Esquizofrenia

Esquizofrenia

  • Demência precoce – Benedict Morel (1856)

  • Emil Kraepelin – organizou as doenças mentais graves em:

  • Demência precoce

  • Psicose maníaco depressiva

  • Paranóia

  • E. Bleuler, 1911-> ESQUIZOFRENIA

  • Schizein (cindir) phren (mente)

ESQUIZOFRENIA

  • Doença incapacitante caracterizada por distorção das funções mentais

  • Etiologia multifatorial, atinge 1% da população geral

  • Afeta a personalidade como um todo

  • Dimensão central - perda do contato com a realidade

  • O doente vivencia a perda do controle sobre si mesmo, invasão do mundo sobre a sua privacidade

  • O funcionamento psíquico está desordenado

  • Exames complementares e diagnóstico

  • Apresentam pouco insight sobre a sua doença

  • “O psiquismo não consegue aceitar que a vida é feita de frustração para se tornar socialmente viável, e que desejar apenas satisfação levará à inviabilidade social e, por conseguinte, à inviabilidade do próprio indivíduo, esse ser social”

  • (Amarante, 2006, p 79)

  • “A psicose é fruto de uma exclusão, de uma exclusão tão acentuada que o indivíduo se escondeu para se preservar, para tentar estar nesse mundo que lhe faz tantas exigências inalcançáveis, que lhe oferece uma singularidade de segunda, uma falsa singularidade.”

  • (Amarante, 2006, p.90)

Sintomas positivos – presença de comportamentos incomuns

    • Alucinações (auditivas, visuais, cenestésicas)
    • Delírios (persecutórios, grandeza, místico, auto-referente)
    • Agitação psicomotora
    • Comportamentos bizarros

Sintomas negativos ou deficitários

      • Distanciamento afetivo (expressão afetiva artificial, teatral, exagerada)
      • Retraimento social (isolamento)
      • Diminuição da vontade
      • Empobrecimento da linguagem e pensamento
      • Diminuição da fluência verbal
      • Autonegligência
      • Lentificação psicomotora

EXPERIÊNCIA DE UMA PESSOA COM PSICOSE

  • A psicose é real. A sua característica principal é a perda da consciência de mim mesmo, de tal maneira que fica impossível discernir minha ligação com a realidade na qual meu corpo está.

  • Meu cérebro vem com idéias fantásticas sobre quem eu poderia ser, já que não estou lá para lhe dizer. Talvez eu seja a rainha de copas, ou um mensageiro de outro planeta, ou ate mesmo o próprio Jesus Cristo. E por que não? Meu cérebro distorce a realidade dos sentidos. Será que o fogão esta quente ou frio? O casaco está molhado ou seco? A cadeira é uma cadeira, ou o que é ela exatamente?

  • Talvez insetos estejam rastejando para fora da minha mente e escalando aquela parede ali. Talvez haja uma corrente saindo da terra e pegando os meus pés, tentando me puxar para baixo.

Meu cérebro pode pensar em qualquer combinação e definição, em cada tipo de idéia que possa juntar, já que possui um número quase infinito de opções. Ele tem tudo o que já experimentou, todos os sons, todas as coisas, todas as sensações, todos os sonhos, todas as fantasias e todos os pesadelos

  • Meu cérebro pode pensar em qualquer combinação e definição, em cada tipo de idéia que possa juntar, já que possui um número quase infinito de opções. Ele tem tudo o que já experimentou, todos os sons, todas as coisas, todas as sensações, todos os sonhos, todas as fantasias e todos os pesadelos

  • Meu cérebro escolhe suas manifestações de acordo com as manifestações que dispõe, quando está no comando. Só que eu não estou lá para acrescentar o meu discernimento, meu bom senso e a minha consciência de acordo com o que eu aprendi. Meu cérebro nessas horas fica desnorteado. Ele não tem ninguém para guiá-lo. Nenhum capitão, nenhum leme, nenhum timão. Ele não tem dedos no teclado.

  • O que, então, é aquilo que se perdeu, e para onde foi? É a consciência? É o conhecimento do que se é? É a minha individualidade? É a parte de mim que faz diferença entre o “eu” e o mundo? O “eu” que se foi é a inteligência que me diz que eu sou eu e você é você.

Subtipos da Esquizofrenia e suas características

Indiferenciada ou simples (F20.3)

Etiologia

  • Biológicos

      • Predisposição genética
      • Alterações dos Neurotransmissores: (dopamina e serotonina)
      • Psicológicos
      • Psicodinâmico – relação mãe X filho
      • Socioculturais e ambientais

BIOLÓGICOS Risco genético para a esquizofrenia

BIOQUÍMICO

  • Excesso de dopamina

  • Desequilibro entre neurotransmissores (dopamina e serotonina)

  • Dopamina em alto nível no cérebro durante a adolescência

  • Drogas que aumentam o nível de dopamina no cérebro (podem ocasionar psicose)

  • Drogas que reduzem a função da dopamina (efeito antipsicótico)

Dados importantes

  • 95% - terão por toda a vida. (Stuart, 2001)

  • Recuperação 10% a 60% (Kaplan, 1990)

  • 3 em cada 4 casos começam entre os 17 e 25 anos.

  • 90% das pessoas com alucinação também têm delírios e apenas 35% que têm delírios/ alucinações

  • 20% têm alucinações sensoriais mistas (auditivas visuais)

  • 15% cometem o suicídio

  • Não existe prevenção específica para a esquizofrenia, o foco está no tratamento precoce e continuado, e na reabilitação ativa do paciente.

  • São mais vulneráveis à morte por acidentes e causas naturais

Sinais prodrômicos

  • Retraimento social, desconfiança, poucos amigos, dificuldades na escola, interesse por assuntos filosóficos, esotéricos, podem apresentar TOC, fobia

ANTIPSICÓTICOS OU NEUROLÉPTICOS

  • De acordo com o mecanismo de ação:

    • Tradicionais ou típicos - primeira geração
    • (bloqueio dos receptores dopaminérgicos)
    • Atípicos - segunda geração
    • (bloqueio dos receptores dopaminérgicos e serotonérgicos)

ANTIPSICÓTICOS / típicos (ação nos sintomas positivos)

  • Fenotiazinas:

    • Clorpromazina (Amplictil)
    • Levomepromazina (Neozine)
        • Pipotiazina (Piportil)
          • Flufenazina (Anatensol depot)
          • Maior sedação e menor efeito extrapiramidal
  • Butirofenonas:

    • Haloperidol (Haldol)
      • Trifluorperidol (Triperidol)
      • Menor sedação e maior efeito extrapiramidal

ANTIPSICÓTICOS / atípicos (ação nos sintomas negativos e positivos)

  • Efeitos extrapiramidais menores

  • Clozapina (Leponex) discrasias sangüíneas, droga efetiva em pacientes refratários

      • Risperidona (Risperdal)
        • Olanzapina (Zyprexa)
  • bloqueia o receptor dopaminérgico

ANTIPSICÓTICOS / típicos

  • Efeitos extrapiramidais:

  • Acatisia (sensação subjetiva de inquietude motora, necessidade de alternar entre estar sentado ou de pé)

  • Discinesia tardia (movimentos estereotipados da língua, cabeça, tronco ou membros)

  • Parkinsonismo (tremor das extremidades)

Outros efeitos colaterais

  • Ganho de peso, galactorréia, irregularidade menstrual

  • Hipotensão ortostática

  • Boca seca, visão turva, constipação intestinal, retenção urinária e íleo paralítico

  • sonolência, tonturas

  • Hipersalivação (clozapina)

  • Disfunções sexuais diversas

Enfermagem: o que deve saber?

  • Dificuldade de relacionamento (ser consistente, confiável e estimular a participação em pequenos grupo)

  • Dificuldades de atenção (redirecioná-lo de volta às tarefas)

  • Desconfiados (ser verdadeiro e claro)

  • Alteração do sono

  • Apresentam negligência com a higiene e necessidades básicas

  • Dificuldades para tomar decisões (qual xícara irá tomar café?)

  • Dificuldade em pensar abstratamente (pensamento concreto)

Enfermagem: o que deve saber?

  • Conversação difícil (usar frases curtas e simples)

  • Não acreditam que estejam doentes

  • Comunicação verbal prejudicada

  • Risco de suicídio

  • Risco de violência contra si e terceiros

  • Manifestações somáticas não valorizadas

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