Análise de pontes de madeira protendidas

Análise de pontes de madeira protendidas

(Parte 1 de 3)

Dissertação apresentada à Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Estruturas

ORIENTADOR : Prof. Dr. Antonio Alves Dias

À minha família, em especial à tia Nilda e Nilza, pelo apoio, incentivo e confiança.

Ao professor Antonio Alves Dias, que sempre se mostrou um orientador amigo, compreensivo e dedicado.

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pela bolsa de estudo concedida.

Ao meu esposo e amigo Luciano Jorge (Jorginho), que sempre me incentivou a crescer profissionalmente e esteve comigo nos momentos difíceis.

Ao professor Rocco, pelas palavras amigas nos momentos de incertezas e esclarecimentos técnicos que me auxiliaram na elaboração deste trabalho.

Ao professor Calil, que se mostrou atencioso às minhas dúvidas e na obtenção de material bibliográfico.

Aos colegas, professores e funcionários do Laboratório de Madeiras e Estruturas de Madeira (LaMEM), pela colaboração em minhas atividades de mestrado.

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURASvi
LISTA DE SÍMBOLOSvii
ABSTRACTxii
1- INTRODUÇÃO1
1.1- Objetivos2
1.2- Justificativa3
2- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA4
2.1- Introdução4
2.2- Tabuleiros com seção transversal de altura constante5
2.2.1- Sistema de protensão6
2.2.2- Tensões de protensão7
2.2.3- Parâmetros elásticos10
2.2.4- Perda de protensão11
2.2.5- Juntas de topo13
2.2.6- Modelos de cálculo14
2.2.7- Derivações do sistema16
2.3- Tabuleiros formados por vigas de seção transversal T19
2.3.1- Construção pioneira19
2.3.2- Variações construtivas do sistema T23
2.3.3- Ensaios de outros protótipos28
2.3.4- Método WVU31
2.4- Conclusões a respeito da revisão bibliográfica33
3.1.1- Madeira utilizada35
3.1.2- Características das pontes37
3.2- Procedimento de cálculo38
3.2.1- Dados de entrada41
tabuleiro ET41
3.2.3- Cálculo do número mínimo de nervuras (nmín)42
3.2.4- Cálculo da largura efetiva da mesa de uma viga-T interna (be)43
3.2.5- Cálculo do fator de distribuição da carga (Wf)46
3.2.6- Determinação do valor de cálculo do momento fletor total (MdT)47
3.2.7- Determinação do valor de cálculo do esforço cortante total (VdT)49
3.2.8- Verificações50
3.2.9- Cálculo do volume de madeira53
3.3-Descrição e resultados da análise numérica54
3.3.1- Dimensionamento das pontes formadas por vigas-T54
3.3.3- Influência da espécie de madeira do tabuleiro na altura D66
3.3.4- Influência da espécie de madeira das nervuras na altura D73
3.4-Discussões sobre a análise numérica80
3.5- Exemplo do método de cálculo82
4- EXPERIMENTAÇÃO DO MODELO REDUZIDO83
4.1- Características do modelo reduzido83
4.1.1- Caracterização das nervuras84
4.1.2- Caracterização das lâminas do tabuleiro86
4.1.3- Classificação das nervuras e das lâminas do tabuleiro88
4.2- Montagem do modelo88
4.2.1- Distribuição das nervuras e das lâminas do tabuleiro88
4.2.2- Apoios do modelo91
4.2.4.1- Dispositivos para aplicação das forças92
4.2.4.2- Equipamentos utilizados para medir deslocamentos93
4.2.5- Formas de aplicação das forças93
4.3- Resultados obtidos e análises95
4.3.1- Resultados96
4.3.2- Análise da rigidez à flexão longitudinal do modelo101
4.3.3- Análise do fator de distribuição da carga (Wf)104
4- CONCLUSÕES107
6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS109

APÊNDICE 1 - Programa para o cálculo e o dimensionamento de pontes de madeira protendidas transversalmente formadas por vigas-T

FIGURA 1 - Ponte de madeira com vigas-T (OKIMOTO, 1997)1
FIGURA 2- Planta e seção transversal de tabuleiro laminado protendido6
FIGURA 3- Elevação de tabuleiro laminado protendido6
FIGURA 4 - Sistema de Ancoragem7
Eucalipto Citriodora (OKIMOTO, 1997)8
FIGURA 6 - Transferência das cargas de roda9
FIGURA 7 - Perda de Protensão e Sistemas de Retensão13
FIGURA 8 - Tabuleiro com seção transversal de altura constante16
FIGURA 9 - Tabuleiro de altura constante com peças em MLC16
FIGURA 10 - Sistema sanduíche17
FIGURA 1 - Tabuleiro formado por vigas-T17
FIGURA 12 - Treliças longitudinais protendidas transversalmente18
FIGURA 13 - Tabuleiro com seção caixão18
FIGURA 14 - Tabuleiro transversal com protensão longitudinal19
FIGURA 15 - Dimensões da Ponte “Barlow Drive”20
FIGURA 16 - Modelo ensaiado por DICKSON & GANGARAO (1990)20
FIGURA 17 - Localização da linha neutra da viga-T central do modelo21
FIGURA 19 - Dimensões da Ponte "Camp Arrowhead"24
FIGURA 20 - Ponte "Camp Arrowhead"25
FIGURA 21 - Pontes com Vigas-T de LVL27
FIGURA 2 - Condição de carregamento A28
FIGURA 23 - Condição de carregamento B29
externa30
externa30
FIGURA 26 - Distribuição de tensão não-linear de uma viga-T isolada32
FIGURA 28 - Ponte com duas faixas de tráfego38
FIGURA 29 - Número mínimo de nervuras39
FIGURA 30 - Número máximo de nervuras39
FIGURA 31 - Fluxograma do método de cálculo40
FIGURA 32 - Desenho esquemático de uma ponte formada por vigas-T41
FIGURA 3 - Viga-T interna efetiva44
FIGURA 34 - Viga-T interna transformada45
FIGURA 35 - Viga-T externa efetiva45
FIGURA 36 - Viga-T externa transformada46
FIGURA 37 - Viga-T interna solicitada pela carga móvel48
FIGURA 38 - Viga-T interna solicitada pela carga permanente49
FIGURA 39 - Viga-T interna solicitada pela carga móvel50
FIGURA 40 - Viga-T interna solicitada pela carga móvel52
FIGURA 41 - Gráficos D x L para pontes com 1 faixa de tráfego57
FIGURA 42 - Gráficos V x L para pontes com 1 faixa de tráfego58
FIGURA 43 - Gráficos D x L para pontes com 2 faixas de tráfego61
FIGURA 4 - Gráficos V x L para pontes com 2 faixas de tráfego62
FIGURA 46 - Gráficos D x n para pontes com 1 e 2 faixas de tráfego71
FIGURA 47 - Gráficos V x n para pontes com 1 e 2 faixas de tráfego72
FIGURA 48 - Gráficos D x n para pontes com 1 e 2 faixas de tráfego78
FIGURA 49 - Gráficos V x n para pontes com 1 e 2 faixas de tráfego79
FIGURA 51 - Altura do tabuleiro em função do espaçamento entre nervuras82
FIGURA 52 - Dimensões do modelo reduzido84
FIGURA 53 - Ensaio de caracterização das nervuras84
FIGURA 54 - Ensaio de caracterização das lâminas do tabuleiro86
FIGURA 5 - Distribuição das nervuras no modelo reduzido89
FIGURA 56 - Conjunto de lâminas formado por quatro peças89
FIGURA 57 - Distribuição dos conjuntos de lâminas no modelo reduzido91
FIGURA 58 - Detalhe do apoio do modelo91
FIGURA 61 - Força uniformemente distribuída94
FIGURA 62 - Simulação de um eixo centrado94
FIGURA 63 - Simulação de um eixo não centrado95
FIGURA 64 - Gráficos d X P para os carregamentos correspondentes100
101
(OKIMOTO, 1997)14
nervuras 3 e 426
TABELA 3 - Tensões e deslocamentos máximos das nervuras 3 e 426
TABELA 4 - Dimensões e detalhes da pontes (RITTER et al, 1996)28
TABELA 5 - Classes de resistência para coníferas (NBR 7190/97)37
TABELA 6 - Classes de resistência para dicotiledôneas (NBR 7190/97)37
TABELA 7 - Alturas das nervuras D para pontes com 1 faixa de tráfego55
TABELA 8 - Volumes de madeiras V para pontes com 1 faixa de tráfego56
TABELA 9 - Alturas das nervuras D para pontes com 2 faixas de tráfego59
TABELA 10 - Volumes de madeiras V para pontes com 2 faixas de tráfego60
TABELA 1 - Alturas D para pontes com 1 faixa de tráfego (Bw, t, D em cm)63
TABELA 12 - Alturas D para pontes com 2 faixas de tráfego (Bw, t, D em cm)64
TABELA 13 - Alturas das nervuras D para pontes com 1 faixa de tráfego67
TABELA 14 - Volumes de madeiras V para pontes com 1 faixa de tráfego68
TABELA 15 - Alturas das nervuras D para pontes com 2 faixas de tráfego69
TABELA 16 - Volumes de madeiras V para pontes com 2 faixas de tráfego70
TABELA 17 - Alturas das nervuras D para pontes com 1 faixa de tráfego74
TABELA 18 - Volumes de madeiras V para pontes com 1 faixa de tráfego75
TABELA 19 - Alturas das nervuras D para pontes com 2 faixas de tráfego76
TABELA 20 - Volume de madeira V para pontes com 2 faixas de tráfego77

TABELA 1 - Valores de projeto para o fator de redução da rigidez longitudinal TABELA 2 - Tensões e deslocamentos máximos da porção do tabuleiro entre as

TABELA 21 - Módulos de elasticidade na direção longitudinal EL,n das nervuras_85 TABELA 2 - Módulos de elasticidade na direção longitudinal das lâminas do

tabuleiro EL,t87
TABELA 23 - Distribuição final das nervuras88
TABELA 24 - Distribuição final das lâminas do tabuleiro90
TABELA 25 - Força uniformemente distribuída – (I)96

AASHTO American Association of State Highway and Transportation Officials LVL Lâminas de pequena espessura coladas com as fibras orientadas na mesma direção (Laminated Veneer Lumber)

MLC Madeira laminada colada NBR Norma Brasileira Registrada OHBDC Ontario Highway Bridge Design Code USDA United States Department of Agriculture WVU West Virginia University vii a Largura de contato do pneu

Agr Área do guarda-rodas An Área da nervura At Área do tabuleiro entre duas nervuras Aasf Área do revestimento asfáltico sobre uma seção do tabuleiro Abal Área da aba de uma viga-T interna

Abalx Área da aba de uma viga-T externa b Largura da ponte be Largura efetiva da mesa de uma viga-T interna beti Largura efetiva transformada da mesa de uma viga-T interna bl Comprimento efetivo do pneu bt Largura efetiva transformada da aba de uma viga-T interna btex Largura efetiva transformada da aba de uma viga-T externa B Largura da aba de uma viga-T

Be Rigidez à flexão longitudinal de uma viga-T externa BE Largura efetiva da aba de uma viga-T

Bw Largura da nervura c Distância da linha neutra até a parte tracionada ou comprimida da viga-T casf Espessura da capa asfáltica Cbj Fator de redução da rigidez longitudinal

C0 Coeficiente de deslocamento de uma viga-T externa D Altura da nervura

DT Rigidez à flexão transversal do tabuleiro

Ec0,ef Módulo de elasticidade longitudinal efetivo na compressão paralela às fibras

Ec0,m Módulo de elasticidade longitudinal médio na compressão paralela às fibras

EL.n Módulo de elasticidade na direção longitudinal da nervura EL.t Módulo de elasticidade na direção longitudinal das lâminas do tabuleiro ET Módulo de elasticidade na direção transversal do tabuleiro viii fc0,k Resistência característica da madeira à compressão paralela às fibras fc0,d Resistência de cálculo da madeira à compressão paralela às fibras fc90,k Resistência característica da madeira à compressão perpendicular às fibras fc90,d Resistência de cálculo da madeira à compressão perpendicular às fibras ft0,k Resistência característica da madeira à tração paralela às fibras ft0,d Resistência de cálculo da madeira à tração paralela às fibras fv0,k Resistência característica ao cisalhamento paralelo às fibras fv0,d Resistência de cálculo ao cisalhamento paralelo às fibras fy Tensão de escoamento do aço GLT Módulo de elasticidade transversal do tabuleiro Ii, Iex Momento de inércia da viga-T interna e externa, respectivamente Itransformada Momento de inércia da viga-T transformada

Kmod Coeficiente de modificação considerando influências não cobertas por gw

Kd, Ks Coeficiente de regressão do deslocamento e da tensão, respectivamente lb Comprimento da barra de protensão L Vão da ponte

Mmáx.cm Momento fletor máximo devido à carga móvel em função da força concentrada de projeto Pd

Mmáx.cp Momento fletor máximo devido à carga permanente total Mmáx.m Momento fletor máximo devido à carga móvel MdT Valor de cálculo do momento fletor total MR Razão Modular

MS Momento estático n Número de nervuras

NL Número de faixas de tráfego p Força uniformemente distribuída na faixa ocupada pelo veículo-tipo

P Carga do eixo traseiro do veículo-tipo

PcN Força concentrada aplicada no ensaio de caracterização das nervuras

PcT Força concentrada aplicada no ensaio de caracterização das lâminas do tabuleiro

Pd Força concentrada de projeto

Pe Força concentrada que produz um momento equivalente ao momento máximo devido à carga móvel

Pnt Carga permanente total suportada por uma nervura interna

Pasf Peso-próprio do revestimento asfáltico sobre uma seção do tabuleiro, linearmente distribuído ao longo do vão

Pb Peso-próprio de uma barra de protensão

Pbp Peso-próprio das barras de protensão, linearmente distribuído ao longo do vão

Pi Parcela de carga absorvida por cada nervura do modelo Pi,máx Parcela de carga máxima absorvida por cada nervura do modelo Pn Peso-próprio da nervura, linearmente distribuído ao longo do vão

Pt Peso-próprio do tabuleiro entre duas nervuras, linearmente distribuído ao longo do vão s Espaçamento entre as barras de protensão

S Espaçamento entre nervuras t Altura do tabuleiro

V Esforço cortante devido ao puncionamento

Vcp Esforço cortante devido à carga permanente

Vcrc Esforço cortante devido às cargas de rodas concentradas, sem distribuição de carga

Vcrd Esforço cortante devido às cargas de rodas distribuídas Vcm Esforço cortante devido à carga móvel Vres Esforço cortante resistente VdT Valor de cálculo do esforço cortante total

Wf Fator de distribuição da carga x Distância entre o apoio e a primeira carga de eixo P x’ Duas vezes a altura da nervura ybal Localização da linha neutra da aba yn Localização da linha neutra da nervura yi, yex Localização da linha neutra da viga-T interna e externa, respectivamente a Coeficiente para pontes rodoviárias com revestimento de concreto asfáltico dcm Deslocamento devido à carga móvel dcp Deslocamento devido à carga permanente dT Deslocamento total devido à carga permanente e à carga móvel dcN Deslocamento da nervura medido no ensaio de caracterização dcT Deslocamento da lâmina do tabuleiro medido no ensaio de caracterização f Impacto vertical fb Diâmetro da barra de protensão gasf Peso específico do asfalto gGi Coeficiente de ponderação das ações permanentes gQi Coeficiente de ponderação das ações variáveis gw Coeficiente de minoração das propriedades da madeira l Relação entre a largura e o vão da ponte mS Coeficiente de atrito estático r Densidade aparente st, sc Tensão de tração e compressão paralela às fibras, respectivamente sN Tensão de protensão no tabuleiro t Tensão de cisalhamento y Fator de combinação e de utilização para cargas móveis em pontes rodoviárias

ALVES, N. M. P. (2002). Análise de pontes de madeira protendidas transversalmente formadas por vigas-T. São Carlos, 2002. 110p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

Neste trabalho é estudada uma variação do sistema estrutural de ponte de madeira com tabuleiro laminado protendido, em que a seção transversal é formada por vigas-T. As nervuras destas vigas são de madeira laminada colada e o tabuleiro de madeira serrada. São analisadas pontes da classe 30, com uma ou duas faixas de tráfego, dimensionando-se os elementos estruturais para diversas situações de projeto, e avaliando-se as influências das espécies e classes de resistência das madeiras e dos fatores geométricos (largura da nervura, altura do tabuleiro e espaçamento entre nervuras) na altura das nervuras. O procedimento de cálculo utilizado no dimensionamento das pontes de madeira formadas por vigas-T baseia-se no método WVU. Para o desenvolvimento deste trabalho, o método foi adaptado aos critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas, “NBR 7188/84 - Cargas Móveis em Pontes Rodoviárias e Passarelas de Pedestres” e “NBR 7190/97 - Projeto de Estruturas de Madeira”, e programado em software MATHCAD©. Os resultados obtidos indicam que não existe influência significativa na altura da nervura, ao se utilizar madeira da classe C 30 ou C 40 no tabuleiro, ou ao se variar a altura do tabuleiro de 15 até 25 cm. O modelo teórico é avaliado experimentalmente, por meio de modelo reduzido na escala geométrica de 1:5, obtendo-se boa concordância entre os valores experimentais e os teóricos.

xii

ALVES, N. M. P. (2002). Analysis of Transversely Stressed Timber Bridges composed of T-Beams. São Carlos, 2002. 110p. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

In this work it is studied a variation of the structural system of timber bridge with transversely laminated deck, in which the transversal section is composed of T- beams. The stringers of those beams are made of glued laminated timber and the deck of sawed timber. Bridges of class 30 are analyzed, with one or two traffic lanes, where the structural elements are designed for different project situations, and evaluated the influences of specimens and wood classes and geometric factors (width of stringer, depth of deck and spacing of stringers) in the depth of stringers. The calculus procedure used in the design of the timber bridges composed of T-beams is based on the WVU Method. To the development of this work, the method was adapted to the criteria of the Brazilian standards “NBR 7188/84 – Live Loads in Highway Bridges and Pedestrian Bridges” and “NBR 7190/97 – Project of Timber Structures” and programmed in MATHCAD© software. The results obtained show that there is no significant influence in the depth of stringer, either by using wood class C 30 or C 40, or by varying the height of the deck from 15 to 25 cm. The theoretical model is evaluated experimentally, by means of a reduced model at 1:5 geometric scale, being obtained well agreement between experimental and theoretical values.

O sistema estrutural de pontes de madeira com tabuleiro protendido se originou no Canadá, em 1976, como uma forma de recuperar tabuleiros pregados, que apresentavam problemas de delaminação. O bom desempenho estrutural dos tabuleiros recuperados com esta técnica incentivou a sua aplicação na construção de novas pontes.

O sistema laminado protendido consiste em peças de madeira posicionadas ao longo do vão, umas adjacentes às outras, e protendidas transversalmente por barras ou cabos de aço de alta resistência. Esta protensão transversal permite que o esforço cortante vertical seja transmitido lateralmente entre as lâminas, por meio do atrito. Com isto, o sistema comporta-se como uma placa ortotrópica capaz de distribuir lateralmente as cargas dos veículos e de resistir à flexão transversal.

Os tabuleiros protendidos com seção transversal constituído por peças de mesma altura são os mais utilizados para vãos menores que 10 m. Devido à necessidade de se construir pontes para vencer vãos maiores, foram estudadas derivações deste sistema, utilizando formas estruturais mais eficientes para a seção transversal (sistema T, sistema sanduíche, seção caixão e outras). O sistema T, mostrado na figura 1, consiste na introdução de vigas intermediárias com maiores dimensões no tabuleiro.

Neste trabalho são avaliadas as pontes formadas por vigas-T, utilizando nervuras de madeira laminada colada (MLC) e tabuleiro de madeira serrada. Inicialmente, é apresentada uma revisão bibliográfica a respeito das pontes de madeira protendidas, incluindo a variação que utiliza vigas-T, contendo os aspectos mais importantes relacionados a este sistema estrutural. Posteriormente, são efetuados os dimensionamentos destas pontes, para diversas situações de projeto, seguindo o procedimento de cálculo baseado no método WVU (Método desenvolvido pelo Departamento de Engenharia Civil da West Virginia University e apresentado por DAVALOS & SALIM (1992)) para o sistema T das pontes de madeira protendidas transversalmente, e um estudo para verificar a influência das espécies e classes de resistência das madeiras e das variações dos fatores geométricos na altura das nervuras. Por último, é realizado o ensaio de um modelo reduzido de ponte formada por vigas-T, para se avaliar o modelo teórico utilizado no dimensionamento destas pontes.

Para o desenvolvimento deste trabalho, o método WVU foi adaptado aos critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas, “NBR 7188/84 - Cargas Móveis em Pontes Rodoviárias e Passarelas de Pedestres” e “NBR 7190/97 - Projeto de Estruturas de Madeira”, e programado em software MATHCAD©.

O objetivo deste trabalho é:

- determinar as dimensões efetivas das pontes de madeira protendidas transversalmente formadas por vigas-T (altura do tabuleiro, altura e largura da nervura, espaçamento entre nervuras), conhecendo-se o vão, a largura e a classe da ponte, as espécies e as classes de resistência das madeiras;

- verificar como a altura da nervura é influenciada pelas espécies e classes de resistência das madeiras, e pela altura do tabuleiro e largura da nervura;

- e avaliar o modelo teórico utilizado no dimensionamento destas pontes, por meio do ensaio de um modelo reduzido de ponte formada por vigas-T.

Como o Brasil possui grandes áreas com potencialidade para o reflorestamento, uma solução possível para interligar bairros e regiões carentes de pontes em estradas vicinais é a construção de pontes de madeira de pequenos vãos para as vias secundárias ou rurais, utilizando espécies de reflorestamento.

Alguns estudos já foram desenvolvidos no Brasil para as pontes protendidas de madeira com tabuleiros de altura constante, notadamente os trabalhos de PRATA (1994) e OKIMOTO (1997). No entanto, devido à necessidade de superar a limitação apresentada pelos vãos destas pontes, da ordem de 10 m, propõe-se a análise teórica e experimental das pontes protendidas de madeira formadas por vigas-T.

“A evolução da utilização do concreto armado e do aço na construção das pontes tem acompanhado a história do homem na idade moderna. A tecnologia da madeira também tem alcançado alto nível, mas sua utilização é muito menos freqüente” (HELLMEISTER, 1978). No entanto, a madeira é renovável, tem grande potencial de resistência e durabilidade, tornando-a um bom material para a construção de pontes em estradas vicinais. Sendo o Brasil um país de grandes reservas florestais e de grande potencialidade para o reflorestamento, a construção de pontes de madeira é economicamente viável.

As pontes em estrutura de madeira para pequenos e médios vãos são amplamente utilizadas em estradas vicinais nos E.U.A. e Canadá, principalmente com a utilização de MLC. Um dos sistemas estruturais interessantes recentemente desenvolvidos, foi o sistema estrutural de pontes de tabuleiro laminado protendido, que se originou no Canadá, na região de Ontário, em 1976, como um método de recuperar tabuleiros laminados pregados, que se encontravam deteriorados por falha na laminação. O sistema laminado pregado consiste em vigas de madeira serrada posicionadas ao longo do vão, umas adjacentes às outras, e conectadas por pregos. Devido à solicitação dinâmica da ponte e às condições químicas (o sal utilizado para descongelar a superfície de tráfego das pontes atacava os elementos de aço das conexões) impostas ao sistema, surgiram diversos problemas que comprometiam o desempenho e a função para os quais foram projetados. Um dos problemas encontrados foi a delaminação dos tabuleiros pregados que corresponde à perda da continuidade transversal do tabuleiro por separação das peças e, como a funcionalidade estrutural deste sistema depende da capacidade de distribuição das ações da roda entre as lâminas adjacentes, apenas as vigas imediatamente abaixo das rodas eram solicitadas. Apesar desta deficiência estrutural, a madeira estava em perfeitas condições e, deste modo, a solução aplicada foi a implementação de um novo sistema de transferência das ações pela utilização de barras posicionadas transversalmente ao tabuleiro. Estas barras são submetidas a um tensionamento que comprime as vigas de madeira fazendo com que surjam propriedades de resistência e elasticidade na direção transversal. Com força de protensão adequada, previne-se que as laminas se separem nas faces de contato na parte inferior das fibras quando as forças são aplicadas perpendicularmente ao plano do tabuleiro. Como resultado, a ponte voltou a operar com a capacidade de tráfego prevista em projeto, demonstrando a grande eficácia estrutural deste novo sistema. Este fato gerou estudos para aplicação do sistema protendido em projetos de novas construções (OKIMOTO, 1997).

(Parte 1 de 3)

Comentários