Aleitamento Materno

Aleitamento Materno

Os povos da Babilônia (2500 a.C) e do Egito (1500 a.C) amamentavam suas crianças aproximadamente um período de 2 a 3 anos;

  • Os povos da Babilônia (2500 a.C) e do Egito (1500 a.C) amamentavam suas crianças aproximadamente um período de 2 a 3 anos;

  • No século XVIII, as pessoas da sociedade não viam mais a amamentação com admiração, passando a ser um hábito rotineiro o uso de amas-de-leite;

  • No século XIX, descobriu-se que o leite de vaca apresentava uma quantidade maior de proteínas que o leite humano;

Em 1900, surge o leite em pó, inicia a fase do aleitamento artificial;

  • Em 1900, surge o leite em pó, inicia a fase do aleitamento artificial;

  • O século XX sofreu as conseqüências destas descobertas que associado a outras mudanças na sociedade – industrialização, trabalho das mulheres fora de casa, urbanização – contribuíram para a diminuição do aleitamento materno.

O Brasil, junto com outros países da América Latina e a UNICEF (Fundação das Nações Unidas) passaram a discutir estratégias de incentivo e promoção ao aleitamento materno exclusivo;

  • O Brasil, junto com outros países da América Latina e a UNICEF (Fundação das Nações Unidas) passaram a discutir estratégias de incentivo e promoção ao aleitamento materno exclusivo;

  • Em 1990, foi idealizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela UNICEF a Iniciativa Hospital Amigo da Criança, com o objetivo de mobilizar os funcionários dos estabelecimentos de saúde para que mudem condutas e rotinas responsáveis pelo elevado índice de desmame precoce.

Reflexões sobre a amamentação no Brasil: de como passamos a 10 meses de duração

  • Reflexões sobre a amamentação no Brasil: de como passamos a 10 meses de duração

  • Marina Ferreira Rea

  • Cad. Saúde Pública vol.19  suppl.1 Rio de Janeiro,  2003

  • ...”Se em 1975 uma em cada duas mulheres amamentava apenas até o segundo ou terceiro mês no Brasil, no último inquérito de 1999, uma em cada duas mulheres amamenta até cerca de dez meses. Esse aumento em 25 anos pode tanto ser pensado como um sucesso, como pode ser visto como algo que poderia estar muito melhor se todas as atividades que se realizaram no país tivessem sido mantidas, avaliadas, corrigidas, bem coordenadas, melhoradas”...

Avaliação da promoção do aleitamento materno nas maternidades públicas e privadas do Município de São Paulo Tereza Setsuko Toma e Carlos Augusto Monteiro

  • Avaliação da promoção do aleitamento materno nas maternidades públicas e privadas do Município de São Paulo Tereza Setsuko Toma e Carlos Augusto Monteiro

  • Rev. Saúde Pública vol.35 no.5 São Paulo, 2001

  • ..”Mais de 1/4 dos hospitais públicos e mais de 1/3 dos privados não cumpriam qualquer passo da IHAC. Em apenas dois hospitais, ambos públicos, observou-se a adoção de pelo menos sete dos "dez passos". De modo geral, rotinas de proteção, promoção e apoio ao aleitamento foram encontradas com mais freqüência nos hospitais públicos do que nos privados”...

As crianças devem receber aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade;

  • As crianças devem receber aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade;

  • A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno;

  • As crianças devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade.

O inquérito nacional realizado pelo INAN/IBGE, 1992, aponta que embora 97% das mulheres brasileiras iniciem a amamentação, a duração desta prática está longe do ideal, sendo que 50% delas amamentam apenas até 134 dias;

  • O inquérito nacional realizado pelo INAN/IBGE, 1992, aponta que embora 97% das mulheres brasileiras iniciem a amamentação, a duração desta prática está longe do ideal, sendo que 50% delas amamentam apenas até 134 dias;

  • Atualmente, a duração ainda é baixa, em torno de 123 dias.

O que realmente determina a ação de amamentar, sua qualidade e duração, é o significado que a mulher atribui a essa experiência.

  • O que realmente determina a ação de amamentar, sua qualidade e duração, é o significado que a mulher atribui a essa experiência.

Os hormônios estrogênio e progesterona preparam a mama durante a gestação – ocorre aumento dos lóbulos, os mamilos ficam mais eretos, a pigmentação da aréola sobressai,a mama aumenta o tamanho e a sensibilidade;

  • Os hormônios estrogênio e progesterona preparam a mama durante a gestação – ocorre aumento dos lóbulos, os mamilos ficam mais eretos, a pigmentação da aréola sobressai,a mama aumenta o tamanho e a sensibilidade;

  • Em torno da 16ª semana de gestação, os alvéolos produzem o colostro, em resposta ao lactogênio placentário humano;

  • Após o nascimento, ocorre a queda do estrogênio e da progesterona, provocando a liberação da prolactina pela hipófise anterior;

Na gestação, a prolactina prepara a mama para secretar o leite, na lactação para sintetizar e secretar o leite;

  • Na gestação, a prolactina prepara a mama para secretar o leite, na lactação para sintetizar e secretar o leite;

  • Ela é produzida em resposta ao esvaziamento da mama e sucção do lactente – produção conforme demanda;

A ocitocina é produzida pela hipófise posterior e após receber o comando do hipotálamo, é liberado para provocar a descida do leite (reflexo de ejeção do leite) – o leite sae dos alvéolos e descem para os ductos até o mamilo.

  • A ocitocina é produzida pela hipófise posterior e após receber o comando do hipotálamo, é liberado para provocar a descida do leite (reflexo de ejeção do leite) – o leite sae dos alvéolos e descem para os ductos até o mamilo.

  • Ao mesmo tempo, a ocitocina provoca contrações uterinas, por isso, no trabalho de parto a mulher apresenta o reflexo de descida do leite;

  • Ela atua no controle de sangramento após o parto e na involução do útero;

“Diminui a probabilidade do desenvolvimento dos processos alérgicos, pelo retardo da introdução de proteínas heterólogas (leite de vaca) e pela ação provável de uma célula chamada macrófago, existente em grande quantidade no colostro”;

  • “Diminui a probabilidade do desenvolvimento dos processos alérgicos, pelo retardo da introdução de proteínas heterólogas (leite de vaca) e pela ação provável de uma célula chamada macrófago, existente em grande quantidade no colostro”;

  • “Favorece o desenvolvimento neuropsicomotor, melhorando profundamente a relação mãe-filho, com todos os benefícios conseqüentes”;

  • “Protege a criança contra infecções, principalmente as relacionadas ao aparelho respiratório e digestivo (MARTINS FILHO,1984).

“Nas classes sociais desprivilegiadas, colabora efetivamente para diminuir a taxa de desnutrição protéica calórica e, tem papel importante, na redução da mortalidade infantil”;

  • “Nas classes sociais desprivilegiadas, colabora efetivamente para diminuir a taxa de desnutrição protéica calórica e, tem papel importante, na redução da mortalidade infantil”;

  • “Representa real economia para as famílias de baixa renda, determinando ainda uma economia considerável para o país” (MARTINS FILHO,1984);

  • Crianças amamentadas por um longo período de tempo apresentam maiores índices em testes de inteligência (ROGAN; GLADEN, 1993; LUCAS et al, 1993);

Estudos indicam que alguns fatores do leite podem induzir o sistema imunológico da criança a uma maturação mais rápida do que estivesse em aleitamento artificial – bebês amamentados produzem níveis altos de anticorpos em respostas as vacinas (NEWMAN, 1995);

  • Estudos indicam que alguns fatores do leite podem induzir o sistema imunológico da criança a uma maturação mais rápida do que estivesse em aleitamento artificial – bebês amamentados produzem níveis altos de anticorpos em respostas as vacinas (NEWMAN, 1995);

  • O leite materno não contém materiais modificados geneticamente. A maioria dos consumidores não sabe o que está comendo e cada vez mais se utiliza transgênicos, que não estão sendo devidamente controlados no Brasil (BURROS, 1997);

A mulher que amamenta reduz o risco de contrair câncer de ovário e de mama (ROSENBLATT et al, 1993; FREUDENHEIM et al., 1994);

  • A mulher que amamenta reduz o risco de contrair câncer de ovário e de mama (ROSENBLATT et al, 1993; FREUDENHEIM et al., 1994);

  • A amamentação reduz o risco de osteoporose na vida madura. A incidência de mulheres com osteoporose que não amamentaram foi 4 vezes maior do que aquelas que amamentaram (COMMINGS; KLINEBERG,1993; FREUDENHEIM, et al.,1994);

  • Durante os primeiros seis meses, se a mãe está em amenorréia, o aleitamento materno tem 98% de efetividade na prevenção de gravidez (DEWEY et al, 1997).

É uma recomendação da OMS/ UNICEF (1996) fornecer orientações às gestantes durante o pré-natal a respeito da importância do aleitamento materno;

  • É uma recomendação da OMS/ UNICEF (1996) fornecer orientações às gestantes durante o pré-natal a respeito da importância do aleitamento materno;

  • Os benefícios do aleitamento materno têm melhor efeito se discutido no primeiro trimestre da gravidez, enquanto os medos, as crenças e as demonstrações práticas são mais úteis no final da gravidez (WHO,1998);

  • Sendo assim, o preparo do aleitamento materno se inicia no pré-natal.

Em estudo realizado no CAISM/UNICAMP, para avaliar o conhecimento adquirido pelas primigestas em relação ao aleitamento materno,observou-se que apenas 17, das 55 gestantes orientadas foram capazes de descrever dois ou mais vantagens do aleitamento materno (VILLELA, 2003);

  • Em estudo realizado no CAISM/UNICAMP, para avaliar o conhecimento adquirido pelas primigestas em relação ao aleitamento materno,observou-se que apenas 17, das 55 gestantes orientadas foram capazes de descrever dois ou mais vantagens do aleitamento materno (VILLELA, 2003);

  • O grau de escolaridade interferiu no conhecimento dos fatores que podem atrapalhar o aleitamento materno (VILLELA, 2003).

Legislação: artigos 35º e 50º, nº 1 a) da Lei 99/2003 + 68º, 97º, nº 1 e 101º, nº 2, 103º, nº1, 107º, nº1, 112º, nº 1 e 113º, nº 1 da Lei 35/2004;

  • Legislação: artigos 35º e 50º, nº 1 a) da Lei 99/2003 + 68º, 97º, nº 1 e 101º, nº 2, 103º, nº1, 107º, nº1, 112º, nº 1 e 113º, nº 1 da Lei 35/2004;

  • Conteúdo: A trabalhadora tem direito a licença de 120 dias consecutivos (desses 120 dias, 90 têm de ser gozados a seguir ao parto). – Artigo 35º, nº1 CT;

  • 40 das 68 gestantes entrevistadas não tem conhecimento desta lei trabalhista.

  • (VILLELA, 2003).

Uma estratégia simples que aumenta os conhecimentos das mães em aleitamento materno e melhora as taxas de amamentação (Brasil) Lulie R.O. et al.

  • Uma estratégia simples que aumenta os conhecimentos das mães em aleitamento materno e melhora as taxas de amamentação (Brasil) Lulie R.O. et al.

  • Rev. chil. pediatr. v.71 n.5 Santiago set. 2000

  • “... Este estudo confirmou a nossa hipótese de que a orientação das mães sobre aleitamento materno no período pós-natal aumenta os seus conhecimentos sobre o assunto e, conseqüentemente, a prevalência dessa prática nos seis primeiros meses. Embora as mães tenham aumentado os seus conhecimentos um mês após o nascimento de seus filhos, independentemente de terem recebido ou não a intervenção, esta fez diferença no nível de conhecimento, que, por sua vez, mostrou-se associado positivamente com a prevalência de amamentação, em especial a amamentação exclusiva, em diferentes momentos”...

Banho de sol;

  • Banho de sol;

  • Não passar cremes nas aréola;

  • Utilizar toalha ou bucha vegetal na mama durante o banho;

  • Exercícios para formação do bico (exercícios de Hoffman);

  • Uso de sutiã adequado.

Os exercícios de Hoffman devem se realizados com cautela, colocando os dedos de cada lado do mamilo e estirando a pele da auréola para fora;

  • Os exercícios de Hoffman devem se realizados com cautela, colocando os dedos de cada lado do mamilo e estirando a pele da auréola para fora;

  • Podem realizar-se a partir do sexto mês de gestação, e uma vez nascido o bebé, são benéficos para a extracção do colostro ou para estimular a libertação do leite antes de colocar o bebé ao peito;

Ingerir bastante líquido;

  • Ingerir bastante líquido;

  • Alimentação balanceada, rica em todos nutrientes;

  • Não ingerir nenhuma medicação sem autorização médica;

  • Não passar cremes na aréola;

  • Se rachaduras no bico, evitar passar pomadas e outras substâncias;

  • Realizar a extração manual, antes de amamentar para facilitar a pegada do lactente;

  • Uso de sutiã adequado.

Extrair o leite materno pode ser necessário para:

  • Extrair o leite materno pode ser necessário para:

  •  Ajudar o lactente a agarrar a mama, se a mesma estiver muito cheia;

  • Se o lactente for pequeno ou apresenta alguma patologia e não pode se alimentar no seio materno;

  • Se a mãe precisa ausentar-se do lactente durante algumas horas (trabalho);

  •  Para aumentar a sua produção de leite.

Doença materna debilitante;

  • Doença materna debilitante;

  • Tuberculose ativa da mãe, não tratada;

  • Portadora do vírus HIV e/ou da hepatite C (HCV);

  • Galactosemia no neonato (erro no metabolismo da galactose pela deficiência enzimática).

- BURROS. Biotechnology's Bounty,. N.Y.Times . 1997.

  • - BURROS. Biotechnology's Bounty,. N.Y.Times . 1997.

  • - DEWEY, KG, COHEN RJ, LANDA RIVERA L, CANAHUATI J, BROWN KH. Effects of age at introduction of elementary foods to breast-fed infanys on duration of lactational amenorrhea in Honduran women.American Journal of Clinical Nutrition, 65: 1403-1409, 1997.

  • - FREUDENHEIM, J. et al. 1994 Exposure to breast milk in infancy and the risk of breast cancer. Epidemiology 5:324-331.

  • - LUCAS, A et al. Breast milk and subsequent intelligence quotient in children born preterm. The Lancet, 339: 261-164, 1993.

  • - MARTINS ,F.J. Como e porquê amamentar. Sarvier.1a ed. São Paulo, 1984.

  • - MACHADO, K. Assembléia Mundial da Saúde aprova proposta de aleitamento. RADIS. n.º 22, 2001.

  • - OMS/UNICEF. Iniciativa Hospital Amigo da Criança. Critérios Globais. São Paulo. Gov. Est. SP,1996.

  • - Organização Mundial de Saúde (1989). Proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno: O papel especial dos serviços materno-infantis.Declaração conjunta OMS/UNICEF. Genebra: OMS.

  • - ROGAN, W.J; GLANDEN, B.C. Early Human Development, 31: 181-193, 1993.

  • - Villela, G.C.R. Estudo do conhecimento sobre amamentação adquirido pelas primigestas durantes o pré-natal, 2003.

  • - WHO. Evidence for the Ten Steps to Successful Breastfeeding. Geneva. Division of Child Health and Development, 1998.

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