ligeiramente nos anos seguintes, para depois voltar aos mesmos patamares em 1996.

estagnação e redução da produçãoEvidentemente estes ciclos estão ligados aos

Também fica clara a ocorrência de ciclos, alternando período de crescimento, preços praticados tanto pelas indústrias quanto pelos atacadistas, obedecendo à lei da oferta e procura.

É interessante lembrar que as variações de preços sazonais não determinam alternância de ciclos produtivos, mas tem sido responsável por significativas transformações técnicas no cultivo do maracujazeiro, ou seja, tem determinado a época de plantio e o espaçamento para os pomares implantados em regiões que apresentam

FRUTAL’2004

MARACUJÁ – PRODUÇÃO, PÓS-COLHEITA E MERCADO 7 condições climáticas que permitam a produção dentro do período de entre safra da região Sudeste, normalmente de fins de agosto até fins de novembro.

Vale ressaltar que a região Sudeste é, atualmente, a maior produtora e também a maior consumidora de maracujá.

No tocante as exportações de sucos, o Brasil deixou uma confortável situação de maior exportador, quando em 1988 exportou 8.382 toneladas de suco concentrado a 50º BRIX, para a de importador, a partir de 1997. Atualmente, os cerca de 26.0 hectares cultivados com o maracujazeiro, estão espalhados por quase todos os estados brasileiros, sendo os mais importantes São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pará, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo, Ceará e Goiás.

Outro aspecto que chama a atenção é o fato de que na maioria das regiões brasileiras, o maracujazeiro esteja sendo cultivado em pequenas áreas, cerca de 2 hectares, e em pequenas propriedades, sendo importante gerador de renda, dado o elevado valor, além de propiciar um período longo de colheita, e faturamento, dentro do ano. O período produtivo pode variar de 6 meses por ano nas regiões mais ao Sul dos pais, até o ano todo nas regiões ao Norte. A vida útil do pomar tem variado muito, de acordo com a produtividade, condições climáticas e tratos culturais, mas dificilmente tem superado 2 anos.

3. ESPÉCIES E VARIEDADES

PassifloraEmbora existam discordâncias entre os diversos autores quanto ao número de

Pelo nome comum de maracujá são conhecidas várias espécies frutíferas ou ornamentais taxonomicamente classificadas dentro da família Passifloraceae, gênero espécies pertencentes à família e mesmo ao número de espécies pertencentes ao gênero Passiflora, pode-se aceitar como existindo cerca de 400 espécies, das quais 150 são nativas do Brasil e cerca de 60 possuem frutos comestíveis.

Várias espécies têm cultivo e consumo razoavelmente acentuado em regiões específicas, entre as quais podemos citar Passiflora quadrangularis Linn., P. mollissima Bailey, P. nitida HBK, P. caerulea Linn., P. laurifolia Linn., P. coccinea Aubl., P. cincinnata Mast., P. ligularis Juss., P. incarnata Linn.

FRUTAL’2004

MARACUJÁ – PRODUÇÃO, PÓS-COLHEITA E MERCADO 8

No Brasil são três as espécies consideradas principais e responsáveis por praticamente 100% da área plantada, sendo elas o P. alata Dryand., popularmente chamado de maracujá doce, P. edulis Sims., conhecido como maracujá roxo e P. edulis Sims f. flavicarpa Degener., conhecido como maracujá amarelo ou azedo, e responsável por 95% da área cultivada comercialmente no Brasil.

Existe grande variabilidade de formas, tamanho, teor de açúcar, acidez, rendimento de suco, tolerância a pragas e doenças, cor de polpa e outras características de interesse nas três principais espécies cultivadas no Brasil, sendo que para o maracujá doce e para o maracujá roxo ainda não existem, comercialmente, variedades. Para o maracujá amarelo já existem algumas seleções e híbridos, com sementes disponíveis comercialmente, sendo os principais:

• Seleção Maguary ou Araguari - FB 100: apresenta como principais características o alto rendimento de suco e teor de açúcares, polpa amarela-alarajanda, além da excelente produtividade e rusticidade. Como foi desenvolvido para atender o mercado industrial, apresenta frutos desuniformes em tamanho e cor de casca.

• Híbridos Flora Brasil - FB 200: Disponíveis a partir de 2.001, tem como principais características o vigor e tamanho dos frutos, ovalados, destinado para mercado innatura, apresenta também boa coloração da polpa, amarela-alarajada, bom rendimento de suco e teor de açúcar.

• Híbridos IAC: Série de híbridos desenvolvidos pelo IAC, sendo as principais características, bom rendimento de suco e teor de açúcares, polpa alaranjada, boa produtividade e vigor.

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