Apostila de desenho técnico mecânico

Apostila de desenho técnico mecânico

(Parte 2 de 7)

Exemplo de caracteres usados (fonte ISOCP.TTF que acompanha o AutoCAD) ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

Também é comum usar a fonte Simplex no AutoCAD, em versões anteriores ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

Apostila de Desenho Técnico Básico

Desenhos técnicos, em geral, são representados em cor preta. Com as atuais facilidades de impressão, tornou-se mais fácil usar cores nos desenhos, mas não se deve exagerar.

Cada cor utilizada deve ser mencionada em legenda. Pode-se usar cores para indicar peças diferentes, ou indicar o estado atual de uma peça (a retirar, a construir, a demolir, etc).

2.3 Linhas O tipo e espessura de linha indicam sua função no desenho.

Figura 4 - Exemplos de tipos de linhas

Contínua larga – arestas e contornos visíveis de peças, caracteres, indicação de corte ou vista. Contínua estreita – hachuras, cotas Contínua a mão livre estreita (ou contínua e “zig-zag”, estreita) – linha de ruptura Tracejada larga – lados invisíveis Traço e ponto larga – planos de corte (extremidades e mudança de plano) Traço e ponto estreita – eixos, planos de corte Traço e dois pontos estreita – peças adjacentes

O uso de cada tipo de linha será visto detalhadamente nos próximos capítulos.

Apostila de Desenho Técnico Básico

A legenda não informa somente detalhes do desenho, mas também o nome da empresa, dos projetistas, data, logomarca, arquivo, etc. É na legenda que o projetista assina seu projeto e marca revisões. Em folhas grandes, quando se dobra o desenho, a legenda sempre deve estar visível, para facilitar a procura em arquivo sem necessidade de desdobrá-lo.

Figura 5 - Exemplo de legenda

2.5 Entendendo desenho técnico mecânico

Como introdução ao desenho técnico, na grande maioria dos cursos é feita o desenho mecânico. Logo, nada mais justo do que introduzir o aluno à nomeclatura usada.

Abaixo temos um pequeno glossário dos principais termos usados:

Aresta – reta comum a dois planos; equivale a uma linha no desenho. Broca – peça usada para furações. Brocar – Furar com broca. Calço – peça (geralmente uma cunha) usada para firmar ou nivelar. Chanfrar – realizar um chanfro em uma peça. Chanfro ou chanfradura – recorte em ângulo em uma aresta da peça. Chaveta – peça colocada entre o eixo e a roda, com finalidade de engatá-las.

Apostila de Desenho Técnico Básico

Concordância – arredondado de uma aresta, podendo ser interno ou externo. Entalhe – corte feito por serra. Escarear – abrir um furo em uma forma cônica, geralmente para alojar a cabeça de um parafuso. Esmerilhar – acabamento de uma superfície. Estampagem – obra em folha metálica, em geral recortada. Decapagem – forma de alisar, polir ou limpar uma peça. Forjar – dar forma a um metal quente a partir de golpes. Fresar – operação a partir de ferramentas de corte (fresadora). Limar – acabamento de superfície com lima. Matriz – peça empregada em conformar ou prensar uma forma desejada. Orelha – saliência de um peça. Polir – alisar uma superfície com feltro ou semelhante. Ranhura – sulco aberto em um eixo. Rasgo de chaveta – sulco aberto para receber uma chavêta. Rebaixo – parte cilíndrica alargada de um furo. Rebarba – excesso de metal resultante de uma operação. Rebite – pino usado como ligação permanente. Recartilhar – tornar uma superfície áspera por meio de um serrilhado. Ressalto – saliência de forma circular. Retificar – executar acabamento em uma superfície a partir de material abrasivo. Roscar – abrir uma rosca em um furo ou eixo. Tarraxa – ferramenta para abrir roscas externas. Tornear – operação de usinagem com tornos. Trepanar – executar uma ranhura em forma circular em torno de um furo. Vértice – canto de uma peça; ponto comum a duas retas.

Apostila de Desenho Técnico Básico

Neste capítulo será visto as relações geométricas existentes e como elas podem ajudar na construção do desenho, através basicamente do uso de compasso e esquadros.

Todas as construções geométricas partem de princípios básicos, estudados desde a antiguidade. Quando ainda não existia sistemas matemáticos bem definidos, todo o estudo de geometria era feito através dos desenhos. Tais conceitos são válidos até hoje, mesmo com os recursos disponíveis atualmente.

3.1.1 Locais geométricos

Um local geométrico define uma condição, uma propriedade, ou uma restrição em um desenho, que inclusive pode ser expressa matematicamente. Um exemplo simples é a circunferência: todos os pontos no traço da circunferência estão a mesma distância do centro.

Retas paralelas são outro exemplo de local geométrico: são dois conjuntos de pontos que nunca se cruzam, e que estão à uma distância fixa.

Em suma, todas as formas no desenho são locais geométricos, e através de suas propriedades é que iremos relacioná-los. Um exemplo prático:

- Tem-se dois pontos no espaço, denominados “A” e “B”, conforme a Figura 6, e deseja-se encontrar um terceiro ponto “C” que esteja à mesma distância “x” de ambos os pontos.

- Sabemos que a circunferência define um conjunto de pontos que se encontra com a mesma distância do centro. Com o compasso, pegamos na régua o tamanho “x” e traçamos duas circunferências, uma com centro em “A” e outra com centro em “B”. Veja a Figura 7.

Apostila de Desenho Técnico Básico

Figura 6 Figura 7

- A interseção das duas circunferências é a nossa solução. Vemos inclusive que existem dois pontos válidos, marcados como “C1” e “C2”, o que é perfeitamente plausível. Caso o problema tivesse maiores restrições (por exemplo, escolher o ponto mais alto) somente um dos pontos seria a solução correta.

Figura 8 Figura 9

- Se escolhermos outras distâncias “x”, veremos outras soluções. Veremos inclusive que podem haver distâncias cujas respostas é somente um ponto, ou distâncias em que as circunferências não se cruzam, não havendo solução.

Apostila de Desenho Técnico Básico

- O conjuntos de soluções, conforme nós variamos a distância “x”, pode ser definida por uma reta. Esta reta é outro local geométrico, neste caso definindo um conjunto de pontos que são equidistantes de “A” e “B”, contendo inclusive “C1” e “C2”.

Com a prática verá que não é necessário traçar circunferências inteiras para encontrar os pontos. Usa-se somente um traço aonde provavelmente estará o ponto. O cruzamento destes traços do compasso é chamado informalmente de “borboleta”.

Apostila de Desenho Técnico Básico

A reta (c) encontrada nas figuras anteriores também é chamada de mediatriz. Ela define um ponto médio entre os dois pontos. Caso os pontos definem uma reta, a mediatriz cortará esta reta em seu ponto médio, dividindo-a ao meio.

Figura 12 – mediatriz e ponto médio

O ponto médio pode ser encontrado com o recurso “object snap” (OSNAP), opção MID (midpoint).

Aqui utiliza-se uma escala conhecida (por exemplo, a régua ou escalímetro) para dividir uma reta em várias partes iguais.

- Trace uma segunda reta (BC), com qualquer comprimento, mas com um vértice em comum com a reta a ser dividida (AB).

- Divida a reta BC com sua régua. No exemplo, vamos dividir em 5 partes, faremos uma reta de 5 cm, marcando cada centímetro. - Ligue os extremos A e C.

- Com os esquadros, faça retas paralelas à AC, transferindo os pontos da reta BC para a reta AB.

Apostila de Desenho Técnico Básico

Figura 13 - divisão de uma reta

Além de retas, pode-se dividir arcos e circunferências com o comando DIVIDE. A divisão é marcada por pontos (os mesmos criados pelo comando POINT) que podem ser selecionados como qualquer objeto.

3.4 Traçar um reta passando por um ponto, paralelo a outra reta

Este traço é feito facilmente com os esquadros. Caso não tenha disponível os esquadros, há um método alternativo:

- Seja uma reta AB e queremos traçar uma paralela que passe pelo ponto P.

Com o compasso centrado em P, traça-se um arco de tamanho qualquer que intercepte a reta, achando-se C.

(Parte 2 de 7)

Comentários