Regras Gramaticais - Nova Ortografia

Regras Gramaticais - Nova Ortografia

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A princípio, pode parecer um contrassenso que, ao simples raiar de mais um janeiro, palavras que aprendemos ainda na infância comecem a saltar diante de nossos olhos de cara e roupa novas. Nem todos veem a ideia com simpatia.

Afinal, de que valeu todo o esforço para entender que infraestrutura se escrevia com hífen e anti-imperialista, sem ele, se agora é justamente o contrário? Qualquer plateia, atônita, sairia por aí a reclamar seu acento agudo, principalmente diante da injustiça de ver concedida a um ou outro herói a honra de mantê-lo. Já quanto ao pobre trema, não chega a ser imprudente apostar que poucos ousariam o voo solitário de defendê-lo. A maioria escreverá, tranquila, pinguim e linguiça, sem maiores consequências.

Pró-acordo ou contrário a ele, não há quem escape ileso de uma revisão ortográfica. E não há autoajuda que resolva. Em vez de ser pego de surpresa, o melhor é sentar e avaliar as mudanças com atenção. Desde 1º de janeiro, estão em vigor no Brasil as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado em 1990 com o objetivo de unificar a ortografia utilizada nos países que têm o português como língua oficial.

O objetivo deste guia é orientar os empregados da Eletrobrás em relação às mudanças, oferecendo condições para que a empresa se adeque o mais rápido possível a elas, a fim de manter, em seus instrumentos de comunicação, a imagem de dinamismo e agilidade. Aproveitando o ensejo, o guia estabelece algumas regras de padronização, para uniformizar questões como o emprego de maiúsculas e a grafia de horas e numerais, além de um capítulo dedicado a dúvidas comuns em relação à língua portuguesa.

Trata-se de um guia de consulta rápida, elaborado com o objetivo de oferecer acesso fácil à informação e ajuda no dia-a-dia. Serviram de apoio e consulta à sua elaboração o “Michaelis - Guia Prático da Nova Ortografia”, escrito por Douglas Tufano, e os manuais de redação dos jornais “O Estado de São Paulo” e “Folha de São Paulo”, além do “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”. Em caso de necessidade de explicações mais aprofundadas, recomenda-se a consulta a essas e outras obras.

As próximas páginas contêm referências às regras que orientam o uso de cada uma das expressões destacadas neste texto, algumas novas, outras não. Então, mãos à obra! Aqui está uma oportunidade de ficar mais bem informado sobre elas.

PRR/PRRI janeiro de 2009

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entrou em vigor em janeiro de 2009 no Brasil, tem por objetivo a unificação da ortografia nos países que têm o português como língua oficial. Além de Brasil e Portugal, também o assinaram Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste. As mudanças introduzidas ainda não eliminam todas as diferenças ortográficas existentes entre esses países, mas representam um passo importante nessa direção. No Brasil, as alterações dizem respeito ao alfabeto, às regras de acentuação, ao trema e ao hífen, conforme destacado adiante.

Acordo - Principais Mudanças

Acentuação

Não se acentuam mais os ditongos (encontros de duas vogais na mesma sílaba) abertos “ei” e “oi” das palavras paroxítonas (aquelas em que a penúltima sílaba é a tônica).

Como eraComo fica idéia ideia estóico estoico heróico heroico platéia plateia

Atenção: A regra se aplica apenas às palavras paroxítonas. Assim, permanece o acento nos ditongos abertos de palavras oxítonas (aquelas em que a última sílaba é a tônica) e monossílabas (palavras de apenas uma sílaba), tais como herói, anéis, papéis, dói e mói.

Não se acentuam mais o “i” e o “u” tônicos quando vierem depois de ditongos em palavras paroxítonas.

Como eraComo fica baiúca baiuca bocaiúva bocaiuva feiúra feiura

Atenção: O acento permanece nas palavras oxítonas em que o “i” e o “u” aparecem em posição final, ou seguidos de “s”, tais como Piauí e tuiuiús, e também nas paroxítonas em que o “i” e o “u” não vêm depois de ditongo, como acontece em juíza, uísque, ruína, saúva e paúra.

Não se acentuam mais as palavras terminadas em “eem” e “o”.

Acentuação

Como eraComo fica abençôo abençoo crêem creem enjôo enjoo lêem leem perdôo perdoo vêem veem

Não se usa mais o acento diferencial nos pares pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pólo/polo, péra/pêra.

Como eraComo fica

Ela pára o carro.Ela para o carro. Foi ao mercado comprar pêra. Foi ao mercado comprar pera. O cachorro estava com o pêlo macio.O cachorro estava com o pelo macio.

Viajaram ao pólo Norte.Viajaram ao polo Norte.

Atenção: Permanece o acento que diferencia pode (verbo poder, 3ª pessoa do presente do indicativo) de pôde (verbo poder, 3ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo).

Permanece o acento que diferencia por (preposição) de pôr (verbo).

Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural na 3ª pessoa do presente do indicativo dos verbos ter e vir e seus derivados, tais como manter, reter, deter, conter, convir, intervir, advir etc: ele mantém/ eles mantêm; ele detém/eles detêm; ele intervém/eles intervêm.

É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma e fôrma.

Acentuação

Permanecem

Ele fez o que pôde.

O casal assistiu ao pôr-do-sol.

Os tios vêm do Norte.

Eles detêm todos os direitos sobre a obra.

Todos têm medo da morte.

Várias das dificuldades advêm da crise. Poucos são os alimentos que não contêm glúten.

Não se acentua mais o “u” tônico precedido de “g” ou “q” na conjugação de verbos como arguir, redarguir, apaziguar, obliquar e averiguar.

Como eraComo fica apazigúe apazigue argúi argui averigúe averigue obliqúe oblique

Alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras, com a reintrodução das letras “k”, “w” e “y”, largamente utilizadas na escrita de símbolos de unidades de medida, como km (quilômetro) e W (watt), e em palavras de origem estrangeira, como show, windsurf e playboy.

Não se usa mais o hífen para unir prefixos terminados em vogal a palavras iniciadas por “r” ou “s”. Nesses casos, a consoante deve ser dobrada.

Como eraComo fica ante-sala antessala anti-social antissocial auto-regulamentação autorregulamentação auto-retrato autorretrato contra-regra contrarregra contra-senso contrassenso extra-seco extrasseco ultra-sonografia ultrassonografia

Não se usa mais hífen para unir prefixo terminado em vogal a palavra iniciada por vogal diferente.

Como eraComo fica auto-ajuda autoajuda auto-aprendizagem autoaprendizagem auto-escola autoescola auto-estrada autoestrada contra-indicação contraindicação extra-oficial extraoficial infra-estrutura infraestrutura semi-árido semiárido

Atenção: Esta regra uniformiza algumas exceções existentes anteriormente, como aeroespacial, antiaéreo, agroindustrial, socioeconômico e socioambiental.

Hífen

Usa-se hífen para unir prefixos terminados por vogal a palavras iniciadas pela mesma vogal.

Como eraComo fica antiinflamatório anti-inflamatório antiimperialista anti-imperialista arquiinimigo arqui-inimigo microondas micro-ondas microônibus micro-ônibus

Atenção: Com alguns prefixos, como “contra” e “semi”, não há alterações em relação à regra anterior, que já determinava o uso do hífen diante de palavras iniciadas por vogal. Exemplos: contra-argumento, contra-ataque, semi-analfabeto, semi-internato.

O prefixo “co” é uma exceção a esta regra. Ele prescinde do hífen, mesmo quando ligado a palavra iniciada pela vogal “o”, como em cooptar, coocupante e coobrigação.

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